Quarta-feira 15/04/2026
"A Vontade de
Deus nunca irá levá-lo aonde a Graça de Deus não possa protegê-lo."
EVANGELHO DE HOJE
Jo 3,16-21
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, +
segundo João
— Glória a vós, Senhor!
Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu
único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida
eterna. Pois Deus mandou o seu Filho para salvar o mundo e não para julgá-lo.
- Aquele que crê no Filho não é julgado; mas
quem não crê já está julgado porque não crê no Filho único de Deus. E é assim
que o julgamento é feito: Deus mandou a luz ao mundo, mas as pessoas preferiram
a escuridão porque fazem o que é mau. Pois todos os que fazem o mal odeiam a
luz e fogem dela, para que ninguém veja as coisas más que eles fazem. Mas os
que vivem de acordo com a verdade procuram a luz, a fim de que possa ser visto
claramente que as suas ações são feitas de acordo com a vontade de Deus.
Palavra da Salvação
Glória a vós Senhor.
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Pe. Antonio Queiroz
Deus enviou seu Filho ao mundo para que o
mundo seja salvo por ele.
Neste Evangelho, Jesus nos apresenta o motivo da Redenção, por que ela
aconteceu. Não partiu de algum mérito do ser humano, mas unicamente de Deus, do
seu amor a nós. Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito.
Deus nos ama com um amor tão grande, que nem o pecado conseguiu estancar
esse amor, ao contrário, o fez crescer ainda mais. “Acaso uma mulher esquece o
seu neném, ou o amor ao filho de suas entranhas? Mesmo que alguma se esqueça,
eu de ti jamais me esquecerei!” (Is 49,15).
Jesus veio expressar com a sua vida, morte e ressurreição, esse amor de
Deus por nós: “Jesus, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o
fim” (Jo 13,1).
Deus enviou seu Filho ao mundo para que o mundo seja salvo por ele.
Devemos ver Jesus como o nosso melhor amigo, que vê o nosso lado bom e faz de
tudo para que sejamos nesta vida e na outra.
Entretanto, “quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz”.
Aí está a explicação de todos os males deste mundo e por que muitos não vão
para o céu. Somos livres, e aqueles que praticam o mal preferem agir no escuro
ou escondido, para que ninguém descubra suas más ações. Veja, por exemplo, os
ladrões que sempre agem escondido. Ao evitar que os outros descubram o que
fazem, os maus se condenam a si mesmos, pois mostram que sabem que suas ações
são más.
Mas o amor de Deus por nós é maior que o nosso pecado. Por isso todos
nós, santos e pecadores, podemos nos aproximar de Jesus com confiança, pois ele
nos ama a todos com um amor misericordioso e infinito. Ninguém deve ter medo de
Jesus, pois ele não para condenar, mas para salvar.
Quando somos amados por alguém, sentimos o desejo de retribuir. Amor com
amor se paga. A nossa melhor retribuição é a obediência à sua Palavra e o
engajamento cada vez maior na sua Igreja, una, santa, católica e apostólica.
Vamos, neste tempo pascal, acolher este presente de amor que Deus nos
deu e nos deixar transformar por ele, o fogo do amor que veio ao mundo para
queimar o pecado e purificar a prata.
Um dia, um senhor que estava viajando de carro do Rio para S. Paulo,
entrou na cidade de Aparecida, comprou uma vela do seu tamanho, dirigiu-se à
capela das velas no Santuário, acendeu a vela e fez a seguinte oração: “Senhor,
eu precisava rezar muito aqui, mas não tenho tempo. Por isso, aceite as minhas
preces, simbolizadas nesta vela, pela intercessão de N. Sra. Aparecida”.
Colocou a vela no lugar apropriado e continuou sua viagem.
Foi uma oração simbólica, com toda certeza aceita e agradável a Deus. A
vela era do seu tamanho porque era ele mesmo que ficava ali rezando,
representado pela vela. Nós gostamos de usar símbolos, e Deus também gosta. A
Bíblia é todinha cheia de símbolos.
Inclusive, a vela se parece com o cristão. Ambos se consomem para
iluminar e servir o seu ambiente. Até as lágrimas da vela simbolizam as nossas
lágrimas, na luta pelo Reino de Deus. O amor sempre custa lágrimas.
De um jeito ou de outro, nós precisamos rezar, e muito, a fim de não
praticarmos obras más, afastando-nos da luz.
Maria Santíssima ajudou o seu Filho a executar o plano de amor de Deus
Pai. Que ela nos ajude também a acolher com generosidade esse plano. Santa
Maria, rogai por nós.
Deus enviou seu Filho ao mundo para que o
mundo seja salvo por ele.
MOMENTO DE REFLEXÃO
(...) Tudo o que existe precisa dormir. O simples existir cansa. A se
acreditar nos poetas e nas crianças, até mesmo as coisas.
Minha filha de quatro anos, olhando os vales e montanhas que se perdiam
de vista nos horizontes de Campos do Jordão, fez-me essa pergunta metafísica:
“Papai, as coisas não se cansam de serem coisas?’
Fernando Pessoa teve suspeita semelhante e escreveu: “Tenho dó das
estrelas luzindo há tanto tempo, há
tanto tempo... Tenho dó delas. Não haverá um cansaço das coisas, de todas as
coisas, como das pernas ou de um braço? Um cansaço de existir, de ser, só de
ser, o ser triste, brilhar ou sorrir..”
Ele, poeta, estava cansado. Olhava para as estrelas que luziam havia
tanto tempo e tinha dó delas. Elas deveriam estar muito cansadas. Suas
pálpebras jamais se fechavam. Seus olhos estavam sempre abertos, sem poder
dormir jamais...
Pergunto-me então se não haverá um simples cansaço de viver. Será que
não chega o momento em que a vida diz, das profundezas do seu ser, como um
pedido de socorro aos que entendem sua fala:
“Estou cansada. Quero dormir o grande sono...?”
Os especialistas na arte da tortura descobriram que uma das técnicas
mais eficazes e discretas para se obter a confissão de um torturado era a de
impedir que ele dormisse. Assentando numa poltrona confortável, o prisioneiro
espera. O tempo passa em silêncio, sem interrogatório. Vem o sono. As pálpebras
pesam e querem se fechar. Mas alguém que o vigia o sacode para impedir que ele
durma. E assim o tempo vai passando. O desejo de dormir vai crescendo, as
pálpebras pesam até um ponto insuportável. Nesse momento, a necessidade de
dormir é tão terrível que o prisioneiro está pronto para confessar qualquer
coisa só para poder dormir.
Foi coisa parecida que fizeram com a Eluana Englaro, mulher italiana com
38 anos de idade, dos quais 17 em vida vegetativa. Seu sono sem despertar dizia
que ela desejava dormir. Mas os torturadores, a ciência, as leis e a religião
lhe negavam esse direito. Obrigavam-na a continuar viva contra a vontade do seu
corpo, que ansiava pelo grande sono. Ligaram seu corpo a máquinas que impediam
que ela dormisse. Vivia mecanicamente.
Finalmente o direito de dormir lhe foi concedido. Fantasio que ela
dormiu como uma criança, ouvindo a berceuse de Brahms.
(Ruben Braga)
E até que nos encontremos novamente,
que Deus lhe guarde serenamente
na palma de Suas mãos.
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