Domingo, 04 de setembro de 2022
“Não há céu sem tempestades, nem
caminhos sem acidentes. Não tenha medo da vida, tenha medo de não vivê-la
intensamente.” (Augusto Cury)
EVANGELHO DE HOJE
LC
14,25-33
—
O Senhor esteja convosco.
—
Ele está no meio de nós.
—
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Lucas
—
Glória a vós, Senhor!
Ora,
ia com ele uma grande multidão; e, voltando-se, disse-lhe:
Se
alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e
irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.
E
qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu
discípulo.
Pois
qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as
contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar?
Para
que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo
acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele,
Dizendo:
Este homem começou a edificar e não pôde acabar.
Ou
qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta
primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem
contra ele com vinte mil?
De
outra maneira, estando o outro ainda longe, manda embaixadores, e pede
condições de paz.
Assim,
pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu
discípulo.
Palavras
da Salvação
Glória
a vós Senhor
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Pe. Antônio Queiroz CSsR
Qualquer um de vós, se
não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!
Neste Evangelho, Jesus
nos previne: “Qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode
ser meu discípulo!” E ele cita algumas coisas: se não renunciar pai, mãe,
esposa, marido, filhos, irmãos ou irmãs... e até a própria vida, não pode ser
discípulo dele.
É um alerta que ele faz.
“Rapadura é doce mas não é mole.” Ser discípulo ou discípula de Jesus é bom,
tem vantagens, mas não é fácil.
Jesus começa citando os
parentes, porque entre eles podemos encontrar alguém da turma do “deixa disso”,
e nós não podemos dar ouvidos, mesmo que seja pai, mãe, esposa, marido...
E há muitos outros
obstáculos; por isso que Jesus resume com a expressão “renunciar a tudo”.
E há situações em que o
cristão, movido pela fé e pela confiança em Deus, arrisca a própria vida. Foi o
caso dos mártires.
“Quem não carrega a sua cruz e não caminha
atrás de mim, não pode ser meu discípulo.” Não caminhar na frente ou ao lado
dele, mas atrás, isto é, seguir a Jesus sem tentar mudar o seu Evangelho. As
seitas são exatamente a busca de um caminho mais fácil para seguir a Jesus.
As duas parábolas são
uma chamada de atenção a nós para a responsabilidade. Assim como não é bom nem
bonito começar uma coisa sem ter condições de terminar, o mesmo acontece com a
vida cristã, o seguimento de Jesus. Jesus nos deixou todos os meios e recursos
para levar até o fim esse caminho, mas se alguém não está disposto nem a usar
esses recursos, é preferível não começar a segui-lo. Fazer como o jovem rico:
virar as costas e ir embora.
O exemplo da torre, que
hoje seria um prédio muito alto e caro, seria uma enorme imprudência começar a
obra e pará-la no meio. O sol e a chuva vão estragar tudo e o prejuízo será
enorme. O certo, diz Jesus, é planejar bem os gastos antes, para ter condições
de terminar a obra. Do contrário, nem começar, porque assim evita as caçoadas
dos outros.
Outro exemplo pior ainda
é o da guerra. Se prevê que não vai vencer o inimigo, é mil vezes melhor fazer
um acordo com ele, estabelecendo as condições de paz. Porque depois de uma
guerra, a parte derrotada perde tudo mesmo, até o povo.
A torre e a guerra são
dois exemplos de empreendimento difíceis, que só devemos começar se temos
condições de terminar. Seguir a Jesus é outro empreendimento difícil, e súper
difícil.
Jesus é uma pessoa
franca e sincera. Ele abre o jogo para que não comecemos a segui-lo e depois
termos de parar, ou escolher um meio termo, o que ele detesta. Ser cristão pela
metade, além de imprudência, é uma coisa ridícula.
Nós precisamos ser
realistas. Para quem segue a Jesus, a cruz é inevitável. É bom saber disso
antes e contar com isso, porque a desistência no meio do caminho vira um contra
testemunho pior do que não começar.
Quanta gente começa as
coisas e não termina! Um curso, uma faculdade, o trabalho em uma pastoral, o
próprio casamento... Por outro lado, quantas pessoas começam e perseveram!
"Meu filho, come
este rolo" (Ez 3,3) disse Deus ao Profeta Ezequiel. Era o livro da Palavra
de Deus. O profeta comeu e depois comentou: Na boca, era doce como o mel, mas,
quando chegou ao meu estômago, tornou-se amargo como o fel. Boa figura da vida
cristã.
Havia, certa vez, um
menino que tinha uma cicatriz no rosto e, na escola, as pessoas não falavam com
ele nem se sentavam ao seu lado. Na realidade, quando os colegas o viam
franziam a testa devido a cicatriz ser muito feia. Então seus colegas de classe
começaram a reclamar com a professora, pedindo que aquele menino da cicatriz
não freqüentasse mais o colégio. A professora levou o caso à diretora. Esta
ouviu e chegou à seguinte conclusão: Que não poderia tirar o garoto do colégio,
e que conversasse com o menino e ele fosse seria o último a entrar em sala de
aula, o primeiro a sair, e fosse sentar-se na última carteira da classe. Desta
forma, nenhum aluno via o seu rosto, a não ser que olhassem para trás.
A professora levou ao
conhecimento do menino a decisão e ele aceitou prontamente. Mas pediu se podia
explicar para os colegas a origem da cicatriz. A professora permitiu e ele
disse o seguinte:
“Quando eu tinha por volta de sete a oito anos
de idade, um dia pegou fogo na minha casa. Estávamos eu, meu irmão mais novo,
minha irmãzinha de berço e minha mãe. Eu, minha mãe e meu irmão conseguimos
sair. Minha mãe queria entrar para pegar o nenê, mas os vizinhos a seguraram e
não deixaram, porque o fogo já havia tomado conta de toda a casa. Foi nessa
hora que eu saí entre as pessoas e, quando perceberam, eu já tinha entrado na
casa. Havia muita fumaça e estava muito quente. Eu fui ao quarto, peguei minha
irmãzinha que estava chorando e saí com ela nos braços. Na saída, caiu no meu
rosto uma madeira em brasas que me queimou, de onde surgiu esta cicatriz. Hoje,
quando chego em casa, a primeira pessoa que vem me receber é minha irmã. E ela
dá um beijo nesta cicatriz, que a salvou.”
A turma ouviu quieta,
atenta e envergonhada. Quando o garoto terminou de falar, toda a classe estava
chorando.
O mundo está cheio de
pessoas com cicatrizes, físicas ou não, visíveis ou não. Mas o amor fraterno é
central no seguimento de Jesus. Se alguém não topa, como queriam aqueles
alunos, é melhor nem ser batizado. Ou, se foi, é melhor não renovar, na
primeira comunhão e na crisma. Ou, se já fez tudo isso, é melhor largar a
Comunidade duma vez.
Maria Santíssima foi
atrás de Jesus, como sua discípula fiel. Ela não foi frente nem ao lado, isto
é, não quis facilitar um pouquinho o Evangelho do Filho. Pelo contrário,
colaborou com ele, por exemplo, na cruz e, após a subida dele ao céu, ela
permaneceu junto com a Igreja nascente. “Ó Mãe da perseverança, teus volve a
nós!”
Qualquer um de vós, se
não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!
MOMENTO DE REFLEXÃO
Embora não pareça, há
uma grande dificuldade para se distinguir entre o que é pura imaginação e o que
existe, de fato, ou seja, aquilo que se pode sentir, pegar, ver e viver. Como
resultado, tenho presenciado muito sofrimento causado pela dificuldade de
aceitação da realidade. Pais que não aceitam que os seus filhos cresceram,
filhos que não aceitam a indiferença dos pais, casais que não aceitam o fim de
um relacionamento e, principalmente, pessoas que não aceitam a realidade de que
a vida é dinâmica e que, desta forma, estamos dentro de um processo de
contínuas mudanças.
Quando se está fora da
realidade, vive-se uma ilusão.
É preciso saber a
diferença entre o que é sonho e o que é ilusão. O sonho é a imaginação
trabalhando a partir do que é real, fundamentado no que existe no universo de
cada pessoa. A ilusão é a imaginação trabalhando com o utópico, sem fundamento
no que é real. O sonho é criação que nasce do aprofundamento das ideias. A
ilusão é uma espécie de desvario.
É possível perceber a
ilusão. O caminho do sonho, por mais trabalhoso que o seja, conta com a
cumplicidade do que existe. Por este motivo, chega ao seu destino,
realizando-se. O que se chama de "sonho impossível" é, na verdade,
uma ilusão. É impossível porque briga com a realidade, desloca-se através do
que não é, não chega a lugar algum e estaciona no sofrimento.
A realidade sempre envia
sinais de alerta que, reconhecidos, servem para uma mudança de rumos ou para
um despertar das idéias. Eles nos chegam
através das pessoas, dos acontecimentos, da observação da natureza das coisas. É preciso estarmos prontos para captar esses
sinais.
Por diversas razões
(detectar uma ilusão é uma delas), costumo chamar a atenção dos meus clientes
para alguns questionamentos. Desta forma, conduzo-os à percepção dos sinais das
suas próprias realidades. Sugiro que sempre que algo os incomodar, eles parem,
reflitam e façam a si mesmos três perguntas:
- O que está
acontecendo?
- Por que estou me
sentindo assim?
- O que é necessário que
eu faça para resolver isto?
Aceitar a sua realidade
passa pelo conhecimento das suas potencialidades e dos seus limites, isto é,
saber o que você pode e até onde pode ir. É uma forma de aprendizado que nos
capacita a observar, conhecer e avaliar as potencialidades e limites do que
está fora de você.
O que está fora de você,
está fora do seu controle. É preciso
ficar atento para as variáveis que não são possíveis controlar. Aceite-as.
Quando você as aceita tem a verdadeira dimensão da sua realidade e, então,
cessará uma luta inglória contra o que é real, um adversário muito mais forte
do que você.
Partindo deste ponto, você tem possibilidades
de escolher se quer continuar caminhando sobre o fio de uma navalha, vivendo na
ilusão, ou se põe os pés no chão e traça um novo modelo para a sua vida,
construindo sonhos dentro dos limites do seu possível. Consciente da sua
realidade, você terá diante de si um leque de possibilidades do que poderá
explorar, construir e, assim, chegar ao destino almejado.
Lêda Yara Motta Mello
Psicoterapeuta Holística/ CRT- 41601/Arapiraca (AL)
- Brasil
UM ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ...
E até que nos encontremos novamente,
que Deus lhe guarde serenamente
na palma de Suas mãos.
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