Sábado, 17 de julho de 2021
“Preciso mentir um pouco para que o ritmo aconteça e eu própria entenda
o discurso.” (Adélia Prado)
EVANGELHO DE HOJE
Mt 12,14-21
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Mateus
— Glória a vós, Senhor!
E os fariseus, tendo saído, formaram conselho contra ele, para o
matarem.
Jesus, sabendo isso, retirou-se dali, e acompanharam-no grandes
multidões, e ele curou a todas.
E recomendava-lhes rigorosamente que o não descobrissem,
Para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz:
Eis aqui o meu servo, que escolhi,o meu amado, em quem a minha alma se
compraz;porei sobre ele o meu espírito,e anunciará aos gentios o juízo.
Não contenderá, nem clamará,Nem alguém ouvirá pelas ruas a sua voz;
Não esmagará a cana quebrada,enão apagará o morrão que fumega,até que
faça triunfar o juízo;
E no seu nome os gentios esperarão.
Palavra da Salvação
Glória a vós Senhor
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Padre Antonio Queiroz ( In Memorian)
E ordenou-lhes que não dissessem quem ele era, para se cumprir o que foi
dito.
Neste Evangelho, Jesus se apresenta a nós como o Servo de Javé, nome que
os profetas davam ao futuro Messias.
“Os fariseus saíram e fizeram um plano para matar Jesus.” Saíram de
onde? Da sinagoga em que Jesus acabara de curar um homem que tinha a mão seca,
num sábado.
“Ao saber disso, Jesus retirou-se dali. Grandes multidões o seguiram, e
ele curou a todos.” Esses milagres provam que ele é o Messias. Por isso, Jesus
“ordenou-lhes que não dissessem quem ele era, para se cumprir o que foi dito”.
Trata-se da profecia de Isaías (Is 42,1-4) que apresenta o Messias como o Servo
de Deus Pai, muito querido e amado, e chamado por Deus Pai para trazer o
direito à terra e trazer também a esperança para as nações. Não se constrói o
direito, nem se traz esperança, através da guerra e da violência, mas sim pelos
humildes caminhos da paz.
E Deus Pai fala que seu Servo será pacífico e acolhedor: “Não discutirá,
nem gritará, e ninguém ouvirá a sua voz nas praças”. Foi exatamente o
comportamento de Jesus em sua paixão e morte. Foi “como um cordeiro levado ao
matadouro”. Isso porque o cordeiro não berra, mas fica em silêncio, quando
alguém vai matá-lo. A paz é possível, sempre é possível, até na hora da maior
injustiça, que é nos matar.
“Não quebrará o caniço rachado, nem apagará o pavio que ainda fumega.”
Um caniço rachado é como uma pessoa que já está noventa por cento na perdição.
Jesus não condena, mas procura levantar essa pessoa. O pavio que ainda fumega é
o mínimo de bem que uma pessoa má e criminosa, uma pessoa que já está no fundo
do poço, ainda carrega dentro de si. Jesus vai direto naquele mínimo de bem que
a pessoa ainda tem, e a ajuda a se levantar.
Logo na frente, Isaías faz outra referência , com as seguintes
palavras: O Senhor Deus é o meu aliado,
por isso jamais ficarei derrotado. Fico de rosto impassível, duro como
pedra...” (Is 50,4-7).
Hoje somos nós os servos e servas de Javé. Temos aí um ideal, um caminho
para trilharmos e uma meta para alcançarmos.
Quando ele se transfigurou, pediu também que não contassem para ninguém,
pois ali apareceu um pouco do seu esplendor divino.
Os judeus lhe pediam um sinal de que ele era o Messias, mas ele disse
que lhes daria o “sinal de Jonas”. Jonas ficou três dias no fundo do mar e
reapareceu vivo; Jesus ficou três dias debaixo da terra e reapareceu vivo. Só
que essa prova foi tarde demais para os judeus, pois já haviam cometido o maior
crime da humanidade: matar o Filho de Deus.
Jesus sempre procurou manter-se dentro das limitações de qualquer ser
humano, para que a encarnação acontecesse em toda a sua amplitude.
Não vale aquela desculpa: “Jesus agiu assim, porque era Deus”. Nada
disso! Ele permaneceu firme como homem, dentro de todas as fraquezas que nós
temos. Portanto, nós também temos condições de imitá-lo.
“Cristo, mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência, por
aquilo que ele sofreu. Mas, quando levou a termo sua vida, tornou-se causa de
salvação eterna para todos os que lhe obedecem” (Hb 5,8-9). Em outras palavras,
o próprio Deus desceu à terra e tornou-se um homem. Deu-me o Senhor Deus uma
língua habilitada, para que aos desanimados eu saiba ajudar com uma palavra.
Toda manhã ele desperta meus ouvidos para que, como bom discípulo, eu preste
atenção. O Senhor Deus abriu-me os ouvidos, e eu não fiquei revoltado, para
trás eu não andei. Apresentei as costas aos que me queriam bater, ofereci o
queixo aos que me queriam arrancar a barba e nem escondi o rosto dos insultos ,
enfrentando todas as tentações do homem, com as mesmas limitações do homem, e
venceu. E a sua vitória trouxe-nos esperança, esperança de que nós também
podemos fazer o mesmo, apesar de vivermos nesse mundo cheio de tantas
injustiças.
Havia, certa vez, na antiguidade, um homem que tinha o apelido de Sr.
Palha. Isso, de tão magro que ele era. Se desse um vento, seria levado para
longe como uma palha. Ele não tinha mulher, filhos, casa, nada.
Um dia, Sr. Palha estava andando numa estrada, e viu um ratinho branco
no chão. Como era filhote, com certeza ia morrer ali. Ele ficou com dó, pegou o
ratinho e foi levando na mão, sem saber o que fazer com ele.
Logo na frente, encontrou uma florista, acompanhada do seu filhinho. O
menino viu o ratinho e se interessou por ele. Sr. Palha deu o ratinho de
presente para o menino. A mãe ficou tão agradecida que tirou o pano que cobria
sua cesta e lhe deu uma rosa, a mais bonita.
Sr. palha continuou caminhando e, na frente, viu um rapaz sentado num
toco, com a cabeça entre as mãos, com ar de muito preocupado. Sr. Palha
perguntou qual o problema. Ele disse: “Hoje quero pedir minha namorada em
casamento e não tenho nada para lhe dar!” “Se esta flor serve, pode ficar com
ela”, respondeu o Sr. Palha. O moço ficou muito agradecido e deu a ele três
laranjas que trazia consigo.
Sr. Palha continuou caminhando, com aquelas suculentas laranjas. Mais na
frente, encontrou-se com um mascate. Estava cansado de carregar a sua pesada
mala, e com muito sede. Sr. Palha lhe deu as três laranjas. Ele ficou tão grato
que abriu a sua mala e lhe deu uma bela peça de seda. Sr. Palha continuou
caminhando, sem saber o que fazer com a seda. Não andou 200 metros e viu uma
linda carruagem que vinha ao seu encontro. Trazia uma princesa. Ela, que estava
com o olhar sombrio, foi só ver a seda nas mãos do Sr. Palha, seus olhos
brilharam e ela deu um sorriso. Sr. Palha percebeu que ela gostou e disse: “Eu teria
o maior prazer se vossa alteza aceitasse esse pano de presente”. “O senhor é
muito generoso” – respondeu a princesa. “Aceito o presente. Eu estou precisando
de um secretário e estou procurando um homem como o senhor. Quer vir morar no
palácio?”
Pronto, Sr. Palha aceitou e logo deixou de ser palha, porque engordou,
comendo do bom e do melhor. (Lenda japonesa).
Quando fazemos o outro feliz, nós sempre saímos ganhando. E nada melhor
para o nosso próximo do que nos comportarmos como servos e servas do Senhor,
servos pacíficos e humildes.
Maria Santíssima apresentou-se ao Anjo Gabriel como a Serva do Senhor.
Que a imitemos. Santa Maria, rogai por nós!
E ordenou-lhes que não dissessem quem ele era, para se cumprir o que foi
dito.
MOMENTO DE REFLEXÃO
Você
já reparou o quanto as pessoas falam dos outros?
Falam
de tudo.
Da
moral, do comportamento, dos sentimentos, das reações, dos medos, das
imperfeições, dos erros, das criancices, ranzinzices, chatices, mesmices,
grandezas, feitos, espantos.
Sobretudo
falam do comportamento.
E
falam porque supõem saber.
Mas
não sabem.
Porque
jamais foram capazes de sentir como o outro sente.
Se
sentissem não falariam.
Só
pode falar da dor de perder um filho, um pai que já perdeu, ou a mãe já ferida
por tal amputação de vida.
Dou
esse exemplo extremo porque ele ilustra melhor.
As
pessoas falam da reação das outras e do comportamento
delas
quase sempre sem jamais terem sentido o que elas sentiram.
Mas
sentir o que o outro sente não significa sentir por ele.
Isso
é masoquismo.
Significa
perceber o que ele sente e ser suficientemente forte para ajudá-lo exatamente
pela capacidade de não se contaminar com o que o machucou.
Se
nos deixarmos contaminar (fecundar?) pelo sentimento que o outro está sentindo,
como teremos forças para ajudá-lo?
Só
quem já foi capaz de sentir os muitos sentimentos do mundo é capaz de saber
algo sobre as outras pessoas e aceitá-las, com tolerância.
Sentir
os muitos sentimentos do mundo não é ser uma caixa de sofrimentos.
Isso
é ser infeliz.
Sentir
os muitos sentimentos do mundo é abrir-se a qualquer forma de sentimento.
É
analisá-los interiormente, deixar todos os sentimentos de que somos dotados
fluir sem barreiras, sem medos, os maus, os bons, os pérfidos, os sórdidos, os
baixos, os elevados, os mais puros, os melhores, os santos.
Só
quem deixou fluir sem barreiras, medos e defesas todos os próprios sentimentos,
pode sabê-los, de senti-los no próximo.
Espere
florescer a árvore do próprio sentimento.
Vivendo,
aceitando as podas da realidade e se possível fecundando.
A
verdade é que só sabemos o que já sentimos.
Podemos
intuir, perceber, atinar; podemos até, conhecer. Mas saber jamais.
Só
se sabe aquilo que já se sentiu.
UM
ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ...
E até que
nos encontremos novamente,
que Deus
lhe guarde serenamente
na palma
de Suas mãos.
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