segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Terça-feira 16/10/2018

Terça-feira, 16 de outubro de 2018



“Existe três classes de pessoas infelizes: A que não sabe e não pergunta, a que sabe e não ensina e a que ensina e não faz.”






EVANGELHO DO DIA
Lc 11,37-41


O Senhor esteja convosco
Ele está no meio de nós!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas
Glória a vós Senhor!



E, estando ele ainda falando, rogou-lhe um fariseu que fosse jantar com ele; e, entrando, assentou-se à mesa.
Mas o fariseu admirou-se, vendo que não se lavara antes de jantar.
E o Senhor lhe disse: Agora vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato; mas o vosso interior está cheio de rapina e maldade.
Loucos! Quem fez o exterior não fez também o interior?
Antes dai esmola do que tiverdes, e eis que tudo vos será limpo.




Palavras da salvação
Glória a vós Senhor!




MEDITANDO O EVANGELHO
Padre Antonio Queiroz (In Memorian)


Dai esmola do que vós possuís e tudo ficará puro para vós.
Este Evangelho conta que um fariseu convidou Jesus para jantar na sua casa, mas ficou pensando mal dele, porque não lavou as mãos antes da refeição. Lavar as mãos antes da refeição, o que era um rito religioso deles, nascido da tradição.
Jesus é claro com o fariseu: “Vós limpais o copo e o prato por fora, mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades”.
Deus quer a nossa pureza completa, e é da interior que nasce a exterior. Mudando o nosso coração, isto é, as nossas intenções e desejos, vai mudar o nosso agir.
Quem segue a Jesus não tem malícia, maldades, nem segundas intenções. Não é falso nem engana ninguém, mas é verdadeiro e transparente.
“Felizes os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8). Quem é puro de coração é honesto, sem fingimento e sem máscaras. Essas pessoas são parecidas com Deus, por isso o verão, e nelas podemos confiar, porque falam a verdade. Uma sociedade feita de pessoas assim seria bem mais feliz.
“Dai esmola do que vós possuís e tudo ficará puro para vós.” A esmola nos deixa muito mais puros do que as repetidas e inúteis purificações. Isso porque, quando partilhamos os nossos bens com os necessitados, atraímos sobre nós a bênção de Deus, que nos purifica.
Os ritos fazem parte da nossa relação com Deus. O perigo é absolutizá-los, colocando-os na frente dos mandamentos de Deus. Foi isso que fizeram os mestres religiosos do povo judeu do tempo de Jesus. De tal modo deram a primazia aos ritos, como este de lavar as mãos antes da refeição, que se esqueceram do principal, que é amar a Deus e ao próximo.
“Eu farei uma nova aliança com a casa de Israel... Colocarei a minha lei no seu coração. Serei o Deus deles e eles serão o meu povo (Jr 31,31-33). É isso que Deus quer conosco, já que vivemos na Nova Aliança. A Lei escrita no nosso coração nos dá liberdade para escolher o que é melhor. Em vez da letra da Lei, passamos a obedecer ao espírito da Lei.
Conta uma lenda que certo dia um bezerro precisou atravessar uma floresta virgem para voltar ao seu pasto. Sendo ele um animal irracional, abriu uma trilha tortuosa, cheia de curvas, subidas e descidas inúteis.
No dia seguinte, um cão que passava por ali usou esta trilha para atravessar a floresta. Depois foi a vez do carneiro, líder de um rebanho, que fez seus companheiros seguirem pela trilha torta.
Mais tarde, os homens começaram a usar aquele caminho. Viravam à direita e à esquerda, abaixavam-se para não bater nos troncos de árvores, reclamavam, mas nada faziam para mudar a trilha. Depois de tanto uso, a trilha acabou virando uma estrada onde os animais se cansavam sob as cargas pesadas, sendo obrigados a percorrer em três horas um caminho que podia ser feito em uma hora.
Muitos anos se passaram e a estrada tornou-se a rua de uma vida e depois a avenida principal de uma cidade. Eram milhares de pessoas que seguiam a trilha do bezerro.
Os homens infelizmente têm a tendência de seguir cegamente tradições de pessoas que nem sempre conheciam o caminho que estavam traçando. Existem mentalidades ou modos de viver, antigos ou novos, que nem sempre combinam com o principal, que é amar a Deus e ao próximo.
Maria Santíssima era todinha de Deus. Sua obediência era livre e brotava do coração. Que ela nos ajude a evitar a hipocrisia e a tomar cuidado com o fermento dos fariseus (Lc 12,1).
Dai esmola do que vós possuís e tudo ficará puro para vós.






COMPORTAMENTO

“Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil”



Temos vivido tempos de discussões acaloradas nas redes sociais, nos grupos de whatsapp e até em mesas de bar por causa de divergências políticas, sociais e religiosas. Na maioria das vezes, opto pelo silêncio e tenho preferência por outros assuntos, mais leves, mais bem-humorados ou que acrescentem algo bom à minha vida.

De repente todo mundo virou “pai e mãe” de um partido, de uma religião, de um grupo social. De uma hora para outra, vestimos a camisa de um político, de uma ideologia, e nos comportamos como defensores leais e fiéis de uma ordem. Divulgamos vídeos editados, muitas vezes repletos de informações falsas, perdemos horas à frente do celular vasculhando documentos que comprovem nossa teoria, nos impacientamos e até brigamos com quem ousa pensar diferente de nós. Amigos, colegas de trabalho, familiares e até cônjuges se separam em nome do tal “amor à causa”.

Muitas vezes, aqueles que não participam das discussões e preferem se calar ou mudar de assunto são considerados “em cima do muro”, omissos e sem opinião. Porém, estar calado ou preferir se abster de dar seu parecer não é sinônimo de falta de personalidade ou convicção. Algumas pessoas preferem guardar sua energia para coisas mais importantes. Ou se resguardam de desgastes desnecessários. Ou, ainda, não acreditam que “vencer” uma argumentação as tornará pessoas melhores. E, finalmente, preferem ser gentis a estarem com a razão.

Foi no livro de R. J. Palacio que me deparei com uma das frases que mais gosto atualmente: “Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil”. Pois a vida já é tão complicada por si só, já são tantos sustos, perdas, falhas e desafios que enfrentamos dia a dia, que não deveria sobrar energia para embates desnecessários, com o único objetivo de provar o quanto estamos certos e cheios de verdade em nossos posicionamentos. Se usássemos essa energia e esse tempo praticando a gentileza, tentando tornar o dia de alguém mais suave ou doce, guardando nossa explosão de argumentos e certezas para nós mesmos e não tentando convencer ninguém de nada, certamente teríamos um mundo melhor, bem mais fácil de habitar.

É impressionante notar como as pessoas perdem a compostura ao defender seu ponto de vista, nem sempre perfeito e verdadeiro, mas fruto de sua formação e vivência até o momento. É impressionante perceber que as pessoas não entendem que aquilo que é melhor para elas nem sempre será bom para o outro, e por isso não precisam tentar vender aquilo que escolheram para si, porque quiseram. É impressionante ver como as pessoas deturpam os reais ensinamentos do amor, preferindo discutir, muitas vezes ofendendo, ou mesmo segregando, em nome de uma “missão de cura” de alguém.

Escolher ser gentil a ter razão não nos torna omissos. Omisso é quem é negligente, quem falta com a presença ou a palavra em momentos decisivos, quem deixa de fazer o bem podendo fazê-lo. Preferir ser gentil a estar certo é ter a capacidade de ser tolerante com as divergências, com os pontos de vista diferentes, com a diversidade de pensamento, vivências e escolhas. É conseguir colocar a doçura, o amor e a compreensão à frente da intransigência, teimosia e tirania. É acreditar que você não precisa convencer ninguém de nada, que não é necessário fazer longos discursos ou palestras acerca de seu ponto de vista, nem deixar de “seguir” alguém só porque ele pensa diferente de você.

Ao escolher ser gentil, você deixa a rigidez de lado e adquire leveza de pensamento e ação. Você dá passagem para o carro que força caminho ao seu lado, cede lugar no ônibus para a adolescente impaciente, se segura para não fazer um discurso irritado com o vizinho abusado. Você chega em casa e não quer ganhar a disputa de quem teve o dia mais exaustivo ou estressante, mas entende que o mais importante é estar bem com aqueles que ama. Você descobre que não precisa dar lição de moral em ninguém, que não lhe cabe fazer justiça ou provar a todo custo suas certezas, que não precisa divulgar aos quatro ventos suas decisões políticas, religiosas ou sociais. Ao contrário, entende que, mais importante que estar certo, é conseguir preservar seus afetos e suas relações. Você começa a falar e agir com suavidade, tomando cuidado com a bagagem e o coração do outro. Você aprende que a gentileza não é afeita a grandes gestos, mas resultado de delicadezas miúdas, muitas vezes despercebidas, que jamais serão esquecidas.

Finalmente, tenho que concordar com a escritora e grande amiga Josie Conti, que escreveu a melhor definição de gentileza que eu já li: “Gentil é aquele que passa pela vida do outro, toca-o com leveza e o marca, onde ninguém mais pode ver…”






MOMENTO DE REFLEXÃO

Nove (ou dez) lugares para ir antes de morrer



Se você acha que encontrara dicas de destinos maravilhosos pelo planeta afora, praias paradisíacas, cidades esquecidas, vilarejos charmosos e museus imperdíveis, errou. Os lugares essenciais ficam mais perto do que se imagina. Não, necessariamente, na geografia. Sobretudo, afetivamente. Visitá-los confere certo sentido à vida, garante o caminho pela frente. Duvida?

1. A maternidade onde você nasceu. É certo que pouca coisa ou quase nada resta do hospital que lhe recebeu, tempos atrás. Você não reconhecerá, tampouco será reconhecido por nenhum obstetra e nenhuma enfermeira pelos corredores. Outros bebês chegarão nesse dia, exatamente como você fez, exceto por um pouco mais de tecnologia. É a maior prova de que o mundo acerta em suas intermináveis, cíclicas e inelutáveis voltas.
2. A escola onde você aprendeu a ler e a escrever, quando era deste tamanhico. Se o diretor permitir, e se você lembrar, faça o trajeto que sempre fazia, assim que se despedia da sua mãe no portão. Não se espante se, ao olhar para trás, a vir acenando para você, com a mesma roupa da foto no porta-retrato que você olha todo santo dia.
3. A casa da sua madrinha, se você tiver uma. De preferência, numa visita desapressada, para um chá com rosquinhas. De preferência, que ela mesma fez. Na ausência da madrinha, vale outra tia, uma que você nunca mais viu e nem sabe explicar por que. De preferência, a que você mais gostava de abraçar quando era criança. E também nem sabia por que.
4. A vendinha mais antiga do bairro onde você cresceu. Os últimos quinze metros quadrados poupados pela especulação imobiliária, a única sobrevivente do quarteirão, o ícone da resistência urbana. Na falta dela, vale a velha barbearia aonde seu pai ia aos sábados, o bazar com papel contact florido nas prateleiras onde sua mãe comprava linha de bordar ou a loja de brinquedos onde você namorava a boneca que andava, o avião de controle remoto. Tirante a barbearia, não saia sem uma sacolinha, não importa com o quê dentro. Será a sua melhor compra em anos.
5. O seu primeiro emprego. Mesmo que o local tenha sido derrubado para dar vez a um shopping center ou estacionamento. Estar de volta ao solo onde você declarou sua independência financeira e aprendeu a beber café lhe fará um bem danado.
6. A casa do seu primeiro amor – mesmo que ele, ou ela, tenha se mudado dali há décadas. Não precisa tocar a campainha, nem ficar se explicando para o vizinho que varre a calçada com ares de inquisição, querendo saber o que você faz ali. Deixe de lado o medo bobo do seu (ou sua) atual não entender; quem não compreende o primeiro amor alheio não há de ser merecedor de amor algum.
7. A igreja onde seus pais se casaram. Busque na lembrança todas as fotografias que viu desse dia e refaça, como se fosse sua dama de honra ou pajem, o caminho da sua mãe até o altar, onde seu pai a aguardava. Pense que, nesse instante, de alguma forma, você já existia.
8. A barraca de churros da feira de sábado. Sem maiores delongas ou adiamentos, peça logo uns dez. A felicidade tem sabor de açúcar e canela, meu bem.
9. Não deixe também de visitar o passado, de modo geral. Só para tirar dúvidas e se certificar de algumas coisas. Resista à tentação de se mudar, ainda que temporariamente, para lá. Entoe o mantra “Estou só de passagem” e volte, no primeiro ônibus, ao presente. Mas fique atento: se passar do ponto, irá parar no futuro.
Que poderia ser o décimo lugar, mas não é; o futuro não passa de uma quimera brincalhona e inalcançável. Fiquemos nos nove, mesmo. Já é uma viagem.

(Silmara Franco)









Um abençoado dia pra você



E até que nos encontremos novamente
Que Deus lhe guarde serenamente
Na palma de suas mãos.


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