Quinta-feira, 21 de outubro de 2021
Os navios estão a salvo nos portos, mas não foi para ficar ancorados que
eles foram criados.
EVANGELHO DE HOJE
Lc 12,49-53
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Lucas
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: 49“Eu vim para lançar
fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! 50Devo receber um
batismo, e como estou ansioso até que isto se cumpra!
51Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu
vos digo, vim trazer divisão. 52Pois, daqui em diante, numa família de cinco
pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três; 53ficarão
divididos: o pai contra o filho e o filho contra o pai; a mãe contra a filha e
a filha contra a mãe; a sogra contra a nora e a nora contra a sogra”.
Palavra da Salvação
Glória a vós Senhor
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Padre Antonio Queiroz
Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse
aceso!
Neste Evangelho, Jesus compara a Vida Nova trazida por ele com o fogo. É
o fogo que queima o que é “velho” ou errado em nós; é o fogo do Amor, derramado
em nossos corações. Esse fogo vai aos poucos incendiando o mundo e fazendo
nascer o Reino de Deus. Ele suscita perseguição, divisões e faz até derramar
sangue. Mas o incêndio é implacável.
“Devo receber um batismo, e como estou ansioso até que isto se cumpra!”
Um metal incandescente, quando é mergulhado na água fria, faz barulho e espirra
água para todo lado. É o choque causado pelo encontro do Reino de Deus com o
reino da Besta Fera (Apocalipse). Jesus será o primeiro a ser batizado, isto é,
mergulhado neste batismo de sangue. A parte dele foi bem feita; resta a nossa.
“Vos pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra?” Jesus usa a palavra
“paz” no sentido que o mundo pecador dá, que é uma aparente tranqüilidade em
cima da injustiça e baseada no poder. Essa paz ele veio destruir. Como disse um
padre uma vez, no final da Missa: “Ide em paz, e que a paz de Cristo nunca vos
deixe em paz”. Estão aí os dois sentidos contrários da palavra paz: a do mundo
e a de Cristo. Se a nossa convivência com o mundo pecador é só “de paz”, é de
se perguntar que paz é essa.
O mundo vive em tensões, em violência, fruto conflito entre os dos dois
senhores que querem dominá-lo: Deus e o dinheiro. E nós somos embaixadores de
Cristo no nosso ambiente, portadores do seu fogo. Ao ver a nossa lentidão, ele
fica inquieto: “como gostaria que já estivesse aceso!”
“Vim trazer a divisão: pai contra filho, mãe contra filha, sogra contra
nora...” A afirmação de Jesus é chocante, mas é real, e a vemos a cada dia.
Queremos a união dentro de casa, mas não podemos abrir mão de pontos
fundamentais da nossa fé, se há outros que pensam o contrário de nós. E essa
nossa firmeza muita vezes gera perseguição sobre nós. A prática do Evangelho
não nos conduz a um paraíso terreno.
Após o fogo, surgem das cinzas plantas vicejantes. É o que acontece
quando nos deixamos incendiar pelo fogo de Deus.
Antes de batizar Jesus, João Batista falou para o povo: “Eu vos batizo
com água. Mas virá aquele que é mais forte do que eu... Ele vos batizará com o
Espírito Santo e com fogo” (Lc 3,16). O Espírito Santo nos dá, no batismo, o
dom do amor, que é semelhante ao fogo.
O que nos impulsiona não é um mandamento recebido, ou medo de castigo se
não o fizermos, ou busca de vantagens nesta ou na outra vida. O cristão age
estimulado por algo que está dentro dele ou dela, que é o amor de Deus.
O amor arde no peito, queima e não deixa a pessoa parada. Impulsiona-a
fortemente para a ação e para o testemunho. O Profeta Jeremias dizia: “Tenho de
gritar, tenho de arriscar. Ai de mim se não o faço! Como escapar de ti? Como
calar, se tua voz arde em meu peito?”
Os inimigos de Deus logo percebem e tentam apagar esse fogo, mas não
conseguem. Como diz o evangelista S. João 1,5: As trevas tentaram apagar a luz,
mas não conseguiram.
Na morte de Jesus, os inimigos dele pensaram: “Agora apagamos”. Mas que
nada! O fogo estava aceso no coração dos discípulos, e agora era impossível
apagá-lo. Apagam aqui, ele brota ali.
Os antigos perseguidores dos cristãos perceberam que, quanto mais os
matavam, mais eles cresciam em número. Este fogo que Jesus trouxe é muito especial.
Quando tentam apagá-lo, fica sempre uma brasa, e através dela o fogo reacende
ainda mais forte.
Por isso que Jesus falou: “Não tenhas medo, pequeno rebanho, pois foi do
agrado do vosso Pai dar-vos o Reino” (Lc 12,32).
Agora, uma coisa é certa: Ninguém consegue acender fogo, apenas falando
de fogo. Imagine se alguém pega um punhado de palhas bem sequinhas, coloca-as
no sol quente e ainda joga gasolina, depois começa a falar sobre fogo... Não
adianta nada. Mas se a pessoa acende um fósforo, aí pronto: Vira aquele
incêndio.
O mesmo acontece com o fogo do amor que Jesus veio trazer. Precisamos
tê-lo, ao menos um pouquinho dentro de nós, a fim de que ele possa passar para
os outros, multiplicar-se e incendiar o mundo.
Quando trabalhamos em Comunidade, por exemplo, já levamos conosco o fogo
da Igreja. Aí o nosso trabalho se torna implacável. A Comunidade cristã foi a
tática criada por Jesus para transformar (incendiar) a terra, construindo o
Reino de Deus.
“O zelo por tua casa me devora” (Sl 69,10). Esse zelo é como fogo dentro
de nós.
Jesus, quando estava pregado na cruz, disse: “Tenho sede”.
Ofereceram-lhe um líquido e ele não quis. Não era sede de água, mas de ver esse
fogo ateado no mundo.
Os santos eram inflamados por esse fogo. Queriam, a todo custo, incendiar
o mundo, e alguns deram a vida por essa causa. É preciso muita garra para atear
esse fogo!
É esse fogo que nos tira de casa no domingo e nos leva para a Santa
Missa. É esse fogo que sustenta os casais unidos. O amor de Cristo é maior que
o amor humano.
Jesus não tinha nem onde reclinar a cabeça, mas passou a vida fazendo o
bem. E antes de subir para o céu ele disse: “Como o Pai me enviou, eu vos
envio. Recebei o Espírito Santo”.
O padre, a freira, todos os batizados são incendiados por esse fogo, e querem
passá-lo para os outros.
“Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe: ‘Este menino será causa de
queda e de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição
– e a ti, uma espada traspassará tua alma! – e assim serão revelados os pensamentos
de muitos corações” (Lc 2,34-35). Maria foi vítima desse fogo trazido por seu
Filho, que pôs em evidência a mentira e a violência que moviam a sociedade
judia do seu tempo, e a nossa de hoje do mesmo jeito. Mãe das Dores, rogai por
nós!
Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse
aceso!
MOMENTO DE REFLEXÃO
Uma
carta escrita em um momento de desespero assinalaria o final de uma existência.
Entre
prantos e lágrimas, eram narradas todas as dificuldades de uma jornada marcada
por desilusões e infelicidades.
Finalmente
acabaria com essa trajetória trágica, não mais haveria dor. Ficariam para trás
todos aqueles que foram os seus algozes. Sim, não haveria outra saída para uma
existência marcada por tanto sofrimento.
Contudo
havia um problema, para quem escreveria aquela carta?
Em
meio a tanta dor, não se lembrava de um amigo.
Aliás,
se o tivesse, não precisaria recorrer a esse último recurso. Isto fortalecia
sua decisão, não havia motivo para continuar, queria o descanso eterno.
Porém,
o problema continuava: quem receberia sua carta?
De
repente, em meio ao seu desequilíbrio, teve uma idéia: colocaria no correio
enviando para sua própria pessoa, e quando chegasse executaria a ação
derradeira.
Saindo
para o correio percebeu que o céu estava com um lindo azul e que algumas aves
voavam apesar da poluição da cidade, não encontrando uma árvore sequer para os
seus ninhos.
Algumas
flores, mesmo estando em terreno árido, insistiam em apresentar as suas cores.
Suas
observações foram interrompidas por uma colisão. Batendo em uma pessoa que
vinha em direção oposta derrubou a carta, a qual se misturou com tantas outras
cartas que a pessoa trazia.
Pegou
a carta e resmungando, "Nem para morrer se tem paz".
Decidiu,
então, não prosseguir para o correio, voltaria para casa e deixaria a carta
exposta, testemunha de sua dor para quem a encontrasse.
Ao
chegar em casa percebeu quer aquela não era a sua carta; na colisão pegou a
errada.
E
agora, quais serão as suas últimas palavras?
Parou
para ler a carta trocada e se espantou com o que encontrou.
A
carta dizia:
"Meu
Deus, como posso lhe agradecer a presença amorosa em todos esses anos de vida?
É verdade que foram anos difíceis, mas nunca me abandonastes, mesmo nos
momentos de dor e solidão sempre encontrei Sua presença, aliviando o meu fardo.
Hoje
me arrependo por um dia ter pensado em pôr fim a minha vida, atentando contra
Sua Lei esquecendo-me que a morte não existe.
Agora
compreendo a necessidade de experiências difíceis para o meu crescimento. Por
isso gostaria de fazer algo de bom. Pensei em escrever várias cartas pela
cidade transmitindo o seu amor. Confio que me guiarás para chegar às pessoas
que necessitam.
Estou
feliz, não porque as dores acabaram, mas porque encontrei a Tua companhia e com
ela vencerei todos os obstáculos.
Irmão
que recebeste esta carta confie, ore e prossiga. Não existem males
intermináveis e nem dores infinitas; a cada porta que se fecha novas luzes
entram por outras janelas que se abrem.
Confie,
Deus guiará o seu caminho, lhe retirando as estradas das trevas para o caminho
da luz. Lembre-se que nenhuma ovelha se perderá".
Ao
terminar a leitura chorou de arrependimento e conversou com o Pai de Infinita
Misericórdia. Novas energias chegaram ao seu coração, que se acalentou. Então,
percebeu que há muitos dias não abria as suas janelas, havia se fechado para a
vida.
Correu
e abriu as janelas, deixando a luz entrar e retomou a vida, agradecendo a Deus
por ela e por aquela carta que lhe trouxera nova direção.
UM
ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ...
E até que
nos encontremos novamente,
que Deus
lhe guarde serenamente
na palma
de Suas mãos.
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