Terça-feira,
16 de outubro de 2018
“Existe três classes
de pessoas infelizes: A que não sabe e não pergunta, a que sabe e não ensina e
a que ensina e não faz.”
EVANGELHO DO DIA
Lc
11,37-41
O Senhor esteja
convosco
Ele está no meio de
nós!
Proclamação do Evangelho
de Jesus Cristo segundo Lucas
Glória a vós Senhor!
E, estando ele ainda
falando, rogou-lhe um fariseu que fosse jantar com ele; e, entrando,
assentou-se à mesa.
Mas o fariseu
admirou-se, vendo que não se lavara antes de jantar.
E o Senhor lhe disse:
Agora vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato; mas o vosso
interior está cheio de rapina e maldade.
Loucos! Quem fez o
exterior não fez também o interior?
Antes dai esmola do
que tiverdes, e eis que tudo vos será limpo.
Palavras da salvação
Glória a vós Senhor!
MEDITANDO O EVANGELHO
Padre
Antonio Queiroz (In Memorian)
Dai
esmola do que vós possuís e tudo ficará puro para vós.
Este
Evangelho conta que um fariseu convidou Jesus para jantar na sua casa, mas
ficou pensando mal dele, porque não lavou as mãos antes da refeição. Lavar as
mãos antes da refeição, o que era um rito religioso deles, nascido da tradição.
Jesus
é claro com o fariseu: “Vós limpais o copo e o prato por fora, mas o vosso
interior está cheio de roubos e maldades”.
Deus
quer a nossa pureza completa, e é da interior que nasce a exterior. Mudando o
nosso coração, isto é, as nossas intenções e desejos, vai mudar o nosso agir.
Quem
segue a Jesus não tem malícia, maldades, nem segundas intenções. Não é falso
nem engana ninguém, mas é verdadeiro e transparente.
“Felizes
os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8). Quem é puro de coração é
honesto, sem fingimento e sem máscaras. Essas pessoas são parecidas com Deus,
por isso o verão, e nelas podemos confiar, porque falam a verdade. Uma
sociedade feita de pessoas assim seria bem mais feliz.
“Dai
esmola do que vós possuís e tudo ficará puro para vós.” A esmola nos deixa
muito mais puros do que as repetidas e inúteis purificações. Isso porque,
quando partilhamos os nossos bens com os necessitados, atraímos sobre nós a
bênção de Deus, que nos purifica.
Os
ritos fazem parte da nossa relação com Deus. O perigo é absolutizá-los,
colocando-os na frente dos mandamentos de Deus. Foi isso que fizeram os mestres
religiosos do povo judeu do tempo de Jesus. De tal modo deram a primazia aos
ritos, como este de lavar as mãos antes da refeição, que se esqueceram do
principal, que é amar a Deus e ao próximo.
“Eu
farei uma nova aliança com a casa de Israel... Colocarei a minha lei no seu
coração. Serei o Deus deles e eles serão o meu povo (Jr 31,31-33). É isso que
Deus quer conosco, já que vivemos na Nova Aliança. A Lei escrita no nosso
coração nos dá liberdade para escolher o que é melhor. Em vez da letra da Lei,
passamos a obedecer ao espírito da Lei.
Conta
uma lenda que certo dia um bezerro precisou atravessar uma floresta virgem para
voltar ao seu pasto. Sendo ele um animal irracional, abriu uma trilha tortuosa,
cheia de curvas, subidas e descidas inúteis.
No
dia seguinte, um cão que passava por ali usou esta trilha para atravessar a
floresta. Depois foi a vez do carneiro, líder de um rebanho, que fez seus
companheiros seguirem pela trilha torta.
Mais
tarde, os homens começaram a usar aquele caminho. Viravam à direita e à
esquerda, abaixavam-se para não bater nos troncos de árvores, reclamavam, mas
nada faziam para mudar a trilha. Depois de tanto uso, a trilha acabou virando
uma estrada onde os animais se cansavam sob as cargas pesadas, sendo obrigados
a percorrer em três horas um caminho que podia ser feito em uma hora.
Muitos
anos se passaram e a estrada tornou-se a rua de uma vida e depois a avenida
principal de uma cidade. Eram milhares de pessoas que seguiam a trilha do
bezerro.
Os
homens infelizmente têm a tendência de seguir cegamente tradições de pessoas
que nem sempre conheciam o caminho que estavam traçando. Existem mentalidades
ou modos de viver, antigos ou novos, que nem sempre combinam com o principal,
que é amar a Deus e ao próximo.
Maria
Santíssima era todinha de Deus. Sua obediência era livre e brotava do coração.
Que ela nos ajude a evitar a hipocrisia e a tomar cuidado com o fermento dos
fariseus (Lc 12,1).
Dai
esmola do que vós possuís e tudo ficará puro para vós.
COMPORTAMENTO
“Quando
tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil”
Temos
vivido tempos de discussões acaloradas nas redes sociais, nos grupos de
whatsapp e até em mesas de bar por causa de divergências políticas, sociais e
religiosas. Na maioria das vezes, opto pelo silêncio e tenho preferência por
outros assuntos, mais leves, mais bem-humorados ou que acrescentem algo bom à
minha vida.
De
repente todo mundo virou “pai e mãe” de um partido, de uma religião, de um
grupo social. De uma hora para outra, vestimos a camisa de um político, de uma
ideologia, e nos comportamos como defensores leais e fiéis de uma ordem.
Divulgamos vídeos editados, muitas vezes repletos de informações falsas,
perdemos horas à frente do celular vasculhando documentos que comprovem nossa
teoria, nos impacientamos e até brigamos com quem ousa pensar diferente de nós.
Amigos, colegas de trabalho, familiares e até cônjuges se separam em nome do
tal “amor à causa”.
Muitas
vezes, aqueles que não participam das discussões e preferem se calar ou mudar
de assunto são considerados “em cima do muro”, omissos e sem opinião. Porém,
estar calado ou preferir se abster de dar seu parecer não é sinônimo de falta
de personalidade ou convicção. Algumas pessoas preferem guardar sua energia
para coisas mais importantes. Ou se resguardam de desgastes desnecessários. Ou,
ainda, não acreditam que “vencer” uma argumentação as tornará pessoas melhores.
E, finalmente, preferem ser gentis a estarem com a razão.
Foi
no livro de R. J. Palacio que me deparei com uma das frases que mais gosto
atualmente: “Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha
ser gentil”. Pois a vida já é tão complicada por si só, já são tantos sustos,
perdas, falhas e desafios que enfrentamos dia a dia, que não deveria sobrar
energia para embates desnecessários, com o único objetivo de provar o quanto
estamos certos e cheios de verdade em nossos posicionamentos. Se usássemos essa
energia e esse tempo praticando a gentileza, tentando tornar o dia de alguém
mais suave ou doce, guardando nossa explosão de argumentos e certezas para nós
mesmos e não tentando convencer ninguém de nada, certamente teríamos um mundo melhor,
bem mais fácil de habitar.
É
impressionante notar como as pessoas perdem a compostura ao defender seu ponto
de vista, nem sempre perfeito e verdadeiro, mas fruto de sua formação e
vivência até o momento. É impressionante perceber que as pessoas não entendem
que aquilo que é melhor para elas nem sempre será bom para o outro, e por isso
não precisam tentar vender aquilo que escolheram para si, porque quiseram. É
impressionante ver como as pessoas deturpam os reais ensinamentos do amor,
preferindo discutir, muitas vezes ofendendo, ou mesmo segregando, em nome de
uma “missão de cura” de alguém.
Escolher
ser gentil a ter razão não nos torna omissos. Omisso é quem é negligente, quem
falta com a presença ou a palavra em momentos decisivos, quem deixa de fazer o
bem podendo fazê-lo. Preferir ser gentil a estar certo é ter a capacidade de
ser tolerante com as divergências, com os pontos de vista diferentes, com a
diversidade de pensamento, vivências e escolhas. É conseguir colocar a doçura,
o amor e a compreensão à frente da intransigência, teimosia e tirania. É
acreditar que você não precisa convencer ninguém de nada, que não é necessário
fazer longos discursos ou palestras acerca de seu ponto de vista, nem deixar de
“seguir” alguém só porque ele pensa diferente de você.
Ao
escolher ser gentil, você deixa a rigidez de lado e adquire leveza de
pensamento e ação. Você dá passagem para o carro que força caminho ao seu lado,
cede lugar no ônibus para a adolescente impaciente, se segura para não fazer um
discurso irritado com o vizinho abusado. Você chega em casa e não quer ganhar a
disputa de quem teve o dia mais exaustivo ou estressante, mas entende que o
mais importante é estar bem com aqueles que ama. Você descobre que não precisa
dar lição de moral em ninguém, que não lhe cabe fazer justiça ou provar a todo
custo suas certezas, que não precisa divulgar aos quatro ventos suas decisões
políticas, religiosas ou sociais. Ao contrário, entende que, mais importante
que estar certo, é conseguir preservar seus afetos e suas relações. Você começa
a falar e agir com suavidade, tomando cuidado com a bagagem e o coração do
outro. Você aprende que a gentileza não é afeita a grandes gestos, mas
resultado de delicadezas miúdas, muitas vezes despercebidas, que jamais serão
esquecidas.
Finalmente,
tenho que concordar com a escritora e grande amiga Josie Conti, que escreveu a
melhor definição de gentileza que eu já li: “Gentil é aquele que passa pela
vida do outro, toca-o com leveza e o marca, onde ninguém mais pode ver…”
MOMENTO DE REFLEXÃO
Nove
(ou dez) lugares para ir antes de morrer
Se
você acha que encontrara dicas de destinos maravilhosos pelo planeta afora,
praias paradisíacas, cidades esquecidas, vilarejos charmosos e museus
imperdíveis, errou. Os lugares essenciais ficam mais perto do que se imagina.
Não, necessariamente, na geografia. Sobretudo, afetivamente. Visitá-los confere
certo sentido à vida, garante o caminho pela frente. Duvida?
1.
A maternidade onde você nasceu. É certo que pouca coisa ou quase nada resta do
hospital que lhe recebeu, tempos atrás. Você não reconhecerá, tampouco será
reconhecido por nenhum obstetra e nenhuma enfermeira pelos corredores. Outros
bebês chegarão nesse dia, exatamente como você fez, exceto por um pouco mais de
tecnologia. É a maior prova de que o mundo acerta em suas intermináveis,
cíclicas e inelutáveis voltas.
2.
A escola onde você aprendeu a ler e a escrever, quando era deste tamanhico. Se
o diretor permitir, e se você lembrar, faça o trajeto que sempre fazia, assim
que se despedia da sua mãe no portão. Não se espante se, ao olhar para trás, a
vir acenando para você, com a mesma roupa da foto no porta-retrato que você
olha todo santo dia.
3.
A casa da sua madrinha, se você tiver uma. De preferência, numa visita
desapressada, para um chá com rosquinhas. De preferência, que ela mesma fez. Na
ausência da madrinha, vale outra tia, uma que você nunca mais viu e nem sabe
explicar por que. De preferência, a que você mais gostava de abraçar quando era
criança. E também nem sabia por que.
4.
A vendinha mais antiga do bairro onde você cresceu. Os últimos quinze metros
quadrados poupados pela especulação imobiliária, a única sobrevivente do
quarteirão, o ícone da resistência urbana. Na falta dela, vale a velha
barbearia aonde seu pai ia aos sábados, o bazar com papel contact florido nas
prateleiras onde sua mãe comprava linha de bordar ou a loja de brinquedos onde
você namorava a boneca que andava, o avião de controle remoto. Tirante a
barbearia, não saia sem uma sacolinha, não importa com o quê dentro. Será a sua
melhor compra em anos.
5.
O seu primeiro emprego. Mesmo que o local tenha sido derrubado para dar vez a
um shopping center ou estacionamento. Estar de volta ao solo onde você declarou
sua independência financeira e aprendeu a beber café lhe fará um bem danado.
6.
A casa do seu primeiro amor – mesmo que ele, ou ela, tenha se mudado dali há
décadas. Não precisa tocar a campainha, nem ficar se explicando para o vizinho
que varre a calçada com ares de inquisição, querendo saber o que você faz ali.
Deixe de lado o medo bobo do seu (ou sua) atual não entender; quem não
compreende o primeiro amor alheio não há de ser merecedor de amor algum.
7.
A igreja onde seus pais se casaram. Busque na lembrança todas as fotografias
que viu desse dia e refaça, como se fosse sua dama de honra ou pajem, o caminho
da sua mãe até o altar, onde seu pai a aguardava. Pense que, nesse instante, de
alguma forma, você já existia.
8.
A barraca de churros da feira de sábado. Sem maiores delongas ou adiamentos,
peça logo uns dez. A felicidade tem sabor de açúcar e canela, meu bem.
9.
Não deixe também de visitar o passado, de modo geral. Só para tirar dúvidas e
se certificar de algumas coisas. Resista à tentação de se mudar, ainda que
temporariamente, para lá. Entoe o mantra “Estou só de passagem” e volte, no
primeiro ônibus, ao presente. Mas fique atento: se passar do ponto, irá parar
no futuro.
Que
poderia ser o décimo lugar, mas não é; o futuro não passa de uma quimera
brincalhona e inalcançável. Fiquemos nos nove, mesmo. Já é uma viagem.
(Silmara
Franco)
Um
abençoado dia pra você
E
até que nos encontremos novamente
Que
Deus lhe guarde serenamente
Na
palma de suas mãos.
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