quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Quarta-feira 03/11/2021

 Quarta-feira, 03 de novembro de 2021

 

"Computadores não servem para nada. Só sabem dar respostas." (Pablo Picasso)

 

 

EVANGELHO DE HOJE

Lc 14,25-33

 

 

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Lucas

— Glória a vós, Senhor!

                                                                             

 

Grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando- se, ele lhes disse: “Se alguém vem a mim, mas não me prefere a seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs, e até à sua própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não carrega sua cruz e não caminha após mim, não pode ser meu discípulo. De fato, se algum de vós quer construir uma torre, não se senta primeiro para calcular os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, ele vai pôr o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a zombar: ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!’. Ou ainda: um rei que sai à guerra contra um outro não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? Se ele vê que não pode, envia uma delegação, enquanto o outro ainda está longe, para negociar as condições de paz. Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!”.

 

 

 

Palavra da Salvação

Glória a vós Senhor

 

 

 

 

MEDITAÇÃO DO EVANGELHO

Padre Antonio Queiroz

 

Pe. Antônio Queiroz CSsR

 

Qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!

Neste Evangelho, Jesus nos previne: “Qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!” E ele cita algumas coisas: se não renunciar pai, mãe, esposa, marido, filhos, irmãos ou irmãs... e até a própria vida, não pode ser discípulo dele.

É um alerta que ele faz. “Rapadura é doce mas não é mole.” Ser discípulo ou discípula de Jesus é bom, tem vantagens, mas não é fácil.

Jesus começa citando os parentes, porque entre eles podemos encontrar alguém da turma do “deixa disso”, e nós não podemos dar ouvidos, mesmo que seja pai, mãe, esposa, marido...

E há muitos outros obstáculos; por isso que Jesus resume com a expressão “renunciar a tudo”.

E há situações em que o cristão, movido pela fé e pela confiança em Deus, arrisca a própria vida. Foi o caso dos mártires.

“Quem não carrega a sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo.” Não caminhar na frente ou ao lado dele, mas atrás, isto é, seguir a Jesus sem tentar mudar o seu Evangelho. As seitas são exatamente a busca de um caminho mais fácil para seguir a Jesus.

As duas parábolas são uma chamada de atenção a nós para a responsabilidade. Assim como não é bom nem bonito começar uma coisa sem ter condições de terminar, o mesmo acontece com a vida cristã, o seguimento de Jesus. Jesus nos deixou todos os meios e recursos para levar até o fim esse caminho, mas se alguém não está disposto nem a usar esses recursos, é preferível não começar a segui-lo. Fazer como o jovem rico: virar as costas e ir embora.

O exemplo da torre, que hoje seria um prédio muito alto e caro, seria uma enorme imprudência começar a obra e pará-la no meio. O sol e a chuva vão estragar tudo e o prejuízo será enorme. O certo, diz Jesus, é planejar bem os gastos antes, para ter condições de terminar a obra. Do contrário, nem começar, porque assim evita as caçoadas dos outros.

Outro exemplo pior ainda é o da guerra. Se prevê que não vai vencer o inimigo, é mil vezes melhor fazer um acordo com ele, estabelecendo as condições de paz. Porque depois de uma guerra, a parte derrotada perde tudo mesmo, até o povo.

A torre e a guerra são dois exemplos de empreendimento difíceis, que só devemos começar se temos condições de terminar. Seguir a Jesus é outro empreendimento difícil, e súper difícil.

Jesus é uma pessoa franca e sincera. Ele abre o jogo para que não comecemos a segui-lo e depois termos de parar, ou escolher um meio termo, o que ele detesta. Ser cristão pela metade, além de imprudência, é uma coisa ridícula.

Nós precisamos ser realistas. Para quem segue a Jesus, a cruz é inevitável. É bom saber disso antes e contar com isso, porque a desistência no meio do caminho vira um contra testemunho pior do que não começar.

Quanta gente começa as coisas e não termina! Um curso, uma faculdade, o trabalho em uma pastoral, o próprio casamento... Por outro lado, quantas pessoas começam e perseveram!

"Meu filho, come este rolo" (Ez 3,3) disse Deus ao Profeta Ezequiel. Era o livro da Palavra de Deus. O profeta comeu e depois comentou: Na boca, era doce como o mel, mas, quando chegou ao meu estômago, tornou-se amargo como o fel. Boa figura da vida cristã.

Havia, certa vez, um menino que tinha uma cicatriz no rosto e, na escola, as pessoas não falavam com ele nem se sentavam ao seu lado. Na realidade, quando os colegas o viam franziam a testa devido a cicatriz ser muito feia. Então seus colegas de classe começaram a reclamar com a professora, pedindo que aquele menino da cicatriz não freqüentasse mais o colégio. A professora levou o caso à diretora. Esta ouviu e chegou à seguinte conclusão: Que não poderia tirar o garoto do colégio, e que conversasse com o menino e ele fosse seria o último a entrar em sala de aula, o primeiro a sair, e fosse sentar-se na última carteira da classe. Desta forma, nenhum aluno via o seu rosto, a não ser que olhassem para trás.

A professora levou ao conhecimento do menino a decisão e ele aceitou prontamente. Mas pediu se podia explicar para os colegas a origem da cicatriz. A professora permitiu e ele disse o seguinte:

“Quando eu tinha por volta de sete a oito anos de idade, um dia pegou fogo na minha casa. Estávamos eu, meu irmão mais novo, minha irmãzinha de berço e minha mãe. Eu, minha mãe e meu irmão conseguimos sair. Minha mãe queria entrar para pegar o nenê, mas os vizinhos a seguraram e não deixaram, porque o fogo já havia tomado conta de toda a casa. Foi nessa hora que eu saí entre as pessoas e, quando perceberam, eu já tinha entrado na casa. Havia muita fumaça e estava muito quente. Eu fui ao quarto, peguei minha irmãzinha que estava chorando e saí com ela nos braços. Na saída, caiu no meu rosto uma madeira em brasas que me queimou, de onde surgiu esta cicatriz. Hoje, quando chego em casa, a primeira pessoa que vem me receber é minha irmã. E ela dá um beijo nesta cicatriz, que a salvou.”

A turma ouviu quieta, atenta e envergonhada. Quando o garoto terminou de falar, toda a classe estava chorando.

O mundo está cheio de pessoas com cicatrizes, físicas ou não, visíveis ou não. Mas o amor fraterno é central no seguimento de Jesus. Se alguém não topa, como queriam aqueles alunos, é melhor nem ser batizado. Ou, se foi, é melhor não renovar, na primeira comunhão e na crisma. Ou, se já fez tudo isso, é melhor largar a Comunidade duma vez.

Maria Santíssima foi atrás de Jesus, como sua discípula fiel. Ela não foi frente nem ao lado, isto é, não quis facilitar um pouquinho o Evangelho do Filho. Pelo contrário, colaborou com ele, por exemplo, na cruz e, após a subida dele ao céu, ela permaneceu junto com a Igreja nascente. “Ó Mãe da perseverança, teus volve a nós!”

Qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!

 

 

 

 

MOMENTO DE REFLEXÃO

 

Uma das coisas mais difíceis para qualquer ser humano é o não julgar.

O que chamamos de primeira impressão é em si um julgamento e afirma-se mesmo que é o que conta, o que fica, o que importa.

É difícil colocar-se em lugar neutro diante de um primeiro encontro, um primeiro olhar, uma primeira conversa.

Julgar faz parte da nossa natureza e se uma pessoa não causa impressão nenhuma à outra deve haver algo muito errado.

O que não podemos fazer é continuar nessa impressão, sobretudo se for negativa, sem dar ao outro a oportunidade de fazer-se conhecer ou a uma situação a oportunidade de ser esclarecida.

Se julgar pode parecer natural, fechar-se nesse julgamento pode nos impedir de ver o outro com a luz clara do dia, de outra maneira, com outros olhos.

Nesse meu aprendizado da vida, já me enganei muitas vezes e sei que já se enganaram comigo.

As pessoas nem sempre são o que parecem e muitas vezes parecem o que não são.

Frequentemente, por detrás de uma capa de indiferença, existe um coração sofrido e endurecido pela vida e que só pede um pouquinho mais de atenção.

Escondido atrás de alguém que fala demais pode existir um ser que sente-se infinitamente só.

Se não cavamos a terra e não procuramos, não achamos ouro e os diamantes precisam de muito mais trabalho para serem encontrados.

A simpatia cria laços imediatos e a antipatia direta corta toda possibilidade de encontro real com o outro.

Dizem que quando isso acontece há sempre uma ligação daquela situação a alguma outra coisa, ou seja, se julgamos imediatamente uma pessoa antipática é porque algo nela nos faz lembrar outra pessoa ou outra situação.

Transferimos nossos sentimentos e impressões segundo aquilo que vivemos e não levamos em conta que duas pessoas não são iguais.

Deixamos de ver o indivíduo como exemplar único da criação Divina e cometemos um grave erro.

Por que não damos oportunidades, perdemos, invariavelmente, oportunidades.

Nossos corações são cegos e por isso nos fechamos tanto.

Muitas e preciosas são as pessoas preciosas que passam por nós.

Algumas, entretanto, precisam de um olhar um pouco mais longo e cheio de atenção.

Se quero que todos vejam a dor ou o amor dentro de mim para que eu possa me justificar, devo agir de maneira igual para com todos.

Devo ver além da pele, da situação, da aparência enganosa.

Devo me esquecer das etiquetas que colamos sem perceber, devo abrir mais vezes os olhos do meu coração.

 

Letícia Thompson

 

 

 

 

 

 

UM ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ...

 

E até que nos encontremos novamente,

que Deus lhe guarde serenamente

na palma de Suas mãos.

 

 

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