Terça-feira 17-02-2026
"Podemos escolher o que semear, mas somos
obrigados a colher aquilo que plantamos." (Provérbio chinês)
EVANGELHO DE HOJE
Mc 8,14-21
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, +
segundo Marcos
— Glória a vós, Senhor!
Os discípulos haviam esquecido de levar pão e
só tinham um pão no barco. Jesus chamou a atenção deles, dizendo:
- Fiquem alertas e tomem cuidado com o
fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes!
Aí os discípulos começaram a dizer uns aos
outros:
- Ele está dizendo isso porque não temos pão.
Jesus ouviu o que eles estavam dizendo e
perguntou:
- Por que vocês estão discutindo por não terem
pão? Vocês não sabem e não entendem o que eu disse? Por que são tão duros para
entender as coisas? Vocês têm olhos e não enxergam? Têm ouvidos e não escutam?
Não lembram dos cinco pães que eu parti para cinco mil pessoas? Quantos cestos
cheios de pedaços vocês recolheram?
Eles responderam:
- Doze.
Jesus perguntou outra vez:
- E, quando eu parti os sete pães para quatro
mil pessoas, quantos cestos cheios de pedaços vocês recolheram?
Eles responderam:
- Sete.
Então Jesus perguntou:
- Será que vocês ainda não entendem?
Palavra da Salvação
Glória a vós Senhor.
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Padre Antonio Queiroz
Tomai cuidado com o fermento dos fariseus e
com o fermento de Herodes.
Este Evangelho que Jesus e os discípulos estavam na barca, e os
discípulos estavam preocupados porque tinham se esquecido de levar pão. “Jesus
falou: Tomai cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes”.
Eles pensaram que Jesus estava falando do fermento material. Jesus os
repreendeu. Lembrou-lhes que no dia anterior havia multiplicado pães para uma
multidão, e disse: “Tendo olhos, não vedes, e tendo ouvidos, não ouvir?”
Tanto os fariseus como Herodes buscavam exageradamente a própria
segurança, sem confiar em Deus. E essa busca se transformava em ganância, que
gera a exploração do próximo, a desunião etc. Como os fariseus e Herodes
pertenciam à classe alta, o seu exemplo de vida atuava na sociedade como o
fermento, isto é, transformava toda a massa.
Nós passamos a vida preocupados com o pão material, e nos esquecemos de
nos dedicar mais às coisas de Deus. O cristão não se preocupa demais com as
coisas materiais, sabendo que Deus é Pai providente. Por isso não acumulam
bens, e substituem o comércio pela gratuidade e a concentração pela partilha.
Na visita de Jesus aos seus amigos Marta, Maria e Lázaro, Marta cometeu
um erro semelhante. Ao invés de ouvir Jesus, como sua irmã, ficou atarefada na
preparação de comida e pouso para os queridos visitantes. E Jesus deu bronca:
“Marta, Marta! Tu te preocupas com tantas coisas, mas uma só é necessária.
Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”.
Os três grandes pecados do mundo são a concupiscência da carne, a cobiça
dos olhos e a soberba da vida. Todos provêm da falta de fé, e são as raízes de
todos os pecados que cometemos (Cf 1Jo 2,15-16).
O “fermento dos fariseus e o fermento de Herodes” era a preocupação
exagerada pela própria segurança e sobrevivência, esquecendo-se de confiar mais
em Deus, e obedecer-lhe servindo ao próximo.
O milagre da multiplicação dos pães aconteceu exatamente quando Jesus e
os discípulos fizeram o contrário dos fariseus e de Herodes: repartiam com os
outros o pouco que tinham.
Os fariseus tinham uma maneira de ser religioso muito comum em todos os
tempos: praticar a religião egoísticamente, sem viver no amor. E sendo, tanto
os fariseus como Herodes, gente importante na sociedade, os Apóstolos corriam
sério perigo de ir na onda deles, o que já estava começando a acontecer naquela
preocupação com o esquecimento dos pães.
Os fariseus estavam dispostos a servir a Deus; mas Deus, em troca, devia
reconhecer os méritos deles e premiá-los. Esta é a mentalidade da maioria das
seitas atualmente, torcendo para o inverso a frase de S. Francisco em sua
oração: “É dando que se recebe”.
O fariseu evita o trato simples com os demais, por medo de que descubram
seus sentimentos. Ele sabe que tem as mesmas fraquezas, apesar de ser
praticante da Lei. Mas não tem a chave da superação dos próprios defeitos, que
é a oração humilde. Não lhe resta, portanto, outro caminho senão salvar as
aparências, através de uma conduta externa irrepreensível.
A Irmã Dulce nasceu em Salvador – BA, em 1914. Como jovem, formou-se em
enfermagem. Com dezoito anos entrou na Congregação das Irmãs da Caridade, onde
se tornou Irmã em 1932.
Dois anos depois, ela estava caminhando na vila Ilha dos Ratos,
periferia de Salvador, e um menino lhe pediu ajuda. Conversando com o garoto,
ela viu que ele não tinha onde morar. Olhou de lado, viu um barraca abandonado,
arrombou a porta e colocou a criança dentro.
No dia seguinte, ela voltou ao local para ver como estava o menino. Uma
velhinha que sofria de câncer e um deficiente físico lhe pediram ajuda. Como os
dois não tinham onde morar, Irmã Dulce os colocou junto com o menino no
barraco.
Apareceu o dono do barraco reivindicando a posse, e a Irmã levou os três
para um mercado de peixe desativado. Ali, como espaço era maior, o grupo
cresceu. Mas o prédio pertencia à prefeitura e o prefeito foi implacável:
mandou a Irmã embora de lá.
Ela conseguiu licença da madre superiora e transformou o galinheiro do
convento em albergue. E assim foi. Nada desanimava a Irmã.
Numa noite, em 1952, ela ouviu o barulho forte na rua. Foi até a janela
e viu que um ônibus e um bonde tinham colidido. Correu ao local, pegou um
caixote, subiu em cima e quebrou o vidro da janela do ônibus, salvando doze
pessoas. Seu hábito ficou toda chamuscado. Resumindo, a Ir Dulce foi uma bênção
para os pobres de Salvador. Está em processo de beatificação.
Esta não foi contaminada pelo fermento dos fariseus.
Maria Santíssima não acumulava bens para si, nem procurava dar uma
aparência melhor do que ela era realmente. Mesmo não tendo pecado, era humilde
e se reconhecia indigna dos favores divinos. Que ela nos ajude no testemunho da
verdade, da humildade e da transparência, da confiança em Deus e do serviço aos
irmãos.
Tomai cuidado com o fermento dos fariseus e
com o fermento de Herodes.
MOMENTO DE REFLEXÃO
As pessoas maduras não se abalam por causa de comentários indelicados de
outras pessoas.
De vez em quando as pessoas dizem coisas para nos testar e fazem
comentários do tipo: "você não trabalha duro!" ou "você come
demais!" ou ainda "todo mundo sabe que você casou com ele por
dinheiro!". Às vezes, essas coisas são ditas por inveja, mas com
freqüência, são ditas para provocar uma reação.
Qualquer que seja o motivo, a melhor maneira de lidar com isso é sorrir
e, ou não dizer nada, ou concordar com a pessoa.
Assim sendo, da próxima vez que seu vizinho o vir em seu carro novo e
disser: "você não trabalha quase nada e, ainda assim, eles lhe pagam uma
fortuna!", simplesmente sorria e responda: "não é maravilhoso?".
Você não tem de explicar nada sobre suas responsabilidades e sobre o
tempo que fica "ralando" no trabalho.
Não precisa justificar. Apenas sorria e deixe isso para lá.
Quando a sua cunhada observar coisas do tipo: "você está sempre
tirando férias!", concorde com ela.
Diga: "sim, adoro tirar férias!". Se o seu primo disser:
"puxa, você deve ter gasto uma nota nessa piscina", sorria e fale:
"pode apostar que sim. É que detesto piscinas baratas"!
Não se deixe perturbar.
Você não vai ganhar nada discutindo com seu primo, sua cunhada, seu
vizinho ou com quem quer que seja. Quando encontrar com pessoas assim, concorde
com elas de uma maneira gentilmente natural.
Se você começar a tentar se defender, estará frito.
Em poucas palavras: somente pessoas que "pensam pequeno" fazem
comentários desagradáveis; e somente pessoas que também "pensam
pequeno" se ofendem.
Seja alguém que "pensa grande".
E até que nos encontremos novamente,
que Deus lhe guarde serenamente
na palma de Suas mãos.
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