Segunda-feira, 04 de junho
de 2018
“Amar é querer estar perto se longe; e mais perto, se perto.”
(Vinícius de Morais)
EVANGELHO DE HOJE
Mc 12,1-12
— O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós!
— PROCLAMAÇÃO do
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos
— Glória a vós, Senhor!
Iniciamos hoje o Tempo
da Igreja! Depois da Festa do Pentecostes, os discípulos são enviados como
agricultores para produzirem frutos. É o tempo da primavera, o tempo comum
batendo a tua porta para que possas florir e dar muitos frutos que permaneçam a
vida inteira. São Marcos nos presenteia hoje com a parábola dos maus
agricultores.
Nesta parábola, Jesus
está mostrando o caráter dos líderes judeus, que tinham rejeitado os profetas
de Deus e estavam se preparando para rejeitar e matar seu Filho amado.
Na aplicação da
parábola, apesar da prepotência e violência nela contida, Deus pode ser
entendido como o proprietário da vinha. A vinha, conforme a tradição profética,
é o povo amado por Deus. Os agricultores violentos são os chefes religiosos,
que oprimem, exploram o povo e procuram eliminar quem busca libertação. Eles
entenderam que Jesus falava deles. Irritam-se e procuram prendê-lo.
Jesus é o herdeiro de
Deus e nós, “feitos filhos de Deus”, ganhamos o privilégio de também sermos
herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo Jesus. Que bênção, que privilégio
Ele nos concede!
No texto de hoje, Jesus
dá a conhecer a todos o que os religiosos do templo tinham escondido nas
entranhas do coração – tinham-se apoderado da vinha, consideravam-na sua e não
administradores dela! Quantos de nós, hoje, temos “subido acima da chinela” e
nos temos por donos do que é de Deus, e não mais mordomos.
É preciso deixar o lugar
que não nos pertence e retomarmos o lugar de servos e despenseiros de Deus,
trabalhando de alma e coração. Como é que te consideras em relação às coisas de
Deus? Dono, senhor ou despenseiro? Convém que sejamos bons despenseiros da
graça de Deus.
Quantos conflitos
evitaríamos na causa de Deus se, em vez de nos “armarmos” em donos da vinha de
Deus, assumíssemos, com submissão e gratidão, o privilégio de mordomos fiéis do
nosso Pai do Céu.
Fiquemos certos que, no
tempo próprio, Deus nos chamará, com Sua autoridade e poder: muito bem, servo
bom e fiel, porque foste fiel no pouco; entra no gozo do Senhor. Toma, agora,
posse da tua herança, por teres aceite a capacidade de crer: a todos quantos O
receberam, deu-lhes a graça de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no
Seu Nome.
Pai, porque és
misericordioso, nunca te cansas de querer levar a mim e a toda a humanidade
para junto de ti. Que eu perceba e acolha a manifestação deste teu imenso amor
e me converta no agricultor que produza bons frutos no devido tempo e os
entregue a Vós!
Palavra da salvação
Glória a vós Senhor.
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Padre Queiroz
Agarraram
o filho querido, o mataram, e o jogaram fora da vinha.
Neste
Evangelho, Jesus nos conta a parábola dos agricultores assassinos que mataram
filho do proprietário que lhes tinha arrendado a vinha.
A vinha
representa o Reino de Deus. Os judeus, o Povo de Deus, chegaram a considerar
que os interesses de Deus se confundiam com os seus próprios interesses. O povo
achava que, como povo escolhido, Deus tinha obrigação de ajudá-los na luta
contra seus inimigos. Julgavam-se salvos e não se interessavam com a sorte dos
demais povos, que não conheciam a Deus.
Deus havia
confiado a eles o seu Reino, isto é, tinha colocado-os diante do mundo como
exemplo, como um povo que conhecia melhor a Deus, e o seguia, especialmente na
prática da justiça. Mas isso não aconteceu.
Por isso,
Deus lhes enviou seus profetas para recordar-lhes a dívida que tinham com Deus.
Mas, além de não ouvirem, maltrataram os profetas. Na sua bondade, Deus lhes
mandou seu próprio Filho único, ao qual também eles mataram. E mataram “fora da
vinha”, isto é, depois de rechaçá-lo.
Então a
obra do Reino de Deus lhes foi tirada e entregue a outro povo, a santa Igreja,
um povo constituído não baseado em raça ou nação, mas pela fé e pelo sacramento
do batismo.
Nós, como
Igreja, queremos nos comportar como bons agricultores da vinha do Senhor. Não
queremos imitar os pecados do antigo Povo de Deus.
Se as
nossas Comunidades começarem a explorar o povo, se elas deixarem de ser o lugar
onde existe mais obediência a Deus e mais empenho em cultivar a verdade e a
justiça, elas correrão o risco de serem também recusadas por Deus.
Deus nos
livre disso! Queremos nos converter. Queremos ser agricultores honestos, que
cultivam bem a vinha do Senhor e não se apropriem dela, mas dêem ao
proprietário, que é Deus, a parte que lhe pertence. Pois a vinha não é nossa, a
Igreja não é nossa, e não podemos usá-la para nos enriquecer ou para ter
qualquer vantagem pessoal.
Deus nos
ama, ama aqueles a quem entregou a sua vinha. Mas é zeloso pela vinha e por seu
povo. Ele nos pedirá contas de tudo. A Comunidade cristã é um povo sagrado, que
tem dono e não podemos enganar ou manipular.
A viagem
do dono da vinha para longe significa que Deus não interfere no nosso trabalho,
mesmo que não sigamos o “contrato de arrendamento”. Naquele tempo, uma pessoa
que estava longe não tinha nenhuma condição de acompanhar um trabalho, e de
saber como está indo. A responsabilidade é toda nossa, como agricultores da
vinha do Senhor. Só no fim Deus nos vai cobrar.
O ato de
matar o filho lembra-nos, além da condenação de Jesus, os irmãos de José do
Egito que quiseram matá-lo (Gn 37).
Jesus
citou o Sl 118,22s: “A pedra que os construtores deixaram de lado tornou-se a
pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos”.
Citou essa passagem para nos lembrar que Jesus é a pedra principal na
construção do Reino de Deus. Hoje esta pedra principal é a santa Igreja, o
Corpo místico de Cristo.
Como
vemos, a parábola tem dois níveis: no primeiro nível ela se refere aos chefes
do Povo de Deus do Antigo Testamento, que eram aquelas autoridades que estavam
ali presentes. No segundo nível ela se refere a nós, o Povo sacerdotal da Nova
Aliança.
E a
parábola pode ser entendida também no nível individual: se eu, ou você, não
cumprimos bem a nossa missão como “agricultores da vinha do Senhor”, isto é,
como líderes da Comunidade e testemunhas do Cristo no mundo, Deus nos tirará
este cargo e o confiará a outro ou outra.
Quantos
líderes, enviados por Deus, já trabalharam na nossa Comunidade e deram a vida
por ela! Hoje somos nós. Isto é uma alegria, mas é também uma responsabilidade
nossa. O povo não é nosso, é de Deus, e Deus espera frutos de justiça, de amor
e de vida plena para todos. Não podemos querer tirar proveito pessoal em cima
do Povo de Deus, pois, como o próprio nome diz, ele é de Deus e não nosso. Que
bom será se nós, líderes atuais, um dia ouvirmos de Deus: “Servo bom e fiel,
entra na alegria do teu Senhor”.
Quando
vemos gansos voando em formação de “V”, ficamos curioso quanto às razões pelas
quais eles escolhem voar dessa forma. Eis algumas descobertas feitas pelos
cientistas:
À medida
que cada ave bate suas asas, ela cria uma sustentação para a ave seguinte.
Voando em formação “V”, o grupo inteiro consegue voar pelo menos 71% a mais do
que se cada ave voasse isoladamente. Pessoas que compartilham uma direção comum
e um senso de equipe, chegam ao seu destino mais depressa e mais facilmente,
porque elas se apóiam na confiança uma das outras.
Outra
lição que os gansos nos dão: Sempre que um deles sai fora da formação, ele a
maior resistência do ar, e retorna à formação “V”, para tirar vantagem do poder
de sustentação da ave imediatamente à frente. Existe força, poder e segurança
em grupo, quando se viaja na mesma direção com pessoas que compartilham um
objetivo comum.
Ainda uma
terceira lição: Quando o ganso líder se cansa, ele vai para a traseira do “V”,
enquanto outro ganso assume a ponta. É vantajoso o revezamento, quando se
necessita fazer um trabalho árduo.
Quarta
lição: Os gansos de trás grasnam para encorajar os da frente a manterem o ritmo
e a velocidade. Todos nós necessitamos ser reforçados com apoio ativo e o
encorajamento.
Quinta
lição: Quando um ganso adoece, ou se fere, e deixa o grupo, dois outros gansos
saem da formação e o seguem, para ajudá-lo e protegê-lo. Eles o acompanham até
a solução do problema e, então, reiniciam a jornada os três ou juntando-se a
outra formação, até encontrarem o seu grupo original. Precisamos ser solidários
nas dificuldades.
Vamos
procurar nos lembrar mais freqüentemente de dar um “grasnado” de encorajamento
e nos apoiarmos uns aos outros com a força de uma verdadeira equipe. Vamos
ajudar, apoiar quem está nos postos de liderança ou de governo. Eles precisam
do nosso apoio, inclusive para que não caiam nas tentações.
Nós, como
cristãos, queremos nos ajudar mutuamente a sermos bons agricultores da vinha do
Senhor. A nossa ajuda mútua é ampla e inclui a boa palavra, e até a correção
fraterna, a fim de que não imitemos os agricultores assassinos.
Maria
Santíssima foi também uma agricultora da vinha do Senhor; e ela trabalhou tão
bem que foi premiada sendo elevada ao Céu em corpo e alma. Que Nossa Senhora
nos ajude a sermos bons agricultores. Que trabalhemos com dedicação e desapego,
sem querer nos apropriar da Comunidade cristã, ou usar o nosso cargo em
benefício próprio.
Agarraram
o filho querido, o mataram, e o jogaram fora da vinha.
MOTIVAÇÃO NO TRABALHO
Justo, firme, exigente, porém
generoso, educado e gentil
Professor
Marins
Líderes, dirigentes, ou
mesmo pais ou mães, devem ser justos, firmes, exigentes mas ao mesmo tempo não
podem se esquecer que devem ser generosos, educados e gentis.
Nada justifica num líder
ou chefe de qualquer nível, a falta de educação e gentileza e mesmo a ausência
de generosidade, que se traduz numa disposição de ensinar seus liderados, de
ter paciência para que aprendam e empatia para compreender a realidade das
situações concretas.
Há pessoas que acreditam
ser incompatíveis a justiça, a firmeza e a exigência com a amabilidade e a
polidez no trato com as pessoas. Essas pessoas confundem o pecado com o
pecador, o erro com a pessoa.
Um líder ou dirigente
não pode e não deve transigir com o erro, com a desídia, com a falta de
comprometimento, porém, deve saber tratar bem as pessoas e tomar muito cuidado
na forma de falar, na maneira de expressar suas exigências e de manifestar sua
firmeza. Muitos dos problemas entre líderes e liderados têm como causa a
comunicação. Aí entra a generosidade: uma pessoa generosa se coloca no lugar
das outras e tem como objetivo ajudá-las a crescer e não somente punir.
Sei que não é fácil, mas
quem disse que ser líder é fácil?
O líder é aquele que se desafia
(a si mesmo) para que seus liderados atinjam resultados. Não basta desafiar
seus liderados. Ele tem que se desafiar em primeiro lugar. E os verdadeiros
líderes sabem que só conseguirão total adesão e comprometimento de seus
liderados se eles (os liderados) se sentirem valorizados, ouvidos e
respeitados. Um líder que não respeita seus liderados não é líder. Pode até ser
chefe,
mas não líder. Assim, o respeito é fundamental. E o respeito passa pela
generosidade, educação e gentileza.
Pense nisso. Sucesso!
MOMENTO DE REFLEXÃO
Existe, na mitologia grega, um personagem chamado
Procrustius. Ele tinha uma pensão, na qual havia uma cama só. Quando chegava um
hóspede para dormir, Procrustius o media. Se era maior que a cama, ele lhe
cortava um pedaço. Se era menor, ele esticava o hóspede, até ficar do tamanho
da cama.
Quantas vezes nós hospedamos pessoas em nossa vida,
ou em nosso coração, mas nos comportamos como Procrustius! Queremos que a
pessoa seja igual a nós, tenha os nossos gostos, o nosso temperamento e o nosso
jeito de viver. Aceitar cada pessoa do jeito que ela é, mesmo que bem diferente
de nós, é uma virtude necessária na vida comunitária.
Educar é conduzir o formando para além de si
própria, mas na direção dele, não na direção que traçamos para ele. Quando
Jesus tinha doze anos, sua Mãe sentiu na pele isso. O Filho tinha um caminho
que eles, os pais, naquela época não entendiam. Só mais tarde entenderam.
Felizmente, Maria foi humilde e, em vez de chegar dando bronca, perguntou:
“Filho, por que agiste assim conosco? Olha, teu pai e eu estávamos,
angustiados, à tua procura!” (Lc 2,48).
UM ABENÇOADO DIA PRA
VOCÊ...
E até que nos
encontremos novamente,
que Deus lhe guarde
serenamente
na palma de Suas mãos.
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