Domingo, 14 de agosto de 2022
"Nada depende tanto do nosso
poder quanto a nossa própria vontade." (Sto Agostinho)
EVANGELHO DE HOJE
LC
12,49-53
—
O Senhor esteja convosco.
—
Ele está no meio de nós.
—
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Lucas
—
Glória a vós, Senhor!
Vim
lançar fogo na terra; e que mais quero, se já está aceso?
Importa,
porém, que seja batizado com um certo batismo; e como me angustio até que venha
a cumprir-se!
Cuidais
vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo, mas antes dissensão;
Porque
daqui em diante estarão cinco divididos numa casa: três contra dois, e dois
contra três.
O
pai estará dividido contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a
filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra sua nora, e a nora contra sua
sogra.
Palavras da Salvação
Glória
a vós Senhor
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Padre Antonio Queiroz (In Memorian)
Eu vim para lançar fogo
sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso!
Neste Evangelho, Jesus
compara a Vida Nova trazida por ele com o fogo. É o fogo que queima o que é
“velho” ou errado em nós; é o fogo do Amor, derramado em nossos corações. Esse
fogo vai aos poucos incendiando o mundo e fazendo nascer o Reino de Deus. Ele
suscita perseguição, divisões e faz até derramar sangue. Mas o incêndio é
implacável.
“Devo receber um batismo, e como estou ansioso
até que isto se cumpra!” Um metal incandescente, quando é mergulhado na água
fria, faz barulho e espirra água para todo lado. É o choque causado pelo
encontro do Reino de Deus com o reino da Besta Fera (Apocalipse). Jesus será o
primeiro a ser batizado, isto é, mergulhado neste batismo de sangue. A parte
dele foi bem feita; resta a nossa.
“Vos pensais que eu vim trazer a paz sobre a
terra?” Jesus usa a palavra “paz” no sentido que o mundo pecador dá, que é uma
aparente tranqüilidade em cima da injustiça e baseada no poder. Essa paz ele
veio destruir. Como disse um padre uma vez, no final da Missa: “Ide em paz, e
que a paz de Cristo nunca vos deixe em paz”. Estão aí os dois sentidos
contrários da palavra paz: a do mundo e a de Cristo. Se a nossa convivência com
o mundo pecador é só “de paz”, é de se perguntar que paz é essa.
O mundo vive em tensões,
em violência, fruto conflito entre os dos dois senhores que querem dominá-lo:
Deus e o dinheiro. E nós somos embaixadores de Cristo no nosso ambiente,
portadores do seu fogo. Ao ver a nossa lentidão, ele fica inquieto: “como gostaria
que já estivesse aceso!”
“Vim trazer a divisão: pai contra filho, mãe
contra filha, sogra contra nora...” A afirmação de Jesus é chocante, mas é
real, e a vemos a cada dia. Queremos a união dentro de casa, mas não podemos
abrir mão de pontos fundamentais da nossa fé, se há outros que pensam o
contrário de nós. E essa nossa firmeza muita vezes gera perseguição sobre nós.
A prática do Evangelho não nos conduz a um paraíso terreno.
Após o fogo, surgem das
cinzas plantas vicejantes. É o que acontece quando nos deixamos incendiar pelo
fogo de Deus.
Antes de batizar Jesus,
João Batista falou para o povo: “Eu vos batizo com água. Mas virá aquele que é
mais forte do que eu... Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Lc
3,16). O Espírito Santo nos dá, no batismo, o dom do amor, que é semelhante ao
fogo.
O que nos impulsiona não
é um mandamento recebido, ou medo de castigo se não o fizermos, ou busca de
vantagens nesta ou na outra vida. O cristão age estimulado por algo que está
dentro dele ou dela, que é o amor de Deus.
O amor arde no peito,
queima e não deixa a pessoa parada. Impulsiona-a fortemente para a ação e para
o testemunho. O Profeta Jeremias dizia: “Tenho de gritar, tenho de arriscar. Ai
de mim se não o faço! Como escapar de ti? Como calar, se tua voz arde em meu
peito?”
Os inimigos de Deus logo
percebem e tentam apagar esse fogo, mas não conseguem. Como diz o evangelista
S. João 1,5: As trevas tentaram apagar a luz, mas não conseguiram.
Na morte de Jesus, os
inimigos dele pensaram: “Agora apagamos”. Mas que nada! O fogo estava aceso no
coração dos discípulos, e agora era impossível apagá-lo. Apagam aqui, ele brota
ali.
Os antigos perseguidores
dos cristãos perceberam que, quanto mais os matavam, mais eles cresciam em
número. Este fogo que Jesus trouxe é muito especial. Quando tentam apagá-lo,
fica sempre uma brasa, e através dela o fogo reacende ainda mais forte.
Por isso que Jesus
falou: “Não tenhas medo, pequeno rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai
dar-vos o Reino” (Lc 12,32).
Agora, uma coisa é
certa: Ninguém consegue acender fogo, apenas falando de fogo. Imagine se alguém
pega um punhado de palhas bem sequinhas, coloca-as no sol quente e ainda joga
gasolina, depois começa a falar sobre fogo... Não adianta nada. Mas se a pessoa
acende um fósforo, aí pronto: Vira aquele incêndio.
O mesmo acontece com o
fogo do amor que Jesus veio trazer. Precisamos tê-lo, ao menos um pouquinho
dentro de nós, a fim de que ele possa passar para os outros, multiplicar-se e
incendiar o mundo.
Quando trabalhamos em
Comunidade, por exemplo, já levamos conosco o fogo da Igreja. Aí o nosso
trabalho se torna implacável. A Comunidade cristã foi a tática criada por Jesus
para transformar (incendiar) a terra, construindo o Reino de Deus.
“O zelo por tua casa me devora” (Sl 69,10).
Esse zelo é como fogo dentro de nós.
Jesus, quando estava
pregado na cruz, disse: “Tenho sede”. Ofereceram-lhe um líquido e ele não quis.
Não era sede de água, mas de ver esse fogo ateado no mundo.
Os santos eram
inflamados por esse fogo. Queriam, a todo custo, incendiar o mundo, e alguns
deram a vida por essa causa. É preciso muita garra para atear esse fogo!
É esse fogo que nos tira
de casa no domingo e nos leva para a Santa Missa. É esse fogo que sustenta os
casais unidos. O amor de Cristo é maior que o amor humano.
Jesus não tinha nem onde
reclinar a cabeça, mas passou a vida fazendo o bem. E antes de subir para o céu
ele disse: “Como o Pai me enviou, eu vos envio. Recebei o Espírito Santo”.
O padre, a freira, todos
os batizados são incendiados por esse fogo, e querem passá-lo para os outros.
“Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe:
‘Este menino será causa de queda e de reerguimento para muitos em Israel. Ele
será um sinal de contradição – e a ti, uma espada traspassará tua alma! – e
assim serão revelados os pensamentos de muitos corações” (Lc 2,34-35). Maria
foi vítima desse fogo trazido por seu Filho, que pôs em evidência a mentira e a
violência que moviam a sociedade judia do seu tempo, e a nossa de hoje do mesmo
jeito. Mãe das Dores, rogai por nós!
Eu vim para lançar fogo
sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso!
MOMENTO DE REFLEXÃO
Pai de verdade
Pai de verdade mesmo
sabe que ser pai não é simplesmente
recolher o fruto de um
momento de prazer, mas sim perceber
o quanto pode ainda
estar verde e ajudá-lo a amadurecer.
Pai de verdade mesmo não
só ergue o filho do chão quando ele cai,
mas também o faz
perceber que a cada queda é possível levantar.
Ele não é simplesmente
quem atende a caprichos: ele sabe perceber
quando existe verdadeira
necessidade nos pedidos.
Pai de verdade mesmo não
é aquele que providencia as melhores
escolas, mas o que
ensina o quanto é necessário o conhecimento.
Ele não orienta com base
nas próprias experiências, mas demonstra
que em cada experiência
existe uma lição a ser aprendida.
Pai de verdade mesmo não
coloca modelos de conduta, mas aponta
aqueles cujas condutas
não devem ser seguidas.
Ele não sonha com
determinada profissão para o filho, mas deseja grande e verdadeiro sucesso com
sua real vocação.
Ele não quer que o filho
tenha tudo que ele não teve, mas que tenha
tudo aquilo que merecer
e realmente desejar.
Pai de verdade mesmo não
está ali só para colocar a mão no bolso
para pagar as despesas:
ele coloca a mão na consciência e percebe
até que ponto está
alimentando um espírito de dependência.
Ele não é um condutor de
destinos, mas sim o farol que aponta para
um caminho de
honestidade e de Bem.
Pai de verdade mesmo não
diz " Faça isto " ou " faça aquilo " , mas sim
" tente fazer o
melhor de acordo com o que você já sabe " .
Ele não acusa de erros e
nem sempre aplaude os acertos, mas pergunta
se houve percepção dos
caminhos que levaram o filho a esses fins.
Pai de verdade mesmo é o
Amigo sempre presente, atento e amoroso - com a alma de joelhos - pedindo a
Deus que o oriente na hora de dar conselhos...
UM ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ...
E até que nos encontremos novamente,
que Deus lhe guarde serenamente
na palma de Suas mãos.
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