Sexta-feira,
13/06/2025
“O
tempo é muito lento para os que esperam. Muito rápido para os que tem medo.
Muito curto para os que festejam. Mas para os que Amam, o tempo é a
eternidade.” (Willian Shakespeare)
EVANGELHO DE HOJE
Mt 5,27-32
— O
Senhor esteja convosco.
—
Ele está no meio de nós.
—
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Mateus
—
Glória a vós, Senhor!
Naquele
tempo, 27Jesus viu um cobrador de impostos, chamado Levi, sentado na coletoria.
Jesus lhe disse: “Segue-me”. 28Levi deixou tudo, levantou-se e o seguiu.
29Depois,
Levi preparou em casa um grande banquete para Jesus. Estava aí grande número de
cobradores de impostos e outras pessoas sentadas à mesa com eles. 30Os fariseus
e seus mestres da Lei murmuravam e diziam aos discípulos de Jesus: “Por que vós
comeis e bebeis com os cobradores de impostos e com os pecadores?”
31Jesus
respondeu: “Os que são sadios não precisam de médico, mas sim os que estão
doentes. 32Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para a conversão”.
Palavra
da Salvação
Glória
a vós Senhor.
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Padre Antonio Queiroz
Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para a conversão.
Este Evangelho narra a vocação de S. Mateus, que aqui é chamado de Levi.
A sua profissão – cobrador de impostos – era considerada impura, pelo fato de
tocar em moeda estrangeira. Por isso, todos os cobradores de impostos eram
considerados pecadores. Jesus não tinha esse preconceito.
No grande banquete oferecido por Mateus, além de cobradores de impostos
havia pecadores de verdade, e Jesus estava feliz no meio deles. Diante do
protesto, ele explicou: “Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para
a conversão”. A frase não exclui ninguém do chamado de Jesus. É apenas um
convite aos que se consideram justos para a conversão, pois “o justo cai sete
vezes por dia”.
“Os que são sadios não precisam
de médico, mas sim os que estão doentes.” Os fariseus não entenderam essa frase
pronunciada também para eles, os doentes terminais do orgulho, autossuficiência
e hipocrisia.
“Deus é rico em misericórdia. Por
causa do grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos por causa das
nossas faltas, ele nos deu a vida com Cristo. É por graça que vós sois salvos”
(Ef 2,4-5.7-9). “Deus retira o pobre do monte de lixo...” (Cântico de Ana – 1Sm
2). “Derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes” (Magnificat).
Quando Davi cometeu um grande pecado, mandando matar Urias para se casar
com a sua esposa Betsabéia, Deus o perdoou completamente. Tanto que escolheu
Salomão, o segundo filho dele com Betsabéia (2Sm 12,24), para continuar a
geração do Povo de Deus.
“O Senhor é bondade e retidão.
Ele aponta o caminho aos pecadores” (Sl 25,8). Esse amor de Deus pelos
pecadores nos encanta, seduz e nos dá esperança, pois quem não é pecador? “Tu
me seduziste, Senhor, e eu me deixei seduzir” (Jr 20). Deus não nos trata
conforme nossos erros (Sl 103,8-14).
“Aquele que não ama não conhece a
Deus, porque Deus é amor” (1Jo 4,8). Nós temos amor, Deus é amor. “Nós
conhecemos e cremos no amor que Deus tem para conosco. Deus é amor, e quem
permanece no amor permanece em Deus e Deus permanece nele” (1Jo 4,16).
Esse grande amor de Jesus pelos pecadores é mostrado também no seu
acolhimento à mulher adúltera, ao Zaqueu, à Samaritana, a S. Paulo... Ele não
podia ver ninguém longe de Deus, que já se aproximava para o cativar.
Jesus perdoou até os que o mataram, e rezou por eles: “Pai,
perdoai-lhes, eles não sabem o que fazem!” E ele nos pede para fazermos a mesma
coisa: “Não julgueis...” (Mt 7,1-7).
A misericórdia, que é o amor aos pecadores e aos que sofrem, é uma das
Bem-aventuranças: “Felizes os misericordiosos...” (Mt 5,7).
S. Paulo nos pede: “Irmãos, tende em vós os mesmos sentimentos de Cristo
Jesus...” (Fl 2,6). Assim, as Comunidades cristãs são chamadas a continuar o
amor misericordioso de Deus Pai, manifestado em Jesus. A Comunidade é
compreensiva para com todos, é agente de inclusão dos pecadores.
Diante de pessoas que praticam ações más, mesmo que sejam os piores
crimes, devemos pensar: a misericórdia de Deus é maior que o erro dessa pessoa.
E assim, amá-la, acolhê-la e ajudá-la a se levantar. A Igreja acolhe o pecador,
não o pecado que ele cometeu, por isso o ajuda a vencer o pecado.
“Quero misericórdia e não
sacrifício” (Mt 9,13). Jesus criticava incansavelmente o culto vazio e
hipócrita dos que se creem em ordem com Deus por cumprir determinados ritos
cultuais, como sacrifícios, dízimos e jejuns, enquanto esquecem a
disponibilidade perante Deus, o amor fraterno e a reconciliação fraterna.
Faz parte do amor misericordioso usar o dinheiro não apenas em benefício
de si mesmo e da família, mas dos que precisam para viver dignamente. É a
economia a serviço da vida. Muitos adoram e servem ao dinheiro, como se ele
fosse um deus. Cabe uma pergunta: quem é Deus em nossa vida? Em que lugar Ele
está entre os valores que buscamos? Que esta Campanha da Fraternidade nos
prepare melhor para a Páscoa.
Certa vez, numa sala de aula, uma menina perguntou à professora: “O que
é amor?” A professora sentiu que não só aquela criança, mas toda a classe
merecia uma resposta à altura. Como já estava na hora do recreio, ela pediu que
cada aluno desse uma volta pelo pátio da escola e trouxesse o que mais
despertasse nele o sentimento de amor.
As crianças saíram muito interessadas. Quando terminou o recreio,
voltaram e começaram a apresentar os objetos que trouxeram. Uma trouxe uma
flor, outra trouxe uma borboleta, outra criança pediu emprestado a uma
funcionária a sua aliança e trouxe...
Terminada a apresentação, a professora notou que uma menina estava toda
envergonhada, porque não havia trazido nada. Então, dirigiu-se à aluna e
perguntou: “Meu bem, por que você não trouxe nada?” A garotinha, timidamente,
respondeu: “Desculpe, professora, eu vi a flor, mas não quis apanhá-la. Preferi
que ela continuasse enfeitando o jardim da escola. Vi a borboleta, leve e
colorida, mas eu nunca teria coragem de segurar um animalzinho tão bonito. Isso
pode machucá-la. Vi também um ninho com filhotes de sabiá, mas nem mexi; se eu
soubesse o que eles comem, até levaria alimento para eles”.
Emocionada, a professora explicou para as crianças: “Esta aluna fez a
melhor escolha: Não trouxe objetos, mas trouxe para nós, em seu coração, o
perfume do amor”. E deu à menina a nota máxima.
O respeito e a proteção da vida é o que mais desperta em nós o
sentimento de amor.
Na oração Salve Rainha, nós chamamos Maria Santíssima de Mãe de
misericórdia. Ela é também o refúgio dos pecadores. Mãe de misericórdia, rogai
por nós!
Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para a conversão.
MOMENTO DE REFLEXÃO
Eu
tinha 7 anos quando matei minha mãe pela primeira vez. Eu não a queria junto a
mim quando chegasse à escola em meu 1º dia de aula.
Eu
me achava forte o suficiente para enfrentar os desafios que a nova vida iria me
trazer. Poucas semanas depois descobri aliviado que ela ainda estava lá, pronta
para me defender não somente daqueles garotos brutamontes que me ameaçavam,
como das dificuldades intransponíveis da tabuada.
Quando
fiz 14 anos eu a matei novamente. Não a queria me impondo regras ou limites,
nem que me impedisse de viver a plenitude dos vôos juvenis. Mas logo no
primeiro porre eu felizmente a descobri rediviva - foi quando ela não só me
curou da ressaca, como impediu que eu levasse uma vergonhosa surra de meu pai.
Aos
18 anos achei que mataria minha mãe definitivamente, sem chances para
ressurreição. Entrara na faculdade, iria morar em república, faria política
estudantil, atividades em que a presença materna não cabia em nenhuma hipótese.
Ledo engano: quando me descobri confuso sobre qual rumo seguir voltei à casa
materna, único espaço possível de guarida e compreensão.
Aos
23 anos me dei conta de que a morte materna era possível, apenas requeria
lentidão. Foi quando me casei, finquei bandeira de independência e segui
viagem. Mas bastou nascer a primeira filha para descobrir que o bicho
"mãe" se transformara num espécime ainda mais vigoroso chamado
"avó". Para quem ainda não viveu a experiência, avó é mãe em dose
dupla.
Apesar
de tudo continuei acreditando na tese da morte lenta e demorada, e aos poucos
fui me sentindo mais distante e autônomo, mesmo que a intervalos regulares ela
reaparecesse em minha vida desempenhando papéis importantes e únicos, papéis
que somente ela poderia protagonizar.
Mas
o final dessa história, ao contrário do que eu sempre imaginei, foi ela quem
definiu: quando menos esperava, ela decidiu morrer. Assim, sem mais, nem menos,
sem pedir licença ou permissão, sem data marcada ou ocasião para despedida.
Ela
simplesmente se foi, deixando a lição que mães são para sempre. Ao contrário do
que sempre imaginei, são elas que decidem o quanto esta eternidade pode durar
em vida, e o quanto fica relegado para o etéreo terreno da saudade.
Escrevi
essa crônica em 11 de março de 2008, um dia após a morte de Ignês Pelegi de
Abreu, minha mãe.
Hoje,
um ano após sua morte, repito essa crônica em homenagem não só a ela, como a
todas as mães.
UM
ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ!
E
até que nos encontremos novamente,
que Deus
lhe guarde serenamente
na
palma de Suas mãos.
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