Domingo, 25 de abril de 2021
“Com muita loucura, ou pouca. Tem uma grande verdade. Ninguém pode
torná-lo infeliz sem o seu consentimento.”
EVANGELHO DE HOJE
Jo 10,11-18
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João
— Glória a vós, Senhor!
"Eu
sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. O assalariado, que
não é pastor e a quem as ovelhas não pertencem, vê o lobo chegar e foge; e o
lobo as ataca e as dispersa. Por ser apenas um assalariado, ele não se importa
com as ovelhas. Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e elas me
conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou minha vida
pelas ovelhas. Tenho ainda outras ovelhas, que não são deste redil; também a
essas devo conduzir, e elas escutarão a minha voz, e haverá um só rebanho e um
só pastor. É por isso que o Pai me ama: porque dou a minha vida. E assim, eu a
recebo de novo. Ninguém me tira a vida, mas eu a dou por própria vontade. Eu
tenho poder de dá-la, como tenho poder de recebê-la de novo. Tal é o encargo
que recebi do meu Pai".
Palavra da Salvação
Glória a vós Senhor
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Pe. Antônio Queiroz CSsR
O bom pastor dá a vida por suas ovelhas.
Hoje, o quarto domingo da Páscoa, chamado o Domingo do Bom Pastor, nós
celebramos o Dia Mundial de Oração pelas Vocações Sacerdotais e Religiosas. No
Evangelho, Jesus se apresenta como o Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas.
A parábola está dividida em três partes, e continua amanhã e depois.
A comparação é muito viva, porque seus ouvintes eram, na maioria,
pastores. Jesus é o nosso Bom Pastor e nós somos as suas ovelhas. Ele cuida de
nós com carinho, inclusive carregando nas costas as ovelhas que se afastam do
rebanho (Lc 15,1-10). Deus ama você por inteiro, isto é, com as suas falhas e
tudo. Por isso que ele vai atrás de você, quando você peca. Não só vai atrás mas,
com carinho põe você nas costas e traz de volta para o rebanho. Como é bom
sabermos disso! Faz-nos felizes e alegres, em meio às lutas da vida.
“O mercenário, quando vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e foge, e o
lobo as ataca e devora. Pois ele é apenas mercenário e não se importa com as
ovelhas.” Nós cristãos nos preocupamos com as ovelhas desgarradas, que estão à
mercê dos mercenários, pessoas que têm outros interesses que não são o bem das
ovelhas. Queremos trazer todas para o rebanho do Bom Pastor, pois assim elas
estarão protegidas e se salvarão.
Redil é o curral de ovelhas. Ele geralmente é grande e cabem muitos
rebanhos, que passam a noite juntos para se defenderem dos animais predadores.
Quando começa o dia, é só o pastor chamar que as suas ovelhas vêm.
“Conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem.” Deus nos deu um dom,
chamado “sensus fidelium”. A tradução literal é: O sentido dos fiéis. São
Clemente traduzia esse dom chamando-o de “nariz católico”: Os cristãos têm um
“faro” pelo qual percebem se uma pessoa está falando em nome da Igreja de Jesus
Cristo, ou não.
“Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil: também a elas devo
conduzir.” “Jesus viu uma grande multidão e encheu-se de compaixão por eles,
porque eram como ovelhas que não têm pastor” (Mc 6,34). Era por isso que Jesus
não parava, vivia pregando a Palavra de Deus, curando os doentes e fazendo todo
tipo de bem ao povo. Ele sabia que o povo está sujeito a milhares de
mercenários e de lobos, que não se interessam pelas ovelhas e querem apenas
aproveitar-se delas.
Nesta parábola do Bom Pastor, Jesus vê a sociedade divida em quatro
grupos: 1) As ovelhas, isto é, o povo em geral. 2) Os lobos são os exploradores
do povo. 3) Os mercenários são aqueles que só cumprem o que está mandado, pensando
não no povo, mas no seu salário ou nos seus interesses. 4) E felizmente existem
os bons pastores que continuam o trabalho de Jesus, cuidando bem das ovelhas e
indo atrás das ovelhas afastadas. Pena que estes são poucos! “A colheita é
grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que
envie trabalhadores para sua colheita!” (Mt 9,37-38). O desejo de Jesus é que
haja “um só rebanho e um só pastor”. Este é também o nosso desejo e a nossa
luta.
Certa vez, Jesus estava andando com os Apóstolos e anoiteceu. Noite
muito escura, de modo que não podiam mais andar. Pedro foi até uma casa e
bateu. Veio o dono da casa e ele lhe disse: “A gente queria um pouso. É
possível?” O homem falou: “Sim. Nós damos um jeito”. Pedro ficou meio sem graça
e disse: “Acontece que eu não estou sozinho. Há mais doze ali na estrada”. O
homem assustou-se, mas pensou um pouco, conversou com a esposa e respondeu:
“Mande-os entrar aqui. A gente dá um jeito”. Pedro chamou o grupo, eles
entraram e lavaram os pés enquanto a dona da casa preparava algo para comerem.
Eles comeram e foram dormir. No outro dia, agradeceram e foram embora.
Muitos anos se passaram e aquele dono da casa morreu. Quando foi
chegando à porta do céu, encontrou doze parentes seus que estavam tristes,
porque S. Pedro não os havia deixado entrar. Disse-lhes que o lugar deles era o
inferno. Então falaram para o homem que acabava de chegar: “A gente estava
esperando você, porque sabíamos que você vinha logo. Converse lá, dê um jeito”.
O homem aproximou-se da porta, S. Pedro olhou a ficha dele e disse: “Sua
ficha é pesada. Seu lugar seria o inferno. Mas você acolhia os peregrinos. E,
como Jesus disse: ‘Eu era peregrino e me acolheste, por isso venha para o
Reino’, você está admitido. Pode entrar”.
Nesta hora o homem falou: “Mas eu não estou sozinho. Tenho mais doze ali
atrás!” Pedro olhou bem para ele e se lembrou da hospedagem lá na terra.
Emocionado, usou a mesma frase que o homem havia usado para ele: “Pode chamar
todos eles; a gente dá um jeito”. Assim todos entraram no céu e fizeram a
festa, a festa que não tem mais fim.
Os peregrinos são como ovelhas desgarradas. Precisamos acolhê-los.
Neste Dia Mundial de Oração pelas Vocações Sacerdotais e Religiosas,
peçamos a Maria Santíssima, a Mãe da Igreja, que interceda por nós junto do seu
Filho, para que tenhamos muitas e santas vocações!
O bom pastor dá a vida por suas ovelhas.
MOMENTO DE REFLEXÃO
Muitas
pessoas na vida são acometidas por uma doença muito grave chamada
"Síndorme do Estrelismo".
Duas
grandes ilusões acompanham os portadores desta síndorme. Primeiramente, pensam
que têm brilho próprio. Em segundo lugar, pensam que o seu brilho dura para
sempre.
Toda
estrela vive a ilusão do brilho próprio, e pensa que brilha por si mesma; logo
imagina também que se basta a si mesma. É o complexo de superioridade, sempre
acompanhado de alguns sintomas muito conhecidos, tais como presunção,
arrogância, soberba, orgulho e vaidade.
Geralmente
esse tipo de luz se apaga muito rapidamente e, pior ainda, quando cair, a queda
é muito grande. Neste mundo de DEUS ninguém tem brilho próprio. As noites
enluaradas nada mais são do que reflexo do brilho do sol sobre a lua. O sol
brilha e a lua resplandece.
Se
na própria natureza percebemos o valor da interdependência, da justa cooperação
para a beleza maior do universo, também isso é verdadeiro no plano da vivência
humana.
Quando
resplandecemos, alguém está nos emprestando o seu brilho. Quem pensa que brilha
sozinho, vive uma grande ilusão e usurpa uma luz que não lhe pertence. Nossas
vitórias e conquistas trazem o reflexo de muitos brilhos e do brilho de muitos,
e que, mesmo no anonimato, ainda assim são mais importantes do que imaginamos.
Uma outra grande ilusão do portador da síndrome do estrelismo é imaginar que
vai brilhar para sempre. É o complexo de eternidade adoecendo a vida de alguns
pobres mortais. Nesta vida nada é para sempre !
Existem
pessoas que não podem conquistar alguns espaços sociais, especialmente no
exercício do poder e de influência (políticos, religiosos, artistas,
intelectuais, etc.), pois imaginam-se astros-reis, brilhando numa constelação
de míseros vaga-lumes. Tais pessoas esquecem que a vida terrena é muito
efêmera, e que as marcas desta efemeridade estão presentes em toda nossa
existência. Tudo na vida é ilusório. O rei Salomão disse: “Tudo é vaidade !”
Isso vale, também, para os que se imaginam intocáveis e eternos. Neste novo
milênio, seremos todos desafiados a buscar a cooperação mútua, o intercâmbio
constante e o reconhecimento de que não somos estrelas isoladas, mas membros de
uma grande constelação, onde o brilho de todos é também reflexo do brilho de
cada um. Precisamos deixar que os outros brilhem, pois muitas vezes, quando
alguém lança uma luz sobre nosso caminho, aponta-nos o abismo onde iríamos
cair. Estrela não tem luz própria. A glória do universo é apenas um pequeno
reflexo da luz maior que provém de DEUS, e todos nós somos fagulhas de DEUS.
Quando pensamos que estamos brilhando, é
ELE quem nos empresta a Sua luz.
UM
ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ...
E até que
nos encontremos novamente,
que Deus
lhe guarde serenamente
na palma
de Suas mãos.
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