Sexta-feira, 30 de abril de 2021
"A maior ignorância é a que não sabe e crê saber, pois dá origem a
todos os erros que cometemos com nossa inteligência." Sócrates
EVANGELHO DE HOJE
Jo 14,1-6
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João
— Glória a vós, Senhor!
"Não se perturbe o vosso coração! Credes em Deus, crede também em
mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fosse assim, eu vos teria dito.
Vou preparar um lugar para vós. E depois que eu tiver ido e preparado um lugar
para vós, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver,
estejais vós também. E para onde eu vou, conheceis o caminho". Tomé disse:
"Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o
caminho?" Jesus respondeu: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Ninguém vai ao Pai senão por mim.
Palavra da Salvação
Glória a vós Senhor
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Pe. Antônio Queiroz CSsR
Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Este Evangelho é de fundamental importância para nós, porque nele Jesus
nos fala do céu. E, diante da pergunta do Apóstolo Tomé sobre qual é o caminho
para chegar, Jesus fala: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.
Não é possível nós conhecermos a vida futura, pois é outra realidade
diferente da nossa, e os dois “mundos” – este nosso mundo material e o mundo
futuro – são incomunicáveis. Mas não precisamos nos preocupar com isso, porque
Jesus, que pertenceu a este mundo material, é o caminho para chegarmos ao
outro.
Essas três qualidades de Jesus – caminho, verdade e vida – estão
interligadas. Quem segue a Jesus (caminho), é porque acredita nele (verdade);
por isso recebe a vida em plenitude, a vida plenamente feliz e que nunca
termina.
O importante não é estar com Jesus, mas caminhar com ele. Também não
basta conhecê-lo, saber quem ele é, e acreditar nele; isso a maioria das
pessoas fazem: conhecem a Jesus e acreditam nele. O importante é segui-lo como
o nosso caminho.
Nesta caminhada com Jesus, se alguém pensar que já chegou é sinal que
não está no caminho dele, pois só chegaremos na hora da nossa morte. Neste
vida, somos sempre “caminheiros que marcham para o céu”.
Na parábola do fariseu e do publicano, o fariseu dizia: eu faço isso e
mais aquilo, foi reprovado porque pensava que era perfeito. Já o publicano que
batia no peito e dizia: “Meu Deus, tem compaixão de mim, que sou pecador!”
mostrou que estava com Deus e foi aprovado, porque se julgava “caminheiro”.
O caminho, que é Jesus, é vasto e abrangente. Passa pela vida de oração,
de Comunidade, pela vida em família, passa pela obediência aos mandamentos e
até pela participação política. É um caminho às vezes íngreme, mas possível e
doce como o mel.
"Aquele que ama conhece a Deus" (1Jo 4,7. Quem obedece aos
mandamentos – aqui resumidos na palavra amor – e segue Jesus como o seu
caminho, vai acabar conhecendo a Deus (verdade) e aurindo a sua vida, que é
inesgotável.
Tudo o que se diz no mundo, só é verdade se estiver de acordo com o que
Jesus viveu e ensinou. O resto é tudo mentira, falsidade e engano. Ele é a
verdade, não uma das verdades.
Jesus e o Pai são um só. Quem segue a Jesus recebe nasce de novo,
recebendo uma vida nova. É uma vida que vai crescendo sempre e não é
interrompida por nada, nem pela morte. Só o pecado pode interrompê-la.
Jesus falou várias vezes que a mentira leva à morte e a verdade leva à
vida. Portanto, é fácil saber onde está a verdade: é onde se promove protege a
vida, em seus vários níveis: vegetal, animal, humana e divina. E é fácil também
saber onde está a mentira: é onde se destrói a vida.
Quem tem Jesus como o seu caminho, verdade e vida, torna-se fonte de
vida para os outros. “Aproximemo-nos do Senhor, pedra viva... Do mesmo modo
também vós, como pedras vivas...” (1Pd 2,4). Jesus é a pedra viva da casa de
Deus, e quer que sejamos também.
“Quem acredita em mim, fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores,
porque eu vou para o Pai” (Jo 14,12). No entanto, sabemos que o caminho de
Jesus é um caminho de cruz. Ninguém consegue segui-lo, vivendo em sombra e água
fresca. Quanta gente busca Jesus fora da sua Igreja, porque quer entrar no céu
pela “porta larga”!
Quando Adão e Eva pecaram e foram expulsos do paraíso, a porta do
paraíso foi fechada, e ninguém mais conseguiu entrar. Jesus veio, tornou-se um
de nós, pagou por nós o pecado e entrou no paraíso. Por isso ele é o nosso
único caminho.
“Vou preparar um lugar para vós.” O céu é o nosso destino natural. Foi
para lá que Deus nos criou, e todos já temos lá o nosso lugar preparado por
Cristo. “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”
(S. Paulo). Deus é nosso Pai amoroso, e nos quer todos eternamente junto dele
no céu.
“Eu vi um novo céu e uma nova terra... Então ouvi uma voz forte que
dizia: Esta é a morada de Deus com os homens. Ele enxugará toda lágrima dos
seus olhos. A morte não existirá e não haverá mais luto nem dor. E Deus disse:
Eis que faço novas todas as coisas. A quem tiver sede eu darei da fonte da água
viva. Esta será a herança do vencedor. Eu serei o seu Deus e ele será meu
filho. Em seguida eu vi a cidade santa, a Jerusalém celeste. Ela não precisa de
sol nem de lua que a iluminem, pois a glória de Deus é a sua luz e a sua
lâmpada é o Cordeiro. A sua porta não precisa ser fechada e nunca entrará nela
o que é impuro nem alguém que pratique a abominação e a mentira. Entrarão nela
somente os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro” (Cf Ap 21,1-27). E
o próprio Jesus falou: “Os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai” (Mt
13,43).
“Os sofrimentos do tempo presente não tem proporção com a glória que há
de ser revelada em nós. Toda a criação espera ansiosamente a revelação dos
filhos de Deus. Pois a criação foi sujeita ao que é vão e ilusório, não por seu
querer, mas por dependência daquele que a sujeitou. Também a própria criação
espera ser libertada da escravidão da corrupção, em vista da libertação que é a
glória dos filhos de Deus. Com efeito, sabemos que toda a criação, até o
presente, está gemendo como que em dores de parto, e não somente ela, mas
também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nosso íntimo,
esperando a condição filial, a redenção de nosso corpo. Aquilo que se tem
diante dos olhos não é objeto de esperança. Como se pode esperar o que está
vendo? Mas se esperamos o que não vemos, é porque aguardamos na perseverança”
(Rm 8,18ss). S. Paulo fala isso para nos animar na fidelidade a Deus em meio às
lutas desta vida.
“Tomé disse a Jesus: Senhor, nós não sabemos para onde vais.” Não
sabemos como é o céu, pois ele pertence ao mundo espiritual e nós estamos no
mundo material, e esses dois mundos são incomunicáveis. Mas não precisamos
saber como é o mundo futuro. Basta seguirmos a Jesus, que é o caminho para lá.
“Para onde eu vou, vós conheceis o caminho... Eu sou o caminho, a verdade e a
vida”.
O céu, numa explicação simples, é a vida após a morte junto com Deus e
com a sua e nossa família que são os anjos e os santos. “Olhos humanos jamais
viram, nem ouvidos ouviram, nem coração algum jamais pressentiu o que Deus
preparou para os que o amam” (1Cor 2,9).
Refletindo sobre as maravilhas que Deus preparou para nós no céu, S.
Paulo fala aos filipenses: “Para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro. Se,
continuando na vida corporal, eu posso produzir um trabalho fecundo, então já
não sei o que escolher. Estou num grande dilema: Por um lado, desejo
ardentemente partir para estar com Cristo, o que para mim é muito melhor. Por
outro lado, parece mais necessário para o vosso bem que eu continue a viver
neste mundo. Certo disso, sei que vou permanecer e continuar convosco, para o
vosso progresso e alegria da fé” (Fl 1,21-25). Nessa passagem, S. Paulo resume
o nosso sentimento diante da vida futura: Olhando para nós, seria melhor morrer
logo e ir para o céu. Mas, olhando para a nossa família e a nossa Comunidade, é
melhor permanecermos ainda um tempo na terra, para ajudá-los e para fazer o
bem. Mas isso são apenas sentimentos, porque a escolha não é nossa, e sim de
Deus. “A mim pertence a vida”, disse ele. Não escolhemos o dia de nascer, não
vamos escolher também o dia de morrer. Cabe a nós, cada dia que amanhece,
agradecer a Deus a graça de vermos novamente a luz do dia, e procurar viver bem
aquele dia.
“O Senhor dará nesta montanha um banquete de carnes gordas e vinhos
finos. Nesta montanha ele vai destruir o véu que envolvia os povos. Vai acabar
com a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces”
(Is 25,6-8). Essa referência ao banquete é uma comparação, pois no céu o nosso
corpo será glorificado e não precisaremos comer. O que o texto quer mostrar é
que o céu é um lugar muito gostoso. É como um banquete. Tudo o que é bom, feliz
e gostoso aqui na terra, existe lá no céu, e lá é muito melhor.
Se as coisas feitas por Deus neste mundo material, que é passageiro, são
tão sábias, belas e carregadas de amor, quanto mais o céu! “São vãs por
natureza todas essas pessoas nas quais não há o conhecimento de Deus.
Porquanto, partindo dos bens visíveis, não foram capazes de conhecer aquele que
é, nem tampouco, pela consideração das obras, chegar a conhecer o artífice” (Sb
13,1).
Certa vez, um homem perdeu um saco de moedas. Ele ficou desesperado e
percorreu a vizinhança toda dizendo: “Se alguém achar um saco de moedas, é
meu”.
Horas depois, um rapaz o procurou com o saco de moedas nas mãos. O homem
olhou e viu logo: é esse mesmo. E ele sabia quantas moedas havia dentro do
saco: quatrocentas moedas. Mas o homem pensou consigo: vou dizer que havia
quinhentas, assim fico livre de dar uma gorjeta para este moço.
Pegou o saco e disse: “Muito obrigado! Você encontrou o meu saco de
moedas! Vou contar para ver se estão todas aqui. Havia quinhentas moedas neste
saco”. Contou e só encontrou quatrocentas. Então disse ao rapaz: “Não há
problema. O importante é que você achou. Muito obrigado!” O rapaz saiu dali,
mas logo pensou: Passei por ladrão! O meu nome é limpo aqui no bairro, e logo
todo mundo vai ficar sabendo disso e pensar que fiquei com cem moedas!
Então foi ao juiz e expôs o caso. O juiz mandou chamar o homem que ficou
com o saco de moedas, e mandou que as trouxesse. O homem veio e o juiz lhe
perguntou: “Quantas moedas havia no saco que o senhor perdeu? Ela respondeu:
“Quinhentas”. “E quantas estavam neste saco que o rapaz lhe entregou?”
perguntou o juiz. Ele respondeu: “Quatrocentas”. “Então não é o seu” – disse o
juiz – “pode devolver ao moço o saco de moedas; quando aparecer o dono, ele o
entregará”.
Jesus é a verdade, e quem quer segui-lo deve também dizer sempre a
verdade. O mentiroso acaba se dando mal. O melhor é administrar bem as nossas
moedas aqui da terra para, com elas, ganhar a grande moeda que é o céu.
Que Maria Santíssima nos ajude a assumir o seu Filho como o nosso
caminho, verdade e vida. E, já que ela é a Rainha do céu, que nos ajude a
chegar lá também.
Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
MOMENTO DE REFLEXÃO
(...)
Tudo o que existe precisa dormir. O simples existir cansa. A se acreditar nos
poetas e nas crianças, até mesmo as coisas.
Minha
filha de quatro anos, olhando os vales e montanhas que se perdiam de vista nos
horizontes de Campos do Jordão, fez-me essa pergunta metafísica: “Papai, as
coisas não se cansam de serem coisas?’
Fernando
Pessoa teve suspeita semelhante e escreveu: “Tenho dó das estrelas luzindo há
tanto tempo, há tanto tempo... Tenho dó
delas. Não haverá um cansaço das coisas, de todas as coisas, como das pernas ou
de um braço? Um cansaço de existir, de ser, só de ser, o ser triste, brilhar ou
sorrir..”
Ele,
poeta, estava cansado. Olhava para as estrelas que luziam havia tanto tempo e
tinha dó delas. Elas deveriam estar muito cansadas. Suas pálpebras jamais se
fechavam. Seus olhos estavam sempre abertos, sem poder dormir jamais...
Pergunto-me
então se não haverá um simples cansaço de viver. Será que não chega o momento
em que a vida diz, das profundezas do seu ser, como um pedido de socorro aos
que entendem sua fala:
“Estou
cansada. Quero dormir o grande sono...?”
Os
especialistas na arte da tortura descobriram que uma das técnicas mais eficazes
e discretas para se obter a confissão de um torturado era a de impedir que ele
dormisse. Assentando numa poltrona confortável, o prisioneiro espera. O tempo
passa em silêncio, sem interrogatório. Vem o sono. As pálpebras pesam e querem
se fechar. Mas alguém que o vigia o sacode para impedir que ele durma. E assim
o tempo vai passando. O desejo de dormir vai crescendo, as pálpebras pesam até
um ponto insuportável. Nesse momento, a necessidade de dormir é tão terrível
que o prisioneiro está pronto para confessar qualquer coisa só para poder
dormir.
Foi
coisa parecida que fizeram com a Eluana Englaro, mulher italiana com 38 anos de
idade, dos quais 17 em vida vegetativa. Seu sono sem despertar dizia que ela
desejava dormir. Mas os torturadores, a ciência, as leis e a religião lhe
negavam esse direito. Obrigavam-na a continuar viva contra a vontade do seu
corpo, que ansiava pelo grande sono. Ligaram seu corpo a máquinas que impediam
que ela dormisse. Vivia mecanicamente.
Finalmente
o direito de dormir lhe foi concedido. Fantasio que ela dormiu como uma
criança, ouvindo a berceuse de Brahms.
“Folha de S.Paulo”, 17 de fevereiro de 2009.
UM
ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ...
E até que
nos encontremos novamente,
que Deus
lhe guarde serenamente
na palma
de Suas mãos.
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