Sábado 07-03-2026
“Amor é um desejo
irresistível de ser irresistivelmente desejado.” (Robert Frost)
EVANGELHO DE HOJE
Lc 15,1-3.11-32
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, +
segundo Lucas
— Glória a vós, Senhor!
Os fariseus e os escribas... murmuravam:
"Este homem acolhe os pecadores e come com eles"...Jesus contou-lhes
esta parábola... "Um homem tinha dois filhos. O Filho mais novo disse ao
pai: 'Pai, dá-me a parte da herança que me cabe'... Quando... ele começou a
passar necessidade... disse: "...Vou voltar para meu pai...' Quando ...seu
pai o avistou foi tomado de compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e o
cobriu de beijos. O filho, então, lhe disse: 'Pai, pequei contra Deus e contra
ti...' Mas o pai disse aos empregados: '...Trazei um novilho gordo e matai-o,
para comermos e festejarmos. Pois este meu filho... estava perdido e foi
encontrado'... O filho mais velho... com raiva ... respondeu ao pai: '...quando
chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens... matas para ele o novilho
gordo'. Então o pai lhe disse: 'Filho... era preciso festejar e alegrar-nos,
porque este teu irmão estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi
encontrado".
Palavra da Salvação
Glória a vós Senhor.
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Pe Antonio Queiroz
Teu irmão estava morto e tornou a viver.
Este Evangelho – a parábola do Filho Pródigo – nos ensina o amor de
misericórdia. É o amor que Deus tem para conosco e que nós também devemos ter
uns com os outros.
O pai é Deus e os dois filhos somos nós, seja quando pecamos (filho mais
novo), seja quando não acolhemos os que pecam (filho mais velho), o que é
também pecado. A família é a Comunidade cristã.
O amor de Deus por nós é sempre maior do que as nossas fraquezas. Esta é
a grande luz que brilha no fim do túnel do pecador.
Mais que desobediência, pecar ofender, é magoar a Deus, que é Pai
misericordioso. O que sobressai na nossa conversão é o abraço de Deus.
O pecado desumaniza, destrói a vida, leva a pessoa a comer lavagem de
porco. O resultado do pecado é a morte, bem o contrário daquilo que a tentação
nos propõe, antes de cometê-lo.
“Eu te proponho a vida e a felicidade, a morte e a desgraça. Se
obedeceres aos preceitos do Senhor... viverás. Se, porém, o teu coração se
desviar, deixando-te levar pelo erro, morrerás. Eu te proponho a vida e a
morte. Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,15-20).
A veste nova representa a graça, a amizade de Deus que é recuperada
totalmente. Isto nos causa arrependimento e ao mesmo tempo alegria, após o
pecado.
Um casal de namorados, se um deles está apaixonado e o outro não quer
continuar o namoro, o apaixonado não o força. É próprio de quem ama respeitar a
pessoa amada. Provavelmente o pai sabia onde o filho estava, cuidando dos
porcos, mas não foi buscá-lo. Sofria ao saber que o filho estava passando fome,
mas respeitava a sua liberdade, a sua iniciativa. É o que acontece conosco, e é
bem por isso que existe inferno: a pessoa escolhe o seu destino e Deus
respeita. Ele continua nos amando eternamente, mesmo que estejamos no inferno!
Deus respeita tanto o homem, que o deixou matar seu próprio Filho!
Deus é o primeiro a não querer o inferno para nós. Mas, se alguém o
escolhe, isto é, escolhe viver longe de Deus, viverá eternamente. Portanto, não
tem sentido aquele questionamento: “Como pode existir inferno, se Deus é bom e
nos ama tanto?” É justamente por isso Deus nos ama que existe o inferno! Quem
ama respeita.
Já o filho mais velho é mesquinho, sem coração, não sabe perdoar o
irmão. Nem o chama mais de irmão: “Esse teu filho”. Se nós nos julgamos
perfeitos e não aceitamos ser irmãos daqueles que erram, tornamo-nos piores do
que eles. Não queremos imitar o filho mais velho e sim o pai da parábola, sendo
misericordiosos.
O banquete que o pai preparou representa a Eucaristia. Ela é a festa dos
misericordiosos. Quem não tem esta mentalidade, não consegue participar da
Eucaristia.
Para se alcançar a paz após um conflito é necessário o respeito à vida,
à cultura, à liberdade de expressão, o compromisso com a não-violência, a
colocação das pessoas acima dos bens materiais e a fé cristã junto com suas
virtudes.
Certa vez, numa aldeia de índios do Rio Grande do Sul, o pajé reuniu os
índios jovens e lhes disse: “Se, um dia, alguém fizer o mal a você e você
quiser vingar-se dele, matando-o, primeiro sente-se e tome uma cuia de
chimarrão. Você compreenderá que a morte é um castigo desproporcional ao mal
que a pessoa lhe fez. Ao invés disso, resolva dar-lhe uma boa sova. Porém,
antes, encha novamente a cuia e tome. Você vai refletir melhor e pensar que, em
vez de sova, é melhor uma boa repreensão. Mas antes, encha de novo a cuia e
tome. Você se lembrará do Filho de Deus que nos perdoou e nos mandou fazer o
mesmo. Então você se convencerá de que o melhor é ir ao encontro do inimigo e,
com humildade, abraçá-lo”.
Pagar o mal com o bem. “Se alguém te der uma bofetada numa face, oferece
também a outra. Se alguém te tomar o manto, deixa-o levar também a túnica” (Mt
5,38-42).
Maria Santíssima nunca se afastou da casa do Pai, e nunca manchou sua
veste pura da graça. Ela é a mãe dos pecadores, Mãe de misericórdia. Que Nossa
Senhora nos ajude a não nos afastarmos de Deus e a sermos misericordiosos com
os pecadores, seja que pecado tenham cometido.
Teu irmão estava morto e tornou a viver.
MOMENTO DE REFLEXÃO
Quando queremos que alguma coisa fique ancorada à nossa vida, fazemos de
tudo para mantê-la presa à nós. Criamos laços e os apertamos com todo nosso
coração.
Os nós fazem parte de nós.
Infelizmente, nem tudo o que se apega a nós é bom e útil. Se prezamos
ter laços afetivos e pedaços de memórias agarradas definitivamente à nossa
pele, há aqueles nós que se apegam sem que nossa permissão seja pedida e sem
que tenhamos forças para desatá-los. Esses nos acompanham e nos adoecem.
Viver com nós na garganta, que não descem e nem saem, nos deixa
deficientes. Avançamos em algumas outras coisas, mas o não resolvido fica, como
um espinho na carne.
Aquilo que não conseguimos engolir é o perdão que não conseguimos
oferecer, é o esclarecimento que nunca nos foi dado, são os porquês nunca
respondidos.
A gente caminha, mas sente que algo ficou pra trás e muitas das dores de
garganta que não conseguimos curar são emoções presas das quais não soubemos
nos livrar. O que fica atravessado diante de nós é o peso que carregamos por
vezes por anos e anos.
O dia bendito em que conseguimos colocar em palavras e lágrimas aquilo
que nos ofendeu, entrou em nós e ficou, o sol desponta no horizonte como se
fosse seu primeiro dia.
Ah, Deus, se tivéssemos sempre a coragem de abrir nosso coração e gritar
nossa mágoa, quão mais leves e sãos poderíamos viver!
Por que esse medo de expôr o que nos desagrada? Por que temer ferir o
outro quando estamos, nós mesmos e inteiramente, sangrando? Por que a
felicidade alheia, se felicidade alheia há, é mais importante que a nossa?
Grande parte dos nossos problemas, das nossas doenças até físicas, vem
da falta de comunicação. Por que não dizemos, não passamos ao outro o que
sentimos, não falamos do sentimento de injustiça que sentimos e do quanto isso
nos abala.
Falar é importante. No bom momento, claro, que com sabedoria deve ser
escolhido, mas é muito importante. O que não dizemos, o outro não é obrigado a
adivinhar e isso nunca podemos cobrar.
Os nós não resolvidos atam nossa vida a um certo momento. Não crescemos
como convém e mesmo nosso riso é sempre manchado por uma pinta de tristeza que
traduz nosso olhar.
Quando sentiu que tinha que se revoltar no Templo, Jesus se revoltou,
nenhuma palavra poupou; quando a dor e tristeza foram grandes demais no seu
seio, Ele chorou; quando o cálice tornou-se por demais amargo, falou com o
Pai...
A liberdade só nos chega quando liberamos nosso ser, quando oferecemos
ao outro o direito de ouvir, perdoamos o que deve ser perdoado e aceitamos o
que deve ser aceito.
Se criamos a coragem de desatar, devagar, certo, mas desatar, um a um os
laços que nos incomodam, liberamos uma a uma as ansiedades, os males que nos
doem física e psicologicamente.
Nessas horas nosso coração bate de maneira diferente, respiramos mais ar
puro e nossos olhos se abrem para novos horizontes. Só um pequeno passo, um
muito de coragem e uma nova vida pode começar.
Letícia Thompson
E até que nos encontremos novamente,
que Deus lhe guarde serenamente
na palma de Suas mãos.
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