Sexta-feira 01/05/2026
"Felicidade é
ter o que fazer, ter algo que amar, e algo que esperar." [Aristóteles]
EVANGELHO DE HOJE
Jo 14,1-6
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, +
segundo João
— Glória a vós, Senhor!
Jesus disse:- Não fiquem aflitos. Creiam em
Deus e creiam também em mim. Na casa do meu Pai há muitos quartos, e eu vou
preparar um lugar para vocês. Se não fosse assim, eu já lhes teria dito. E,
depois que eu for e preparar um lugar para vocês, voltarei e os levarei comigo
para que onde eu estiver vocês estejam também. E vocês conhecem o caminho para
o lugar aonde eu vou. Então Tomé perguntou: - Senhor, nós não sabemos aonde é
que o senhor vai. Como podemos saber o caminho? Jesus respondeu: - Eu sou o caminho,
a verdade e a vida; ninguém pode chegar até o Pai a não ser por mim.
Palavra da Salvação
Glória a vós Senhor.
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Pe. Antonio Queiroz
No Evangelho deste domingo, Jesus se apresenta como a luz do mundo.
Entretanto, percebemos que não é uma luz que impõe ser vista indiferentemente
por todos, mas aquilo que se constata através de sua ação na cura de um cego, é
que algumas pessoas começam a ver e outras permanecem cegas, tudo depende da
atitude de cada um de nós.
No início do relato, Jesus vê um cego de nascença e decide curá-lo por
iniciativa própria, ninguém lhe pede para fazê-lo. Mas os discípulos ficam
refletindo uma idéia muito difundida (não só no mundo de então, mas forte ainda
hoje) segundo a qual toda doença é castigo de Deus pelo pecado. Assim, eles
perguntam a Jesus se a causa da cegueira do mendigo foram os pecados dele ou
dos seus pais.
Isto não é completamente ilógico, já que freqüentemente muitos de nós
somos tentados a pensar que os males físicos e psíquicos de uma determinada
pessoa seja culpa dos pais; por exemplo, se uma criança nasce com AIDS não é
culpa sua obviamente, e talvez nem mesmo de sua mãe; pais briguentos podem
provocar nos filhos traumas psicológicos, tornando-os doentes.
Mas no caso do cego em questão, Jesus desmente categoricamente aquela
convicção: “Nem ele nem os seus pais pecaram”; a cegueira do mendigo, como
qualquer outra enfermidade, não depende sempre de específicas culpas de alguém
nem de Deus, que não é vingativo, mas aquele homem assim nasceu para que as
obras de Deus se manifestem nele.
Jesus cura o cego. E os olhos que ele curou para ver o sol, abrem-se
gradativamente para ver aquele que lhe curou. O milagre suscita uma discussão
entre os presentes e conhecidos. Há uma tentativa de afastar a verdade. Duvidam
da identidade do homem curado “não é ele, mas alguém parecido com ele”. Porém,
o ex-cego afirma sua identidade “sou eu mesmo!”, ainda que não saiba dizer nada
sobre Jesus nem sobre onde eles possam encontrá-lo.
Em seguida, ao encontrar os fariseus, estes se escandalizam e sustentam
que, tendo feito Jesus o milagre em dia de sábado quando é proibido qualquer
trabalho, era um pecador: portanto, devia ser evitado; mas à inconfundível
consideração do curado, surge uma divergência entre eles, pois ficam se
perguntando como é possível um pecador fazer tal sinal?
Os fariseus se interessam normalmente só com o “como” Jesus fez isso
(dia de sábado), de onde concluíam que ele era um pecador. O fato da cura em si
não tinha nenhum significado para eles. Mas depois de terem colocado todos os
pretextos e tentado subornar a família do cego que arriscava ficar toda ela
expulsa da comunidade, ficava agora obrigatória tomar uma posição com relação à
pessoa de Jesus.
Aí é onde entra a inconformidade do curado com os fariseus. Pois ele é
consciente da relação perfeita que há entre Jesus e Deus. “Se ele é pecador,
não sei. Só sei que eu era cego e agora vejo”. “Sabemos que Deus não escuta os
pecadores, mas escuta aquele que é piedoso e que faz a sua vontade”. Para o
cego curado, a cura torna-se verdadeiramente um sinal que o leva a reconhecer o
vínculo entre Deus e Jesus. Os fariseus continuaram resistindo em não querer
enxergar e endureceram o coração, expulsando o homem da comunidade.
É triste! Não há pior cego que o que não quer ver; e a cegueira
espiritual é pior que a física, onde diante da evidência alguém permanece
emperrado nos próprios preconceitos, fechando os olhos para a realidade.
O episódio se conclui com a revelação do significado profundo do
prodígio. Encontrando de novo o homem curado, agora expulso da comunidade,
Jesus o convida a valer-se da vista recuperada para reconhecê-lo: “você
acredita no Filho do Homem?” “E quem é? para que creia nele”? “Tu o estás
vendo, é aquele que está falando contigo”. Como com a samaritana do domingo
passado, tudo caminha para a mesmo finalidade.
A luz dos olhos é metáfora da luz da alma. O cego de nascença é cada
homem, cada mulher, incapaz de sozinho ver a luz divina, e, que, portanto
deixa-se guiar por ela, com as conseqüências, pessoais, e coletivas, das quais
todos somos testemunhas; e se quisermos permanecer cegos, fazendo descaso da
luz de Deus, quantos desastres, derrotas, tragédias, amarguras, teremos pela
frente! Para evitá-las na sua bondade Deus nos fez dom da sua luz, para que
possamos ver a estrada justa no caminho desta vida, a estrada que tem como meta
ele, luz do mundo.
MOMENTO DE REFLEXÃO
O ruído da maçaneta
Não há mais bela música
que o ruído da maçaneta da porta,
quando meu filho volta para casa.
Volta da rua, da vasta noite,
da madrugada de estranhas vozes,
e o ruído da maçaneta,e o gemer do trinco,
o bater da porta que, novamente, se fecha,
o tilintar inconfundível do molho
de chaves,
são um doce acalanto, uma suave cantiga de ninar.
Só assim fecho os olhos,
posso, afinal, dormir e descansar.
Oh! a longa espera, a negra ausência,
as histórias de acidentes e assaltos,
que só a noite, como ninguém, sabe contar!
Oh! os presságios e os pesadelos,
o eco dos passos nas calçadas,
a voz dos bêbados na rua,
e o longo apito do guarda, medindo a madrugada,
e os cães uivando na distância,
e o grito lancinante da ambulância!
E o coração, descompassado,
a pressentir e a martelar,
na aritimia do relógio do meu quarto,
esquadrinhando a noite e seus mistérios.
Nisso, na sala que se cala,
estala a gargalhada jovem da maçaneta
que canta a festiva cantiga do retorno.
E sua voz engole a noite imensa,
com todos os ruídos secundários.
Oh! Os símbolos do trinco
e os clarins da porta que se escancarava,
e os guizos das muitas chaves que se abraçam
e o festival dos passos que ganham a escada!
Nem as vozes da orquestra, e o tilintar de copos,
e a mansa canção da chuva no telhado,
podem, sequer, se comparar
ao som da maçaneta que sorri, quando meu filho volta.
Que ele retorne sempre, são e salvo,
marinheiro depois da tempestade, a sorrir e a cantar.
E que, na porta, a maçaneta cante
a festiva canção do seu retorno,
que soa, para mim, como suave cantiga de ninar.
Só assim, só assim, meu coração se aquieta,
posso, afinal, dormir e descansar
("Gióia Júnior")
E até que nos encontremos novamente,
que Deus lhe guarde serenamente
na palma de Suas mãos.
Faça seu cadastro informando seu e-mail para
receber um
DIÁRIO como este.
veraborro@gmail.com
Para comentários, sugestões ou cadastro de um
amigo:veraborro@gmail.com
Visite nosso blog, você vai gostar
https://florescersempre2017.blogspot.com/