sábado, 4 de abril de 2026

DIÁRIO DE DOMINGO DE PÁSCOA 05/04/2026

 Domingo de Páscoa 05/04/2026

“A alma não tem segredo que o comportamento não revele.” (Lao-Tsé)

 

 

EVANGELHO DE HOJE

Jo 20,1-9

 

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João

— Glória a vós, Senhor!

 

Domingo bem cedo, quando ainda estava escuro, Maria Madalena foi até o túmulo e viu que a pedra que tapava a entrada tinha sido tirada. Então foi correndo até o lugar onde estavam Simão Pedro e outro discípulo, aquele que Jesus amava, e disse:

- Tiraram o Senhor Jesus do túmulo, e não sabemos onde o puseram!

Então Pedro e o outro discípulo foram até o túmulo. Os dois saíram correndo juntos, mas o outro correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro. Ele se abaixou para olhar lá dentro e viu os lençóis de linho; porém não entrou no túmulo. Mas Pedro, que chegou logo depois, entrou. Ele também viu os lençóis colocados ali e a faixa que tinham posto em volta da cabeça de Jesus. A faixa não estava junto com os lençóis, mas estava enrolada ali ao lado. Aí o outro discípulo, que havia chegado primeiro, também entrou no túmulo. Ele viu e creu. (Eles ainda não tinham entendido as Escrituras Sagradas, que dizem que era preciso que Jesus ressuscitasse.

 

Palavra da Salvação

Glória a vós Senhor.

 

 

MEDITAÇÃO DO EVANGELHO

Fr. Luiz Almir Gonçalves

 

O túmulo vazio significa que Cristo não está mais lá. Ele ressuscitou! A vida venceu a morte. Maria Madalena foi a primeira a testemunhar esta grande notícia. A princípio, ela não compreendeu o túmulo vazio porque o seu coração estava envolvido em uma grande tristeza pela morte de Jesus. Ela foi ao túmulo quando ainda estava escuro. Podemos deduzir que essa escuridão não era somente a física, mas também uma escuridão espiritual que invadiu os corações dos fiéis seguidores de Jesus após sua morte. Ele é a luz do mundo. Na sua ausência reina as trevas.

Maria Madalena vai ao encontro dos apóstolos – Pedro e o discípulo amado – para narrar esse grande mistério: “tiraram o Senhor do túmulo”. O que teria pensado aquela mulher? Mataram o Mestre e roubaram o corpo. O coração daquela fiel seguidora de Jesus estava mais vazio do que o túmulo; mais escuro do que a escuridão da noite. Pedro e o outro discípulo foram ao túmulo. Realmente estava vazio. No lugar do corpo restavam apenas as faixas de linho. Segundo o Evangelho, o discípulo amado chegou primeiro e acreditou na ressurreição de seu Mestre. Ele não teve dúvidas: não estava entre os mortos Aquele que é o Senhor da vida plena.

O discípulo amado acreditou porque foi capaz de compreender o mistério da ressurreição, porque a sua esperança não foi obscurecida com a morte do seu Mestre. Para quem acredita, contempla a luz em cada amanhecer, mesmo se as nuvens forem abundantes. Como o discípulo amado, somos convidados a contemplar um Deus que não está mais no túmulo, mas vivo em nosso meio. Contemplar a ressurreição somente como um fato do passado perde a sua grandeza e torna-se um acontecimento longe e descompactualizado com a nossa realidade. Cristo continua a ressurgir a cada momento, a cada gesto solidário e a cada sorriso que expressa ternura.

O discípulo amado representa aqueles que, mesmo diante do vazio, confiam na presença do Senhor. Celebrar a ressurreição de Jesus é perceber que ele está presente em todos os momentos, principalmente nos mais difíceis. Quando Maria Madalena se perguntava onde estava o Senhor, Ele estava muito próximo. Ele não estava ausente, apenas não foi percebido. Esse episódio acontece também em nosso viver. Às vezes perguntamos: Onde está o Senhor? Ele sempre está próximo. A escuridão das nossas incertezas e medos impede que o contemplemos. Que a ressurreição do Senhor estimule a nossa caminhada preenchendo de amor e esperança o vazio e a escuridão do nosso coração.

Ele vive, a morte foi vencida!

 

 

MOMENTO DE REFLEXÃO

 

Desejo que neste dia, em que nós cristãos, comemoramos renascimento de Jesus para a vida eterna, possamos renascer também em nossos corações.

Que neste momento tão especial de reflexão possamos lembrar daqueles que estão aflitos e sem esperanças.

Possamos fazer uma prece por aqueles que já não o fazem mais, porque perderam a fé em um novo recomeçar, pois esqueceram que a vida é um eterno ressurgir.

Não nos deixe esquecer que mesmo nos momentos mais difíceis do nosso caminho, tú estás conosco em nossos corações, porque mesmo que já tenhamos esquecido de ti, você jamais o faz.

Pois, padeceste o martírio da cruz em nome do Pai e pela humanidade, que muitas e muitas vezes esquece disso.

Esquecem de ti e do teu sacrifício

Quando agridem seu irmão,

Quando ignoram aqueles que passam fome,

Quando ignoram os que sofrem a dor da perda e da separação,

Quando usam a força do poder para dominar e maltratar o próximo,

Quando não lembram que uma palavra de carinho, um sorriso, um afago, um gesto podem fazer o mundo melhor.

Jesus…

Conceda-me a graça de ser menos egoísta, e mais solidário para com aqueles que precisam.

Que jamais esqueça de ti e de que sempre estarás comigo não importa quão difícil seja meu caminhar.

Obrigado Senhor,

Pelo muito que tenho e pelo pouco que possa vir a ter.

Por minha vida e por minha alma imortal.

Obrigado Senhor!

(Irmã Cecília)

 

 

 

 

 

 

 

E até que nos encontremos novamente,

que Deus lhe guarde serenamente

na palma de Suas mãos.

 

 

 

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sexta-feira, 3 de abril de 2026

DIÁRIO DE SÁBADO SANTO 04/04/2026

 

Sábado Santo 04/04/2026

 

“Conhecer os outros é inteligência, conhecer-se a si próprio é verdadeira sabedoria. Controlar os outros é força, controlar-se a si próprio é verdadeiro poder.” (Lao-Tsé)

 

EVANGELHO DE HOJE

Mt 28,1-10

 

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Mateus

— Glória a vós, Senhor!

 

Depois do sábado, ao raiar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro. De repente, houve um grande terremoto: o anjo do Senhor desceu do céu e, aproximando-se, removeu a pedra e sentou-se nela. Sua aparência era como um relâmpago, e suas vestes, brancas como a neve. Os guardas ficaram com tanto medo do anjo que tremeram e ficaram como mortos. Então o anjo falou às mulheres: "Vós não precisais ter medo! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito!... Ide depressa contar aos discípulos: 'Ele ressuscitou dos mortos e vai à vossa frente para a Galiléia. Lá o vereis'. É o que tenho a vos dizer". E saindo às pressas do túmulo, com sentimentos de temor e de grande alegria, correram para dar a notícia aos discípulos. Nisso, o próprio Jesus veio-lhes ao encontro e disse: "Alegrai-vos!" Elas se aproximaram e abraçaram seus pés, em adoração. Jesus lhes disse: "Não tenhais medo; ide anunciar a meus irmãos que vão para a Galiléia. Lá me verão"

 

Palavra da Salvação

Glória a vós Senhor.

 

 

MEDITAÇÃO DO EVANGELHO

Frei Carlos Mesters, O.Carmo

 

Jesus vive! Jesus ressuscitou!

A frase, "Quando ainda estava escuro (v.1), significa que os dicípulos de Jesus ainda estavam na escuridão da morte (cf Lc 1,79) porque a fé deles ainda não se despertara para o Dia da Ressurreição (cf.v.9). Sair da noite da falta de fé e despertarse para a aurora da ressurreição é um caminho pessoal lento e árduo. É necessário ir atrás do Senhor, à sua procura mesmo às apalpadelas, no bojo da escuridão pôrse a caminho e correr (cf.v.4). Com efeito, a aurora da ressurreição vai surgindo lentamente das entranhas da noite. Mesmo no escuro, Maria Madalena vê a pedra retirada do túmulo (v. 1 ). O outro discípulo vê os panos de linho rio sepulcro e, finalmente Pedro contempla os panos e o sudário dobrado posto à parte (vv.67). 0 discípulo que havia chegado primeiro ao tumulo viu e acreditou (v.8). Este ver que produza fé não é simplesmente ver com os olhos que vêem as evidências do túmulo vazio e dos panos, mas sim a evidência do encontro que descobre o essencial invisível aos olhos. Todos os testemunhos visíveis da ressurreição de Jesus bem como de seu ministério terrestre, permanecem mudos sem a iluminação da fé que brota no encontro. De fato, Maria Madalena diante do túmulo vazio, prova visível da ressurreição, se retira horrorizada pensando que haviam roubado o corpo do seu Senhor. Mas quando, no mesmo túmulo vazio, ela o encontra (v. 16), a fé desponta em seu coração e ela é iluminada pelo Imenso que irrompe na sua escuridão. Por isso, agora, o túmulo vazio passa de lugar de horror, a tempo do feliz encontro com o Senhor Ressuscitado. Aquele primeiro dia da semana tornase dia do Senhor. É o Domingo cristão dia em que Jesus é reconhecido como vencedor da morte e de todas as escravidões. Manifestemos nossa alegria e firmemos nosso compromisso de levar adiante o projeto de libertação!

É festa da Ressurreição! Proclamemos Cristo Ressuscitado como Caminho Verdade e Vida!

 

 

MOMENTO DE REFLEXÃO

 

Vê se pode, Deus mandou seu único filho pra morrer por mim...

Quando penso nisso é difícil acreditar.

Eu mereço tal sacrifício? Eu mereço a vida do filho de Deus?

Isso me faz lembrar de um assassino condenado à morte. Ele se chamava Barrabás e ia ser crucificado. Vocês lembram daqueles filmes de bang-bang ou dos desenhos do pica-pau onde um dono de funerária vestido de terno preto media o tamanho das pessoas pra fazer o caixão?

Pois é, assim como o caixão era feito sob medida, a cruz, naquela época, também era. E foi construída uma cruz do exato tamanho de Barrabás.

E Barrabás estava lá, deitado em uma cela imunda, fétida, cheia de lodo e seu corpo já estava todo surrado. Ele sabia que aquele era seu último dia. Mas de repente alguém apareceu e disse que ele não ia mais ser crucificado, pois, em Seu lugar, morreria uma outra pessoa. Se Barrabás perguntou quem era essa pessoa a resposta foi: “Jesus, um tal de Jesus morrerá em seu lugar.”

Eu até posso imaginar Barrabás saindo da cela e, depois, indo acompanhar a multidão para tentar ver quem era o tal Jesus que ia morrer em seu lugar.

Se Barrabás fez isso eu não sei. Mas sei o que ele viu se procurou ver o tal Jesus: Barrabás viu um homem carregando uma cruz que não era dele. Viu um homem levando chibatadas que não eram pra ele. Barrabás viu pingando um sangue que era inocente. Viu um homem coroado com espinhos de uma polegada cada. Barrabás viu um homem ser pregado em uma cruz que não pertencia a ele. E viu Jesus morrer a morte que não era pra ele – Jesus – morrer. Jesus carregou e foi morto em uma cruz que, sequer, tinha o Seu tamanho.

Pensando nisso, meu amigo, eu só consigo entender uma coisa: a cruz que Jesus carregou não era dele, era minha. Não era pra Jesus ter vertido seu próprio sangue. Naquele dia, era o meu sangue que tinha que escorrer. A morte que Jesus morreu – morte de cruz – era a minha morte. Jesus carregou e foi morto em uma cruz que tinha, exatamente, o meu tamanho. Aquela cruz que Cristo morreu, era minha.

Esse tal de Cristo, segundo a Bíblia, morreu por mim.

Por que? Eu valho tanto assim?

Eu sou um nada. Um grão de areia nesse mundão de meu Deus. Tenho falhas em todos os setores de minha vida. Por que então esse tal de Jesus morreu por mim?

Eu não sei te responder não... mas um dia quero ter a oportunidade de, lá no céu, olhar nos olhos desse Jesus e dizer “obrigado, Jesus. Mas sem querer ser ingrato, por que o Senhor morreu por mim?”

 

E confesso, não faço a mínima idéia de qual vai ser a resposta dele...

Mas isso me faz lembrar de uma outra coisa: minha filha, que tinha pouco mais de um aninho e se chama Lívia, tinha uma bonequinha de pano. Nós a acostumamos dormir com a tal boneca. E a Lívia acostumou de tal forma que não vai pra cama sem a dita cuja. Com o passar do tempo, por óbvio, a boneca de pano foi ficando velha, furada, e com uma etiqueta toda suja (pra dormir, a Lívia fica enrolando no dedo na etiqueta). Apesar dessa bonequinha estar velha, com espuma saindo pelo buraco, minha filha não dorme sem ela. Às vezes a boneca se perde pela casa, e antes de dormir a Lívia sai procurando e chamando com a aquela voz de anjo: “néquim... néquim...”. E quando ela acha é a maior festa, beijos e abraços na “néquim” dela, e lá vão as duas dormir. Sem medo de errar, eu posso dizer: a Lívia ama aquela bonequinha, por mais velha que ela esteja.

 Sim... eu também estou meio estragado... com meus defeitos e erros brotando pelos meus poros. Mas mesmo assim o meu Deus  me ama. Às vezes também me perco por essa vida, me desvio e erro o caminho... Mas Deus me procura e me reencontra... Aí, meu amigo, é só alegria.

Eu não sei por que Ele faz isso. Mas eu sei que Ele faz. Eu sinto isso todos os dias em minha vida... Jesus está ao meu lado, me ajudando, me carregando no colo e me fortificando.

Meu Jesus não só morreu na minha cruz. Ele ressuscitou para que eu, igualmente, tenha a vida eterna.

Eu não mereço nem uma gota de suor desse tal Jesus. Mas ele deu o próprio sangue por mim.                           

Nesta Páscoa, lembre-se de seu real significado: Um Deus que me ama – e te ama – deixou o Seu Trono de Glória e veio até esta terra, sujar seus pés com poeira, passar fome, frio e calor, ser xingado, apedrejado, vaiado, perseguido e, finalmente, morrer em uma cruz que pertencia a uma pessoa que sou eu e, se você quiser, que era sua também.

Por que ele fez tudo isso?

Vamos combinar: no céu, vamos juntos, eu e você meu amigo, perguntarmos pra ele “Jesus, por que o Senhor morreu por nós?”

(Denis Clebson da Cruz (Kzar))

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E até que nos encontremos novamente,

que Deus lhe guarde serenamente

na palma de Suas mãos.

 

 

 

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quinta-feira, 2 de abril de 2026

DIÁRIO DE SEXTA-FEIRA 03/04/2026

 

Sexta-feira 03/04/2026

 

"Se eu tenho uma oportunidade de tentar alguma coisa ou de fazer alguma coisa, eu sempre o farei. E é assim que eu vivo. " [ Angelina Jolie ]

 

 

EVANGELHO DE HOJE

Jo 18,1-19.42

 

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João

— Glória a vós, Senhor!

 

Naquele tempo: Jesus saiu com os discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Havia aí um jardim, onde ele entrou com os discípulos. Também Judas, o traidor, conhecia o lugar, porque Jesus costumava reunir-se aí com os seus discípulos. Judas levou consigo um destacamento de soldados e alguns guardas dos sumos sacerdotes e fariseus, e chegou ali com lanternas, tochas e armas.

Então Jesus, consciente de tudo o que ia acontecer, saiu ao encontro deles e disse: 'A quem procurais?' Responderam: 'A Jesus, o nazareno'. Ele disse: 'Sou eu'. Judas, o traidor, estava junto com eles. Quando Jesus disse: 'Sou eu', eles recuaram e caíram por terra. De novo lhes perguntou: 'A quem procurais?' Eles responderam: 'A Jesus, o nazareno'. Jesus respondeu: 'Já vos disse que sou eu. Se é a mim que procurais, então deixai que estes se retirem'. Assim se realizava a palavra que Jesus tinha dito:

'Não perdi nenhum daqueles que me confiaste'. Simão Pedro, que trazia uma espada consigo, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O nome do servo era Malco. Então Jesus disse a Pedro: 'Guarda a tua espada na bainha. Não vou beber o cálice que o Pai me deu?'  Conduziram Jesus primeiro a Anás. Então, os soldados, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o amarraram. Conduziram-no primeiro a Anás, que era o sogro de

Caifás, o sumo sacerdote naquele ano. Foi Caifás que deu aos judeus o conselho: 'É preferível que um só morra pelo povo'.  Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus. Esse discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio do sumo sacerdote. Pedro ficou fora, perto da porta. Então o outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, saiu, conversou com a encarregada da porta e levou Pedro para dentro. A criada que guardava a porta disse a Pedro: 'Não pertences também tu aos discípulos desse homem?' Ele respondeu: 'Não'. 1Os empregados e os guardas fizeram uma fogueira e estavam-se aquecendo, pois fazia frio. Pedro ficou com eles, aquecendo-se. Entretanto, o sumo sacerdote interrogou Jesus a respeito de seus discípulos e de seu ensinamento. Jesus lhe respondeu: 'Eu falei às claras ao mundo. Ensinei sempre na  sinagoga e no Templo, onde todos os judeus se reúnem. Nada falei às escondidas. Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que  falei; eles sabem o que eu disse.' Quando Jesus falou isso, um dos guardas que ali estava deu-lhe uma bofetada, dizendo:  'É assim que respondes ao sumo sacerdote?' Respondeu-lhe Jesus: 'Se respondi mal, mostra em quê; mas, se falei bem, por que me bates?' Então, Anás enviou Jesus amarrado para Caifás, o sumo sacerdote. Não és tu também um dos discípulos dele? Pedro negou: 'Não! Simão Pedro continuava lá, em pé, aquecendo-se. Disseram-lhe: 'Não és tu, também, um dos discípulos dele?' Pedro negou: 'Não!' Então um dos empregados do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro tinha cortado a orelha, disse: 'Será que não te vi no jardim com ele?' Novamente Pedro negou. E na mesma hora, o galo cantou. O meu reino não é deste mundo.  De Caifás, levaram Jesus ao palácio do governador. Era de manhã cedo. Eles mesmos não entraram no palácio, para não ficarem impuros e poderem comer a páscoa. Então Pilatos saiu ao encontro deles e disse: 'Que acusação apresentais contra este homem?' Eles responderam: 'Se não fosse malfeitor, não o teríamos entregue a ti!' Pilatos disse: 'Tomai-o vós mesmos e julgai-o de acordo com  a vossa lei.' Os judeus lhe responderam: 'Nós não podemos condenar ninguém à morte'. Assim se realizava o que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer. Então Pilatos entrou de novo no palácio, chamou Jesus e perguntou-lhe: 'Tu és o rei dos judeus?' Jesus respondeu: 'Estás dizendo isto por ti mesmo, ou outros te disseram isto de mim?' Pilatos falou: 'Por acaso, sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste?'. Jesus respondeu: 'O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui.' Pilatos disse a Jesus: 'Então tu és rei?' Jesus respondeu: 'Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz.' Pilatos disse a Jesus: 'O que é a verdade?' Ao dizer isso, Pilatos saiu ao encontro dos judeus, e disse-lhes: 'Eu não encontro nenhuma culpa nele. Mas existe entre vós um costume, que pela Páscoa eu vos solte um preso. Quereis que vos solte o rei dos Judeus?' Então, começaram a gritar de novo: 'Este não, mas Barrabás!' Barrabás era um bandido. Viva o rei dos judeus! Então Pilatos mandou flagelar Jesus.

Os soldados teceram uma coroa de espinhos e colocaram-na na cabeça de Jesus. Vestiram-no com um manto vermelho, aproximavam-se dele e diziam:' Viva o rei dos judeus!' E davam-lhe bofetadas. Pilatos saiu de novo e disse aos judeus:

'Olhai, eu o trago aqui fora, diante de vós, para que saibais que não encontro nele crime algum.' Então Jesus veio para fora, trazendo a coroa de espinhos e o manto vermelho. Pilatos disse-lhes: 'Eis o homem!' Quando viram Jesus, os sumos sacerdotes e os guardas começaram a gritar: 'Crucifica-o! Crucifica-o!' Pilatos respondeu: 'Levai-o vós mesmos para o crucificar, pois eu não encontro nele crime algum.' Os judeus responderam: 'Nós temos uma Lei, e, segundo esta Lei, ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus'. Ao ouvir estas palavras, Pilatos ficou com mais medo ainda. Entrou outra vez no palácio e perguntou a Jesus: 'De onde és tu?' Jesus ficou calado. Então Pilatos disse: 'Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar?' Jesus respondeu: 'Tu não terias autoridade alguma sobre mim, se ela não te fosse dada do alto.Quem me entregou a ti, portanto, tem culpa maior.'  Fora! Fora! Crucifica-o!  Por causa disso, Pilatos procurava soltar Jesus. Mas os judeus gritavam: 'Se soltas este homem, não és amigo de César. Todo aquele que se faz rei, declara-se contra César'. Ouvindo estas palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado 'Pavimento', em hebraico 'Gábata'. Era o dia da preparação da Páscoa, por volta do meio-dia. Pilatos disse aos judeus: 'Eis o vosso rei!' Eles, porém, gritavam: 'Fora! Fora! Crucifica-o!' Pilatos disse: 'Hei de crucificar o vosso rei?' Os sumos sacerdotes responderam: 'Não temos outro rei senão César'. Então Pilatos entregou Jesus para ser crucificado, e eles o levaram. Ali o crucificaram, com outros dois. Jesus tomou a cruz sobre si e saiu para o lugar chamado 'Calvário', em hebraico 'Gólgota'. Ali o crucificaram, com outros dois: um de cada lado, e Jesus no meio. Pilatos mandou ainda escrever um letreiro e colocá-lo na cruz; nele estava escrito: 'Jesus o Nazareno, o Rei dos Judeus'. Muitos judeus puderam ver o letreiro, porque o lugar em que Jesus foi crucificado ficava perto da cidade. O letreiro estava escrito em hebraico, latim e grego. Então os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos: 'Não escrevas 'O Rei dos Judeus', mas sim o que ele disse: 'Eu sou o Rei dos judeus'.' Pilatos respondeu: 'O que escrevi, está escrito'. Repartiram entre si as minhas vestes.Depois que crucificaram Jesus, os soldados repartiram a sua roupa em quatro partes, uma parte para cada soldado. Quanto à túnica, esta era tecida sem costura, em peça única de alto a baixo. Disseram então entre si: 'Não vamos dividir a túnica. Tiremos a sorte para ver de quem será'. Assim se cumpria a Escritura que diz: 'Repartiram entre si as minhas vestes e lançaram sorte sobre a minha túnica'. Assim procederam os soldados. Este é o teu filho. Esta é a tua mãe. Perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: 'Mulher, este é o teu filho'. Depois disse ao discípulo: 'Esta é a tua mãe'. Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo. Tudo está consumado. Depois disso, Jesus, sabendo que tudo estava consumado, e para que a Escritura se cumprisse até o fim, disse: 'Tenho sede'. Havia ali uma jarra cheia de vinagre. Amarraram numa vara uma esponja embebida de vinagre e levaram-na à boca de Jesus. Ele tomou o vinagre e disse: 'Tudo está consumado'. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. E logo saiu sangue e água. Era o dia da preparação para a Páscoa. Os judeus queriam evitar que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque aquele sábado era dia de festa solene. Então pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas aos crucificados e os tirasse da cruz. Os soldados foram e quebraram as pernas de um e depois do outro que foram crucificados com Jesus. Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; 3mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. Aquele que viu, dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro; e ele sabe que fala a verdade, para que vós também acrediteis. Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: 'Não quebrarão nenhum dos seus ossos'. E outra Escritura ainda diz: 'Olharão para aquele que transpassaram'. Envolveram o corpo de Jesus com os aromas, em faixas de linho. Depois disso, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus - mas às escondidas, por medo dos judeus -

pediu a Pilatos para tirar o corpo de Jesus. Pilatos consentiu. Então José veio tirar o corpo de Jesus. Chegou também Nicodemos, o mesmo que antes tinha ido a Jesus de noite. Trouxe uns trinta quilos de perfume feito de mirra e aloés. Então tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no, com os aromas, em faixas de linho, como os judeus costumam sepultar. No lugar onde Jesus foi crucificado, havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido  sepultado. Por causa da preparação da Páscoa, e como o túmulo estava perto, foi ali que colocaram Jesus.

 

Palavra da Salvação

Glória a vós Senhor.

 

 

MEDITAÇÃO DO EVANGELHO

Diário do Nordeste

 

“As nossas incoerências diante da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo”

No Evangelho de hoje nós acompanhamos toda a narrativa da Paixão e Morte e Sepultamento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Diante disto, podemos meditar sobre este acontecimento e tirar proveito de muitas mensagens para a nossa existência. Percebemos primeiramente, que, assim como aconteceu com Jesus, existe um sentido real para todas as ocorrências da nossa vida. Jesus Cristo não foi preso nem foi capturado, pelo contrário, Ele próprio se entregou aos homens para que se cumprisse tudo o que já estava escrito no intuito de que a vontade do Pai se realizasse. Assim, quando Jesus se entregou aos homens, na verdade Ele estava se oferecendo ao Pai, pela humanidade. Na narrativa percebemos que Jesus estava consciente de tudo o que iria lhe acontecer e, por isso, Ele próprio interpelou os guardas, dizendo: "A quem procurais"? E depois de saber que eles buscavam a Jesus, o Nazareno, Ele respondeu: "Sou eu"! Nós também precisamos estar atentos (as) para as coisas que acontecem na nossa vida a fim de perceber qual é a vontade do Pai para nós, principalmente nas situações em que tenhamos de enfrentar os desafios. Muitas vezes nós também temos consciência de que algo precisa acontecer e que para isso, também precisamos assumir nova postura e novo compromisso, no entanto, relutamos e não enfrentamos a "fera". Se tivermos confiança nos planos de Deus para a nossa felicidade e consciência de que Ele precisa de nós para colaborar na salvação dos nossos irmãos e irmãs, nós também não fugiremos dos obstáculos e, como Jesus Cristo, nós também nos apresentaremos diante dos nossos algozes para "beber do cálice" que o Pai nos destinou.   Com a continuação da história verificaremos que todas as coisas aconteceram coerentemente com o que já havia sido profetizado conforme as Escrituras. A Bíblia é um Livro de homens santos e pecadores e Nela nós nos identificamos quando agimos bem ou agimos mal. O mesmo Pedro que cortou a orelha do servo do sumo-sacerdote para defender Jesus foi o que depois, por três vezes negou que O conhecesse. A atitude de Pilatos revela a nossa omissão diante das "coisas erradas" que presenciamos e, "lavamos as mãos" porque achamos que não compete a nós e não temos "nada a ver com isto". Diante de Pilatos Jesus não se justificou nem tampouco se acovardou, mas somente esclareceu: "O meu reino não é deste mundo". Aprendendo com o Mestre nós também podemos assumir compromissos e atitudes coerentes com o nosso desígnio para não nos desviar do nosso ideal de vida. Realmente, o nosso reino não é deste mundo e as dificuldades que enfrentamos nesta vida temporal são apenas pontes que nos levam a atravessar o vale para chegar ao reino definitivo. Somos hoje, Pedro, Pilatos, Judas e Malco na nossa geração. Somos como  Anás, Caifás e até como os guardas e a encarregada que guardava a porta do lugar onde Jesus estava. Todos nós temos o nosso posto, a diferença, porém, poderá estar no modo como enfrentamos os desafios da nossa missão, com os olhos voltados para o alto para beber o cálice que nos é apresentado ou  olhando somente para a terra tentando nos livrar dos desafios e vivendo como qualquer um dos mortais, só para esta vida. Faça hoje a sua leitura  com bastante atenção e perceba os pontos que para você devem ser mais importantes e que servem de exemplo e mensagem  para a sua vida atualmente:- As atitudes e as palavras de Jesus; a atitude dos discípulos, principalmente Judas e Pedro; as atitudes das autoridades; a omissão de Pilatos; a manifestação do povo, da multidão que antes proclamava Jesus Rei; a atitude dos soldados, enfim faça um paralelo dos acontecimentos da Paixão de Jesus com a sua vida cotidiana.

 

 

MOMENTO DE REFLEXÃO

 

Às vezes penso como seria Judas. Qual a sua aparência, como agia, quem eram seus amigos?

 Acho que pintei na minha mente um retrato dele. Sempre o imaginei como um homem magro, de olhos redondos e negros, astucioso, vil; com barba pontuda e tudo. A minha ideia mostrava-o distanciado dos outros apóstolos. Sem amigos. Remoto. Ele era sem dúvida desonesto e traiçoeiro. Provavelmente produto deum lar destruído. Um delinquente juvenil na adolescência.

Interrogo-me, porém, se isso é mesmo verdade. Não temos qualquer evidência (salvo o silêncio de Judas), sugerindo o seu isolamento. Há pouca razão para crer que fosse desonesto. De facto, ele cuidava da tesouraria. Ninguém poria um ladrão para tomar conta do dinheiro. Na última ceia, quando Jesus disse que o seu traidor estava sentado à mesa, não vemos os apóstolos voltarem-se imediatamente para Judas como o culpado lógico.

Penso que julgamos Judas erroneamente. Ele talvez fosse o oposto disso tudo. Em lugar de astucioso e magro, quem sabe se era robusto e jovial? Em vez de calado e introvertido, pode ser que tivesse sido  falante e bem-intencionado. Não sei.

Mas, apesar de tudo o que não sabemos sobre Judas, de uma coisa temos a certeza: ele não tinha um relacionamento com o Mestre.

Ele viu Jesus, mas não O conheceu. Ele ouviu Jesus, mas não compreendeu. Tinha religião, mas não comunhão.

Ao rodear a mesa no cenáculo, Satanás procurava um tipo especial de homem para trair o Senhor. Precisava de um homem que tivesse visto Jesus, mas não O conhecesse. De alguém que soubesse dos actos de Jesus, mas não atentasse para a Sua missão. Judas era esse homem. Ele  conhecia o império, mas jamais conheceu o Homem.

Aprendemos esta lição eterna do traidor:

As melhores armas de destruição de Satanás não estão fora, mas dentro da igreja. Nenhuma igreja morrerá por causa da imoralidade em Hollywood. Mas morrerá corroída por dentro, por aqueles que usam o nome deJesus, mas nunca O conheceram.

Judas usava o manto da religião, mas jamais conheceu o coração de Cristo.

Façamos disso o nosso objectivo: conhecê-Lo… profundamente.

(Max Lucado)

 

 

 

 

 

 

 

E até que nos encontremos novamente,

que Deus lhe guarde serenamente

na palma de Suas mãos.

 

 

 

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