Quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
“Justo quando a lagarta achava que o mundo tinha acabado, ela virou uma borboleta.” (Lamartine)
EVANGELHO DE HOJE
Mc 9,38-40
- O Senhor esteja convosco.
- Ele está no meio de nós.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos
Glória a vós Senhor!
38 E João lhe respondeu, dizendo: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue.
39 Jesus, porém, disse: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim.
40 Porque quem não é contra nós, é por nós.
Palavra da Salvação
Glória a vós Senhor!
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Alexandre Soledade
Bom dia!
A juventude e a pouca experiência de João se destacam nessa narrativa. Mesmo com todo ensinamento de Jesus, João confunde a verdadeira intenção da vinda do seu mestre. Ele não compreende ainda o mover do Espírito Santo sobre os filhos de Deus.
No site das Paulinas existe a seguinte reflexão sobre o fato: “À sua atitude excludente (referindo-se a João), nesta passagem do evangelho, junta-se a sua aspiração aos privilégios quando espera ocupar posição de destaque ao lado de Jesus no caso dele conquistar o poder”.
Ainda perambula em nossas comunidades, igrejas, locais de trabalho a idéia, ou seria melhor dizer ”temor”, a abertura às pessoas, a pensamentos, a novas idéias que fujam do que conhecemos, que sabemos, que defendemos… Um exemplo clássico é aquela velha rixa entre pastorais, movimentos, liturgistas e ritualistas, que temos em nossas comunidades.
Essa tal rixa, movida pela infantilidade de algumas pessoas, coloca correntes e bolas de ferro nos “pés do Espírito Santo” e conseqüentemente na igreja. Pessoas que defendem tanto seu movimento, seu pensamento, sua corrente teológica que esquecem que o Espírito anda por onde ele quer. Que o paráclito é que norteia nossa igreja e não somente esse ou aquele padre, essa ou aquela pastoral…
“(…) A sabedoria comunica a vida a seus filhos e acolhe os que a procuram. Os que a amam, amam a vida; os que a procuram desde manhã cedo, serão repletos de alegria pelo Senhor. Quem a ela se apega, herdará a glória; para onde for, Deus o abençoará. os que a veneram, prestam culto ao Santo; pois Deus ama os que a amam”. (Eclesiástico 4, 12-15)
Fico profundamente chateado quando um membro da igreja, um cristão, um leigo ou sacerdote ao invés de unir as pessoas, agarrado ao seu pensamento filosófico, recheado de preconceitos, segrega pessoas, pastorais e pensamentos aprovados pela igreja. Quantas brigas entre músicos e padres poderiam ser evitadas SE AMBOS ENTENDESSEM que na verdade quem decide é Deus? O que o povo que vai a missa tem haver se o padre não gosta da renovação carismática ou da PJ e resolve dar sermões “provando sua verdade”, se a igreja os ampara e os apóia restando a ele apenas descascar sua infantilidade esquecendo-se de levar a Boa Nova?
Quem salva a nossa vida é Deus e não placa de igreja. Que adianta ser cristão se não amo, não tenho paciência, não ouço, não me abro? Como posso carregar a paz se vivo em conflito com quem esta ao meu lado? Como diria o salmo de hoje “(…) Os que amam vossa lei, têm grande paz”!
Juventude pode até lembrar inexperiência, imprudência, explosões, (…) mas chega uma hora que preciso amadurecer como pessoa e como cristão e parar de assoprar o que o irmão passou o dia inteiro juntando! O próprio evangelista de qual o evangelho narra, precisou crescer para, anos depois, declarar com muita maturidade que Deus é Amor (I João 4,8)!
Uma observação pertinente: nem todo padre esta equivocado em relação aos músicos, pois temos uns irmãos cantores e músicos que infelizmente esquecem o descofiometro em casa quando estão tocando na missa e isso também não ajuda em nada nessa relação. Som alto demais também afasta as pessoas e não é porque gosto ou me identifico que as pessoas têm que agüentar.
Busquemos a maturidade!
Um imenso abraço fraterno!
CURIOSIDADES
O LEGADO DE D. PEDRO II
O legado de Pedro II do Brasil começou a ficar aparente logo depois de sua morte em 1891. Pedro foi o segundo e último monarca do Império do Brasil, cujo reinado de 58 anos de duração entre 1831 e 1889 representou uma época de grande prosperidade e progresso para o país. Apesar de suas realizações, ele foi deposto em um golpe de estado organizado por republicanos insatisfeitos com o regime imperial, apesar de não existir na época desejo por parte da maioria da população brasileira de alterar a forma de governo.
Sua popularidade entre os cidadãos nunca desapareceu e o apoio destes continuou a ser evidente, mesmo nas vésperas de sua deposição e durante seu período de exílio. Pedro era visto como herói, um modelo de cidadão, um monarca carinhoso e a fonte da unidade e bem-estar nacional. Disputas políticas após sua morte impediram que seus restos voltassem para o Brasil, com os esforços para repatriar seu corpo e o de sua esposa a imperatriz Teresa Cristina das Duas Sicílias arrastando-se por décadas. As disputas foram resolvidas no final da década de 1910 e os dois voltaram para o país em 1921 em meio a grandes celebrações. Pedro cresceu gradualmente dentro do Brasil ao longo das décadas para vir a representar o arquetípico governante benevolente, modesto e eficiente que se preocupava apenas com o bem-estar de seu país.
Além da prosperidade e modernização que Pedro deixou ao Brasil, também houve um legado de valores políticos e pessoais. Muitas de suas reformas e realizações tornaram-se tão arraigadas na consciência nacional que acabaram sendo acomodas e adotadas pelos regimes republicanos que se sucederam. Estas formaram a fundação dos ideais democráticos brasileiros. Historiadores amplamente concordam que o reinado de Pedro foi excepcionalmente construtivo e progressista, não apenas benigno. Ele também tem sido consistentemente considerado por acadêmicos como o maior brasileiro da história.
A monarquia brasileira caiu no momento em que havia alcançado o ponto alto de sua popularidade entre a povo, em parte por causa da abolição da escravidão em 13 de maio de 1888. Os brasileiros ficaram indiferentes com os novos heróis impostos pelo novo governo republicano, como por exemplo Tiradentes, e ainda permaneciam apegados ao imperador Pedro II quem eles consideravam um herói. Ele continuou sendo visto como um símbolo nacional, a personificação do Pai do Povo.
Essa visão era ainda mais forte dentre aqueles de descendência africana, que equiparavam a monarquia com sua liberdade. Os afro-brasileiros demonstravam sua lealdade com Pedro de maneiras sutis, como por exemplo tatuando a imagem da Coroa Imperial em seus corpos.
Os anos que se seguiram à deposição da monarquia testemunharam em várias cidades pelo Brasil a propagação de músicas contendo letras que refletiam os sentimentos favoráveis ao imperador. Exemplos incluem: "Sai d. Pedro Segundo/Para o reino de Lisboa./Acabou-se a monarquia/O Brasil ficou à toa." e também a mãe do Deodoro disse:
"Este filho já foi meu, agora tá amaldiçoado de minha parte e de Deus"
O historiador brasileiro Ricardo Henrique Salles argumentou que dentre os "grandes – e poucos – nomes em nossa história que mantém um lugar na imaginação popular, está certamente a figura de Dom Pedro II". O fenômeno do contínuo apoio ao monarca deposto é amplamente creditado à crença geralmente arraigada de que Pedro era um "governante sábio, benevolente, austero e honesto". A visão positiva do imperador e a nostalgia de seu reinado cresceram ainda mais quando o Brasil rapidamente entrou em uma série de crises econômicas e políticas que a população creditou à derrubada do imperador. Ele nunca deixou de ser um herói popular e gradualmente tornaria-se mais uma vez um herói oficial.
Sentimentos surpreendentes de culpa foram manifestados entre os republicanos e eles tornaram-se cada vez mais evidentes com a morte de Pedro durante seu exílio na França em dezembro de 1891. A chegada no Brasil da notícia sobre a morte do imperador "despertou um genuíno sentimento de pesar entre aqueles que, embora não simpatizantes da restauração da monarquia, reconheciam tanto os méritos quanto as realizações de seu finado governante". A derrubada da monarquia ainda estava fresca na lembrança dos brasileiros, a qual se adicionou um sentimento de remorso sobre aquilo que era visto como um exílio injusto seguido por um fim solitário. Alguns republicanos "reconsideravam o longo banimento e ponderavam sobre a severidade da atitude". Até mesmo eles achavam que Pedro merecia um fim melhor, com a nostalgia espalhando-se enquanto esses "começavam a ver na época Imperial um tempo feliz, uma era de ouro, perdida para sempre". Os novos governos começaram a exergar o Império do Brasil com mais tolerância e suas realizações consideráveis foram abertamente reconhecidas. Estava aparecendo "um sentimento de que uma vez houve uma época em que o Brasil era mais respeitável, mais honesto e mais poderoso".
Uma predileção ímpar surgiu em vários políticos republicanos, incluindo aqueles "de alta posição", para "elogiar D. Pedro II e a monarquia". Eles não queriam a restauração, porém acreditavam que a república brasileira poderia aprender com o regime caído. Dessa forma Pedro "se tornava, paradoxalmente, um modelo dos ideais republicanos". Para esses "republicanos, d. Pedro aparecia como o melhor deles; para os monarquistas o elogio era, claro, outro [que o imperador era o melhor dos monarquistas]"
Apelos pela repatriação de seu corpo aumentaram com o passar do tempo depois da morte do imperador. O periódico republicano "A Cidade do Rio" afirmou que o "Brasil é tão largo que não se pode invejar alguns pés escassos de terra para ele" e exigiu:
"Tragam-no de volta"
A Gazeta da Tarde disse que Pedro merecia um funeral oficial em seu próprio país. Afonso Celso de Assis Figueiredo Júnior escreveu em 1895 no "Comércio de São Paulo" que:
"O corpo de D. Pedro não pode continuar a jazer em território estrangeiro".
O poeta Olavo Bilac escreveu em 1906 que: "A pátria reclama seu corpo e ela irá tê-lo"
Uma lei foi proposta em 1906 na Câmara dos Deputados para autorizar a transferência dos corpos de Pedro e sua esposa Teresa Cristina das Duas Sicílias de volta ao Brasil. Apesar dela ter recebido o apoio de antigos republicanos, a proposta foi arquivada devido à pré-condição imposta por Isabel, Princesa Imperial e herdeira do imperador, que isso só fosse permitido caso o banimento de toda a família imperial também fosse revogado. A inauguração de uma estátua de Pedro em Petrópolis no dia 5 de fevereiro de 1911 teve a presença de mais de 1500 pessoas, incluindo membros do governo federal. Várias estátuas do monarca foram erguidas pelo país nos anos seguintes. Na mesma época foi publicado um manifesto escrito por Lafayette Rodrigues Pereira, João Alfredo Correia de Oliveira e Afonso Celso de Assis Figueiredo, Visconde de Ouro Preto, todos ex-Presidentes do Conselho de Ministros do império, que declaravam:
"Dado o amor que os Brasileiros tem por seus soberanos, nós concordamos no retorno dos restos veneráveis de volta de São Vicente de Fora [localização do Panteão da Dinastia de Bragança em Portugal, onde Pedro e Teresa Cristina foram originalmente enterrados]"
Um novo projeto de lei que revogava o banimento de toda a família imperial foi debatido na câmara em 1913. O deputado republicano Irineu Machado alegou que "objeções fúteis" estavam sendo levantadas para negar "justiça para a memória do imperador". Outro deputado, Martim Francisco Ribeiro de Andrada, afirmou que:
"D. Pedro II partiu pobre, deixando o país rico; é uma injustiça que aqueles que são ricos e deixam o país empobrecido sejam contra"
O deputado Pedro Moacir acreditava que o retorno dos restos representaria:
"a gratitude perpétua da posteridade para o mais clemente, o mais tolerante de todos os monarcas de seu tempo".
Maurício Paiva de Lacerda disse que: "Agora os traços de seu legado político – honestidade – estão desaparecendo".
Entretanto, a proposta foi rejeitada no Senado pela intervenção do caudilho e republicano radical José Gomes Pinheiro Machado. O discurso mais famoso em homenagem a Pedro foi realizado em 1914 pelo senador Rui Barbosa, o último líder ainda vivo do golpe de 1889 e justamente a pessoa que ordenou seu banimento:
"A falta de justiça, Srs. Senadores, é o grande mal da nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação. [...] De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. Essa foi a obra da República nos últimos anos. No outro regime [a Monarquia], o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante [Pedro II], de cuja severidade todos se temiam e que, acesa no alto, guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade"
A campanha finalmente alcançou o presidente Venceslau Brás em 1916, que concordou com o retorno dos corpos e a revogação do banimento, porém decidiu esperar pelo fim da Primeira Guerra Mundial para aprovar oficialmente o ato. Seu sucessor Epitácio Pessoa assinou a lei em 3 de setembro de 1920 usando uma pena dourada feita pela Associação Brasileira de Imprensa, encerrando o banimento da família imperial e permitindo a repatriação de Pedro e Teresa Cristina. Barbosa afirmou que:
"Aqueles que criaram a república federal não tem reivindicações contra as cinzas do antigo imperador, cujas virtudes eram muito maiores que suas falhas".
Ele conclui dizendo que:
"Portanto, na galeria republicana há um lugar apropriado, e um grande, para D. Pedro II"
O navio couraçado "São Paulo" transportou os caixões imperiais de volta ao Brasil em janeiro de 1921. O governo republicano português deu ao imperador e a imperatriz uma exumação com dignidades condizentes com um chefe de estado, com os dois recebendo as mesmas honras ao chegarem no Brasil. O príncipe Gastão, Conde d'Eu, acompanhou os restos de seus sogros junto com seu único filho ainda vivo Pedro de Alcântara, Príncipe do Grão-Pará. Sua esposa Isabel ficou na França por estar muito idosa e doente para participar das cerimônias. Ela acabou morrendo no ano seguinte sem nunca rever seu país natal novamente. O presidente Artur Bernardes declarou um feriado nacional e o retorno de Pedro e Teresa Cristina foi celebrado por toda a nação.
Comparecendo à principal cerimônia no Rio de Janeiro estava o conselheiro Antônio da Silva Prado, o último ministro do império ainda vivo, que havia viajado de São Paulo. Centenas de pessoas foram ao evento. "Os velhos choravam. Muitos ajoelhavam-se. Todos batiam palmas. Não se distinguiam mais republicanos e monárquicos. Eram todos brasileiros". Isso marcou a reconciliação da república brasileira com seu passado monárquico. Entretanto, a "recondução oficial da figura de d. Pedro como herói nacional se daria mesmo em 1922, quando se preparava uma grande festa de comemoração do centenário da Independência do Brasil", durante a qual o imperador foi amplamente aclamado.
Os brasileiros celebraram espontaneamente o centenário do próprio Pedro três anos depois. Houve uma clara "desproporção entre o entusiasmo gerado pelas festividades em torno do natalício de d. Pedro e o pouco-caso pelo aniversário da República, que completava, então, 36 anos". Bernardes reconheceu a popularidade do monarca e afirmou que ele não negaria "a justiça que se lhe deve. Ele amou o Brasil e enquanto teve forças e energia procurou servi-lo rodeando-se dos melhores elementos de época". Pedro mais uma vez tornou-se o "Pai da Pátria" ou "Pai da Nação".
Seu corpo e o de Teresa Cristina foram temporariamente deixados na Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo no Rio de Janeiro até a finalização da construção da Catedral de São Pedro de Alcântara em Petrópolis. O enterro final ocorreu em 5 de dezembro de 1939, aniversário de 114 anos de Pedro, quando o presidente Getúlio Vargas aproveitou a cerimônia como uma oportunidade de beneficiar sua própria popularidade (da mesma forma como Benito Mussolini havia feito com o enterro de Anita Garibaldi em 1932). Vargas dedicou a capela funerária na catedral onde os restos mortais do imperador e da imperatriz foram enterrados e onde permanecem até hoje.
Muitas das profundas transformações alcançadas durante o reinado de Pedro sobreviveriam sua deposição e também sua morte. Foram permitidos o florescimento de conceitos como um sistema político representativo e o paradigma de cidadania que tornaram-se arraigados sob o império, tanto que eles sobreviveram "nos três regimes subsequentes – a República Velha (1889–1930), a Era Vargas (1930–45) e a República Liberal (1945–64)". O conceito de uma nação-estado como imaginado por Pedro no século XIX foi até mesmo apropriado pelos militares que tomaram o poder em 1964. Apesar desse conceito ter começado a mudar na década de 1980, ele ainda permanece. No começo do século XXI, "Seu nome é amplamente empregado para evocar tanto os valores tradicionais quanto a herança nacional. Sua imagem confere respeitabilidade, dignidade e integridade a qualquer evento ou instituição que a utilize".
(REFERENCIAS)
- Carvalho, José Murilo de (1987). Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi 2ª ed.
- Salles, Ricardo Henrique (1996). Nostalgia Imperial: escravidão e formação da identidade nacional no Brasil do Segundo Reinado.
- Markun, Paulo (2000). Anita Garibaldi: uma heroína brasileira 4ª ed.
- Viana, Hélio (1994). História do Brasil: período colonial, monarquia e república
- Skidmore, Thomas E. (2003). Uma História do Brasil. São Paulo: Paz e Terra.
- Calmon, Pedro (2002). História da Civilização Brasileira. Brasília: Senado Federal.
- Carvalho, José Murilo de (2007). D. Pedro II: ser ou não ser
- Vasquez, Pedro Karp (2007). Nos trilhos do progresso: A ferrovia no Brasil imperial vista pela fotografia
- Calmon, Pedro (1975). História de D. Pedro II
- Martins, Luis (2008). O patriarca e o bacharel
MOMENTO DE REFLEXÃO
“Proponho que a Senhora ‘X’ seja excluída de nosso grupo.”
Certa vez, em nossa reunião de senhoras, algumas das irmãs começaram a fazer comentários acerca de uma outra, que se achava ausente no momento. Mencionaram que ela andava muito irritadiça ultimamente, e que faltava às reuniões, e também se tornara autoritária.
Não demorou muito, e estávamos no meio de um grande festival de mexericos. Sendo presidente, pedi silêncio na reunião, determinei a leitura das atas e perguntei se havia algum outro assunto a ser debatido. Fiquei muito espantada, pois uma irmã logo disse:
— Proponho que a Sra. X seja excluída de nosso grupo, pois ela se tornou uma pessoa muito problemática e autoritária.
Várias senhoras apoiaram a proposta. Eu e a esposa do pastor nos entreolhamos. Percebi que ela também não estava satisfeita com aquilo. “Ó Deus”, orei silenciosamente, “ajuda-nos a sair dessa situação terrível.”
Aí, então, a esposa do pastor tomou a palavra e disse firmemente:
— Está bem, irmãs, antes de tomarmos uma atitude da qual venhamos a nos arrepender mais tarde, quero pedir que todas nos demos as mãos, e cada uma diga uma coisa positiva com relação à Sra. X. E se alguém não tiver nada de bom para dizer, então que faça uma breve oração em seu favor.
E uma a uma as irmãs começaram a falar.
— Senhor, disse a primeira, tu sabes que aquele casal está enfrentando problemas conjugais. Ajuda-nos a sermos mais compreensivas, entendendo melhor a razão por que ela tem estado sempre tão irritada.
E outra disse:
— Senhor, perdoa-nos por havermos esquecido que ela nunca recusa uma tarefa difícil, nem se nega a trabalhar numa comissão, mesmo que se trate de um trabalho longo e penoso.
— E eu me esqueci, disse uma terceira, de que quando meu marido esteve internado, faz alguns anos, ela veio cuidar de minha casa e de meus filhos, para que eu pudesse visitá-lo diariamente.
— Senhor, disse uma outra irmã, há momentos em que precisamos da presença de uma pessoa autoritária para tomar a frente das coisas, e nos fazer agir, e fazer o trabalho caminhar na direção certa. Damos-te graças, Senhor, por teres mandado a Sra. X para este lugar.
Quando já estávamos pelo meio do círculo, todas nós chorávamos.
E a Sra. X? Após conseguir resolver seus problemas conjugais, ela teve oportunidade de utilizar seus valiosos talentos como obreira da igreja, a nível nacional. E hoje ela ocupa um importante cargo de liderança e administração.
- Pat Sullivan, Conte Comigo Deus.
UM ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ...
E até que nos encontremos novamente,
que Deus lhe guarde serenamente
na palma de Suas mãos.
Parabéns pela sua meditação sobre a leitura do evangelho. Infelizmente isso acontece muito em nossas igrejas essa disputa de quem é o melhor.Temos que pedir sempre ao Espírito Santo o dom da sabedoria e do discernimento.
ResponderExcluirAbraços.
Fiquem com Deus.