Domingo, 10 de julho de 2022
“Não compare sua vida com a dos
outros. Você não tem idéia do que se trata a jornada deles. “(Regina Brett-90
anos)
EVANGELHO DE HOJE
LC
10,25-37
—
O Senhor esteja convosco.
—
Ele está no meio de nós.
—
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Lucas
—
Glória a vós, Senhor!
Naquele
tempo, 25um mestre da Lei se levantou e, querendo pôr Jesus em dificuldade,
perguntou: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?”
26Jesus
lhe disse: “O que está escrito na Lei? Como lês?”
27Ele
então respondeu: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a
tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo
como a ti mesmo!”
28Jesus
lhe disse: “Tu respondeste corretamente. Faze isso e viverás”.
29Ele,
porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: “E quem é o meu próximo?”
30Jesus
respondeu: “Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de
assaltantes. Estes arrancaram-lhe tudo, espancaram-no, e foram-se embora,
deixando-o quase morto.
31Por
acaso, um sacerdote estava descendo por aquele caminho. Quando viu o homem,
seguiu adiante, pelo outro lado.
32O
mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu o homem e seguiu adiante,
pelo outro lado.
33Mas
um samaritano, que estava viajando, chegou perto dele, viu e sentiu compaixão.
34Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas.
Depois colocou o homem em seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde
cuidou dele.
35No
dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão,
recomendando: ‘Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto
a mais’”.
E
Jesus perguntou:
36“Na
tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos
assaltantes?”
37Ele
respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”.
Então
Jesus lhe disse: “Vai e faze a mesma coisa”
Palavras da Salvação
Glória
a vós Senhor
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Padre Antonio Queiroz
E quem é o meu próximo?
Este Evangelho começa
com duas perguntas de um mestre da Lei a Jesus, pra pô-lo em dificuldade. São
pontos sobre os quais não havia acordo nas escolas rabínicas. Jesus, na sua
sabedoria, faz com que o próprio mestre da Lei responda as duas.
A primeira é: “Que devo
fazer para receber em herança a vida eterna?” O próprio mestre da Lei responde:
“Amarás o Senhor teu Deus...”
Entretanto, o mestre da
Lei não se dá por vencido e faz outra pergunta: “E quem é o meu próximo?”
Também sobre esta questão eles se dividiam. Para uns, eram os amigos. Para
outros, eram os parentes. Para outros, eram os da mesma nação ou raça...
O mestre da Lei quer
saber quais são os limites do amor. Jesus fala que não tem limites. São todos e
todas que encontrarmos pelos caminhos da vida, como o samaritano, que cuidou de
um judeu, povo rival.
Todo homem e toda mulher
que encontrarmos pela vida, e estão em situação de necessidade, são nossos
próximos.
Dos três viajantes que,
no caminho, se encontraram com o ferido, os dois primeiros são membros ativos e
líderes da religião: o sacerdote, e o levita que tinha uma função parecida com
os nossos líderes cristãos. Com isso, Jesus deixa claro que o que vale para
entrar no céu não são títulos ou cargos importantes na Igreja, mas a prática da
caridade.
Já o amor do samaritano
foi bonito: espontâneo, desinteressado, generoso, terno, serviçal, eficaz e
gratuito.
Após terminar a
parábola, Jesus devolve a segunda pergunta ao seu interlocutor, mas a inverte.
Ele não focaliza o destinatário (quem é o meu próximo?), e sim o seu sujeito:
“Qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” E o
mestre da Lei respondeu corretamente, usando inclusive uma expressão bíblica:
“Foi aquele que usou de misericórdia para com ele”.
A conclusão de Jesus –
“Vai e faze a mesma coisa” – é dirigida a todos nós. O amor verdadeiro sempre
coloca como centro o outro, não eu. A pergunta correta que devemos nos fazer
hoje é: “Quem espera ajuda de mim?” Vemos que o amor não tem limites, pois ele
parte das necessidades do outro.
O sacerdote e o levita
viram o ferido, mas seguiram adiante pelo outro lado do caminho. Eles se
colocaram propositalmente à distância do necessitado. Corresponde um pouco aos
nossos condomínios fechados, muros altos, vidros fumê nos carros... são
estratégias atuais de seguir em frente pelo outro lado. Já quem ama faz o
contrário: quer estar no meio dos necessitados.
Como vemos, a parábola é
atual, e toca no núcleo da nossa vida cristã, que é o amor ao próximo. É o que
Jesus, como Juiz, vai cobrar de nós no Juízo final: “Vinde, benditos de meu
Pai! Recebei em herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do
mundo!... Pois eu estava doente, e cuidastes de mim”(Mt 25,34ss).
Ser o próximo do outro é
não apenas estar perto, mas estar perto de coração, aproximar-se afetiva e
efetivamente dele. Quem tem o coração duro, fica distante de quem está próximo
em situação de necessidade. Isso pode acontecer dentro das famílias e até das
comunidades religiosas.
O capitalismo
interessa-se pelo próximo, mas apenas por uma parte dele: o seu bolso. Até no
caso de doença, ou de acidente como foi este da parábola, o capitalista vê como
oportunidade de ganhar dinheiro.
“Este mandamento que
hoje te dou não é difícil demais, nem está fora do teu alcance... Está em teu
coração, para que o possas cumprir” (Dt 30,10-14). De fato esta lei do amor ao
próximo já está escrita em nosso coração desde que nascemos. Se alguém não a
cumprir, não terá desculpas.
Uma maneira frutuosa de
meditar sobre esta parábola é tentar descobrir com qual dos personagens que
aparecem nela nós mais nos parecemos. Claro que o nosso desejo é nos parecer
com o samaritano, e até com Jesus. Mas a resposta verdadeira nós a damos com a
nossa vida concreta do dia a dia. Será que nos parecemos com o dono da pensão:
fazemos o bem quando somos remunerados? Ou somos como o sacerdote e o levita:
vivemos tão preocupados com os nossos afazeres que “nem vemos” quem está em
necessidade ao nosso lado? Ou, pior ainda, somos assaltantes disfarçados do
nosso próximo? A sociedade atual que construímos mostra claro que os “bons
samaritanos” não passam de uns 5%. Claro que cada um de nós se julga entre
esses 5%. No entanto, o resultado está aí.
Certa vez, numa grande
região, faltou chuva e a colheita foi pobre. Entretanto, uma grande fazenda,
que tinha irrigação artificial, teve uma colheita abundante. O administrador
encheu os celeiros, depois disse para o dono da fazenda: “A colheita ruim
aumentou o preço dos cereais. Agora é o tempo propício para vender e ganhar
muito dinheiro”. O fazendeiro respondeu: “Eu penso nos pobres lavradores que
não colheram nada e estão com as suas despensas vazias. Agora é tempo propício
para dar”.
O amor é assim,
freqüentemente ele inverte o pensamento cego dos capitalistas, baseado na sede
de lucro.
Existem pessoas que
disfarçam o seu egoísmo, como aquele que disse: “Os homens são maus. Só pensam
em si. Só eu penso em mim!” Quem falou isso não percebe que a primeira pessoa
má do mundo é ele mesmo!
É próprio das mães
perceber as necessidades dos filhos e colocar-se ao lado deles. Vamos pedir à
nossa querida Mãe Maria Santíssima que nos ajude a ser bons samaritanos,
socorrendo o nosso próximo em suas necessidades, e assim “recebendo como
herança a vida eterna” Mãe do amor, rogai por nós.
E quem é o meu próximo?
MOMENTO DE REFLEXÃO
Alguns anos atrás,
assisti à peça Raisin in the Sun [Uva-Passa ao Sol], de Lorraine Hansberry, e
ouvi um trecho que até hoje não me sai da memória.
Na peça, uma família
afro-americana recebe US$ 10.000 provenientes do seguro de vida do pai. A dona
da casa vê no dinheiro a oportunidade de deixar o gueto onde vivia no Harlem e
de mudar-se para uma casa no campo, enfeitada com jardineiras.
A filha, uma moça muito
inteligente, vê no dinheiro a oportunidade de realizar seu sonho de estudar
medicina.
O filho mais velho,
contudo, apresenta um argumento difícil de ser ignorado. Quer o dinheiro para
que ele e um “amigo” iniciem um negócio juntos.
Diz à família que, com o
dinheiro, ele poderá trabalhar por conta própria e facilitar a vida de todos.
Promete que, se puder lançar mão do dinheiro, proporcionará à família todos os
confortos que a vida lhes negou.
Mesmo contra a vontade,
a mãe cede aos apelos do filho. Ela tem de admitir que as oportunidades nunca
foram tão boas para ele e que ele merece a vida boa que esse dinheiro pode
oferecer-lhe.
Conforme você deve ter
imaginado, o tal “amigo” foge da cidade com o dinheiro. Desolado, o filho é forçado
a voltar para casa e dizer à família que suas esperanças para o futuro lhe
foram roubadas e que seus sonhos de uma vida melhor foram desfeitos.
A irmã atira-lhe no
rosto toda sorte de insultos. Qualifica-o com as palavras mais grosseiras que
se possa imaginar. Seu desprezo em relação ao irmão não tem limites.
Quando ela pára um pouco
para respirar, a mãe a interrompe e diz:
— Pensei que tivesse
ensinado você a amar seu irmão.
Beneatha, a filha,
responde:
— Amar meu irmão? Não
restou nada nele para eu amar.
E a mãe diz:
— Sempre sobra alguma
coisa para amar. E, se você não aprendeu isso, não aprendeu nada. Você chorou
por ele hoje? Não estou perguntando se você chorou por causa de si mesma e de
nossa família, por termos perdido todo aquele dinheiro. Estou perguntando se
chorou por ele: por aquilo que ele sofreu e pelas conseqüências que terá de
enfrentar.
Filha, quando você acha
que é tempo de amar alguém com mais intensidade: no momento em que faz coisas
boas e facilita a vida de todos? Bem, então você ainda_não aprendeu nada,
porque essenão é o verdadeiro momento de amar. Devemos amar quando a pessoa
está se sentindo humilhada e não consegue acreditar em si mesma, porque o mundo
a castigou demais. Se julgar alguém, faça-o da forma certa, filha, da forma
certa. Tenha a certeza de que você levou em conta os revezes que ele sofreu
antes de chegar ao ponto em que está agora.
Essa é a graça
misericordiosa! É o amor ofertado quando não se fez nada para merecê-lo. É o
perdão concedido quando não se fez nada para conquistá-lo. É a dádiva que flui
como as águas refrescantes de um riacho para extinguir as labaredas provocadas
por palavras de condenação carregadas de ira.
O amor que o Pai nos
oferece é muito mais abundante e generoso. A graça que Deus nos dá é muito mais
copiosa.
- Tony Campolo, em Histórias Para o Coração.
UM ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ...
E até que nos encontremos novamente,
que Deus lhe guarde serenamente
na palma de Suas mãos.
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