Quinta-feira 15/01/2026.
"A distância que você
consegue percorrer na vida depende da sua ternura para com os jovens, compaixão
pelos idosos, solidariedade com os esforçados e tolerância para com os fracos e
os fortes, porque chegará o dia em que você terá sido todos eles."
(George Washington Carver)
EVANGELHO DE HOJE
Mc 1,40-45
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho
de Jesus Cristo, + segundo Marcos
— Glória a vós, Senhor!
Um leproso chegou perto de Jesus, ajoelhou-se e disse:
- Senhor, eu sei que o senhor pode me curar se quiser.
Jesus ficou com muita pena dele, tocou nele e disse:
- Sim! Eu quero. Você está curado.
No mesmo instante a lepra desapareceu, e ele ficou curado.
E Jesus ordenou duramente:
- Olhe! Não conte isso para ninguém, mas vá pedir ao sacerdote que
examine você. Depois, a fim de provar para todos que você está curado, vá
oferecer o sacrifício que Moisés ordenou.
Então Jesus o mandou embora. Mas o homem começou a falar muito e
espalhou a notícia. Por isso Jesus não podia mais entrar abertamente em
qualquer cidade, mas ficava fora, em lugares desertos. E gente de toda parte
vinha procurá-lo.
Palavra da Salvação
Glória a vós
Senhor.
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Pe. Antonio Queiroz
A lepra desapareceu e o
homem ficou curado.
Este Evangelho narra a cena
da cura de um leproso. Ele “chegou perto de Jesus, e de joelhos pediu: Se
queres, tens o poder de curar-me”. A fé é condição para recebermos as graças de
Deus.
“Jesus, cheio de compaixão,
estendeu a mão, tocou nele, e disse: Eu quero: fica curado!” O sentido literal
da palavra compaixão é “sofrer junto”. Ela leva a pessoa a, de dó, sofrer o
mesmo que o outro está sofrendo. Só isso já é um alívio para o outro, porque
sente que há alguém unido na dor. Daí para frente, os dois juntos, com os
recursos que têm, procuram sair do problema. É bem mais fácil lutarmos contra
uma dificuldade, junto com alguém, do que sozinho. E mais: “Onde dois ou mais
estiverem unidos em meu nome” – disse Jesus – “eu estou no meio deles” (Mt
18-20).
“Jesus não podia mais entrar
publicamente numa cidade: ficava fora, em lugares desertos.” Houve uma troca de
posições: o homem saiu do deserto e Jesus foi para lá. A compaixão muitas vezes
leva a isso. Mas o amor faz a pessoa feliz, mesmo vivendo no deserto.
Sob o nome de lepra
incluíam-se diversas doenças da pela, além da lepra como tal. Todos esses casos
eram considerados doença incurável e contagiosa; portanto, o doente devia
afastar-se das pessoas e viver sozinho, em um lugar isolado. Se alguém tocasse
nele, ficava também impuro, tendo de ir morar junto com ele lá no deserto (Lv
5,5-6; 13,45s).
O “leproso” era um ferido
por Deus, e por isso ficava excluídos também da sinagoga e do convívio com o
povo eleito, passando a levar uma vida miserável.
Jesus amou tanto aquele
doente, que enfrentou todo esse rigor da Lei. Foi como se ele dissesse ao
leproso: a sua dor é a minha dor; o seu problema é o meu problema.
“Por toda parte, Jesus andou
fazendo o bem” (At 10,38). O cristão verdadeiro sente compaixão das pessoas que
sofrem, e se une com elas, sem medo de “se sujar” ou de as coisas complicarem
para si. Isso é solidariedade, que nasce da compaixão.
Jesus nunca ficava neutro
entre uma pessoa certa e outra errada, um opressor e um oprimido, mas sempre
assume o lado da verdade, da vida, do excluído e dos mandamentos de Deus. Por
isso que os cristãos, seguidores de Jesus, facilmente “se queimam” ou “se
estrepam”.
“Vai, mostra-te ao sacerdote
e oferece, pela tua purificação, o que Moises ordenou, como prova para eles!” A
prova era dupla: de que o homem está curado, portanto pode voltar ao convívio
social, e que foi Jesus que o curou, isto é, reintegrou na sociedade uma pessoa
que os sacerdotes excluíam, através de suas leis sobre puro e impuro. Aqueles
sacerdotes se preocupavam em proteger o resto da sociedade, mas não se
preocupavam em reintegrar nela os pobres doentes ou pecadores que haviam sido
excluídos.
A nossa sociedade atual é
parecida. Ela cria uma série de medidas para se proteger, por exemplo, contra a
AIDS, mas não enfrenta a raiz do problema, que é o liberalismo total no uso do
sexo. Ela cria FEBEM para se proteger contra o menor infrator, mas pouco se
preocupa em recuperá-lo e reintegrá-lo na sociedade.
A pior medida é apelar para
as armas, nas guerras e em conflitos pessoais. Como é triste matar uma pessoa
humana, e causar lágrimas nos familiares, até o fim da vida! Falta-nos, muitas
vezes, paciência na solução dos conflitos.
Hoje, há milhões de pessoas
marginalizadas: pela fome, pela pobreza, pelo analfabetismo, pelo desemprego,
pelas doenças... Cabe-nos uma pergunta: o que a nossa Comunidade está fazendo
por eles? Nós nos preocupamos mais em colocar seguranças na porta da igreja, ou
em recuperar essas pessoas? Colocar segurança na porta da igreja é uma atitude
egoísta que só pensa no nosso lado, em nos proteger. Ela é válida, mas
recuperar os marginalizados é muito mais importante e mais cristão.
“Não contes nada disso a
ninguém!” Porque Jesus estava interessado em projetar não a si mesmo, mas a
Comunidade cristã que ele estava criando. Ela, a Igreja, é a força de Deus no
meio do povo. As pessoas sempre procuram alguém para se apoiar; Jesus quer o
contrário: que a Comunidade cristã se apóie em Cristo e na sua união. Reino de
Deus é povo organizado, e unido com Deus e entre si.
“Ele foi e começou a
contar.” A própria vida do ex-leproso já era por si um testemunho em favor de
Jesus. É impossível esconder a luz, especialmente quando essa luz não quer
chamar a atenção sobre si mesma. Evangelizar é falar bem de Jesus e de sua
Igreja. Contar, espalhar os benefícios que eles nos fazem
Deus nem sempre nos cura e
nos livra de todas as doenças. Ninguém fica eternamente na terra. Mas, se
tivermos fé, Deus nos dá a paz na doença e nos ajuda e transforma em bem as
próprias doenças que sofremos.
Os antigos tinham uma figura
mitológica chamada oportunidade. Era uma figura que passava sempre correndo, e
só podia ser agarrada pelos cabelos. Mas, ao contrário de nós, ela tinha os
cabelos na frente da cabeça, e, quando corria, os cabelos esticavam para
frente, não para trás.
Assim, aqueles que quisessem
agarrá-la, deviam dar conta da sua passagem por determinado lugar e ficar ali
esperando, a fim de agarrá-la pela frente, pois, se ela passasse, acabou,
ninguém conseguia pegá-la.
Aquele leproso aproveitou a
oportunidade, porque, vivendo em um povo que via a sua doença como sem cura,
procurou a Jesus: “Se queres, tens o poder de curar-me”. Que nós também
aproveitemos todas as oportunidades boas, inclusive as que nos são oferecidas
pela fé.
Pedimos a Maria Santíssima
que nos ajude a imitar o seu Filho Jesus, que “passou pela vida fazendo o bem”.
A lepra desapareceu e o
homem ficou curado.
MOMENTO DE REFLEXÃO
Já
repararam, que na grande maioria das vezes as distâncias que nos separam
verdadeiramente das outras pessoas são "materialmente" imperceptíveis
porque são quase sempre nossos pensamentos e sentimentos que fazem este papel?
Que estamos
"realmente" separados e distantes muitas vezes daqueles que convivem
conosco? E muito mais "próximos" e "unidos" com aqueles que
estão a distância?
Então
reflitamos: O que nos separa e distancia verdadeiramente das pessoas?
Nos
distanciamos daqueles que nos dirigem palavras, para nós, ofensivas.
Nos
distanciamos daqueles que nos incomodam.
Nos
distanciamos daqueles que nos ferem.
Então,
pergunto-vos: foi a outra pessoa que nos ofendeu ou nossos ouvidos
interpretaram ofensivas suas palavras?
Por que
algumas pessoas nos incomodam?
Não será
porque nos fazem ver nossos defeitos refletidos nas suas atitudes?
Por que
algumas pessoas nos ferem?
Não será
porque nos deixamos ferir?
Creiam,
sempre há os dois lados em todas as questões.
Será que a
nossa "distância afetiva" dessas determinadas pessoas vai mudar,
transformar alguma coisa?
E todos
sabemos que a nossa "tarefa" nesta terra é transformar, mudar e
evoluir.
A distância
concreta é fácil de diminuir, não é? O pensamento, a memória, o telefone... são
tantos os artifícios para driblá-la.
Porém, a
distância do coração, das atitudes; essas são bem mais difíceis, porque
requerem humildade.
Humildade
para verdadeiramente ouvirmos, olharmos e fazermos um movimento receptivo e
acolhedor na direção das pessoas que nos incomodam ou ofendem.
E
"ser" humilde é um dos estados que o espírito humano ainda tem muita
dificuldade em compreender e conseqüentemente atingir.
É mais
fácil nutrirmos sentimentos negativos, pois temos mais forças para isso; do que
para buscarmos o contrário e que necessita de muito trabalho interno, que é uma
nova maneira de "olhar" o próximo.
Mas posso
assegurar-lhes de que esse trabalho vale a pena, sua recompensa é a paz, a
tranqüilidade na consciência.
UM ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ!
E até que nos encontremos
novamente,
que Deus lhe guarde
serenamente
na palma de Suas mãos.
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