Sexta-feira, 08 de abril de 2022
“Alguns homens melhoram depois dos 40.
E eu mesmo só comecei a me sentir mais gato depois dos 90.” (Oscar Niemeyer-
102 anos)
EVANGELHO DE HOJE
Jo
10,31-42
—
O Senhor esteja convosco.
—
Ele está no meio de nós.
—
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João
—
Glória a vós, Senhor!
Os
judeus pegaram então outra vez em pedras para o apedrejar.
Respondeu-lhes
Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual
destas obras me apedrejais?
Os
judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas
pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo.
Respondeu-lhes
Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses?
Pois,
se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida, e a
Escritura não pode ser anulada,
«quele
a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque
disse: Sou Filho de Deus?
Se
não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis.
Mas,
se as faço, e não credes em mim, crede nas obras; para que conheçais e
acrediteis que o Pai está em mim e eu nele.
Procuravam,
pois, prendê-lo outra vez, mas ele escapou-se de suas mãos,
E
retirou-se outra vez para além do Jordão, para o lugar onde João tinha primeiramente
batizado; e ali ficou.
E
muitos iam ter com ele, e diziam: Na verdade João não fez sinal algum, mas tudo
quanto João disse deste era verdade.
E
muitos ali creram nele.
Palavras
da Salvação
Glória
a vós Senhor
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Pe. Antônio Queiroz CSsR
Procuravam prender
Jesus, mas ele escapou-lhes das mãos.
Este Evangelho narra
mais uma vez a total rejeição das autoridades a Jesus. E ele não queria morrer,
por isso que lhes escapou das mãos. Mas ele tinha outro desejo mais forte: ser
fiel à missão que recebera do Pai.
“Por que me acusais de blasfêmia, quando eu
digo que Filho de Deus?” Aí está o motivo central da condenação de Jesus: ele
se considera Filho de Deus, não só ele, mas nós também, como ele disse várias
vezes, e, no Pai Nosso, ensinou-nos a chamar Deus de Pai.
Se Jesus dissesse que os
ricos e mandantes de povo eram filhos de Deus, não seria blasfêmia. O problema
é que ele, pobre, e o povo que o seguia, também pobres, não podiam ser
considerados filhos e filhas de Deus. Pobre não pode ser filho de Deus.
Hoje a desigualdade e a
recusa aos pobres continua a mesma. “Todos são iguais; entretanto, alguns são
mais iguais que os outros”. “Todos têm direito aos bens necessários a uma vida
digna; entretanto, alguns têm mais direito que os outros”. E se alguém quer
“virar essa mesa”, seja no campo ou na cidade, logo é eliminado. Não há judeu
nem grego, escravo nem livre, pobre nem fico, todos vós sois um em Cristo (Cf
S. Paulo).
“Vede que grande presente de amor o Pai nos
deu: sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece,
é porque não conhecer o Pai. Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem
sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar,
seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é.”
Se realmente
acreditarmos que somos filhos queridos de Deus, não nos preocuparemos com o dia
de amanhã nem com o dia de ontem. Deus cuida dos dois. Cabe a nós dedicar-nos
ao momento presente.
Certa vez, uma criança
estava com medo de dormir sozinha no quarto. Então a mãe lhe disse: “Você não
vai dormir sozinho. Vocês serão seis aqui no quarto: você, o Pai, o Filho, o
Espírito Santo, o Anjo da Guarda e Nossa Senhora!” E o bom é que, apesar de
tantos dormindo juntos, a cama não se quebra.
Diante dessa grande
dignidade nossa, de sermos filhos e filhas de Deus, S. Pedro conclui: “Por
isso, dedicai todo o esforço em juntar à vossa fé a fortaleza, à fortaleza o
conhecimento, ao conhecimento o domínio próprio, ao domínio próprio a
constância, à constância a piedade, à piedade a fraternidade, e à fraternidade,
o amor. Se essas qualidades existirem e crescerem em vós, não vos deixarão
vazios... Por isso, irmãos, cuidai cada vez mais de confirmar a vossa vocação e
eleição. Procedendo assim, jamais tropeçareis” (2Pd 1,5-10).
Certa vez, um grupo de
jovens foi passear numa montanha. Para o lanche, levaram apenas um frango, que
a mãe de um deles tinha assado.
Ao meio dia, quando
todos já estavam mortos de fome, reuniram-se para comer o frango. A turma se
ajuntou em cima do frango, cada um arrancando um pedaço. Um rapaz que estava lá
atrás e não conseguia chegar até o frango, gritou logo: “Êi! Eu também sou
filho de Deus!”
É interessante: nessas
horas a gente se lembra que é filho de Deus. Vamos nos lembrar dessa maravilha
durante a nossa vida inteira, e agradecer a Jesus o presente que nos deu.
Maria Santíssima ganha
de nós de longe, porque ela é filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho e esposa do
Deus Espírito Santo. Que ela nos ajude a sermos bons filhos e filhas de Deus.
Procuravam prender
Jesus, mas ele escapou-lhes das mãos.
MOMENTO DE REFLEXÃO
Nos primórdios de nossa
civilização éramos tão vulneráveis a ataques de predadores que só sobrevivemos
pela união. Sim, o homem vivia em grupos para poder defender-se dos inimigos.
Em função do medo de virar alimento de dinossauros e outras feras, dominamos o
fogo, criamos armas e desenvolvemos nossa inteligência. Descobrimos a
necessidade da convivência e, por conseqüência, foi preciso um código para o
entendimento. Surgiu a fala. No início, eram apenas sons para avisar algum
perigo, tal qual fazem os macacos. Até então, éramos livres, podíamos optar por
estar no grupo ou andar vagando solitários, sem fronteiras. Não tínhamos
endereço e nem existia o correio. Mas aí surgiu a tal da posse. Alguém
delimitou um espaço e disse que era seu. Não sei se foi um indivíduo ou um
grupo, mas a seguir surgiu o oponente que resolveu querer exatamente aquele
espaço de terra. De lá pra cá, além das feras, descobrimos a inimizade e nos
armamos uns contra os outros na defesa de nosso território. Muitas e muitas
guerras depois, em tempos de paz, criamos a concorrência e a individualidade.
Vivemos hoje num mundo em que o coletivo ficou em segundo plano e o individual
é a tônica da hora. Esquecemos a nossa origem comum e nos tornamos outra vez
solitários, só que desta vez os limites nos prendem. Não podemos mais vagar de
um lado a outro. Não é mais possível entrar no terreno do vizinho e colher uma
fruta ou sentar na cadeira do colega de trabalho e tomar o seu lugar. Estamos
presos em nós mesmos e o único patrimônio realmente nosso é o nosso corpo.
Depois do fogo e outros etcéteras, o desenvolvimento gerou o telefone fixo, o
celular e o computador. Nossas relações
interpessoais passaram a ser comandadas pela Internet ou pela operadora de
celular e cada vez mais nos separamos do grupo. Estamos inventando o
"individual compartilhado".
Falamos com pessoas do
mundo todo sem nos tocar ou ver. Não sentimos o cheiro e nem compartilhamos o
mesmo pão. Será que esquecemos nossas origens? Será que deixamos para o
esquecimento o grupo e a necessidade de aconchego e conforto? Teríamos chegado
até aqui sem o grupo? Eduardo Galeano, escritor uruguaio, falando sobre nosso
passado distante, faz um questionamento no mínimo instigante:
"Essa humanidade de
agora, esta civilização do salve-se quem puder e cada um na sua, teria durado
algo mais que um instantinho neste mundo?
Pois é, mas ainda existe
um resquício de nosso passado de colaboração e ajuda mútua. Está escondido, bem
escondido por vezes, mas assume o controle quando desafiado. Essa desgraça toda que assola Santa Catarina
é de uma tristeza tão grande e tão chocante que conseguiu unir-nos em compaixão
e solidariedade. Os irmãos catarinenses, quase em sua totalidade, desconhecidos
para cada um de nós, entraram em nossos lares e em nossos corações e foram
tantas as manifestações de solidariedade e despreendimento que chegam a
emocionar-nos. Sofremos juntos, nos identificamos com as famílias desesperadas
e pensamos o que faríamos naquelas condições. É, enfim, somos novamente uma
grande família, somos outra vez uma única tribo em busca de soluções frente à
desgraça.
IsarMariaSilveira
UM ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ...
E até que nos encontremos novamente,
que Deus lhe guarde serenamente
na palma de Suas mãos.
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