Quarta-feira,
07 de outubro de 2020
"À
exceção de nossos pensamentos não há nada de tão absoluto em nosso poder."
(René Descartes)
EVANGELHO DE
HOJE
Lc 1,26-38
— O Senhor
esteja convosco.
— Ele está
no meio de nós.
—
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Lucas.
— Glória a
vós, Senhor!
Naquele
tempo:
26O anjo
Gabriel foi enviado por Deus
a uma
cidade da Galiléia, chamada Nazaré,
27a uma
virgem, prometida em casamento
a um homem
chamado José.
Ele era
descendente de Davi
e o nome
da virgem era Maria
28O anjo
entrou onde ela estava e disse:
'Alegra-te,
cheia de graça, o Senhor está contigo!'
29Maria
ficou perturbada com estas palavras e começou a
pensar
qual seria o significado da saudação.
30O anjo,
então, disse-lhe:
'Não
tenhas medo, Maria,
porque
encontraste graça diante de Deus.
31Eis que
conceberás e darás à luz um filho,
a quem
porás o nome de Jesus.
32Ele será
grande, será chamado Filho do Altíssimo,
e o Senhor
Deus lhe dará o trono de seu pai Davi.
33Ele
reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó,
e o seu
reino não terá fim'.
34Maria
perguntou ao anjo:
'Como
acontecerá isso,
se eu não
conheço homem algum?'
35O anjo
respondeu:
'O
Espírito virá sobre ti,
e o poder
do Altissimo te cobrirá com sua sombra.
Por isso,
o menino que vai nascer
será
chamado Santo, Filho de Deus.
36Também
Isabel, tua parenta,
concebeu
um filho na velhice.
Este já é
o sexto mês
daquela
que era considerada estéril,
37porque
para Deus nada é impossível'.
38Maria,
então, disse:
'Eis aqui
a serva do Senhor;
faça-se em
mim segundo a tua palavra!'
E o anjo
retirou-se.
Palavra da
Salvação
Glória a
vós Senhor
MEDITAÇÃO DO
EVANGELHO
Pe.
Antônio Queiroz CSsR
Alegra-te,
cheia de graça, o Senhor está contigo!
Hoje é com muita alegria que nós celebramos a
solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora. O Evangelho narra a cena da
Anunciação, em que o anjo Gabriel lhe fala: “Alegra-te, cheia de graça, o
Senhor está contigo!”
Deus quis que uma mulher
contribuísse bem de perto na redenção da humanidade, já que uma mulher, Eva,
havia contribuído no pecado. E a mulher que Deus escolheu não podia ser vítima
de pecado, pois seria um sinal de fraqueza de Deus, diante das forças do mal.
Como Davi venceu o gigante Golias (1Sm 17,49), Jesus derrotou o tentador. Não
só derrotou, mas arrasou com ele completamente. Nem junto à sua mãe ele teve
vez. Após o dilúvio, uma pomba trouxe em seu bico um raminho verde para Noé (Gn
8,11). Aquela pomba não estava suja de barro, ela não fora atingida pelo
dilúvio.
Nós também somos chamados a
colaborar na redenção. Deus não gosta de gente manchada, suja. Como podemos
anunciar a vitória de Cristo, se até nós, os anunciadores, somos vítima do
tentador? Pecadores todos nascemos. Mas temos condições de nos purificar,
usando os meios que Jesus nos deixou, entre os quais se destaca a Igreja, da
qual Maria é Mãe. Assim, tirando a trave do nosso olho, temos condições de
tirar o cisco que está no olho do nosso irmão.
A concepção imaculada de Maria
nos mostra que Deus não quer conviver com pecado. Ele quer o pecado longe dele.
Ele nos suporta, quando pecamos, mas não queria isso, como qualquer pai que não
quer ver o filho ou filha no caminho errado. Como podemos dizer a Deus:
“Senhor, eu vos amo sobre todas as coisas”, e depois viramos as costas e já
começamos a colocar outras coisas acima dele? Por isso que Deus fala na Bíblia:
“Estou para vomitar-te da minha boca” (Ap 3,16).
A Imaculada Conceição foi um
fruto antecipado da redenção realizada por Jesus, o seu Filho. E o fato de ela
ter sido isenta do pecado, já na sua concepção, mostra que a força da graça
redentora supera infinitamente a força do pecado. “Onde abundou o pecado,
superabundou a graça” (Rm 5,20).
“Quando éreis escravos do
pecado, praticáveis ações das quais hoje vos envergonhais. Agora, porém,
libertados do pecado e como servos de Deus, produzis frutos para a vossa
santificação, tendo como meta a vida eterna. Com efeito, a paga do pecado é a
morte, mas o dom de Deus é a vida eterna no Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm
6,20-23). Antes, quando reinava o pecado, o carro estava na frente dos bois, e
dava tudo errado. Cristo veio, colocou os bois na frente do carro, e na direção
certa, que é a nossa felicidade.
Deus realizou plenamente a
redenção na Mãe do seu Filho, para nos mostrar o que ele quer de todos nós. Ela
se tornou assim a estrela da esperança, que nos anima a sempre nos levantar a
caminhar.
Santo Agostinho, quando estava
mergulhado no pecado, leu, por sugestão de sua mãe, muitas biografias de
santos. Um dia ele disse para si mesmo, em latim, que era a sua língua:
“Potuerunt ii, potuerunt ee; cur non tu, Agostiné?” Em português é: “Puderam
estes, puderam aquelas, por que não tu, Agostinho?” Impulsionado por este lema,
venceu.
Daqui a exatamente nove meses,
celebraremos o nascimento de Maria. Rezemos, neste tempo, pelos nascituros, a
fim de que sejam protegidos por suas mães.
Havia, certa vez, um rapaz que
trabalhava no centro de uma cidade grande e morava na periferia.
Numa tarde, ao voltar para
casa, enquanto atravessava um bairro de classe alta, viu numa lixeira uma caixa
preta, parecida com caixa de sanfona. Ficou curioso, abriu a caixa, era mesmo
uma sanfona! E estava boa de tudo. Tocava direitinho.
Ele se lembrou de um vizinho,
que sabia tocar sanfona e não possuía o instrumento, e levou-a para ele. O
vizinho se alegrou com o presente, e começou a tocar belas canções. A casa toda
se alegrou. Até algumas crianças apareceram na porta.
À noite, algumas pessoas se
reuniram na casa, e foi aquela festa. Daí para frente, de vez em quando o
tocador de sanfona era chamado, seja para tocar em festinha de aniversário, em
reza, até na Santa Missa. A sanfona tornou aquele bairro mais alegre.
A sanfona representa a graça de
Deus, que une as pessoas e alegra o ambiente. O rapaz que a achou somos nós que
recebemos a graça no batismo, e a levamos a outros.
Muitos jogam no lixo a graça
batismal, e vivem tristes por aí, procurando a felicidade na riqueza, no
prazer, no poder etc. Nós não queremos ser assim.
Uma pergunta: com qual desses
personagens você mais se identifica? Com o rapaz? Com o homem que ganhou a
sanfona? Com os vizinhos que acorreram, ao som da sanfona? Ou com aquele ou
aquela que a jogou no lixo?
Nossa Senhora da Conceição,
rogai por nós!
Alegra-te,
cheia de graça, o Senhor está contigo!
CURIOSIDADES
6
realidades que não te contam sobre os concursos de beleza
Quando as pessoas pensam em
concursos de beleza, geralmente vem na cabeça as imagens que vemos nos
concursos de miss que passam na TV e nos noticiários. No entanto, a maioria das
pessoas não entendem o que esses concursos são e qual é a real perspectiva de
participar deles.
Existe um outro lado do palco que
as pessoas que não concorrem nunca chegar a ver. Essa indústria da beleza
arrecada mais de 5 bilhões de dólares anualmente. Por mais cafona e machista
que muitas pessoas podem pensar que seja, esse é um ramo que está longe de se
extinguir.
A seguir estão algumas verdades
e boatos sobre o mundo dos concursos de beleza que você pode ou não pode saber.
1.
Concursos podem ser muito caros (para as participantes)
Existem as taxas de entrada,
custos do guarda-roupa, treinamento físico, aulas com um coaching, serviços de
cabelo e maquiagem, viagens e hospedagens em hotéis, etc. Diretores de
concursos de beleza incentivam as concorrentes a coletarem doações de
apoiadores, bem como patrocínios profissionais para ajudar com os custos.
Isto costumava ser mais fácil
anos atrás antes das mudanças na economia. No entanto, desde então, tem sido
mais difícil de obter a assistência necessária sem ter que pagar por todos
esses custos do próprio bolso.
2. Regras
antiquadas e tradicionais
A maioria dos concursos de
beleza têm regras como: uma candidata só pode competir se ela nunca foi casada
ou deu à luz a uma criança. Existe idade limite também. Um exemplo é o caso do
Miss América onde só pode competir mulheres com até 24 anos de idade.
Elas também precisam assinar um
contrato afirmando que durante o seu reinado, elas são obrigadas a terem um
“bom caráter moral” e não devem chamar nenhuma atenção pública negativa para
prejudicar a imagem da miss ou a imagem do concurso, caso contrário, o título
pode ser revogado.
3. Mulheres mais altas
geralmente ganham
Não há nenhuma exigência de
altura, mas quantas vezes vemos uma Miss de 1,60m? A grande maioria das
vencedoras para os concursos mais prestigiados estão entre 1,70 e 1,80 metros
de altura. Isso ocorre porque a organização concurso quer promover uma mulher
que tem um potencial de modelagem em cima de todas as outras. Não é impossível
para uma mulher mais baixa ganhar, mas ela precisa ser muito melhor em todas as
outras áreas.
4. Algumas
competidoras literalmente morrem de fome
Claro que existem as mulheres
naturalmente magras que concorrem nestes concursos, mas muitas delas tendem a
ir ao extremo e restringem seu consumo de alimentos e líquidos além de passarem
horas na academia, pelo menos durante a época do concurso.
5. Elas
começam a se preparar com um ano de antecedência
Somente novatas em concursos
tentam realizar todos os seus preparativos nos três meses antes do grande dia.
Competidoras experientes sabem o que é preciso para vencer, e elas começam o treinamento
tão cedo quanto possível.
6.
Concursos municipais e estaduais não são tão glamorosos
Não há muito investimento na
produção de um concurso municipal ou estadual. Nos níveis nacionais e
internacionais, eles fazem um evento de proporções épicas mas um concurso local
ou estadual é bastante desvalorizado.
Apesar de expor a situação que
ocorre nos concursos femininos, as mesmas dificuldades são encontradas em
concursos masculinos e infantis.
MOMENTO DE
REFLEXÃO
O que acontece comigo é que não
consigo andar pelo mundo pegando coisas e trocando-as pelo modelo seguinte só
por que alguém adicionou uma nova função ou a diminuiu um pouco…
Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as
fraldas dos filhos, pendurávamos na corda junto com outras roupinhas,
passávamos, dobrávamos e as preparávamos para que voltassem a serem sujadas.
E eles, nossos nenês, apenas cresceram e
tiveram seus próprios filhos se encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as
fraldas. Se entregaram, inescrupulosamente, às descartáveis!
Sim, já sei. À nossa geração sempre foi
difícil jogar fora. Nem os defeituosos conseguíamos descartar! E, assim,
andamos pelas ruas, guardando o muco no lenço de tecido, de bolso.
Nããão! Eu não digo que isto era
melhor. O que digo é que, em algum momento, me distraí, caí do mundo e, agora,
não sei por onde se volta.
O mais provável é que o de
agora esteja bem, isto não discuto. O que acontece é que não consigo trocar os
instrumentos musicais uma vez por ano, o celular a cada três meses ou o monitor
do computador por todas as novidades.
Guardo os copos descartáveis!
Lavo as luvas de látex que eram para usar uma só vez.
Os talheres de plástico
convivem com os de aço inoxidável na gaveta dos talheres!
É que venho de um tempo em que
as coisas eram compradas para toda a vida!
É mais! Se compravam para a
vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de copas,
vasilhas e até bacias de louça.
E acontece que em nosso, nem
tão longo matrimônio, tivemos mais cozinhas do que as que haviam em todo o
bairro em minha infância, e trocamos de refrigerador três vezes.
Nos estão incomodando! Eu
descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca, se gasta, se oxida, se quebra ou
se consome em pouco tempo para que possamos trocar.
Nada se arruma. O obsoleto é de
fábrica.
Aonde estão os sapateiros
fazendo meia-solas dos tênis Nike? Alguém viu algum colchoeiro encordoando
colchões, casa por casa? Quem arruma as facas elétricas? o afiador ou o
eletricista? Haverá teflon para os funileiros ou assentos de aviões para os
talabarteiros?
Tudo se joga fora, tudo se
descarta e, entretanto, produzimos mais e mais e mais lixo. Outro dia, li que
se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a história da humanidade.
Quem tem menos de 30 aos não
vai acreditar: quando eu era pequeno, pela minha casa não passava o caminhão
que recolhe o lixo!
Eu juro! E tenho menos de ...
anos! Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos
ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII).
Não existia o plástico, nem o
nylon. A borracha só víamos nas rodas dos autos e, as que não estavam rodando,
as queimávamos na Festa de São João.
Os poucos descartáveis que não
eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se queimava..
Desse tempo venho eu. E não que tenha sido melhor....
É que não é fácil para uma
pobre pessoa que educaram com "guarde e guarde que alguma vez pode servir
para alguma coisa", mudar para o "compre e jogue fora que já vem um
novo modelo".
Troca-se de carro a cada 3
anos, no máximo, por que, caso contrário, és um pobretão. Ainda que o carro que
tenhas esteja em bom estado...
E precisamos viver endividados,
eternamente, para pagar o novo!!!
Mas... por amor de Deus!
Minha cabeça não resiste tanto.
Agora, meus parentes e os filhos de meus amigos não só trocam de celular uma
vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e,
até, o endereço real.
E a mim que me prepararam para
viver com o mesmo número, a mesma mulher, a mesma e o mesmo nome (e vá que era
um nome para trocar).
Me educaram para guardar tudo.
Tuuuudo! O que servia e o que não servia. Por que, algum dia, as coisas
poderiam voltar a servir.
Acreditávamos em tudo. Sim, já
sei, tivemos um grande problema: nunca nos explicaram que coisas poderiam
servir e que coisas não.
E no afã de guardar (por que
éramos de acreditar), guardávamos até o umbigo de nosso primeiro filho, o dente
do segundo, os cadernos do jardim de infância e não sei como não guardamos o
primeiro cocô.
Como querem que entenda a essa
gente que se descarta de seu celular a poucos meses de o comprar? Será que
quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam
descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?
Em casa tínhamos um móvel com
quatro gavetas. A primeira gaveta era para as toalhas de mesa e os panos de
prato, a segunda para os talheres e a terceira e a quarta para tudo o que não
fosse toalha ou talheres. E guardávamos...
Como guardávamos!! Tuuuudo!!!
Guardávamos as tampinhas dos refrescos!! Como, para quê?
Fazíamos limpadores de
calçadas, para colocar diante da porta para tirar o barro. Dobradas e
enganchadas numa corda, se tornavam cortinas para os bares.
Ao fim das aulas, lhes
tirávamos a cortiça, as martelávamos e as pregávamos em uma tabuinha para fazer
instrumentos para a festa de fim de ano da escola.
Tuuudo guardávamos! Enquanto o mundo espremia o
cérebro para inventar acendedores descartáveis ao término de seu tempo,
inventávamos a recarga para acendedores descartáveis.
E as Gillette – até partidas ao
meio – se transformavam em apontadores por todo o tempo escolar. E nossas
gavetas guardavam as chavezinhas das latas de sardinhas ou de corned-beef, na
possibilidade de que alguma lata viesse sem sua chave.
E as pilhas! As pilhas das
primeiras Spica passavam do congelador ao telhado da casa. Por que não sabíamos
bem se se devia dar calor ou frio para que durassem um pouco mais.
Não nos resignávamos que
terminasse sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos que um
jasmim. As coisas não eram descartáveis. Eram guardáveis.
Os jornais!!! Serviam para
tudo: para servir de forro para as botas de borracha, para por no piso nos dias
de chuva e por sobre todas as coisa para enrolar.
Às vezes sabíamos alguma
notícia lendo o jornal tirado de um pedaço de carne!!!
E guardávamos o papel de
alumínio dos chocolates e dos cigarros para fazer guias de enfeites de natal, e
as páginas dos almanaques para fazer quadros, e os conta-gotas dos remédios
para algum medicamento que não o trouxesse, e os fósforos usados por que
podíamos acender uma boca de fogão (Volcán era a marca de um fogão que
funcionava com gás de querosene) desde outra que estivesse acesa, e as caixas
de sapatos se transformavam nos primeiros álbuns de fotos e os baralhos se
reutilizavam, mesmo que faltasse alguma carta, com a inscrição a mão em um
valete de espada que dizia "esta é um 4 de bastos".
As gavetas guardavam pedaços
esquerdos de prendedores de roupa e o ganchinho de metal. Ao tempo esperavam
somente pedaços direitos que esperavam a sua outra metade, para voltar outra
vez a ser um prendedor completo.
Eu sei o que nos acontecia: nos
custava muito declarar a morte de nossos objetos. Assim como hoje as novas
gerações decidem ‘matá-los’ tão-logo aparentem deixar de ser úteis, aqueles
tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!
E quando nos venderam sorvetes
em copinhos, cuja tampa se convertia em base, e nos disseram: ‘Comam o sorvete
e depois joguem o copinho fora’, nós dizíamos que sim, mas, imagina que a
tirávamos fora!!!
As colocávamos a viver na
estante dos copos e das taças. As latas de ervilhas e de pêssegos se
transformavam em vasos e até telefones.
As primeiras garrafas de
plástico se transformaram em enfeites de duvidosa beleza. As caixas de ovos se
converteram em depósitos de aquarelas, astampas de garrafões em cinzeiros, as
primeiras latas de cerveja em porta-lápis e as cortiças esperaram encontrar-se
com uma garrafa.
E me mordo para não fazer um
paralelo entre os valores que se descartam e os que preservávamos.
Ah!!! Não vou fazer!!!
Morro por dizer que hoje não só
os eletrodomésticos são descartáveis; também o matrimônio e até a amizade são
descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objetos com pessoas.
Me mordo para não falar da
identidade que se vai perdendo, da memória coletiva que se vai descartando, do
passado efêmero. Não vou fazer.
Não vou misturar os temas, não
vou dizer que ao eterno tornaram caduco e ao caduco fizeram eterno.
Não vou dizer que aos velhos se
declara a morte apenas começam a falhar em suas funções, que aos cônjuges se
trocam por modelos mais novos, que as pessoas a que lhes falta alguma função se
discrimina o que se valoriza aos mais bonitos, com brilhos, com brilhantina no
cabelo e glamour.
Esta só é uma crônica que fala
de fraldas e de celulares.
Do contrário, se misturariam as
coisas, teria que pensar seriamente em entregar à ‘bruxa’, como parte do
pagamento de uma senhora com menos quilômetros e alguma função nova.
Mas, como sou lento para
transitar este mundo da reposição e corro o risco de que a ‘bruxa’ me ganhe a
mão e seja eu o entregue...
Eduardo
Galeano - Jornalista e escritor uruguaio
UM ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ...
E até que nos encontremos novamente,
que Deus lhe guarde serenamente
na palma de Suas mãos.
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