Sábado,
13 de outubro de 2018
“Além da nobre arte
de conseguir fazer as coisas, existe a nobre arte de deixar as coisas por
fazer. A sabedoria da vida consiste na eliminação do que não é essencial.” (Gandalf
)
EVANGELHO DO DIA
Lc
11,27-28
O Senhor esteja
convosco
Ele está no meio de
nós!
Proclamação do Evangelho
de Jesus Cristo segundo Lucas
Glória a vós Senhor!
E aconteceu que,
dizendo ele estas coisas, uma mulher dentre a multidão, levantando a voz, lhe
disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que mamaste.
Mas ele disse: Antes
bem aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam.
Palavras da salvação
Glória a vós Senhor!
MEDITANDO O EVANGELHO
Padre
Antonio Queiroz
Feliz
o ventre que te trouxe. Muito mais felizes são aqueles que ouvem a Palavra de
Deus.
Este
Evangelho narra a cena da mulher elogiando a mãe de Jesus, e ele aproveitando
para dizer que quem ouve a Palavra de Deus e a põe em prática é mais feliz
ainda.
Ser
mãe de Jesus não nos é possível, evidentemente; mas ouvir a Palavra de Deus e
praticá-la nos é possível e fácil. Por isso, nós queremos atender ao apelo de
Jesus e valorizar mais a sua Palavra, acreditando nela e seguindo-a de todo o
coração.
"Quem
tiver sede, venha a mim e eu lhe darei de beber da fonte de água viva" (Ap
21,6). Essa fonte de água viva é a Eucaristia, são os sacramentos e é também a
Sagrada Escritura, na qual Deus nos fala pessoalmente.
"A
Palavra de Deus é viva e eficaz. É mais penetrante que uma espada de dois
gumes" (Hb 4,12). Ela é viva porque, quando a lemos ou ouvimos, na verdade
é o Espírito Santo que nos fala naquele momento. Fala-nos às vezes até através
das entrelinhas do que lemos. É eficaz porque é acompanhada da força de graça
de Deus. Ela é penetrante porque traz em si a força de Deus, que penetra até o
nosso coração e nos transforma, se nós a deixarmos agir em nós.
Veja
a força da Palavra de Deus, em Gn 1. Bastava Deus dizer, por exemplo,
"faça-se a luz" e na hora a luz era feita.
Na
Missa, quando o padre fala: "Isto é o meu corpo... Isto é o meu
sangue", na hora o pão se torna o corpo de Cristo e o vinho se torna o seu
sangue.
Aí
está a explicação da transformação que acontece nas pessoas que começam a ler a
Bíblia todos os dias e de coração aberto a ela. Elas se tornam uma nova
criatura.
O
mundo seria bem mais feliz se as pessoas amassem mais a Palavra de Deus.
"Duplo
crime cometeu o meu povo: abandonou-me a mim, fonte de água viva, e para si
preferiu cavar cisternas, cisternas rachadas que não podem reter água" (Jr
2,13). As pessoas ficam cavando cisternas profundas, isto é, fazem um esforço
enorme para aprender a palavra dos homens, que muitas vezes são cisternas
rachadas. Esse aprendizado nos é necessário. O problema é que não fazemos o
mesmo esforço para aprender a Palavra de Deus, que é como uma fonte cristalina,
correndo ao nosso lado.
Sobre
a Bíblia, há algo muito importante que não podemos esquecer: O Novo Testamento
foi todinho escrito pela Santa Igreja Católica. Jesus não deixou nem uma
palavra escrita. Deus é o primeiro autor, mas a Igreja é a autora humana do
Novo Testamento. E se foi ela que escreveu, ela tem o direito de interpretar.
A
Bíblia e a Tradição legítima de Igreja são para nós como duas rodas de uma bicicleta.
Uma não tem consistência sem a outra. O capeta é esperto e leva muita gente
para ele nesse ponto!
Jesus
não negou o que a mulher disse: “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te
amamentaram”. A Bíblia deve ser entendida no seu conjunto, e Isabel disse a
Maria: “feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor
será cumprido!” (Lc 1,45). “O que lhe foi dito da parte do Senhor” é a Palavra
de Deus, que Maria ouviu e pôs em prática. Santo Agostinho dizia: Não sei qual
dessas duas glórias de Maria é maior: ser a mãe de Jesus na carne ou ser sua
discípula na fé.
Certa
vez, uma senhora, que era muito respeitada na cidade, foi reclamar junto ao
subgerente de uma empresa, de algumas injustiças que a empresa estava
praticando.
O
subgerente, que era jovem, a ouviu com atenção e depois disse: “Eu concordo com
a senhora, mas não tenho nenhuma voz ativa na empresa!”
A
distinta mulher perguntou a ele: “Quantos kg você pesa?” “60”, respondeu o moço
com prontidão.
“Por
favor” – continuou ela – “vou lhe pedir uma coisa muito simples”: “Fique em
pé”. Na hora o jovem se levantou. Ela então disse: “Está vendo como a palavra
tem força? Ela é capaz de levantar 60 kg em um segundo! A sua palavra também
tem muita força junto à direção da empresa. É só saber usá-la”.
Se
a palavra do homem ter força, quanto mais a de Deus! Vamos aproveitar a força
da nossa palavra, usando-a para o bem, e principalmente aproveitar a força da
Palavra de Deus.
Feliz
o ventre que te trouxe. Muito mais felizes são aqueles que ouvem a Palavra de
Deus.
CASA, LAR E FAMÍLIA
“As
crianças obedecem quem elas admiram.”
Por
Gabriel M Salomão
Todas
as famílias já se perguntaram em algum momento: por que meu filho não me
obedece? Às vezes, a criança obedece a professora, mas não aos pais, às vezes,
só a um dos pais e não ao outro, e em alguns casos as crianças obedecem de vez
em quando, mas não sempre. Existe uma explicação para isso, e um jeito de
mudar. Maria Montessori respondeu essas perguntas e explicou como o adulto pode
se tornar digno da obediência da criança, em seu melhor livro, Mente
Absorvente.
No
livro, Montessori explica que a obediência se desenvolve em três níveis, e que
só no terceiro a criança consegue obedecer de verdade. Vamos conhecer os três
níveis agora, e entender como ajudar a criança em cada um deles.
1.
Primeiro Nível da Obediência
As
crianças que estão no primeiro nível da obediência obedecem de vez em quando,
mas não obedecem sempre. A obediência exige que a criança abra mão do que ela
gostaria de fazer, para executar o que outra pessoa pediu. No primeiro nível, a
criança obedece quando a sua vontade e a da pessoa que pediu são iguais, ou,
mais raramente, quando tem sucesso em suplantar a sua vontade pela do outro.
É
muito fácil para um adulto se incomodar com a falta de constância na obediência
da criança. “Se ela consegue me obedecer de vez em quando, por que não sempre?
Ela só faz as coisas quando quer!“, é o que pensa o adulto. E ele não sabe que
está correto, mas que sua raiva está mal colocada. Por enquanto, a criança
ainda não amadureceu o suficiente para abrir mão de sua vontade pela vontade do
outro. Nesse período, precisamos ter paciência e continuar a oferecer para ela
um excelente ambiente, um comportamento adulto paciente e útil, e escolhas.
2.
Segundo Nível da Obediência
O
segundo nível da obediência me parece ser o mais crítico de todos. Nele, a
criança tem muito mais sucesso em suprimir a sua vontade e executar a vontade
do outro. Ela está suficientemente desenvolvida para obedecer com muita
frequência. Mesmo assim, de vez em quando falha, porque afinal de contas ela
tem vontades, e por vezes vai se opor à nossa vontade.
Nesse
período, quase todos os adultos param, e vivem uma disputa eterna com as crianças,
que pode durar muitos anos. Como sabem que a criança é capaz de obedecer, os
adultos usam todas as ferramentas que têm para chegar à obediência. Castigos e
prêmios surgem com força aqui, e não desaparecem mais. Recompensas, chantagens,
barganhas, tudo aparece nesse período, para conquistar a obediência da criança.
Geralmente não funciona. Mas mesmo quando funciona, tudo o que essas
ferramentas fazem é impedir a criança de chegar ao terceiro nível.
3.
Terceiro Nível da Obediência
No
terceiro nível da obediência acontece a mágica de Montessori. A criança deixa
de obedecer porque é capaz, e passa a obedecer porque deseja e sente prazer. No
terceiro nível, a criança se mostra quase ansiosa para receber orientações e
seguí-las com o máximo de perfeição. Mas não são todos os adultos que chegam a
esse ponto com suas crianças. Existe um adulto que a criança gosta de obedecer.
A
criança obedece com prazer os adultos que ela admira. A obediência que a
maioria dos adultos conseguem vem da opressão, do medo, da recompensa, ou da
troca. Mas a obediência que traz felicidade à criança não é essa. Ela obedece
feliz quando obedece porque admira. Quem a criança admira?
O
Adulto Admirável
O
adulto que consegue compreender as necessidades da criança, organizar para ela
um excelente ambiente, ter com ela um comportamento elegante, cuidadoso,
amoroso e firme, que a ajuda a conquistar a própria independência e que
respeita sua necessidade de trabalhar sozinha sem ser interrompida… Esse é o
adulto admirável. A criança olha para esse adulto e pensa: “Ele é sábio. Ele me
vê por dentro. Se eu seguir o que ele pede, posso me tornar alguém assim”, e a
criança obedece não porque ela é menor e nós maiores, mas porque nós somos
fascinantes e ela deseja se transformar em um adulto fascinante também.
Parar
no segundo nível da obediência, como quase todo mundo faz, leva a um mundo de
pessoas obedientes em excesso, que questionam pouco as regras absurdas de nosso
mundo, e estão dispostas até mesmo a matar e morrer por obediência cega a
líderes ruins. Pela felicidade de nossos filhos e pelo bem da humanidade,
devemos saltar para o terceiro nível da obediência, em que a criança escolhe
obedecer as pessoas que ela admira, quando as ordens são razoáveis.
Nem
toda ordem deve ser obedecida. Nem todo adulto merece obediência, e a criança
sabe disso. Se abrirmos mão dos castigos e dos prêmios, descobriremos de novo
nossas crianças, e então, nos tornando adultos admiráveis, conquistaremos sua
confiança, admiração e, se for bom para todos, sua obediência feliz.
Em
Montessori não defendemos crianças disciplinadas, mas autodisciplinadas, não as
que obedecem cegamente, mas as que podem escolher obedecer quando a vontade do
outro é melhor que a sua, e vale a pena abrir mão da sua para seguir uma que é
melhor e, sobretudo, admirável.
MOMENTO DE REFLEXÃO
O
Leão deu uma gargalhada de desprezo e respondeu:
-O
que você está pedindo? Então você pensa que algum dia eu, o Leão, Rei dos
Animais, irei precisar de um mísero e insignificante rato? Jamais! Mas como
estou bem alimentado vou fazer uma caridade e deixarei você ir, e nunca mais
repita o que fez.
Assim
o Leão soltou o rato.
Alguns
dias depois o Leão passeava na floresta, quando por descuido caiu em uma
armadilha preparada por caçadores e acabou pendurado em uma árvore, envolto por
uma rede. Por mais que urrasse e se debatesse não conseguia se livrar das
cordas.
Nisso,
ali perto passava o Rato e reconhecendo o rugido do Leão, se aproximou, subiu
na árvore, roeu a corda da armadilha, e libertou-o dizendo:
-
O senhor achou ridícula a idéia de que algum dia eu pudesse ajudá-lo, nunca
esperava receber de mim qualquer compensação pelo seu favor. Mas agora sabe que
é possível, mesmo a um pequeno Rato conceder um favor a um poderoso Leão.
Cuidado!
Na
vida você nunca sabe quando vai ser Rato ou Leão!
Um
abençoado dia pra você
E
até que nos encontremos novamente
Que
Deus lhe guarde serenamente
Na
palma de suas mãos.
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