Segunda-feira 01/06/2026
“O que é bom para o
enxame, não é bom para a abelha”
(Marco Aurélio
Antonino (121-180), imperador romano e filósofo).
EVANGELHO DE HOJE
Mc 12,1-12
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, +
segundo Marcos
— Glória a vós, Senhor!
Depois Jesus começou a falar por meio de
parábolas. Ele disse: - Certo homem fez uma plantação de uvas e pôs uma cerca
em volta dela. Construiu um tanque para pisar as uvas e fazer vinho e construiu
uma torre para o vigia. Em seguida, arrendou a plantação para alguns lavradores
e foi viajar. Quando chegou o tempo da colheita, o dono enviou um empregado
para receber a sua parte. Mas os lavradores agarraram o empregado, bateram nele
e o mandaram de volta sem nada. O dono mandou mais um empregado, mas eles bateram
na cabeça dele e o trataram de um modo vergonhoso. E ainda outro foi mandado
para lá, mas os lavradores o mataram. E o mesmo aconteceu com muitos mais - uns
foram surrados, e outros foram mortos. E agora a única pessoa que o dono da
plantação tinha para mandar lá era o seu querido filho. Finalmente ele o
mandou, pensando assim: "O meu filho eles vão respeitar." Mas os
lavradores disseram uns aos outros: "Este é o filho do dono; ele vai
herdar a plantação. Vamos matá-lo, e a plantação será nossa." - Então
agarraram o filho, e o mataram, e jogaram o corpo para fora da plantação. Aí
Jesus perguntou:
- E agora, o que é que o dono da plantação vai
fazer? Ele virá, matará aqueles homens e entregará a plantação a outros
lavradores. Vocês não leram o que as Escrituras Sagradas dizem? "A pedra
que os construtores rejeitaram
veio a ser a mais importante de todas. Isso
foi feito pelo Senhor e é uma coisa maravilhosa!" Os líderes judeus sabiam
que a parábola era contra eles e quiseram prender Jesus, mas tinham medo do
povo. Por isso deixaram Jesus em paz e foram embora.
Palavra da Salvação
Glória a vós Senhor.
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Pe. Antonio Queiroz
Agarraram o filho querido, o mataram, e o
jogaram fora da vinha.
Neste Evangelho, Jesus nos conta a parábola dos agricultores assassinos
que mataram filho do proprietário que lhes tinha arrendado a vinha.
A vinha representa o Reino de Deus. Os judeus, o Povo de Deus, chegaram
a considerar que os interesses de Deus se confundiam com os seus próprios
interesses. O povo achava que, como povo escolhido, Deus tinha obrigação de
ajudá-los na luta contra seus inimigos. Julgavam-se salvos e não se
interessavam com a sorte dos demais povos, que não conheciam a Deus.
Deus havia confiado a eles o seu Reino, isto é, tinha colocado-os diante
do mundo como exemplo, como um povo que conhecia melhor a Deus, e o seguia,
especialmente na prática da justiça. Mas isso não aconteceu.
Por isso, Deus lhes enviou seus profetas para recordar-lhes a dívida que
tinham com Deus. Mas, além de não ouvirem, maltrataram os profetas. Na sua
bondade, Deus lhes mandou seu próprio Filho único, ao qual também eles mataram.
E mataram “fora da vinha”, isto é, depois de rechaçá-lo.
Então a obra do Reino de Deus lhes foi tirada e entregue a outro povo, a
santa Igreja, um povo constituído não baseado em raça ou nação, mas pela fé e
pelo sacramento do batismo.
Nós, como Igreja, queremos nos comportar como bons agricultores da vinha
do Senhor. Não queremos imitar os pecados do antigo Povo de Deus.
Se as nossas Comunidades começarem a explorar o povo, se elas deixarem
de ser o lugar onde existe mais obediência a Deus e mais empenho em cultivar a
verdade e a justiça, elas correrão o risco de serem também recusadas por Deus.
Deus nos livre disso! Queremos nos converter. Queremos ser agricultores
honestos, que cultivam bem a vinha do Senhor e não se apropriem dela, mas dêem
ao proprietário, que é Deus, a parte que lhe pertence. Pois a vinha não é
nossa, a Igreja não é nossa, e não podemos usá-la para nos enriquecer ou para
ter qualquer vantagem pessoal.
Deus nos ama, ama aqueles a quem entregou a sua vinha. Mas é zeloso pela
vinha e por seu povo. Ele nos pedirá contas de tudo. A Comunidade cristã é um
povo sagrado, que tem dono e não podemos enganar ou manipular.
A viagem do dono da vinha para longe significa que Deus não interfere no
nosso trabalho, mesmo que não sigamos o “contrato de arrendamento”. Naquele
tempo, uma pessoa que estava longe não tinha nenhuma condição de acompanhar um
trabalho, e de saber como está indo. A responsabilidade é toda nossa, como
agricultores da vinha do Senhor. Só no fim Deus nos vai cobrar.
O ato de matar o filho lembra-nos, além da condenação de Jesus, os
irmãos de José do Egito que quiseram matá-lo (Gn 37).
Jesus citou o Sl 118,22s: “A pedra que os construtores deixaram de lado
tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos
nossos olhos”. Citou essa passagem para nos lembrar que Jesus é a pedra
principal na construção do Reino de Deus. Hoje esta pedra principal é a santa
Igreja, o Corpo místico de Cristo.
Como vemos, a parábola tem dois níveis: no primeiro nível ela se refere
aos chefes do Povo de Deus do Antigo Testamento, que eram aquelas autoridades
que estavam ali presentes. No segundo nível ela se refere a nós, o Povo
sacerdotal da Nova Aliança.
E a parábola pode ser entendida também no nível individual: se eu, ou
você, não cumprimos bem a nossa missão como “agricultores da vinha do Senhor”,
isto é, como líderes da Comunidade e testemunhas do Cristo no mundo, Deus nos
tirará este cargo e o confiará a outro ou outra.
Quantos líderes, enviados por Deus, já trabalharam na nossa Comunidade e
deram a vida por ela! Hoje somos nós. Isto é uma alegria, mas é também uma
responsabilidade nossa. O povo não é nosso, é de Deus, e Deus espera frutos de
justiça, de amor e de vida plena para todos. Não podemos querer tirar proveito
pessoal em cima do Povo de Deus, pois, como o próprio nome diz, ele é de Deus e
não nosso. Que bom será se nós, líderes atuais, um dia ouvirmos de Deus: “Servo
bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor”.
Quando vemos gansos voando em formação de “V”, ficamos curioso quanto às
razões pelas quais eles escolhem voar dessa forma. Eis algumas descobertas
feitas pelos cientistas:
À medida que cada ave bate suas asas, ela cria uma sustentação para a
ave seguinte. Voando em formação “V”, o grupo inteiro consegue voar pelo menos
71% a mais do que se cada ave voasse isoladamente. Pessoas que compartilham uma
direção comum e um senso de equipe, chegam ao seu destino mais depressa e mais
facilmente, porque elas se apóiam na confiança uma das outras.
Outra lição que os gansos nos dão: Sempre que um deles sai fora da
formação, ele a maior resistência do ar, e retorna à formação “V”, para tirar
vantagem do poder de sustentação da ave imediatamente à frente. Existe força,
poder e segurança em grupo, quando se viaja na mesma direção com pessoas que
compartilham um objetivo comum.
Ainda uma terceira lição: Quando o ganso líder se cansa, ele vai para a
traseira do “V”, enquanto outro ganso assume a ponta. É vantajoso o
revezamento, quando se necessita fazer um trabalho árduo.
Quarta lição: Os gansos de trás grasnam para encorajar os da frente a
manterem o ritmo e a velocidade. Todos nós necessitamos ser reforçados com
apoio ativo e o encorajamento.
Quinta lição: Quando um ganso adoece, ou se fere, e deixa o grupo, dois
outros gansos saem da formação e o seguem, para ajudá-lo e protegê-lo. Eles o
acompanham até a solução do problema e, então, reiniciam a jornada os três ou
juntando-se a outra formação, até encontrarem o seu grupo original. Precisamos
ser solidários nas dificuldades.
Vamos procurar nos lembrar mais freqüentemente de dar um “grasnado” de
encorajamento e nos apoiarmos uns aos outros com a força de uma verdadeira
equipe. Vamos ajudar, apoiar quem está nos postos de liderança ou de governo.
Eles precisam do nosso apoio, inclusive para que não caiam nas tentações.
Nós, como cristãos, queremos nos ajudar mutuamente a sermos bons
agricultores da vinha do Senhor. A nossa ajuda mútua é ampla e inclui a boa
palavra, e até a correção fraterna, a fim de que não imitemos os agricultores
assassinos.
Maria Santíssima foi também uma agricultora da vinha do Senhor; e ela
trabalhou tão bem que foi premiada sendo elevada ao Céu em corpo e alma. Que
Nossa Senhora nos ajude a sermos bons agricultores. Que trabalhemos com
dedicação e desapego, sem querer nos apropriar da Comunidade cristã, ou usar o
nosso cargo em benefício próprio.
Agarraram o filho querido, o mataram, e o
jogaram fora da vinha.
MOMENTO DE REFLEXÃO
Foi em dezembro de 1944 que tudo começou. Caminhões chegaram no campo de
concentração de Bergen-Belsen e despejaram 54 crianças. A mais velha tinha 14
anos e havia muitos bebês.
No alojamento das mulheres, Luba Gercak dormia. Acordou sua vizinha de
beliche e lhe perguntou: "está escutando?" É choro de criança."
A outra lhe disse que voltasse a dormir. Ela devia estar sonhando. Todos
conheciam a história de Luba. Ainda adolescente se casara com um marceneiro e
tiveram um filho, Isaac.
Quando veio a guerra, os nazistas lhe arrancaram dos braços o filho de
três anos e o jogaram em um caminhão, junto com outras crianças e velhos. Todos
inúteis para o trabalho e, portanto, com destino certo: a câmara de gás.
Logo mais, ela pôde ver um outro caminhão arrastando o corpo, sem vida,
do marido.
No primeiro momento, desistira de viver. Depois a fé lhe visitou a alma
e ela percebeu que Deus esperava muito mais dela. Então, passou a ser
voluntária nas enfermarias.
Agora, Luba ouvia choro de crianças. Quem seriam?
Abriu a porta do alojamento e viu meninos, meninas, bebês apinhados, em
choro, no meio do campo. Separados de seus pais, se encontravam desnorteados e
tinham fome e frio.
Luba as trouxe para dentro. E porque protestassem as demais ocupantes do
infecto alojamento, ela as repreendeu, dizendo: "vocês não são mães? Se
fossem seus filhos, diriam para que eu os deixasse morrer de frio? Eles são
filhos de alguém."
Em verdade, o que suas companheiras temiam era a fúria dos soldados da
SS.
Luba agradeceu a Deus por ter lhe enviado aquelas crianças. O seu filho
morrera, mas faria tudo para que aquelas crianças vivessem.
Foi até o oficial da SS no acampamento e lhe contou o que fizera. Pôs
sua mão no braço dele e suplicou. Ele se deu conta que ela o tocara, o que era
proibido, e lhe aplicou um soco em pleno rosto, fazendo-a cair.
Ela se levantou, e falou: "sou mãe. Perdi meu filho em Auschwitz.
Você tem idade para ser avô. Por que há de querer maltratar crianças e
bebês?"
"Fique com elas", foi a resposta seca do oficial.
Mas ficar com elas não era suficiente. Era necessário alimentá-las. Nos
dias que se seguiram, todas as manhãs, ela ía ao depósito, à cozinha, à
padaria, implorando, barganhando e roubando alimentos.
Os meninos ficavam à janela e quando a viam chegar diziam uns aos
outros: "lá vem irmã Luba. Ela traz comida pra nós!"
À noite, ela cantava canções de ninar e as abraçava. Era a mãe que lhes
faltava. As crianças, que falavam holandês, não entendiam as palavras de Luba,
que era polonesa, mas compreendiam seu amor.
Em 15 de abril de 1945, os tanques britânicos entraram no campo,
vitoriosos e em seis idiomas passaram a rugir os alto-falantes: "estão
livres! Livres!"
Luba conseguira salvar 52 das 54 crianças que adotara como filhos do
coração.
Em abril de 1995, 50 anos após a libertação, cerca de 30 homens e
mulheres se reuniram na prefeitura de Amsterdã para homenagear aquela mulher.
Recebeu, em nome da rainha beatriz, a medalha de prata por serviços
humanitários.
No entanto, declarou que sua maior recompensa era estar com aqueles seus
filhos que, com o apoio de Deus, conseguira salvar da sombra dos campos da
morte.
Por isso tudo nunca pensemos que somos muito pequenos para lutar pelas
grandes causas ou que estamos sós. Quem batalha pela justiça, tem um
insuperável aliado que se chama Deus, nosso Pai.
Cada um de nós, pode fazer a diferença, mesmo se for só em casa, reflita
sobre isso.
E até que nos encontremos novamente,
que Deus lhe guarde serenamente
na palma de Suas mãos.
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