Terça-feira, 07 de
Janeiro de 2020
“Existem
momentos na vida da gente, em que as palavras perdem o sentido ou parecem
inúteis, e, por mais que a gente pense numa forma de empregá-las elas parecem
não servir. Então a gente não diz, apenas sente.” ―(Sigmund Freud)
EVANGELHO
DE HOJE
Mc 6,34-44
O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós!
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus, segundo Marcos
Glória a vós, Senhor!
Naquele
tempo, 34Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como
ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas. 35Quando
estava ficando tarde, os discípulos chegaram perto de Jesus e disseram:
"Este lugar é deserto e já é tarde. 36Despede o povo para que possa ir aos
campos e povoados vizinhos comprar alguma coisa para comer". 37Mas, Jesus
respondeu: "Dai-lhes vós mesmos de comer". Os discípulos perguntaram:
"Queres que gastemos duzentos denários para comprar pão e dar-lhes de
comer?" 38Jesus perguntou: "Quantos pães tendes? Ide ver". Eles
foram e responderam: "Cinco pães e dois peixes". 39Então Jesus mandou
que todos se sentassem na grama verde, formando grupos. 40E todos se sentaram,
formando grupos de cem e de cinqüenta pessoas. 41Depois Jesus pegou os cinco
pães e dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção, partiu os
pães e ia dando aos discípulos, para que os distribuíssem. Dividiu entre todos
também os dois peixes. 42Todos comeram, ficaram satisfeitos, 43e recolheram
doze cestos cheios de pedaços de pão e também dos peixes. 44 O número dos que
comeram os pães era de cinco mil homens.
Palavra da salvação
Glória a vós Senhor.
MEDITAÇÃO
DO EVANGELHO
Padre Antonio Queiroz
Dai-lhes
vós mesmos de comer.
Este Evangelho, da multiplicação dos
pães, mostra que tanto os discípulos como Jesus sentiram compaixão do povo que
estava com fome. Mas a maneira de resolver o problema foi diferente. Os
discípulos queriam despedir logo o povo para que procurassem alimentos, porque
não viam outra solução. Jesus quis que os próprios discípulos lhes dessem de
comer, confiando na ajuda de Deus Pai.
A cena deixa claras duas maneiras de
ver a religião. Os discípulos, ao pedirem a Jesus que despedisse o povo porque
estavam com fome, mostraram que para eles essa parte de providenciar alimentos
não faz parte da religião. Já para Jesus faz parte sim, e com Deus temos
condições de resolver. Quantas Comunidades de hoje, através das instituições
sociais, provam que com Deus realmente é possível. A caridade nos leva a amar
as pessoas, mas amá-las inteiras, com corpo, alma e espírito. Por isso que
muitas Comunidades se interessam pela político, pelo transporte, pela moradia,
pela educação das crianças etc.
O sonho de um mundo melhor nos leva,
não a deixar para os outros, mas a fazer a nossa parte, mesmo que tenhamos
poucas condições. O pouco com Deus é muito e o muito sem Deus não é nada.
“Jesus mandou que todos se
sentassem... formando grupos.” A organização gera a partilha e, quando
partilhamos, Deus faz o milagre da multiplicação. Isso aconteceu ontem, acontece
hoje e acontecerá sempre. Onde há amor, ninguém passa necessidade.
“Nosso Deus é o verdadeiro. Ele nos dá
o pão da sua palavra e o pão que alimenta o corpo” (Dt 8,3). Veja que esse modo
de ver a religião, como dedicação ao homem integral, não é coisa nova, sempre
foi assim. Quando uma Comunidade se dedica ao homem integral, isso gera alegria
e louvor a Deus, como aconteceu com os hebreus, quando veio o maná.
“Quantos pães tendes?... Jesus pegou
os cinco pães e dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a
bênção...” Nem nós sozinhos, nem Deus sozinho, mas nós e Deus juntos. Nós
fazemos a nossa parte, damos o pouco que temos, e Deus abençoa. Faça a sua
parte que da minha ajudarei.
Se tivermos fé, espírito de partilha,
união e organização, e não jogarmos fora as sobras, ninguém passará fome nem
qualquer outra necessidade. As Comunidades cristãos são o meio que Jesus deixou
para isto acontecer.
Alimento é coisa sagrada. Não podemos
esbanjar, jogar fora. O que sobra para um falta para outro. Por isso, é preciso
recolher com cuidado tudo o que sobra.
Assim como os cinco pães e dois peixes
foram divididos e todos comeram, a nossa partilha também é multiplicada, em
benefício de todos, inclusive de nós mesmos. E além temos a recompensa de Deus,
tanto nesta vida como na outra. “Vinde, benditos de meu Pai, recebei em herança
o Reino...” (Mt 25,34).
A multiplicação dos pães tem vários
sentidos simbólicos. A grande multidão de cinco mil homens representa a
humanidade com a sua fome de libertação messiânica. O milagre da multiplicação
aponta para a Eucaristia, o Pão partilhado, saciando o novo Povo de Deus e
prenunciando o banquete definitivo do Reino, já inaugurado.
A fome no mundo é patente. Três
quartos da humanidade está subnutrida, e a maior parte é vítima da fome,
doença, falta de moradia e de trabalho. As riquezas são concentradas pelos
ricos, fazendo deles cada vez mais ricos, enquanto os pobres continuam cada vez
mais pobres. Nós podemos, com o nosso esforço e união, mudar esse quadro.
Certa vez, na antiguidade, um navio
estava atravessando o mar com centenas de pessoas. Aconteceu uma grande
tempestade e o navio perdeu a direção. Acabaram chegando a uma ilha
desconhecida e totalmente desabitada.
Logo que chegaram à ilha, três homens
começaram a explorá-la. Viram que ela tinha duas partes bem distintas: o
centro, com terra boa e coberta com matas e muita água doce, e a periferia
constituída da pedreiras.
Mais que depressa, os três homens
cercaram a parte boa da ilha e se declararam donos. Construíram ali três
mansões. As outras pessoas tiveram de ficar na periferia. Logo começaram a
passar fome. Então os três proprietários propuseram: quem trabalhar para eles
ganhava comida. E assim, todos os outros se tornaram seus empregados.
Os três escolheram os homens fortes e
corajosos e deram-lhes bastante comida e armas, declarando-os a polícia da
ilha. Aos outros deram menos comida, para não terem força e se revoltarem.
Escolheram os mais inteligentes e
fizeram deles professores. Mas deviam ensinar conforme a cartilha dos três.
Escolheram também os mais piedosos e com eles fundaram uma religião, chamada “A
religião do verdadeiro deus”. Ensinavam que a miséria e a fome são agradáveis a
deus e que todos deviam obedecer aos três, cujos retratos as famílias deviam
colocar nas paredes de suas casas. Outras imagens eram proibidas.
Entretanto, apareceu um profeta e
começou a ensinar que todos somos iguais e que aquela religião era falsa. Os
três chefes chamaram a sua polícia e mataram o profeta. Entretanto, as suas
idéias ficaram em muitas cabeças e estas pessoas continuaram a doutrina do
profeta, criando dentro da ilha um novo povo e um novo modo de viver, no qual
as pessoas são iguais e os alimentos são distribuídos para todos.
Peçamos a Maria Santíssima que nos
ajude a sermos profetas do verdadeiro Deus. Que sejamos cada vez mais unidos,
solidários e organizados, a fim de que todos tenham vida e vida plena.
Dai-lhes
vós mesmos de comer.
COMPORTAMENTO
Quem
invade o espaço dos outros com suas certezas não sabe o significado da palavra
empatia
Fabiano
de Abreu
Minimamente, preciso de
autorização ou solicitação para, respeitosamente, entrar no território sagrado
da alma alheia.
Quando o espaço é do outro,
devemos seguir nele com cuidado. Penetrar nele com as nossas certezas
absolutas, mais do que falta de empatia, significa falta de respeito, significa
que damos mais valor a nós próprios, às nossas opiniões e certezas do que ao
que o outro pensa ou acha.
As certezas causam
impossibilidades, por outro lado, as dúvidas são prenhes de ensinamentos e
descobertas. Ser empático é ter a capacidade de se “colocar no lugar do outro”,
mesmo que de forma abstrata, e basear a razão de forma concreta no ponto de
vista da outra pessoa.
“Eu só posso dar um passo na
direção do outro quando eu estiver conquistado meus territórios.”
Se as certezas são limitantes,
encurtam a visão de mundo, é um verdadeiro desastre invadir o espaço do outro
com as próprias certezas.
Posso entrar?
Se eu, por vezes, me confundo
com minhas emoções e sentimentos, é quase certo que farei estragos adentrando o
espaço alheio com minha visão limitada pelas minhas certezas. Minimamente,
preciso de autorização ou solicitação para, respeitosamente, entrar no território
sagrado da alma alheia.
Passo a passo
para a empatia
Ouvir – oferecer ao outro uma
escuta de qualidade.
Ouvi-lo, observando como ele
vê, percebe e “sente”.
Compreender seu relato, de
acordo com seu ponto de vista.
Só, então, é hora de enriquecer
a visão, acrescentando um novo olhar sobre o mesmo ponto, porém, com outra
perspectiva.
Entre o “não” das incertezas da
outra pessoa e o “sim” das nossas certezas, há o “talvez”, o “quem sabe”, o
“pode ser”, o “pensando bem”, o “não tinha me atentado para esse aspecto”, o
“vou pensar sobre isso”, etc.
Na agregação dos pontos de
vista, criamos um caleidoscópio de opções, saberes e novas possibilidades,
ampliando, assim, o espaço de escolha.
Portanto, o respeito, a
empatia, o limite e a escuta determinarão o melhor resultado. Ou, pelo menos, o
mais ameno, com menor impacto negativo.
“Invasão é diferente de contribuição,
portanto, num diálogo, saiba a hora de opinar, como opinar, o que falar, e faça
a sua contribuição.”
MOMENTO DE REFLEXÃO
As pessoas são dadas a imaginar o que teria
acontecido se tivessem agido de forma diferente em certas circunstâncias, o que
ocorreria se tivessem virado a outra esquina, se tivessem escolhido o outro
emprego, desposado outra pessoa, se tivessem ido ao médico, se tivessem
escolhido outra estrada.
Naturalmente, não podemos deixar de fazer
conjecturas, mas raramente sabemos com certeza como seriam as coisas.
Podemos especular quanto às possibilidades, mas
poucas vezes - se é que é possível - seremos capazes de determinar
definitivamente as conseqüências plenas e finais das decisões que não tomamos,
ou das coisas que deixamos de fazer.
Quantas vezes a vida nos proporcionou a sagrada
incumbência de viver a lei deixada pelo divino Mestre Jesus Cristo?
"AMA AO TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO"
Podemos perguntar a nós mesmos: "Estarei eu
cumprindo com esse mandamento?
Quaisquer que sejam os erros que tenhamos
incorridos, sejam quais forem os deveres que tenhamos postergado, a única forma
de corrigir está à frente.
O que foi ou poderia ter sido pode servir de
advertência, mas o que pode ainda ser é que causa maior preocupação.
Disse Jesus:
Porque tive fome e deste-Me de comer; tive sede e
deste-Me de beber; era estrangeiro e hospedaste-Me;
Estava nu, e vestiste-Me; adoeci, e visitaste-Me,;
estive na prisão e foste ver-Me.
Então os justos lhe responderão dizendo: Senhor,
quando Te vimos com fome e Te demos de comer? Ou com cede e Te demos de beber?
E quando Te vimos estrangeiro, e te hospedamos? Ou nu, e Te vestimos?
E quando Te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos
ver-Te?
E respondendo o Rei, lhes dirá: em verdade vos
digo que, quando o fizeste a um destes Meus Pequeninos irmãos, a Mim o
fizestes.
Que Deus abençoe nossa vida para que logremos
alcançar esse propósito, e que a paz de Deus, esteja conosco.
Amém.
Irani
Gennaro
UM ABENÇOADO DIA
PRA VOCÊ...
E até que nos
encontremos novamente,
que Deus lhe guarde
serenamente
na palma de Suas
mãos.
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