sexta-feira, 5 de setembro de 2025

DIÁRIO DE SÁBADO 06/09/2025

 

Sábado 06/09/2025

 

“O mal só triunfa quando as pessoas de bem se omitem.”

 

 

EVANGELHO DE HOJE

Lc 6,1-5

 

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Lucas

— Glória a vós, Senhor!

 

 

Num sábado, Jesus estava passando pelas plantações de trigo, e os discípulos arrancavam as espigas, as debulhavam com as mãos e comiam. Alguns fariseus disseram: "Por que fazeis o que não é permitido em dia de sábado?" Jesus respondeu-lhes: "Nunca lestes o que fez Davi, quando ele teve fome, e seus companheiros também? Ele entrou na casa de Deus, pegou os pães da oferenda, comeu e ainda deu aos seus companheiros esses pães, que só aos sacerdotes era permitido comer". E acrescentou: "O Filho do Homem é Senhor também do sábado".

 

 

Palavra da Salvação

Glória a vós Senhor.               

 

 

 

MEDITAÇÃO DO EVANGELHO

Padre Antonio Queiroz

 

 

 

 

Por que fazeis o que não é permitido em dia de sábado?

Este Evangelho narra a cena dos discípulos de Jesus, num sábado, apanhando espigas de trigo para comer, porque estavam com fome, e o protesto dos fariseus, pois , segundo a interpretação deles, fazer colheita no sábado era proibido.

Jesus apresenta dois argumentos justificando a ação dos seus discípulos: 1) A fome justifica desobedecer a leis sagradas, como fez Davi, quando estava com fome, entrou em um lugar do Templo que era proibido e comeu os pães que só os sacerdotes podiam comer. Não só isso, mas deu também para seus companheiros. Davi desobedeceu a uma lei muito mais forte e sagrada do que colher espigas no sábado. 2) Mesmo que ninguém tivesse agido assim antes, Jesus podia fazê-lo, porque Deus Pai lhe entregou todo o poder e toda a autoridade. Jesus tem poder absoluto, é o Senhor do Templo, do sábado e de tudo o mais.

Para Deus, a vida está em primeiro lugar, acima de qualquer lei, mesmos as leis religiosas mais sagradas, como foi o caso de Davi e seus companheiros.

Que bom que nosso Senhor e Rei Jesus Cristo coloca a vida humana em primeiro lugar! Não só ele, mas, em toda a Bíblia, a vida é colocada em primeiro lugar, acima de qualquer lei, por mais forte ou sagrada que seja.

“Eu te proponho a vida e a morte. Tu deves escolher a vida. Se obedeceres aos meus preceitos, que hoje te prescrevo, viverás. Se, porém, o teu coração se desviar, certamente perecerás. Cito hoje o céu e a terra como testemunhas de que te proponho a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida!” (Dt 30,15-19). Esta última frase de Deus, nós nos lembramos, foi o lema da Campanha da Fraternidade de 2005.

O pecado original consistiu em deixar de lado a árvore da vida e comer os frutos da árvore do conhecimento do bem e do mal, que levam à morte (Cf Gn 2,17). Adão e Eva menosprezaram a vida.

As decisões políticas afetam diretamente a vida dos cidadãos. Por exemplo, decisões sobre a agricultura, a moradia, o transporte, o emprego... As autoridades políticas devem defender e promover a vida em todos os níveis, especialmente a primeira fase da vida humana, quando ela está dentro da mãe, pois é o período em que o ser humano é mais indefeso.

 “A concupiscência concebe o pecado e o dá à luz; e o pecado, uma vez maduro, gera a morte” (Tg 1,15). O pecado, seja ele qual for, tem, no fim do seu caminho, a morte.

“Por acaso eu sinto prazer com a morte do injusto? O que eu quero é que ele se converta de seus maus caminhos e viva!” (Ez 18,23). Deus não quer a morte de ninguém, nem do pior criminoso. O que ele quer é a vida. “Vou pedir contas a todo aquele que prejudicar a vida do seu irmão” (Gn 9,5).

Certa vez, uma senhora ficou gravemente enferma e foi internada no hospital. Sua febre era tão alta que ela entrou em delírio. Sonhou que havia morrido e estava diante de Jesus Cristo para o julgamento.

Jesus, logo que a viu, perguntou-lhe: “Quem é você?” Ela respondeu: “Eu sou fulana de tal, esposa de fulano”. Jesus falou: “Não é isso que eu quero saber. Quem é você?” Ela disse: “Eu sou mãe de cinco filhos”. Novamente Jesus disse: “Não é isso que eu quero saber. Quem é você?” Ela respondeu: “Sou psicóloga e atendo clientes no meu consultório...” Jesus interrompeu: “Não é isso que eu quero saber. Quem é você?”

Ela pensou... e se lembrou: “Ah! Sou católica, batizada, crismada e casada na Igreja. Vou à Missa quase todos os domingos”. Jesus disse: “Ah! Quase. Agora você está chegando ao que eu quero saber. Mas ainda não chegou. Quem é você?” A mulher pensou novamente um pouco e respondeu: “A respeito de caridade, Jesus, o Senhor me desculpe, mas não tenho tempo de pensar nisso”.

Jesus ficou meio triste, e com isso ela acordou. Na verdade, acordou duas vezes: do sono e para uma vida cristã mais comprometida.

A senhora interpretou aquele sonho como um recado de Deus. Depois que sarou, tornou-se uma das pessoas mais caridosas do seu bairro.

A exemplo de Jesus, vamos colocar a vida das pessoas em primeiro lugar! “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

Maria Santíssima é a Mãe da Vida, pois é a mãe de Jesus, que é a Vida. Que ela nos ajude a sempre colocar a vida em primeiro lugar.

Por que fazeis o que não é permitido em dia de sábado?

 

 

 

MOMENTO DE REFLEXÃO

 

 

Chego em casa à noite, exausto. A mesa vazia. Nada sobre o fogão. Nem no forno. Nem na geladeira. Não há jantar. Pior! Os ovos, sempre providenciais, acabaram. Sou forçado a me contentar com um copo de leite e bolachas. No dia seguinte, revolto-me diante da empregada.

— Passei fome!

— Ih! Achei que o senhor não vinha jantar!

Solto faíscas que nem um fio desencapado ao ouvir o verbo “achar” em qualquer conjugação. É um perigo achar. Não no sentido de expressar uma opinião, mas de supor alguma coisa. Tenho trauma, é verdade! Tudo começou aos 9 anos de idade. Durante a aula, fui até a professora e pedi:

— Posso ir ao banheiro?

Ela não permitiu. Agoniado, voltei à carteira. Cruzei as pernas. Cruzei de novo. Torci os pés. Impossível escrever ou ouvir a lição. Senti algo morno escorrendo pelas pernas. Fiz xixi nas calças! Alguém gritou:

— Olha, ele fez xixi!

Dali a pouco toda a classe ria. E a professora, surpresa:

— Ih... eu achei que você pediu para sair por malandragem!

Vítima infantil, tomei horror ao “achismo”. Aprendi: sempre que alguém “acha” alguma coisa, “acha” errado. Meu assistente, Felippe, é mestre no assunto.

— Não botei gasolina no carro porque achei que ia dar! — explica, enquanto faço sinais na estrada tentando carona até algum posto.

Inocente não sou. Traumatizado ou não, também já achei mais do que devia. Quase peguei pneumonia na Itália por supor que o clima estaria ameno e não levar roupa de inverno. Palmilhei mercadinhos de cidades desconhecidas por imaginar que hotéis ofereceriam pasta de dente. Deixei de ver filmes e peças por não comprar ingressos com antecedência ao pensar que estariam vazios. Fiquei encharcado ao apostar que não choveria, apesar das previsões do tempo. Viajei quilômetros faminto por ter certeza de que haveria um bar ou restaurante aberto à noite em uma estrada desconhecida.

Há algum tempo vi um livro muito interessante em um antiquário. Queria comprá-lo. Como ia passar por outras lojas, resolvi deixar para depois.

— Ninguém vai comprar esse livro justo agora! — disse a mim mesmo.

Quando voltei, fora vendido. Exemplar único.

— O senhor podia ter reservado — disse o antiquário.

— É, mas eu achei...

Mas eu me esforço para não achar coisa alguma. Quem trabalha comigo não pode mais achar. Tem de saber. Mesmo assim, vivo enfrentando surpresas. Nas relações pessoais é um inferno: encontro pessoas que mal falavam comigo porque achavam que eu não gostava delas. Já eu não me aproximava por achar que não gostavam de mim! Acompanhei uma história melancólica.

Dois colegas de classe se encontraram trinta anos depois. Ambos com vida amorosa péssima, casamento desfeito. Com a sinceridade que só a passagem do tempo permite, ele desabafou:

— Eu era apaixonado por você naquela época. Mas nunca me abri. Achei que você não ia querer nada comigo. Ela suspirou, arrasada.

— Eu achava você o máximo! Como nunca se aproximou, pensei que não tinha atração por mim!

Os dois se encararam arrasados. E se tivessem namorado? Talvez a vida deles fosse diferente! É óbvio, poderiam tentar a partir de agora. Mas o que fazer com os trinta anos passados, a bagagem de cada um?

Quando alguém me diz:

— Eu acho que...

Respondo:

— Não ache, ninguém perdeu nada.

Adianta? Coisa nenhuma! Vivo me dando mal porque alguém achou errado! Sempre que posso, insisto:

— Se não sabe, pergunte! É o lema que adotei: melhor que achar, sempre é verificar! (Walcyr Carrasco)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

UM ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ!

 

 

E até que nos encontremos novamente,

que Deus lhe guarde serenamente

na palma de Suas mãos.

 

 

 

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