Segunda-feira, 11 de julho de 2022
“Se um relacionamento tem que ser um
segredo, você não deveria estar nele.” (Regina Brett-90 anos)
EVANGELHO DE HOJE
MT
10,34-11,1
—
O Senhor esteja convosco.
—
Ele está no meio de nós.
—
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Mateus
—
Glória a vós, Senhor!
Naquele
tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 10,34“Não penseis que vim trazer a paz
à terra; não vim trazer a paz, mas sim a espada. 35De fato, vim separar o filho
de seu pai, a filha de sua mãe, a nora de sua sogra.
36E
os inimigos do homem serão os seus próprios familiares. 37Quem ama seu pai ou
sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho ou sua filha
mais do que a mim, não é digno de mim. 38Quem não toma a sua cruz e não me
segue, não é digno de mim.
39Quem
procura conservar a sua vida vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de
mim vai encontrá-la. 40Quem vos recebe a mim recebe; e quem me recebe, recebe
aquele que me enviou. 41Quem recebe um profeta, por ser profeta, receberá a
recompensa de profeta. E quem recebe um justo, por ser justo, receberá a
recompensa de justo.
42Quem
der, ainda que seja apenas um copo de água fresca, a um desses pequeninos, por
ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa”.
11,1Quando Jesus acabou de dar essas instruções aos doze discípulos, partiu
daí, a fim de ensinar e pregar nas cidades deles.
Palavras da Salvação
Glória
a vós Senhor
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Alexandre Soledade
Bom dia!
O convite feito aos
apóstolos se estendia a todos, e após alertá-los do mundo de lobos que
enfrentariam para levar a Boa Nova, Jesus deixa claro o “rastro de graças” a
todos que cooperassem com a prática do “caminho”.
Um antigo e conhecido
conto narra as idas e vidas de um homem que levava água em potes de barro da
fonte até sua casa. O conto narra que um dos potes estava rachado e no
transitar a água caía pelo caminho. Após tantas idas e vindas nota que o
caminho se tornara florido, lado que correspondia ao lado do pote rachado (…)
Acredito que todos
conhecem essa história, mas por que a trouxe para essa reflexão?
Creio que muito mais que
água fresca, um local para dormir, um cobertor, uma cesta básica, (…) as
pessoas para continuarem no caminho precisam ser ouvidas. Na verdade o grande
mal do mundo, que dizem ser a depressão, é a indiferença humana
A indiferença faz brotar
no coração a semente do ódio e não estou exagerando nesse argumento. É preciso
deixar bem claro que abandoná-la é tão difícil quanto oferecer a outra face a
quem nos agrediu
Posso me atrever a dizer
que existe a indiferença ativa e a passiva, sendo que a primeira é movida
exclusivamente pela raiva, pela dor, pelo rancor, pela falta de perdão, pela
auto defesa, e todos os sentimentos que voluntariamente expressamos contra
outra pessoa ou situação, mas o que de fato preocupa é a passiva.
A indiferença passiva
“mata” a flor que torce para que nosso vaso esteja quebrado e assim receber a
água fresca que cairá sem perceber. Percebi, num retiro, o poder que tem quinze
minutos de atenção para quem sofre ou esta agoniado. E como não perceber também
a falta que faz nossa atenção a muitos outros irmãos e irmãs que desapareceram do
nosso olhar e nunca mais foram procurados
“(…) Tomai precaução, meus irmãos, para que
ninguém de vós venha a perder interiormente a fé, a ponto de abandonar o Deus
vivo. Antes, animai-vos mutuamente cada dia durante todo o tempo compreendido
na palavra hoje, para não acontecer que alguém se torne empedernido com a
sedução do pecado. Porque somos incorporados a Cristo, mas sob a condição de
conservarmos firme até o fim nossa fé dos primeiros dias“. (Hebreus 3, 12-14)
Todo dia, ao sair para o
trabalho, vejo uma jovem senhora que fez seminário de vida. Lembro o quanto ela
foi tocada por Deus naquele encontro, mas hoje noto que ao passar por mim ela
abaixa a cabeça, meio que se esconde. O que será que ela pensa? Será que ela
pensa que eu a esqueci, que tudo que foi pregado ou ensinado foi da boca pra
fora? E quantos como ela também estão por ai, abaixando a cabeça ou
atravessando a rua para não nos olhar nos olhos?
Sim, às vezes alguns
temem nossos pré-julgamentos por voltarem a vida que tinham antes (quem somos
nós para julgá-los); outros têm a impressão que os esquecemos (e de fato é meio
que verdade); outros porém acreditam que “nos achamos” (as vezes sim,
infelizmente); outros que o encanto acabou (a semente encontrou um solo
pedregoso), (…), mas independente disso somos convidados a levar á água fresca;
somos convidados a não nos importar de fazermos trabalho dobrado por nosso vaso
estar quebrado…
Talvez o “nosso pai e
nossa mãe” do evangelho de hoje sejam nosso orgulho e nossa vaidade. Talvez
seja o medo de atravessar a rua e falar bom dia; a preguiça de pegar o telefone
e ligar… Ao irmos às pessoas, abrimos as portas para um segundo encontro com
Deus “(…) Quem recebe vocês está recebendo a mim; e quem me recebe está recebendo
aquele que me enviou”.
Por fim
“(…) Pode-se pecar de
diversas maneiras contra o amor de Deus: a indiferença negligencia ou recusa a
consideração da caridade divina, menospreza a iniciativa (de Deus em nos amar)
e nega sua força. A ingratidão omite ou se recusa a reconhecer a caridade
divina e a pagar amor com amor”. (Catecismo da Igreja Católica § 2094)
Um imenso abraço
fraterno.
MOMENTO DE REFLEXÃO
Estamos obcecados com “o
melhor”. Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber
do “melhor”. Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego,
a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor homem,
o melhor vinho.
Bom não basta. O ideal é
ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue,
nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com “o melhor”. Isso até
que outro “melhor” apareça - e é uma questão de dias ou de horas até isso
acontecer. Novas marcas surgem a todo instante. Novas possibilidades também. E
o que era melhor de repente nos parece superado, modesto, aquém do que podemos
ter.
O que acontece, quando
só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de
insatisfação permanente, um eterno desassossego. Não desfrutamos do que temos
ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter. Cada
comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos. Cada
artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros!...) estão
vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários. Aí
a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor
tênis.
Não que a gente deva se
acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que
suficiente. Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta
potência? Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e
assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque “é o melhor cargo
da empresa”? E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço
do meu quarto? O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque
tem “o melhor chef”? Aquele xampu que eu usei durante anos tem que ser
aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro? O cabeleireiro
do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo “melhor cabeleireiro”?
Tenho pensado no quanto
essa busca permanente do melhor tem nos deixado ansiosos e nos impedido de
desfrutar o “bom” que já temos. A casa que é pequena, mas nos acolhe. O emprego
que não paga tão bem, mas nos enche de alegria. A TV que está velha, mas nunca
deu defeito. O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do
que os homens “perfeitos”. As férias que não vão ser na Europa, porque o
dinheiro não deu, mas vão me dar a chance de estar perto de quem amo. O rosto
que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem.O
corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer.
Será que a gente precisa
mesmo de mais do que isso? Ou será que isso já é o melhor e, na busca do
“melhor”, a gente nem percebeu?
Leila Ferreira
UM ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ...
E até que nos encontremos novamente,
que Deus lhe guarde serenamente
na palma de Suas mãos.
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