Quinta-feira 29/01/2026.
"A alegria do coração
embeleza o rosto, o coração angustiado o desfigura."
EVANGELHO DE HOJE
Mc 4,21-25
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho
de Jesus Cristo, + segundo Marcos
— Glória a vós, Senhor!
Jesus continuou:
- Por acaso alguém acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um
cesto ou de uma cama? Claro que não! Para iluminar bem, ela deve ser colocada
no lugar próprio. Pois tudo o que está escondido será descoberto, e tudo o que
está em segredo será conhecido. Se vocês têm ouvidos para ouvir, então ouçam.
Disse também:
- Cuidado com o que vocês ouvem! Deus usará para julgar vocês a mesma
regra que vocês usarem para julgar os outros. E com mais dureza ainda! Quem tem
receberá mais; mas quem não tem, até o pouco que tem será tirado dele.
Palavra da Salvação
Glória a vós
Senhor.
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Padre Antonio Queiroz
A lâmpada é acendida para
ser colocada sobre o candeeiro.
Neste Evangelho, Jesus nos
lembra que no batismo recebemos a sua luz, e devemos continuar a sua missão,
iluminando o mundo. “Não temas as trevas, se trazes dentro de ti a luz”.
Candeeiro é uma espécie de
cabide na parede interna da casa, onde se pendurava a candeia, cujo pavio,
untado com azeite, mantinha a chama acesa. Quanto mais alto estava o candeeiro,
melhor iluminava a casa. Temos a missão de ser luz do mundo. “Quem é que traz
uma lâmpada para colocá-la debaixo de um caixote ou debaixo da cama? Ao
contrário, não a põe num candeeiro?”
Colocamos a nossa luz
debaixo do caixote quando escondemos a nossa fé católica, ou damos mau exemplo.
As pessoas só são plenamente
felizes quando são iluminadas pela verdadeira luz de Cristo, presente na sua
Igreja, que é una, santa, católica e apostólica. Faça uma experiência: amarre
um pano nos olhos e tente caminhar... É horrível! A gente se sente inseguro e
tem medo de andar. O mesmo acontece com uma pessoa que anda longe do Caminho,
da Verdade e da Vida.
A Comunidade cristã é como o
arco-íris: Cada membro dela irradia a luz de Cristo com um matiz diferente.
“Prestai atenção no que
ouvis.” Em outras palavras: vocês perdem seu tempo se me escutam e param aí,
sem deixar que minhas palavras dêem fruto.
Em seguida, no Evangelho de
hoje, Jesus fala: “Com a mesma medida com que medirdes, também vós sereis
medidos; e vos será dado ainda mais. Ao que tem alguma coisa, será dado ainda
mais; do que não tem, será tirado até mesmo o que ele tem”. Quer dizer: se
começarmos a fazer algo bom, receberemos de Deus novas forças e conhecimentos.
Mas se não fazemos nada, nossas crenças religiosas não servirão para nada.
Quem acolhe a Boa Nova,
aprende a ver e agir de acordo com a visão e a ação de Jesus. Essa compreensão
e essa ação vão aumentando à medida que se age. Quem não age, perde até mesmo a
pouca compreensão que já tem.
Certa vez, um andarilho
estava dormindo na frente de uma banca de jornal, debaixo da marquise. Quando o
dono da banca chegou, de madrugada, acordou-o, para abrir a porta, e o convidou
para irem juntos ao bar ao lado tomar um café. Em seguida o convidou para irem
juntos à redação do jornal, a fim de trazer exemplares. O jornaleiro nem
percebeu que se tratava de um jovem de pouco mais de vinte e cinco anos.
Como o mendigo ficou por
ali, na hora do almoço o jornaleiro pediu que ele ficasse na banca, enquanto
ele ia almoçar, que na volta lhe traria um prato.
Resumindo, esse jovem,
ex-andarilho, de tanto ir ao jornal, acabou arrumando um emprego lá. Como era
inteligente, tinha estudo e boa comunicação, passou a fazer parte da equipe de
pesquisa do jornal. Viajava pelos bairros e outras cidades, junto com os mais
experientes, fazendo entrevistas.
Um dia, ele pediu ao seu
chefe licença para fazer uma entrevista numa cidade vizinha. Pegou o carro que
ele usava, que tinha a tarjeta do jornal, e foi. Antes, porém, alugou uma roupa
de palhaço e a vestiu.
Ao chegar à cidade, foi
direto a uma residência. Como era sábado, a família estava em casa.
Apertou a campainha, veio um
rapaz, ele se apresentou como da equipe de entrevistas do jornal, explicou que
usava roupa de palhaço para a família se sentir mais a vontade, e pediu licença
para fazer uma entrevista com a família. O rapaz que o recebeu, logo viu o
carro oficial do jornal, acreditou e sentiu-se até honrado em dar a entrevista.
De início, o entrevistador
pediu que, se possível, toda a família estivesse presente. O rapaz foi lá
dentro, chamou e logo vieram.
Ele pegou uma plancheta, com
papel oficial do jornal, e fez a primeira pergunta: “Quantos filhos tem o
casal?” O rapaz respondeu: “Cinco”.
“Você é o mais velho?”
perguntou o entrevistador. “Não” – disse o moço – temos um irmão mais velho,
mas ele não prestava e faz cinco anos que sumiu. Deve ter morrido”.
O entrevistador se
interessou pelo caso e disse: “Ah! É? Como que era esse irmão?”
O pai tomou a palavra e
falou: “Aquele moleque era um marginal; vivia em más companhias fazendo coisas
erradas. Ele era a vergonha da nossa família. Eu proibi até meus filhos de
conversar com ele. Um dia ele foi preso; passou uma semana na cadeia. Quando
voltou, nós o expulsamos. Tudo indica que já morreu”.
Nisto, o garotinho disse:
“Pai, o palhaço está chorando!” O menino caminhou até o palhaço e o abraçou.
O “palhaço” não agüentou
mais. Tirou a máscara e disse: “Pai, eu não morri não. Estou aqui!” Claro que
naquela sala só virou choradeira.
Temos aí um exemplo claro,
por parte do pai e da família, de não ser luz; e por parte do filho-palhaço, o
exemplo contrário de como tornar-se luz.
Maria Santíssima é somente
luz. Peçamos a ela que nos ajude a sermos luz cada vez mais brilhante e a
produzirmos bons frutos de fé e de testemunho.
A lâmpada é acendida para
ser colocada sobre o candeeiro.
MOMENTO DE REFLEXÃO
Marta
Medeiros
O
psiquiatra Paulo Rebelato, em entrevista para a revista gaúcha Red 32, disse
que o máximo de liberdade que o ser humano pode aspirar é escolher a prisão na
qual quer viver.
Pode-se
aceitar esta verdade com pessimismo ou otimismo, mas é impossível refutá-la.
A liberdade
é uma abstração.
Liberdade
não é uma calça velha, azul e desbotada, e sim, nudez total, nenhum
comportamento para vestir.
No entanto,
a sociedade não nos deixa sair à rua sem um crachá de identificação pendurado
no pescoço. Diga-me qual é a sua tribo e eu lhe direi qual é a sua clausura.
São
cativeiros bem mais agradáveis do que Carandiru: podemos pegar sol, ler livros,
receber amigos, comer bons pratos, ouvir música, ou seja, uma cadeia à moda
Luiz Estevão, só que temos que advogar em causa própria e habeas corpus, nem
pensar.
O casamento
pode ser uma prisão.
E a
maternidade, a pena máxima.
Um emprego
que rende um gordo salário trancafia você, o impede de chutar balde e arriscar
novos vôos. O mesmo se pode dizer de um cargo de chefia.
Tudo que
lhe dá segurança ao mesmo tempo lhe escraviza.
Viver sem
laços igualmente pode nos reter.
Uma vida
mundana, sem dependentes pra sustentar, o céu como limite: prisão também. Você
se condena a passar o resto da vida sem experimentar a delícia de uma vida
amorosa estável, o conforto de um endereço certo e a imortalidade alcançada
através de um filho.
Se nem a
estabilidade e a instabilidade nos tornam livres, aceitemos que poder escolher
a própria prisão já é, em si, uma vitória.
Nós é que
decidimos quando seremos capturados e para onde seremos levados.
É uma opção
consciente.
Não nos
obrigaram a nada, não nos trancafiaram num sanatório ou num presídio real,
entre quatro paredes.
Nosso crime
é estar vivo e nossa sentença é branda, visto que outros, ao cometerem o mesmo
crime que nós - nascer - foram trancafiadas em lugares chamados analfabetismo,
miséria, exclusão...
Brindemos:
temos todos cela especial.
UM ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ!
E até que nos encontremos
novamente,
que Deus lhe guarde
serenamente
na palma de Suas mãos.
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