Domingo, 23 de dezembro
de 2018
“O poder corrompe e o poder absoluto
corrompe absolutamente. Corrompe material e espiritualmente.”
EVANGELHO
DE HOJE
Lc 1,39-45
— O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós!
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas
— Glória a vós, Senhor!
E, naqueles dias, levantando-se Maria, foi apressada às
montanhas, a uma cidade de Judá,
E entrou em casa de Zacarias, e saudou a Isabel.
E aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a
criancinha saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do Espírito Santo.
E exclamou com grande voz, e disse: Bendita és tu entre
as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre.
E de onde me provém isto a mim, que venha visitar-me a
mãe do meu Senhor?
Pois eis que, ao chegar aos meus ouvidos a voz da tua
saudação, a criancinha saltou de alegria no meu ventre.
Bem-aventurada a que creu, pois hão de cumprir-se as
coisas que da parte do Senhor lhe foram ditas.
Palavra da salvação
Glória a vós Senhor.
MEDITAÇÃO
DO EVANGELHO
Pe. Antônio Queiroz CSsR
Como posso merecer que a mãe
do meu Senhor me venha visitar?
Este Evangelho, que relata a
visita de Maria a Isabel e a saudação da prima, destaca a figura de Maria, a
mãe do Messias. Cristo é sempre o centro da liturgia da Igreja. Mas este
cristocentrismo vai adquirindo matizes diferentes ao longo do ano.
Maria fez uma viagem de 150
km, portanto, longa e penosa, pois teve de subir e descer montanhas. Mas o
impulso da caridade é mais forte, e ela foi às pressas. A caridade é um
precioso dom que Deus colocou em nossos corações no dia do batismo.
“Como posso merecer que a
mãe do meu Senhor me venha visitar?” “Mãe do meu Senhor” é o mesmo que dizer
“Mãe de Deus”. Foi devido a esse Deus, que Maria já carregava em seu ventre,
que João Batista pulou de alegria, ainda no ventre da mãe. É a força da
salvação que Cristo veio realizar, e começou mesmo antes de nascer. Esta visita
de Maria foi, na verdade, a primeira procissão de Corpus Chisti.
Fascinada por Deus, Maria de
Nazaré encarnou a esperança multissecular do seu povo. Ela se alegrou e se
abriu de corpo e alma ao plano de Deus Pai: “Eis aqui a escrava do Senhor.
Faça-se em mim segundo a tua palavra”.
A aceitação de Maria é um
eco da aceitação do próprio Jesus Cristo: “Eis me aqui, ó Deus, para fazer a
vossa vontade” (1ª Leitura e Sl 39,8).
Ter fé é abrir-se à ação
divina. É seguir um caminho novo, traçado não por nós, mas por Deus para nós. E
Maria seguiu esse caminho com grande solicitude. Porque ela amava muito a Deus,
e quem ama se entrega à pessoa amada.
A solidariedade em servir a
Deus leva à solidariedade em servir o próximo. Quanto mais uma pessoa ama a
Deus, mais ama o próximo, por amor a Deus. E o nosso amor ao próximo por amor a
Deus é universal, como Deus que manda o sol e a chuva sobre todos, maus e bons
(Mt 5,45). E é um amor preferencial a quem mais precisa de uma ajuda. Em Maria,
esse amor extensivo aconteceu nesta visita, no Calvário, junto à Igreja
nascente, e continua pelos séculos. E, como nós, Maria fez isso na
claridade-escuridão da fé. A fé ultrapassa a clareza e a evidência.
A exemplo de Cristo e de
Maria, quantos cristãos e cristãs, de ontem e de hoje, colaboram na redenção!
Conviver com esses irmãos é uma grande alegria que temos, em meio às cruzes da
vida.
Há quem idealiza tanto Maria
que acaba por pensar que ela sabia tudo em relação ao plano de Deus. E se
esquece que ela é uma pessoa humana como nós. Segundo os Evangelhos, ela não
teve, logo de início, uma luz plena da revelação pascal e do mistério de
Cristo. Nem uma visão direta de Deus. Sua fé ia crescendo e amadurecendo
progressivamente, na medida em que ela respondia “sim”, como acontece conosco.
Sabemos que o contrário também é certo: quando respondemos “não” a Deus, a
nossa fé vai diminuindo, e pode chegar até a abandonar a fé legítima, na Igreja
una, santa, católica e apostólica.
O advento de Cristo ainda
não aconteceu plenamente. Por isso a nossa missão antes do Natal é agilizar a
sua vinda hoje, através da dedicação ao Reino de Deus. Assim estaremos
preparados para celebrar o seu nascimento histórico, isto é, o seu aniversário
natalício. “Arrancastes do Egito esta videira, e expulsastes as nações para
plantá-la... Vinde logo, Senhor, vinde depressa pra salvá-la!”
Antífona do Ó: “Ó Chave de
Davi, Cetro da casa de Israel, que abris e ninguém fecha, que fechais e ninguém
abre: vinde logo e libertai o homem prisioneiro, que, nas trevas e na sombra da
morte, está sentado”.
Certa vez, um homem estava,
com sua espingarda, dando tiros para cima. Veio um guarda e lhe perguntou: “O
que você está fazendo aí, dando tiros para cima?” Ele respondeu: “Estou espantando
elefantes”. O guarda olhou em volta e disse: “Mas eu não estou vendo nenhum
elefante!”. “É sinal que eu já espantei todos”, disse o homem.
“Eu corro, não como às
tontas. Eu luto, não como quem golpeia o ar” (1Cor 9,26). Cada vez que chega
alguém que carrego Cristo, acontece uma explosão de alegria, como teve Isabel.
Mas não podemos perder tempo, golpeando o ar ou dando tiros para espantar o que
não existe na realidade. Precisamos ir para a ponta da linha, lá onde o
problema está, e vencê-lo com a graça de Deus.
Que Maria Santíssima e Santa
Isabel nos ajudem na abertura ao plano de Deus, que ainda hoje que usar de nós
para que seu Filho possa nascer em plenitude no mundo.
Como posso merecer que a mãe
do meu Senhor me venha visitar?
MOMENTO
DE REFLEXÃO
A águia é a ave que possui a
maior longevidade da espécie. Chega a viver cerca de 70 anos. Porém, para
chegar a essa idade, aos 40 anos, ela precisa tomar uma séria e difícil
decisão.
Aos 40 anos, suas unhas
estão compridas e flexíveis e já não conseguem mais agarrar as presas, das
quais se alimenta.O bico, alongado e pontiagudo, se curva. Apontando contra o
peito, estão as asas, envelhecidas e pesadas, em função da grossura das penas,
e, voar, aos 40 anos, já é bem difícil!
Nessa situação a águia só
tem duas alternativas: deixar-se morrer... ou enfrentar um dolorido processo de
renovação que irá durar 150 dias.
Esse processo consiste em
voar para o alto de uma montanha e lá recolher-se, em um ninho que esteja
próximo a um paredão.Um lugar de onde, para retornar, ela necessite dar um vôo
firme e pleno.Ao encontrar esse lugar, a águia começa a bater o bico contra a
parede até conseguir arrancá-lo, enfrentando, corajosamente, a dor que essa
atitude acarreta. Espera nascer um novo bico, com o qual irá arrancar as suas
velhas unhas.
Com as novas unhas ela passa
a arrancar as velhas penas. E só após cinco meses, "renascida", sai
para o famoso vôo de renovação, para viver, então, por mais 30 anos.
Muitas vezes, em nossas
vidas, temos que nos resguardar, por algum tempo, e começar um processo de
renovação.
Devemos nos desprender das
(más) lembranças, (maus) costumes, e, outras situações que nos causam
dissabores, para que continuemos a voar.
Um voo de vitória. Somente
quando livres do peso do passado (pesado), poderemos aproveitar o resultado
valioso que uma renovação sempre traz. Destrua, pois, o bico do ressentimento,
arranque as unhas do medo, retire as penas das suas asas dos maus pensamentos e
alce um lindo voo para uma nova vida.
Um voo de vida nova e feliz.
UM ABENÇOADO DIA PRA
VOCÊ...
E até que nos encontremos
novamente,
que Deus lhe guarde
serenamente
na palma de Suas mãos.
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