Quinta-feira, 09 de junho de 2022
"A cada dia que vivo, mais me
convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças
que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento, perdemos também a felicidade". (Carlos Drummond de Andrade)
EVANGELHO DE HOJE
MT
5,20-26
—
O Senhor esteja convosco.
—
Ele está no meio de nós.
—
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Mateus
—
Glória a vós, Senhor!
Porque
vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo
nenhum entrareis no reino dos céus.
Ouvistes
que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de
juízo.
Eu,
porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão,
será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do
sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno.
Portanto,
se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem
alguma coisa contra ti,
Deixa
ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão
e, depois, vem e apresenta a tua oferta.
Concilia-te
depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não
aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial,
e te encerrem na prisão.
Em
verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o
último ceitil.
Palavras
da Salvação
Glória
a vós Senhor
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Padre Antonio Queiroz (In Memorian)
Vai primeiro
reconciliar-te com o teu irmão.
Neste Evangelho, Jesus
nos pede com veemência que nos reconciliemos com todos. Reconciliação é o
perdão levado à prática, um perdão mais profundo e duradouro.
“Quando tu estiveres levando a tua oferta para
o altar, e ali te lembrares que teu irmão tem alguma mágoa contra ti, deixa a
tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão.”
Isso porque “tudo o que fizestes ao menor dos meus irmãos, foi a mim que o
fizestes” (Mt 25). Deus não quer receber dois tratamentos de nós: a ele presente
no altar e a ele presente no nosso irmão.
O amor fraterno e a
reconciliação são condições prévias para um culto autêntico a Deus. Por isso, o
sacramento da confissão está orientado para a Eucaristia, ela mesma tem, no
início, o ato penitencial. “Irmãos, reconheçamos as nossas culpas para
participar dignamente dos santos mistérios”, diz o presidente da celebração,
antes do ato penitencial. “Amar a Deus e ao próximo vale mais que todos os
holocaustos e sacrifícios” (Mc 12,33). Entretanto, é uma tentação constante
para nós a separação entre o culto e o amor fraterno, o rito e a prática da
justiça. Inclusive a expressão popular “católico praticante” não inclui a
caridade e sim o culto.
“Se a vossa justiça não for maior que a
justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos
Céus.” Jesus se refere ao conceito de santidade que tinham os chefes judaicos.
Aquele jeito de buscar a santidade, diz Jesus, não alcança o nível requerido
para pertencer ao Reino de Deus, porque é muito formalista, é exterior, e não
vai à raiz, às atitudes, ao coração.
“Vós ouvistes o que foi dito: Não matarás...
Eu porém vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em
juízo.” Na verdade, Jesus não mudou as Leis antigas, apenas mudou a maneira de
interpretá-las. Ele olha o espírito da Lei. “Não penseis que vim abolir a Lei e
os Profetas. Não vim para abolir, mas para levá-las ao seu pleno cumprimento”
(Mt 5,17).
As Leis do Antigo
Testamento vieram de Deus, que é nosso Pai amoroso. Devemos ir além das
palavras, da letra, e chegar ao espírito da Lei, isto é, à intenção do
legislador ao dar a Lei. Quando amamos uma pessoa, nós lemos no coração dela o
que suas palavras não conseguem expressar. Jesus fazia isso ao ler o Antigo
Testamento. E nós também devemos fazer em relação a toda a Bíblia e a todas as
leis.
Por exemplo, olhando o
mandamento: “Não matarás”, nós percebemos que o que Deus quer é que não façamos
mal nenhum ao próximo, inclusive não xingá-lo nem nos encolerizar com ele.
Deus é um grande
pedagogo. Ele respeita a lei do crescimento, que está na natureza humana. Antes
de dar uma lei mais forte, ele dá uma mais fraca, como escada, como
treinamento, para a pessoa chegar até ao que ele realmente quer.
“Procura reconciliar-te com teu adversário,
enquanto caminha contigo para o tribunal.” Todos nós estamos caminhando rumo ao
tribunal de Deus, junto com parceiros e adversários. Cada dia que amanhece é
uma nova chance que Deus nos dá para nos reconciliarmos com os adversários,
porque, quando estivermos diante do tribunal de Cristo, não haverá mais tempo
de reconciliação. E lá no céu não entram inimigos nem adversários um do outro!
Lá só entra quem estiver unido e unida a todos, sem exceção.
Com a vida eterna não se
brinca. Não podemos deixar para amanhã a solução de problemas que podem
interferir no nosso julgamento final!
“Em verdade eu te digo: dali não sairás,
enquanto não pagares o último centavo”. É uma referência indireta ao
Purgatório, onde ficarão por um tempo as pessoas que eram boas na terra, mas
morreram com dívidas com Deus, isto é, com desuniões não reconciliadas, com
Deus ou com o próximo. No céu só entra gente totalmente santa. Entretanto,
“Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva” (1ª Leitura). O
Purgatório é mais um sinal do grande amor de Deus por nós. Ele nos quer todos
junto dele eternamente, por isso descobriu um jeito de o conseguir: criando um
estágio de purificação após a nossa morte. Assim, fica salva também a sua
justiça que é infinita.
Em relação à Campanha da
Fraternidade, desejamos que o nosso mundo seja o mundo de Deus e o mundo dos
homens, não o mundo da riqueza e dos bens econômicos. O que o pobre come? E o
rico? Onde o pobre mora? E o rico? Quanto mais dinheiro acumulado, mais
privilégios.
Havia, certa vez, uma
senhora que gostava de, no jantar, em vez de cozinhar, fazer um lanche para o
esposo e o filho de dez anos. Em um desses lanches, depois de um dia de muito
trabalho, ela colocou na mesa torradas bastante queimadas. O homem pegou a sua
torrada, sorriu para a esposa e perguntou ao menino como tinha sido o seu dia
na escola. Enquanto isso, ele pegava pedaços de torrada, passava margarina e
comia.
Terminados os trabalhos
do fogão, a mãe veio e pediu desculpas por haver queimado as torradas. O esposo
respondeu: “Amor, eu adoro torrada queimada”.
Mais tarde, naquela
noite, antes de dormir o garoto perguntou ao pai, longe da mãe, se ele gostava
realmente de torrada queimada. Ele abraçou o filho e disse: “Companheiro, sua
mãe teve hoje um dia de trabalho muito pesado e estava cansada. Além disso, uma
torrada queimada não faz mal a ninguém.
A vida é cheia de
imperfeições e as pessoas não são perfeitas. Precisamos aceitar as falhas
alheias, relevando as diferenças entre um e outro. As pessoas se esquecem do
que lhes dizemos, mas nunca se esquecem do modo como as valorizamos e
acolhemos.
A mãe não costuma
guardar rancor dos filhos, nem se vingar deles, porque ela é símbolo do amor de
Deus. Que Maria Santíssima, a Mãe das mães, nos ajude a nos reconciliarmos com
todos.
Vai primeiro
reconciliar-te com o teu irmão.
MOMENTO DE REFLEXÃO
A noite estava escura,
céu sem estrelas. De vez em quando ouvia-se o uivo de um lobo bem longe,
misturado com o barulho do vento. As crianças reunidas na tenda do Mestre
Benjamin estavam com medo. Mestre Benjamim sentiu o medo nos seus olhos. Foi
então que uma delas perguntou:
- Mestre Benjamim, há um
jeito de não ter medo? Medo é tão ruim!
Mestre Benjamim
respondeu:
- Há sim... E ficou
quieto.
Veio então a outra
pergunta:
- E qual é esse jeito?
- É muito fácil. É só
pensar como as ovelhas pensam...
- Mas como é que vou
saber o que as ovelhas estão pensando?
Mestre Benjamim
respondeu:
- Quando durante a
noite, as ovelhas estão deitadas na pastagem, os lobos estão à espreita. E eles
uivam. As ovelhas têm medo. Mas aí, misturado ao uivo dos lobos, elas ouvem a
música mansa de uma flauta. É o pastor que cuida delas e não dorme nunca.
Ouvindo a música da flauta elas pensam:
Há um pastor que me
protege. Ele me leva aos lugares de grama verde e sabe onde estão as fontes de
águas límpidas. Uma brisa fresca refresca a minha alma. Durante o dia ele me
pega no colo e me conduz por trilhas amenas. Mesmo quando tenho de passar pelo
vale escuro da morte eu não tenho medo. A sua mão e o seu cajado me
tranqüilizam. Enquanto os lobos uivam, ele me dá o que comer. Passa óleo
perfumado na minha cabeça para curar minhas feridas. E me dá água fresca para
sarar o meu cansaço. Com ele não terei medo, eternamente... (Salmo 23,
paráfrase)
Mestre Benjamim parou de
falar. Os olhos de todas as crianças estavam nele. Foi então que uma delas
levantou a mão e perguntou:
- E os lobos? Eles vão
embora? Eles morrem?
- Os lobos continuam a
uivar. E continuam a ser perigosos. O pastor não consegue espantar todos eles.
E por vezes eles atacam e matam. Mas as ovelhas, ouvindo a música da flauta do
pastor dormem sem medo, não porque não haja mais perigo, mas a despeito do
perigo. Não há jeito de acabar com o perigo. Mas há um jeito de acabar com o
medo. Coragem é isso: dormir sem medo a despeito do perigo...
As crianças voltaram
para suas tendas e dormiram sem medo, pensando nos pensamentos das ovelhas. De
vez em quando, lá fora, ouvia-se o uivo de um lobo faminto. Desde então,
tornou-se costume contar ovelhinhas para dormir.
Texto de Rubem Alves, do livro: “Perguntaram-me se
acredito em Deus”.
UM ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ...
E até que nos encontremos novamente,
que Deus lhe guarde serenamente
na palma de Suas mãos.
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