Quarta-feira, 19 de
Fevereiro de 2020
“Deus
não fez tudo num só dia; o que me faz pensar que eu possa?” (William
Shakespeare)
EVANGELHO
DE HOJE
Mc 8,22-26
O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós!
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus, segundo Marcos
Glória a vós, Senhor!
Naquele
tempo, 22Jesus e seus discípulos chegaram a Betsaida. Algumas pessoas
trouxeram-lhe um cego e pediram a Jesus que tocasse nele.
23Jesus
pegou o cego pela mão, levou-o para fora do povoado, cuspiu nos olhos dele, pôs
as mãos sobre ele, e perguntou: “Estás vendo alguma coisa?”
24O homem levantou os olhos e disse: “Estou vendo os homens. Eles
parecem árvores que andam”. 25Então Jesus voltou a por as mãos sobre os olhos
dele e ele passou a enxergar claramente. Ficou curado, e enxergava todas as
coisas com nitidez. 26Jesus mandou o homem ir para casa, e lhe disse: “Não
entres no povoado!”
Palavra da salvação
Glória a vós Senhor.
MEDITAÇÃO
DO EVANGELHO
Padre Antonio
Queiroz
O
cego ficou curado, e enxergava todas as coisas com nitidez.
Este Evangelho nos traz a cena da cura
do cego em dois estágios. “Jesus pegou o cego pela mão, levou-o para fora do
povoado...” A multidão massifica, aliena. Precisamos ficar a sós com Deus para
reassumirmos a nossa individualidade. Cada um de nós é diferente de todos e de
todas. Este cego era massificado, por isso não tinha muita iniciativa: “Algumas
pessoas trouxeram-lhe um cego e pediram a Jesus que tocasse nele”.
“Cuspiu nos olhos dele, pôs as mãos
sobre ele...” É importante o contato físico com Deus e com as pessoas. Também
hoje podemos ter contato físico com Jesus, na Eucaristia e na Comunidade
reunida em seu nome.
Também nós, como continuadores de
Jesus, devemos nos aproximar fisicamente das pessoas, ter contato pessoal, e
não apenas ficar atrás de um microfone, de uma câmara ou sentados escrevendo.
A cura em dois estágios nos ensina que
a libertação da nossa cegueira espiritual é gradativa e vai acontecendo aos
poucos. O primeiro estágio é a pessoa reconhecer Jesus, mesmo que apenas como
curador, e reconhecer o próximo, mesmo que como “árvores que andam”. Mais
tarde, a pessoa reconhecerá Jesus como Filho de Deus, caminho, verdade e vida,
e o próximo como irmão e irmã. Os estágios continuam... O amor a Deus e ao
próximo vão crescendo, até a pessoa dizer como S. Paulo: “Não sou mais eu que
vivo, é Cristo que vive em mim”, e dar a vida por ele e pelos irmãos.
Ultrapassamos o interesse em receber
favores de Jesus, e passamos a “amar como Jesus amou, pensar como Jesus
pensou”, viver e morrer como Jesus, unindo-nos depois eternamente com ele e com
a sua e nossa Família, no Céu.
“Não entres no povoado.” Jesus não
quer ser visto como um simples curador. O seu objetivo é levar o povo a
acreditar em Deus e na própria união em Comunidade. O seu desejo é que o povo
caminhe com suas próprias pernas, rumo à autonomia e à libertação dos seus
males todos, sem depender dos outros. Mas para isso precisamos do primeiro
estágio, que é nos libertarmos de toda e qualquer cegueira. A participação em
movimentos sociais e o engajamento político fazem parte dessa caminhada.
Após o Natal, um garoto saiu à rua e
viu um menino da sua idade com uma bicicleta nova. Perguntou a ele: “Como que
você conseguir esta bicicleta?” O garoto respondeu: “Foi meu irmão que me deu”.
Ele olhou bem para a bicicleta e disse: “Nossa, como que eu gostaria de ser
como o seu irmão!”
Em seguida convidou o dono da
bicicleta para ir com ele até a sua casa, que era perto. Chegando, ele foi lá
dentro, trouxe o seu irmão menor, apontou para a bicicleta e disse: “Quando eu
crescer, vou comprar para você uma bicicleta igualzinho a esta”.
Que exemplo esse garoto deu, não? Em
geral, o nosso é receber, ele sonhava em dar; amava tanto o seu irmãozinho que
sonhava em lhe dar uma bicicleta. A reação espontânea dele não foi, como
geralmente acontece, querer ter a sorte de quem ganhou, mas querer ter o
coração e a possibilidade de quem deu. Esse menino não é “cego” espiritual.
“Descubra a felicidade de servir”. “Há mais felicidade em dar do que em
receber” (At 20,35).
Quando Maria Santíssima disse que Deus
“derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes, encheu de bens...”,
certamente ela sonhou com um povo agindo com as suas próprias forças, unido,
organizado, com fé e gratidão a Deus, e feliz.
O cego ficou curado, e enxergava todas as coisas com nitidez.
CURIOSIDADES
A obra de arte
mais roubada de todos os tempos
Obras de arte são peças altamente cobiçadas, mas
nada foi tão desejado e furtado como o “Retábulo do Cordeiro”, um dos mais
famosos trabalhos de Jan Van Eyck. Uma pintura medieval gigantesca, mais pesada
que um elefante, que já foi furtada por Deus e o mundo. Napoleão a roubou, os
calvinistas quase a queimaram, os nazistas a queriam desesperadamente, até um
vigário a furtou. E só depois de passar por diferentes donos no mercado negro
teve seu descanso no seu lugar de origem, na Catedral de St. Bavo, na Bélgica.
Qual a importância dessa peça de arte? Trata-se da
primeira pintura a óleo, iniciada no ano de 1426 por Hubert van Eyck, mas,
devido ao seu falecimento, quem finalizou a obra foi seu irmão Jan, em 1432. O
Retábulo é quase um A a Z do
cristianismo. São doze painéis, que incluem desde uma bela e minuciosa
representação da adoração de fiéis peregrinos ao Cordeiro de Deus, até
importantes passagens bíblicas, como Adão e Eva no paraíso, Virgem Maria e
Cristo sendo corado. Tudo com riquíssimos detalhes. Por isso, a obra é
considerada um precursor do Renascimento e do realismo artístico.
No entanto, um bem tão valioso teve que pagar o
preço do sucesso, passando por maus bocados ao longo de sua existência. Quase
foi destruído em um incêndio provocado pela fúria calvinistas contra os
católicos, acabou sendo pilhado, desmembrado, censurado, roubado, mas também
muito desejado por reis católicos de toda Europa a partir do século XVIII,
caçado na primeira guerra mundial, vendido por um clérigo renegado em seguida,
furtado várias vezes durante a segunda guerra mundial, até finalmente ser
resgatado.
O mais ambicioso e destemido de seus perseguidores
foi Adolf Hitler. Além de possuir grande interesse em obras de arte, o Führer
acreditava que a peça tinha o segredo para encontrar as Armas Christi,
instrumentos usados no flagelamento da Paixão de Cristo, como sua coroa de
espinhos e a lança do soldado romano que perfurou seu coração. Ele acreditava
piamente que esses objetos tinham algum tipo de poder sobrenatural. Vai
entender a cabeça insana do homem mais odiado de todos os tempos.
Depois de 600 anos de
sofrimento, a peça está em processo de restauro, no museu de Artes de Ghent, na
Bélgica.
MOMENTO DE REFLEXÃO
Não sei se é possível dizer o instante exato onde
nasce a sementinha dos sonhos que plantamos em nós.
Sei apenas que um dia há aquele estalo mágico que
nos faz acordar e projetar para os dias e anos que chegam aquilo que nasceu em
nós e nosso coração recebeu aberto, como se toda a felicidade do mundo
estivesse concentrada ali.
As horas que gastamos depois, nos planos que
fazemos, nos incontáveis momentos onde colocamos o sono do lado da cabeceira
para melhor viver os projetos, são uma parte do preço que pagamos e do qual
cobraremos depois.
Ah!... mas esses sonhos, projetos, planos são
sempre infalíveis na nossa cabeça, não contamos com os contras, com a
possibilidade, mesmo que remota, de algo não dar certo, daquilo não se
realizar.
É a idéia do positivismo que exige isso de nós e
não posso dizer que essa atitude não seja já um meio caminho andado.
Mas só um meio... o restante, fica por conta do
trabalho, da ação.
E por quê?
Por que certas coisas que planejamos nunca chegam
ao fim, nunca se concretizam?
Por que um dia o mais leve sopro pode destruir em
um minuto aquilo que levamos horas e horas para sonhar e que até pagamos o
preço?
Por que a felicidade não pode ser continuada,
prolongada o bastante para que nosso coração se sinta saciado?
Deixa eu dizer o que aprendi: primeiro, nossos
desejos são nossos desejos e nossos sonhos, nossos sonhos.
Vemos diante de nós uma linha sem curvas, sem
levar em conta as várias pequeninas peças que fazem uma poderosa máquina
funcionar.
Nossos planos envolvem, claro, infalivelmente,
outras pessoas, elas mesmas com seus próprios desejos e anseios.
Precisamos aprender a flexibilidade de ter que
ceder aqui para receber ali, de avançar lentamente o caminho ao qual nos
fixamos.
Segundo, quando algo que planejamos não dá certo,
é porque Deus nos tem sob sua proteção e prepara algo melhor para nós.
Somos, creiam, pessoas especiais que desejam um
pedacinho do céu e que Deus quer dar todo o universo.
Os planos dEle sim, são perfeitos, pois Ele vê e
sente o coração de todos os homens, Ele sabe dizer o que há por detrás do muro
onde se encerra nossa visão.
Quando muitas pessoas pensam que Deus as
abandonou,
Ele está, invariavelmente, cuidando com dobrado
carinho e atenção delas.
Poucos, em toda a história da humanidade, perderam
tanto quanto Jó.
E poucos, em toda a história da humanidade,
choraram como ele, se lamentaram como ele e receberam a vitória como ele.
Não podemos perder a coragem, fé e motivação.
Caídos, sim, muitas vezes, mas enterrados, não.
Não e não!!!
Quem cair, levante-se e se não encontrar forças,
estenda a mão!
Não há humilhação em estender o braço.
Muito pior que isso é deixá-los contra si mesmo
enquanto outros continuam o caminho como se não existíssemos.
Deus promete o sol, não todos os dias, mas ele
sempre aparece.
Deus nos promete a lua e, mesmo se ela muda de
fases, dá aquele encanto mágico a um ponto do céu onde nunca chegaríamos, mesmo
em imaginação.
Letícia
Thompson
UM ABENÇOADO DIA
PRA VOCÊ...
E até que nos
encontremos novamente,
que Deus lhe guarde
serenamente
na palma de Suas
mãos.
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