Sexta-feira, 11 de março de 2022
“Os animais foram criados pela mesma
mão caridosa de Deus que nos criou... É nosso dever protegê-los e promover o
seu bem estar.” (Madre Teresa de Calcutá)
EVANGELHO DE HOJE
Mt
5,20-26
—
O Senhor esteja convosco.
—
Ele está no meio de nós.
—
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Mateus
Naquele
tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 20“Se a vossa justiça não for maior que
a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos
Céus.
21Vós
ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem matar será condenado
pelo tribunal’. 22Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu
irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: ‘Patife!’ será condenado
pelo tribunal; quem chamar o irmão de ‘tolo’ será condenado ao fogo do inferno.
23Portanto,
quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar, e ali te lembrares de
que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24deixa a tua oferta ali diante do
altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a
tua oferta.
25Procura
reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal.
Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de
justiça, e tu serás jogado na prisão. 26Em verdade eu te digo: dali não sairás,
enquanto não pagares o último centavo”.
Palavra
da Salvação
Glória
a vós Senhor.
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Pe. Antônio Queiroz CSsR
Vai primeiro
reconciliar-te com o teu irmão.
Neste Evangelho, Jesus
nos pede com veemência que nos reconciliemos com todos. Reconciliação é o
perdão levado à prática, um perdão mais profundo e duradouro.
“Quando tu estiveres
levando a tua oferta para o altar, e ali te lembrares que teu irmão tem alguma
mágoa contra ti, deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro
reconciliar-te com teu irmão.” Isso porque “tudo o que fizestes ao menor dos
meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25). Deus não quer receber dois
tratamentos de nós: a ele presente no altar e a ele presente no nosso irmão.
O amor fraterno e a
reconciliação são condições prévias para um culto autêntico a Deus. Por isso, o
sacramento da confissão está orientado para a Eucaristia, ela mesma tem, no
início, o ato penitencial. “Irmãos, reconheçamos as nossas culpas para
participar dignamente dos santos mistérios”, diz o presidente da celebração,
antes do ato penitencial. “Amar a Deus e ao próximo vale mais que todos os
holocaustos e sacrifícios” (Mc 12,33). Entretanto, é uma tentação constante
para nós a separação entre o culto e o amor fraterno, o rito e a prática da
justiça. Inclusive a expressão popular “católico praticante” não inclui a
caridade e sim o culto.
“Se a vossa justiça não
for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no
Reino dos Céus.” Jesus se refere ao conceito de santidade que tinham os chefes
judaicos. Aquele jeito de buscar a santidade, diz Jesus, não alcança o nível
requerido para pertencer ao Reino de Deus, porque é muito formalista, é
exterior, e não vai à raiz, às atitudes, ao coração.
“Vós ouvistes o que foi
dito: Não matarás... Eu porém vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu
irmão será réu em juízo.” Na verdade, Jesus não mudou as Leis antigas, apenas
mudou a maneira de interpretá-las. Ele olha o espírito da Lei. “Não penseis que
vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para levá-las ao seu
pleno cumprimento” (Mt 5,17).
As Leis do Antigo
Testamento vieram de Deus, que é nosso Pai amoroso. Devemos ir além das
palavras, da letra, e chegar ao espírito da Lei, isto é, à intenção do
legislador ao dar a Lei. Quando amamos uma pessoa, nós lemos no coração dela o
que suas palavras não conseguem expressar. Jesus fazia isso ao ler o Antigo
Testamento. E nós também devemos fazer em relação a toda a Bíblia e a todas as
leis.
Por exemplo, olhando o
mandamento: “Não matarás”, nós percebemos que o que Deus quer é que não façamos
mal nenhum ao próximo, inclusive não xingá-lo nem nos encolerizar com ele.
Deus é um grande
pedagogo. Ele respeita a lei do crescimento, que está na natureza humana. Antes
de dar uma lei mais forte, ele dá uma mais fraca, como escada, como
treinamento, para a pessoa chegar até ao que ele realmente quer.
“Procura reconciliar-te
com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal.” Todos nós
estamos caminhando rumo ao tribunal de Deus, junto com parceiros e adversários.
Cada dia que amanhece é uma nova chance que Deus nos dá para nos reconciliarmos
com os adversários, porque, quando estivermos diante do tribunal de Cristo, não
haverá mais tempo de reconciliação. E lá no céu não entram inimigos nem
adversários um do outro! Lá só entra quem estiver unido e unida a todos, sem
exceção.
Com a vida eterna não se
brinca. Não podemos deixar para amanhã a solução de problemas que podem
interferir no nosso julgamento final!
“Em verdade eu te digo:
dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo”. É uma referência
indireta ao Purgatório, onde ficarão por um tempo as pessoas que eram boas na
terra, mas morreram com dívidas com Deus, isto é, com desuniões não reconciliadas,
com Deus ou com o próximo. No céu só entra gente totalmente santa. Entretanto,
“Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva” (1ª Leitura). O
Purgatório é mais um sinal do grande amor de Deus por nós. Ele nos quer todos
junto dele eternamente, por isso descobriu um jeito de o conseguir: criando um
estágio de purificação após a nossa morte. Assim, fica salva também a sua
justiça que é infinita.
Em relação à Campanha da
Fraternidade, desejamos que o nosso mundo seja o mundo de Deus e o mundo dos
homens, não o mundo da riqueza e dos bens econômicos. O que o pobre come? E o
rico? Onde o pobre mora? E o rico? Quanto mais dinheiro acumulado, mais
privilégios.
Havia, certa vez, uma
senhora que gostava de, no jantar, em vez de cozinhar, fazer um lanche para o
esposo e o filho de dez anos. Em um desses lanches, depois de um dia de muito
trabalho, ela colocou na mesa torradas bastante queimadas. O homem pegou a sua
torrada, sorriu para a esposa e perguntou ao menino como tinha sido o seu dia
na escola. Enquanto isso, ele pegava pedaços de torrada, passava margarina e
comia.
Terminados os trabalhos
do fogão, a mãe veio e pediu desculpas por haver queimado as torradas. O esposo
respondeu: “Amor, eu adoro torrada queimada”.
Mais tarde, naquela
noite, antes de dormir o garoto perguntou ao pai, longe da mãe, se ele gostava
realmente de torrada queimada. Ele abraçou o filho e disse: “Companheiro, sua
mãe teve hoje um dia de trabalho muito pesado e estava cansada. Além disso, uma
torrada queimada não faz mal a ninguém.
A vida é cheia de
imperfeições e as pessoas não são perfeitas. Precisamos aceitar as falhas
alheias, relevando as diferenças entre um e outro. As pessoas se esquecem do
que lhes dizemos, mas nunca se esquecem do modo como as valorizamos e acolhemos.
A mãe não costuma
guardar rancor dos filhos, nem se vingar deles, porque ela é símbolo do amor de
Deus. Que Maria Santíssima, a Mãe das mães, nos ajude a nos reconciliarmos com
todos.
Vai primeiro
reconciliar-te com o teu irmão.
MOMENTO DE REFLEXÃO
Contam que um alpinista,
desesperado por conquistar uma altíssima montanha, iniciou sua escalada depois
de anos de preparação. Como queira a glória só pra si, resolveu subir sem
companheiros.
Durante a subida, foi
ficando mais tarde e mais tarde e ele, para ganhar tempo, decidiu não acampar,
sendo que continuou subindo... e, por fim, ficou escuro.
A noite era muito densa
naquela ponto da montanha, e não se podia ver absolutamente nada. Tudo era
trevas, visibilidade zero, a lua e as estrelas estavam encobertas pelas nuvens.
Ao subir por um caminho
estreito, a poucos metros do topo, escorregou e precipitou-se pelos ares,
caindo a uma velocidade vertiginosa.
Naqueles breves segundos
da sua queda, sua vida passava-lhe inteira à sua frente. Quando a morte já lhe
era certa, de repente, um fortíssimo solavanco... causado pelo esticar da corda
à qual estava amarrado e que, por sorte, prendera-se às rochas.
Nesse momento de
solidão, suspenso no ar, não havia nada que pudesse fazer, senão pedir socorro
aos céus: - Meus Deus, ajude-me!
De repente, uma voz
vinda dos céus lhe pergunta: - Que queres que eu te faça?
- Salva-me, meu Deus!
Respondeu o alpinista.
- Crês realmente que Eu
posso salva-lo?
- Sim, Senhor, eu creio.
- Então, corta a corda!
Depois de um profundo
momento de silêncio, o alpinista agarrou-se ainda mais à corda.
- Porque duvidas... não
crês que eu posso salvá-lo? Insistiu a voz. – Se creres, verás a glória de
Deus.
Conta a equipe de
resgate que, no outro dia, encontraram o alpinista morto, congelado, com as
mãos firmemente agarradas à corda... a apenas dois metros do chão.
UM ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ...
E até que nos encontremos novamente,
que Deus lhe guarde serenamente
na palma de Suas mãos.
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