Quinta-feira 14/05/2026
Quantos sofrimentos
nos custaram os males que nunca ocorreram.(Thomas Jefferson)
EVANGELHO DE HOJE
Jo 15,9-17
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, +
segundo João
— Glória a vós, Senhor!
Assim como o meu Pai me ama, eu amo vocês;
portanto, continuem unidos comigo por meio do meu amor por vocês. Se obedecerem
aos meus mandamentos, eu continuarei amando vocês, assim como eu obedeço aos
mandamentos do meu Pai e ele continua a me amar. - Eu estou dizendo isso para
que a minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa. O meu
mandamento é este: amem uns aos outros como eu amo vocês. Ninguém tem mais amor
pelos seus amigos do que aquele que dá a sua vida por eles. Vocês são meus amigos
se fazem o que eu mando. Eu não chamo mais vocês de empregados, pois o
empregado não sabe o que o seu patrão faz; mas chamo vocês de amigos, pois
tenho dito a vocês tudo o que ouvi do meu Pai. Não foram vocês que me
escolheram; pelo contrário, fui eu que os escolhi para que vão e dêem fruto e
que esse fruto não se perca. Isso a fim de que o Pai lhes dê tudo o que pedirem
em meu nome. O que eu mando a vocês é isto: amem uns aos outros.
Palavra da Salvação
Glória a vós Senhor.
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Pe. Antonio Queiroz
Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu
que vos escolhi.
Hoje nós celebramos a festa do Apóstolo S. Matias. A escolha dele, em
substituição a Judas Iscariotes, está narrada na primeira Leitura: At 1,15-26.
Fizeram um sorteio. Nós hoje escolhemos os nossos líderes geralmente através da
votação. Mas no fundo quem escolhe é sempre Deus, seja através do sorteio, da
votação, ou de qualquer outro sistema eleitoral.
Não somos nós que escolhemos a Deus, mas é ele que nos escolhe. Da nossa
parte, cabe a disponibilidade, como teve S. Matias. Ele não escolheu ser
Apóstolo, foi a Igreja que o escolheu. Ou melhor, foi Deus que o escolheu
através da Igreja.
É interessante o discursinho de S. Pedro, que está na primeira Leitura.
O qur ele fez foi um discernimento junto com a Comunidade, isto é, uma busca da
vontade de Deus. Usando outras palavras, Pedro disse: Deus quer que haja doze
Apóstolos, porque foi assim que Jesus constituiu o grupo, que é uma continuação
das doze tribos de Israel. Mas Judas nos deixou. Portanto, Deus quer que um de
vocês ocupe o lugar dele.
Com essas palavras, Pedro motivou a Igreja ali reunida, umas cento e
vinte pessoas, a buscarem uma saída, indicando candidatos para preencher a
vaga. Pedro ainda deu critérios para a escolha: “Há homens que nos acompanharam
durante todo o tempo em que o Senhor Jesus vivia no meio de nós, a começar pelo
batismo de João até o dia em que foi elevado ao céu. Agora, é preciso que um
deles se junte a nós”. Esses são os chamados setenta de dois discípulos. A
Comunidade trocou idéias e apresentou Matias e José Barsabás.
A Comunidade escolheu através de um sorteio. Nós hoje costumamos fazer
votação ou outro sistema qualquer. É a mesma coisa. No fundo, quem escolhe é
Deus, seja através do sorteio, ou dos votos, ou de qualquer outro sistema
eleitoral.
O importante é a Comunidade fazer as três coisas que essa Comunidade
fez: 1ª) Ter o desejo de fazer a vontade de Deus, não a própria vontade. 2ª)
Rezar, pedindo a Deus que ilumine e dirija na hora de votar ou de escolher. 3ª)
Os membros fazerem a sua parte, conversando entre si e trocar idéias sobrem
quem é o mais indicado para o cargo.
Deus quer que os postos vagos nas pastorais, nos ministérios e nos
vários serviços da nossa Comunidade sejam preenchidos. Vários motivos levam um
cargo a ficar vago: doença, mudança da família para outra cidade,
impossibilidade de continuar, devido a compromissos pessoais ou familiares,
devido a doença. E também por um motivo muito comum: a pessoa que exercia o
cargo parou de participar da Comunidade.
O próprio fato de haver uma função vaga é um chamado de Deus para todos
os membros da Comunidade. É algo que nos inquieta. A primeira coisa que a gente
pensa é: Será q eu tenho condições de assumir essa função? Ou: Será que eu não
poderia convencer alguém a assumi-la?
Imagine se S. Pedro aparecesse hoje na nossa Comunidade, convivesse uns
dias com ela e depois fizesse um discursinho na hora da Missa: “Irmãos, eu
descobri que tal cargo está vago. Isso não pode acontecer! Deus não quer isso!
Peço a vocês que se reúnam, conversem entre si e apresentem alguns candidatos
para fazermos uma votação”. Que bonito seria, não? Que aprendamos a lição da
escolha de Matias! Uma função vaga na nossa Comunidade é, por si mesma, um
chamamento de Deus a nós. Que nos esforcemos para que, de uma forma ou de
outra, essa função seja preenchida.
No Evangelho, Jesus fala que o seu amor nasce da obediência aos seus
mandamentos: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor”.
Essa expressão “no meu amor” refere-se não apenas ao nosso amor a ele, mas ao
amor que ele carrega no coração, que é o amor que existe dentro da SS. Trindade
e que foi derramado em nossos corações (Rm 5,5).
De fato, o amor de Deus não é apenas sentimento, ele se mostra nas
nossas ações e atitudes. “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor! Senhor!’,
entrará no Reino dos Céus, mas só aquele que põe em prática a vontade de meu
Pai que está nos céus” (Mt 7,21).
Um dos mandamentos de Jesus é pertencer à sua Igreja, que é una, santa,
católica e apostólica.
E neste Evangelho Jesus fala também: “Eu não vos chamo servos, mas
amigos”. Ele quer ser nosso amigo. Vamos também ser amigos dele, amigos fiéis e
sinceros, como ele é conosco.
“Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos.” O
Apóstolo S. Matias pregou a Palavra de Deus na Palestina, e depois na Ásia
Menor, onde morreu mártir. Diz a tradição que ele foi apedrejado e depois morto
a machadadas. Portanto, deu a vida por Cristo e pela santa Igreja.
Existe o chamado martírio incruento, isto é, martírio sem sangue. São
cristãos que dão a vida por Cristo e pela Igreja, e morrem por esta causa.
Diante de Deus, o martírio incruento tem o mesmo valor do martírio de sangue.
Certa vez, um pai comprou para o seu filho de sete anos uma pipa,
brinquedo que em alguns lugares é chamado de papagaio. O menino foi direto para
o terreiro, a fim de soltar a pipa. Mas ele não conseguiu levantá-la. Por mais
que se esforçava, a pipa não subia. O garoto corria pra lá e pra cá, mas nada.
O pai viu, veio, pegou a linha e com facilidade levantou a pipa, mas só
a uns dois metros do chão, para que o menino fizesse o resto. Passou a linha
para o filho e explicou como fazer. Aí sim, o papagaio se levantou, foi para as
alturas e o garotinho ficou muito feliz.
S. Pedro, na eleição do Apóstolo Matias, fez como esse pai. Ele não
levantou a pipa mas ajudou o filho a fazê-la. S. Pedro não escolheu o sucessor
de Judas, mas incentivou e orientou a Comunidade como fazê-lo. As pessoas têm
muitas pipas para serem levantadas. Que tal nós darmos uma mãozinha? Feliz
daquele e daquela que, apesar do vento, não deixa a sua pipa cair nem se
enroscar nas árvores!
Que Maria Santíssima e os Apóstolos S. Pedro e S. Matias nos ajudem a
levar em frente a nossa Comunidade, observando os mandamentos de Jesus.
Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu
que vos escolhi.
MOMENTO DE REFLEXÃO
Estamos obcecados com "o melhor". Não sei quando foi que
começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor".
Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a
melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho.
Bom não basta.
O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que
nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o
melhor".
Isso até que outro "melhor" apareça - e é uma questão de dias
ou de horas até isso acontecer. Novas marcas surgem a todo instante.
Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece
superado, modesto, aquém do que podemos ter.
O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver
inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego.
Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no
que falta conquistar ou ter. Cada comercial na TV nos convence de que merecemos
ter mais do que temos.
Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros!...)
estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores
salários.
Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o
melhor tênis. Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com
menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente. Se não dirijo a 140,
preciso realmente de um carro com tanta potência?
Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e
assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo
da empresa? E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do
meu quarto?
O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o
"melhor chef"'?
Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora
existe um melhor e dez vezes mais caro? O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo
que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"?
Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixado
ansiosos e nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos.
A casa que é pequena, mas nos acolhe.
O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria. A TV que está
velha, mas nunca deu defeito.
O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os
homens "perfeitos".
As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vai
me dar a chance de estar perto de quem amo.
O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me
constituem.
O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer.
Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso? Ou será que isso já
é o melhor e na busca do "melhor" a gente nem percebeu?
(Leila Ferreira)
E até que nos encontremos novamente,
que Deus lhe guarde serenamente
na palma de Suas mãos.
Faça seu cadastro informando seu e-mail para
receber um
DIÁRIO como este.
veraborro@gmail.com
Para comentários, sugestões ou cadastro de um
amigo:veraborro@gmail.com
Visite nosso blog, você vai gostar
https://florescersempre2017.blogspot.com/
Nenhum comentário:
Postar um comentário