sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

DIÁRIO DE QUARTA-FEIRA 03/01/2027

Quarta- Feira 03/01/2027

 

"Ama a verdade, mas perdoa o erro." (Voltaire)

 

 

EVANGELHO DE HOJE

Mt 15,29-37

 

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Mateus

— Glória a vós, Senhor!

 

Jesus saiu dali e foi até o lago da Galiléia. Depois subiu um monte e sentou-se ali. E foram até Jesus grandes multidões levando coxos, aleijados, cegos, mudos e muitos outros doentes, que eram colocados aos seus pés. E ele curou todos. O povo ficou admirado quando viu que os mudos falavam, os aleijados estavam curados, os coxos andavam e os cegos enxergavam. E todo o povo louvou ao Deus de Israel.

Jesus chamou os seus discípulos e disse:

- Estou com pena dessa gente porque já faz três dias que eles estão comigo e não têm nada para comer. Não quero mandá-los embora com fome, pois poderiam cair de fraqueza pelo caminho.

Os discípulos perguntaram:

- Como vamos encontrar, neste lugar deserto, comida que dê para toda essa gente?

- Quantos pães vocês têm? - perguntou Jesus.

- Sete pães e alguns peixinhos! - responderam eles.

Aí Jesus mandou o povo sentar-se no chão. Depois pegou os sete pães e os peixes e deu graças a Deus. Então os partiu e os entregou aos discípulos, e eles os distribuíram ao povo. Todos comeram e ficaram satisfeitos; e os discípulos ainda encheram sete cestos com os pedaços que sobraram.

 

 

Palavra da Salvação

Glória a vós Senhor.

 

 

MEDITAÇÃO DO EVANGELHO

Padre Antonio Queiroz

 

Jesus curou muitos e multiplicou os pães.

Este Evangelho é uma amostra do Reino de Deus, inaugurado na terra por Jesus. Os doentes são curados, os famintos são alimentados, formando-se o banquete da vida.

“Naquele dia, o Senhor dará, para todos os povos, um banquete de ricas iguarias” (Is 25,6-9 – Primeira Leitura).

Tanto a cura dos doentes como a multiplicação dos pães nasceram, da compaixão de Jesus, uma compaixão ativa e dinâmica, que o levava a tomar iniciativas em favor dos que sofriam ao seu redor.

“Há mais felicidade em dar do que em receber” (At 20,35). Se o povo se alegrava, Jesus mais ainda. Quanta gente vive triste porque ainda não descobriu a felicidade de servir!

Como é triste sentir fome e não ter o que comer! Só mesmo quem não tem coração é capaz de negar um prato de comida a quem está com fome, seja ele ou ela quem for.

A quantidade de alimento que os discípulos tinham era irrisória, em comparação com a multidão faminta. Mas, mesmo assim, Jesus pegou os sete pães e os poucos peixinhos, “deu graças, partiu-os e os dava aos discípulos e estes às multidões. Todos comeram e ficaram satisfeitos”.

É de se destacar que Jesus organizou o povo, mandando as pessoas se sentarem. A organização é fundamental no Reino de Deus.

Deus está pronto a nos ajudar, quando queremos fazer o bem. O que ele quer é que demos o primeiro passo, façamos a nossa parte, apresentemos o pouco que temos, ainda que sejam sete pãezinhos para alimentar uma multidão. Se assim fizer, ele entra e opera maravilhas.

“E glorificavam a Deus.” O testemunho de amor ao próximo anima as pessoas, traz alegria e vontade de rezar e de se converter a Deus.

Os problemas sociais têm solução, se cada um de nós fizer o que pode. Deus abre os espaços e nos mostra os caminhos. A parte dele ele faz, só não entra na nossa.

Os milagres de multiplicação de pães feitos por Jesus são também uma antecipação e um anúncio da Eucaristia. Ela é o novo maná do novo povo de Deus, peregrino pelo deserto da vida. “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem come desta pão viverá eternamente” (Jô 6,51).

Certa vez, um bispo de uma diocese extremamente pobre do Norte do Brasil deu um depoimento sobre a sua diocese:

“O meu povo sofre muito, mas sofreria muito mais se não fossem as Comunidades cristãs.

As famílias se ajudam nas necessidades umas das outras. Temos as pastorais da liturgia, da catequese, saúde, da criança, da moradia, da terra...

Nem dá para imaginar o que seria do nosso povo, se não houvessem as Comunidades.”

Como é gratificante ouvir isso! No meio de tanto pecado, há sinais claros da presença viva do Reino de Deus entre nós.

Maria Santíssima, nas Bodas de Cana, foi ousada; ou melhor, foi uma mulher de fé, ao pedir ao Filho que resolva o problema da falta de vinha durante uma festa. E deu certo. Que ela interceda por nós, a fim de que a imitemos.

Jesus curou muitos e multiplicou os pães.

 

 

MOMENTO DE REFLEXÃO

 

É triste dizer adeus, mas às vezes é necessário.

Não podemos prender a nós definitivamente as pessoas que amamos para suprir nossa necessidade de afeto.

O amor que ama, aprende a libertar.

Procuramos ganhar tempo para tudo na vida.

Mas a vida, quando chega no próprio limite, despede-se e é esse último adeus que é difícil de compreender  e, mais ainda, aceitar.

Possuímos um conceito errado do amor.

Amar seria, no seu total significado, colocar a felicidade do outro acima de tudo, mas na realidade é a nossa felicidade que levamos em consideração.

Queremos os que amamos perto de nós porque isso nos completa, nos deixa bem e seguros.

E aceitar que nos deixem é a mais difícil de todas as coisas.

Não dizemos sempre que queremos partir antes de todos os que amamos?

Isso é para evitar nosso próprio sofrimento, nossa própria desolação.

É o amor na sua forma egoísta.

Aceitar um adeus definitivo é uma luta.

Se as perdas acontecem cedo demais ou de forma inesperada, o sentimento de desamparo é muito maior e a dor mais prolongada.

É o incompreensível casando-se com o inaceitável e o tudo rasgando a alma.

Essas dores poderão se acalmar, mas nunca se apagarão.

Mas quando a vida chega ao final depois de primaveras e primaveras e outonos e mais outonos, nada mais justo que o repouso e aceitar a partida é uma forma de dizer ao outro que o amamos, apesar da falta que vai fazer.

Não podemos prender as pessoas a nós para ter a oportunidade de dizer tudo o que queremos ou fazer tudo o que podemos por elas.

De qualquer forma, depois que se forem, sempre nos perguntaremos se não poderíamos ter dito ou feito algo mais.

Mas essas questões são inúteis.

O amor que ama integralmente não quer ver o outro sofrer e ele abre mão dos próprios sentimentos para que o destino se cumpra, para que a vida siga seu curso.

As dores do adeus são as mais profundas de todas.

Mas elas também amenizam-se com o tempo e um dia, sem culpa, voltamos a sorrir, voltamos a abrir a janela e descobrimos novamente o arco-íris da vida.

Depois da tempestade descobrimos um dia novo e o sol brilha de maneira diferente.

E talvez seja assim que aprendemos a dar valor à vida, aos que nos cercam; aprendemos a viver de forma a não ter arrependimentos depois e aproveitar ainda mais cada segundo vivido em companhia daqueles que nosso coração ama. (Letícia Thompson)

 

 

 

 

 

 

 

 

E até que nos encontremos novamente,

que Deus lhe guarde serenamente

na palma de Suas mãos.

 

 

 

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