Sábado 10/01/2026.
"O que você não vê com
os seus olhos, não testemunhe com a sua boca." -Provérbio Judeu
EVANGELHO DE HOJE
Jo 3,22-30
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho
de Jesus Cristo, + segundo João
— Glória a vós, Senhor!
Depois disso, Jesus e os seus discípulos foram para a região da Judéia.
Ele ficou algum tempo com eles ali e batizava as pessoas. João também estava
batizando em Enom, perto de Salim, porque lá havia muita água. João ainda não
tinha sido preso.
Alguns discípulos de João tiveram uma discussão com um judeu sobre a
cerimônia de purificação. Eles foram dizer a João:
- Mestre, aquele homem que estava com o senhor no outro lado do rio
Jordão está batizando as pessoas. O senhor falou sobre ele, lembra? E todos
estão indo atrás dele.
João respondeu:
- Ninguém pode ter alguma coisa se ela não for dada por Deus. Vocês são
testemunhas de que eu disse: "Eu não sou o Messias, mas fui enviado
adiante dele." Num casamento, o noivo é aquele a quem a noiva pertence. O
amigo do noivo está ali, e o escuta, e se alegra quando ouve a voz dele. Assim
também o que está acontecendo com Jesus me faz ficar completamente alegre. Ele
tem de ficar cada vez mais importante, e eu, menos importante.
Palavra da Salvação
Glória a vós
Senhor.
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Padre Antonio Queiroz
É o noivo que recebe a
noiva. O amigo do noivo enche-se de alegria.
Este último dia do tempo
litúrgico do Natal trás o último testemunho de João Batista a respeito de
Jesus, antes de ser encarcerado por Herodes. Estamos no comecinho da vida
pública de Jesus, tempo em que João Batista já era muito conhecido e querido do
povo do que Jesus.
A missão do precursor era
dar testemunho da Luz, que é Jesus. Mas ele não era a Luz (Cf Jo 1). Isto João
Batista fez em toda a sua vida. Aqui, ele rebate logo a possível inveja entre
seus discípulos e o crescimento da popularidade de Jesus.
Usando uma bela comparação,
João define Jesus como o noivo que se casa com a humanidade, e ele é o amigo do
noivo, que ajudou a preparar o casamento, e agora se alegra ao vê-lo realizado.
Como se não bastasse a
belíssima comparação, João ainda fala: “Esta é a minha alegria, e ela é
completa. É necessário que ele cresça e eu diminua”. Que modelo de profeta!
Enquanto Cristo cresce no meio do povo, o profeta vai diminuindo, mas súper
feliz. A Liturgia expressou bem estas palavras de João Batista, colocando o seu
nascimento no dia em que a terra está mais distante do sol – 24 de junho – e o
nascimento de Jesus no dia em que a terra está mais próxima: 25 de dezembro.
Frequentemente a Bíblia
compara a Nova Aliança de Deus com a humanidade com um casamento. O Senhor foi
traído pelos homens, quebrando o amor comprometido que tinham com ele. Mas ele
busca a reconciliação da esposa infiel, que si prostituiu buscando outros
“deuses”. “Eu te desposarei em matrimônio perpétuo” (Os 2,21).
Jesus usa esta mesma imagem
várias vezes. Na parábola do banquete, Jesus é o filho do rei, o noivo da festa
de casamento (Mt 22,1ss). Ao explicar por que os seus discípulos não jejuavam,
Jesus fala: “Acaso os convidados do casamento podem jejuar enquanto o noivo
está com eles?” (Mc 2,19).
Nós cristãos, quando
exercemos a nossa missão profética, somos esse amigo do noivo, que prepara o
casamento do povo com Deus. Quando o casamento acontece, nós ficamos de lado,
mas muito felizes por ver as pessoas unidas com Deus. Nós nem queremos que as pessoas
fiquem agarradas a nós. “É necessário que ele cresça e eu diminua”.
Quantos “casamentos”
acontecem, preparados e articulados pelos amigos de Cristo! Os cristãos líderes
não querem o povo em torno deles, mas unidos a Cristo através da sua Igreja.
Que aprendamos de João Batista a ser bons líderes cristãos!
O capítulo seguinte (Jo 4)
trás um caso parecido. A samaritana encontra-se com Jesus no Poço de Jacó, fica
entusiasmada por ele, vai até a cidade e conta para o povo que lá no Poço está
um homem maravilhoso que, na opinião dela, é o Messias. Os habitantes da cidade
vão até o Poço e confirmam o que ela disse. Convidam Jesus para ficar na cidade
e passar a noite. Jesus aceita. No outro dia, eles falam para a samaritana: “Já
não é por causa daquilo que contaste que cremos nele, pois nós mesmos ouvimos e
sabemos que este é verdadeiramente o Salvados do mundo” (Jo 4,42). Isto
significa que eles deixam a samaritana de lado e se reúnem diretamente em torno
de Jesus.
Havia, certa vez, uma linda
jovem índia chamada Zulu. Naquela aldeia, todas as moças usavam colares. Mas o
colar da Zulu era diferente, muito mais bonito que os colares das outras
meninas. Por isso, as outras tinham ciúme dela.
Um dia, quando Zulu passeava
na beiro do rio, encontrou-se com o grupo de moças, e estas lhe disseram que
haviam jogado os seus colares no rio, como oferta a Deus. E pediram que ela
também fizesse o mesmo. Ela atendeu, e jogou o seu colar no rio. Então as
outras começaram a rir, tirando seus colares dos bolsos, e foram embora
contentes.
A jovem caminhava triste
pela margem do rio, quando ouviu uma voz dentro de si mesma que lhe dizia:
“Atira-te à água!” No mesmo instante, ela se jogou no rio. No fundo do rio,
encontrou uma gruta, dentro da qual havia uma velhinha cheia de feridas de aspecto
repugnante.
“Beije minhas feridas”,
disse a velha. Zulu hesitou um pouco, mas acabou beijando as feridas da
velhinha, que logo ficou completamente curada. A mulher disse: “Em retribuição
à minha cura, farei com que você se torne invisível às feras”.
Na mesma hora, a jovem
escutou a voz de um dragão que gritava: “Quero carne! Quero carne!” Passou ao
lado de Zulu e, como não a viu, foi-se embora. Então a mulher deu à jovem um
novo colar, muito mais bonito que aquele que ela havia jogado no rio.
Zulu voltou à aldeia. Quando
as outras moças a viram, ficaram surpresas e lhe perguntaram onde havia
encontrado aquele colar tão bonito. Ela contou que foi uma velhinha que vivia
numa gruta no fundo do rio, que lhe dera. As jovens foram correndo ao rio e
mergulharam. Encontraram a gruta e dentro dela a velhinha cheia de feridas, que
lhes disse: “Beijem minhas feridas!” As moças sentiram repulsa e se recusaram a
satisfazer o desejo da velhinha.
Nesse momento, ouviram a voz
de um dragão, gritando: “Quero carne! Quero carne!” E como o dragão podia
enxergá-las, devorou-as.
Foi a humildade de Zulu,
beijando as feridas da velhinha, que salvou a sua vida. Como profetas de
Cristo, queremos ser humildes e nunca nos promover a nós mesmos.
Maria Santíssima, através do
seu hino Magníficat, mostrou-se uma humilde profetiza. Que ela e João Batista
nos ajudem a cumprir bem a nossa missão profética.
É o noivo que recebe a
noiva. O amigo do noivo enche-se de alegria.
MOMENTO DE REFLEXÃO
Os ventos
da vida sopram para todos
Há alguns
anos eu estava trabalhando como médico da delegação brasileira em uma
competição internacional, quando uma iatista interrompeu o meu café da manhã
falando:
– Doutor, o
senhor viu o vento hoje?
Percebi seu
rosto tenso e angustiado e respondi:
– Não, não
vi.
Ela, então,
quase em um desabafo, falou:
– Está
péssimo!
Percebi
aonde ela estava querendo chegar e rapidamente falei:
– Está
péssimo só na sua rota?
Ela,
sorrindo, respondeu:
– Não! Está
péssimo para todo mundo!
Então
completei:
– Para uma
iatista não existe vento péssimo, porque ele é igual para todos os atletas.
Quem decide a qualidade do vento é quem está competindo. Alguém ganhará a prova
hoje, e, por favor, dê um jeito de ser você, porque estamos todos na torcida.
A impressão
que tive foi que ela saiu sorrindo um pouco mais tranquila.
Os ventos
da vida sopram para todos, e cabe a cada um saber utilizá-los.
O vento
fica ruim para quem vive com medo, porque aqueles que têm coragem de avançar
sempre estarão na frente.
Esse é um
pequeno trecho do meu novo livro “A Coragem de Confiar”. Nele, falo da
superação do medo através do desenvolvimento da confiança em você mesmo, nos
outros e em Deus. O lançamento é neste mês de setembro.
Roberto
Shinyashiki
UM ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ!
E até que nos encontremos
novamente,
que Deus lhe guarde
serenamente
na palma de Suas mãos.
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