Sábado, 26 de março de 2022
“Amor é um desejo irresistível de ser
irresistivelmente desejado.” (Robert Frost)
EVANGELHO DE HOJE
Lc
18,9-14
—
O Senhor esteja convosco.
—
Ele está no meio de nós.
—
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Lucas
—
Glória a vós, Senhor!
Para
alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros, Jesus
contou esta parábola: “Dois homens subiram ao templo para orar. Um era fariseu,
o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim em seu íntimo: ‘Deus, eu te
agradeço porque não sou como os outros, ladrões, desonestos, adúlteros, nem
como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de toda a
minha renda’. O publicano, porém, ficou a distância e nem se atrevia a levantar
os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem compaixão de
mim, que sou pecador!’ Eu vos digo: este último voltou para casa justificado,
mas o outro não. Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será
exaltado”.
Palavra
da Salvação
Glória
a vós Senhor.
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Jailson Ferreira
Você sai de uma missa do
mesmo jeito que entrou?
No Evangelho do domingo
passado refletimos sobre a oração persistente. Neste domingo, iremos refletir
sobre outro aspecto da oração: a forma de se colocar diante de Deus.
O que está nas linhas:
quem se exalta, será humilhado e não será atendido; quem se humilha, será
exaltado e atendido por Deus. Agora, vejamos o que está nas entrelinhas...
Observe a oração do fariseu: "Ó Deus, graças te dou porque não sou como os
demais homens, ladrões, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano.
Jejuo duas vezes por semana e dou dízimo de tudo o que ganho." E a oração
do publicano que, batendo no peito, dizia: "Ó Deus, tem misericórdia de
mim, que sou pecador." O primeiro detalhe que salta aos olhos é a
auto-suficiência do fariseu. Perceba que em sua oração, o fariseu se coloca
como alguém que se considera superior às demais pessoas, e mais merecedor das
graças de Deus. Ele não consegue enxergar seus próprios pecados, e é como se já
estivesse garantido no Reino dos Céus. Do outro lado, o publicano se coloca em
posição inferior à Deus, bate no peito (em sinal de reconhecimento e
arrependimento dos seus pecados) e suplica a misericórdia de Deus. Somente o
publicano foi "justificado", ou seja, Deus só fez justiça a ele. A oração
do fariseu foi o mesmo que nada para Deus. Por quê? Porque somente o publicano
estava aberto à ação de Deus.
Vamos trazer para a
nossa realidade...
Você já participou de um
desses retiros de final de semana? Ou de um momento de oração no qual você viu
várias pessoas chorarem bastante? E você se sentia frio, insensível, porque
você não sentia nada especial, nem tinha vontade de chorar... Olhava ao redor e
até tentava entrar no clima, mas não conseguia... Você já tem uma vantagem
sobre o fariseu, porque nem isso ele sentia. Talvez aquele fariseu até tenha
olhado para o publicano lá no cantinho da igreja, ajoelhado, chorando e batendo
no peito... mas não se compadeceu... pelo contrário, agradeceu "por não
ser tão pecador como aquele publicano." O que Deus poderia fazer pelo
fariseu? Nada. Este fariseu saiu da igreja do mesmo jeito que entrou. Do mesmo
jeito que nós, quando vamos a uma missa, um retiro, uma adoração, um encontro,
uma reunião, um momento de oração em grupo ou pessoal sem termos aberto uma porta
(ou pelo menos uma janela) para Deus entrar. E como é que se abre essa porta
(ou essa janela)? O publicano nos dá a dica: quando percebemos que existem
aspectos da nossa vida que só Deus pode resolver. Tem pessoas que só precisam
começar a rezar, que já começam a chorar... E não é por falsidade!.. É por
perceber o quanto sentem falta de Deus...
Você só tem a agradecer
a Deus? Ótimo! Mas Deus quer fazer ainda mais na sua vida e na vida das pessoas
que te rodeiam. Peça! Peça perdão... Peça que Ele te ajude em algum aspecto na
sua vida que ainda não está bem resolvido... Peça forças para levar o Evangelho
para outras pessoas que não conhecem... Abra a porta... A sua vida não pode ser
tão perfeita, e você não tem como ser tão auto-suficiente a ponto de não
precisar de Deus... tem?
MOMENTO DE REFLEXÃO
Quando queremos que
alguma coisa fique ancorada à nossa vida, fazemos de tudo para mantê-la presa à
nós. Criamos laços e os apertamos com todo nosso coração.
Os nós fazem parte de
nós.
Infelizmente, nem tudo o
que se apega a nós é bom e útil. Se prezamos ter laços afetivos e pedaços de
memórias agarradas definitivamente à nossa pele, há aqueles nós que se apegam
sem que nossa permissão seja pedida e sem que tenhamos forças para desatá-los.
Esses nos acompanham e nos adoecem.
Viver com nós na
garganta, que não descem e nem saem, nos deixa deficientes. Avançamos em
algumas outras coisas, mas o não resolvido fica, como um espinho na carne.
Aquilo que não
conseguimos engolir é o perdão que não conseguimos oferecer, é o esclarecimento
que nunca nos foi dado, são os porquês nunca respondidos.
A gente caminha, mas
sente que algo ficou pra trás e muitas das dores de garganta que não
conseguimos curar são emoções presas das quais não soubemos nos livrar. O que
fica atravessado diante de nós é o peso que carregamos por vezes por anos e
anos.
O dia bendito em que
conseguimos colocar em palavras e lágrimas aquilo que nos ofendeu, entrou em
nós e ficou, o sol desponta no horizonte como se fosse seu primeiro dia.
Ah, Deus, se tivéssemos
sempre a coragem de abrir nosso coração e gritar nossa mágoa, quão mais leves e
sãos poderíamos viver!
Por que esse medo de
expôr o que nos desagrada? Por que temer ferir o outro quando estamos, nós
mesmos e inteiramente, sangrando? Por que a felicidade alheia, se felicidade
alheia há, é mais importante que a nossa?
Grande parte dos nossos
problemas, das nossas doenças até físicas, vem da falta de comunicação. Por que
não dizemos, não passamos ao outro o que sentimos, não falamos do sentimento de
injustiça que sentimos e do quanto isso nos abala.
Falar é importante. No
bom momento, claro, que com sabedoria deve ser escolhido, mas é muito
importante. O que não dizemos, o outro não é obrigado a adivinhar e isso nunca
podemos cobrar.
Os nós não resolvidos
atam nossa vida a um certo momento. Não crescemos como convém e mesmo nosso
riso é sempre manchado por uma pinta de tristeza que traduz nosso olhar.
Quando sentiu que tinha
que se revoltar no Templo, Jesus se revoltou, nenhuma palavra poupou; quando a
dor e tristeza foram grandes demais no seu seio, Ele chorou; quando o cálice
tornou-se por demais amargo, falou com o Pai...
A liberdade só nos chega
quando liberamos nosso ser, quando oferecemos ao outro o direito de ouvir,
perdoamos o que deve ser perdoado e aceitamos o que deve ser aceito.
Se criamos a coragem de
desatar, devagar, certo, mas desatar, um a um os laços que nos incomodam,
liberamos uma a uma as ansiedades, os males que nos doem física e
psicologicamente.
Nessas horas nosso
coração bate de maneira diferente, respiramos mais ar puro e nossos olhos se
abrem para novos horizontes. Só um pequeno passo, um muito de coragem e uma
nova vida pode começar.
Letícia Thompson
UM ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ...
E até que nos encontremos novamente,
que Deus lhe guarde serenamente
na palma de Suas mãos.
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