Quinta-feira 08/01/2026.
"Frequentemente, aquele
que faz demais, faz muito pouco." -Provérbio Italiano
EVANGELHO DE HOJE
Lc 4,14-22a
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho
de Jesus Cristo, + segundo Lucas
— Glória a vós, Senhor!
Jesus voltou para a região da Galiléia, e o poder do Espírito Santo
estava com ele. As notícias a respeito dele se espalhavam por toda aquela
região. Ele ensinava nas sinagogas e era elogiado por todos.
Jesus foi para a cidade de Nazaré, onde havia crescido. No sábado,
conforme o seu costume, foi até a sinagoga. Ali ele se levantou para ler as
Escrituras Sagradas, e lhe deram o livro do profeta Isaías. Ele abriu o livro e
encontrou o lugar onde está escrito assim:
"O Senhor me deu o seu Espírito.
Ele me escolheu para levar boas notícias
aos pobres
e me enviou para anunciar a liberdade
aos presos,
dar vista aos cegos,
libertar os que estão sendo oprimidos
e anunciar que chegou o tempo
em que o Senhor salvará o seu povo."
Jesus fechou o livro, entregou-o para o ajudante da sinagoga e
sentou-se. Todas as pessoas ali presentes olhavam para Jesus sem desviar os
olhos. Então ele começou a falar. Ele disse:
- Hoje se cumpriu o trecho das Escrituras Sagradas que vocês acabam de
ouvir.
Todos começaram a elogiar Jesus, admirados com a sua maneira agradável e
simpática de falar.
Palavra da Salvação
Glória a vós
Senhor.
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Padre Antonio Queiroz
Hoje se cumpriu esta
passagem da Escritura.
Este Evangelho narra o
começo da vida pública de Jesus. Nele Jesus apresenta o seu programa. Em poucas
palavras, ele resume toda a sua missão, citando Is 61,1-3.
O amor de Deus é uma
sinfonia em dois movimentos que se completam e interferem mutuamente. Em
primeiro lugar, o amor é um movimento vertical, ascendente e descendente. Jesus
se referiu a esse movimento quando disse que veio “anunciar a Boa Nova aos
pobres... e proclamar o ano da graça do Senhor”.
O movimento horizontal da
sinfonia é o relacionamento entre nós, que concretiza e realiza o vertical: “O
Senhor enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a
recuperação da vista, para libertar os oprimidos...” Jesus privilegia os excluídos
pela sociedade: pobres, cativos, cegos e oprimidos, porque eram os mais
desprezados pela sociedade do seu tempo.
Uma religião que quisesse
chegar a Deus, sem passar pela dedicação ao próximo, seria uma ilusão, uma
alienação espiritual, uma enganação. “Se alguém disser: “Amo a Deus”, mas odeia
o seu irmão, é mentiroso; pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá
amar a Deus, a quem não vê. Este é o mandamento que dele recebemos: quem ama a
Deus, ame também seu irmão” (1Jo 4,20-21).
Os primeiros cristãos
procuraram por em prática esse programa integralmente. Foi isso que custou a
morte para muitos deles, assim como para Jesus. Apesar disso, a Igreja não
desiste de colocar em prática esse programa,tanto no esforço de aproximar as
pessoas de Deus, como de levá-las ao amor mútuo. No Batismo, nós assumimos esse
programa como nosso. Está aí o grande desafio para nós, a fim de que aconteça
no mundo o Natal e a Epifania.
No programa, Jesus mistura o
vertical e o horizontal, a dedicação ao corpo e a dedicação à alma. Ele não as
separa, pois o próprio Criador não separou, criando-nos corpo e alma
misturados. Quem ama verdadeiramente a Deus, ama também o seu próximo, privilegiando
os excluídos. E esse amor inclui também a proteção à natureza, evidentemente.
Neste Evangelho, Jesus fala
que veio proclamar o “ano da graça do Senhor”. Essa expressão é sinônima de
“ano sabático”. O Povo de Deus do Antigo Testamento celebrava, a cada sete
anos, o ano sabático, que não era nada mais que o descanso semanal do sábado
ampliado para um ano todo. “Durante seis anos semearás a terra e recolherás os
seus frutos. No sétimo ano, porém, deixarás de cultivar a terra, para que se
alimentem os pobres, e os animais selvagens comam o resto” (Ex 23,10-11).
O “ano da graça do Senhor”,
lá no profeta Isaías (Is 61,1-2), está expresso como “ano do agrado do Senhor”.
Portanto, é viver bem com Deus, obedecendo os seus mandamentos e fazendo a sua
vontade. O livro do Deuteronômio determina que no ano sabático todas as terras
deviam voltar às tribos originais, conforme foi dividido quando o povo chegou à
Terra Santa. Também as dividas deviam ser perdoadas e os escravos recebiam
liberdade.
Quando Jesus falou que veio
proclamar o ano da graça do Senhor, ele quis dizer que, de agora para frente,
todos os anos são sabáticos. O ano da graça do Senhor é um ano sabático
permanente, não só para todos os anos, mas para todos os dias do ano. Esta é a
lei do novo Povo de Deus, a Igreja.
Esse permanente ano da graça
do Senhor, custou a morte de Jesus, como oferta total dele por nós. Amar não é
dar coisas ao próximo, mas buscar a sua felicidade, mesmo que para isso
precisemos sacrificar a nossa vida. “Ninguém tem maior amor do que aquele dá a
vida por seus amigos” (Jo 15,13).
O amor só é verdadeiro se
inclui, desde o começo, uma doação da vida. O amor, ou é total, ou não é amor.
Amor parcial não existe, é apenas caricatura de amor. Quando vemos um mendigo
na rua e lhe damos um trocado, ou apenas um sorriso, não lhe estamos dando
apenas um trocado ou um sorriso, mas a nossa vida toda a ele, se necessário
for. Na hora, lhe damos apenas um trocado ou um sorriso, porque é só disso que
ele precisa no momento.
O Evangelho mostra também o
protagonismo do Espírito Santo na vida, obra e missão de Jesus. É o Espírito
que intervém desde o seu nascimento e batismo. Nós também fomos ungidos pelo
Espírito Santo no Batismo e na Crisma, a fim de atuar como Cristo atuou,
vencendo o mal do mundo e sendo mensageiros da Boa Nova.
Nós sabemos que na Amazônia
existem poucos padres, e por isso as paróquias são enormes, com Comunidades
muito distantes e sem estrada. Anos atrás, havia um pároco que gravava a
homilia dominical em um disquinho, o qual ia passando de Comunidade em Comunidade,
para ser tocado na hora do culto dominical.
Um dia, aconteceu que o
disquinho furou. Quando o encarregado ligou a vitrola, o padre começou a dizer:
“Meus irmãos e minhas irmãs; meus irmãos e minhas irmãs; meus irmãos e minhas
irmãs...” e não parava
mais. Então o encarregado desligou a vitrola e
disse: “Por favor, as mulheres saiam todas da capela, porque o padre está
querendo falar só para os homens”. Coitado! Mal sabia ele que era o disco que
estava furando!
Mas a repetição estava
certa. Todos nós podemos dizer para os membros da nossa Comunidade: “Meus
irmãos e minhas irmãs”, porque de fato somos. O importante é sermos irmãos de
todos, especialmente dos oprimidos, como fez Jesus.
Maria Santíssima, a
discípula fiel do Senhor, viveu de forma plena esse programa do seu Filho. Que
ela nos ajude a vivê-lo também.
Hoje se cumpriu esta
passagem da Escritura.
MOMENTO DE REFLEXÃO
Quem feriu
você já feriu e já passou.
Lá na
frente encontrará o inevitável retorno e pelas mãos de outrem será ferido
também.
A Vida se
encarregará de dar-lhe o troco e você, talvez, nem jamais fique sabendo.
O que
importa de verdade é o que você sentiu e, mais importante, é o que ainda você
sente:
Mágoa?
Rancor?
Ressentimento?
Ódio?
Você
consegue perceber que esses sentimentos foram escolhidos por você?
Somos nós
que escolhemos o que sentir diante de agressões e de ofensas.
Quem nos
faz o " mal " é responsável pelo que faz, mas NÓS somos responsáveis
pelo que sentimos.
Essa
responsabilidade tem a ver com o Amor que devemos e temos que sentir por nós
mesmos.
O ofensor
fez o que fez e o momento passou, mas o que ficou aí dentro de você?
Mágoa?
- Você
sabia que de todas as drogas ela é a mais cancerígena?
Pela sua
própria saúde, jogue-a fora.
Rancor?
- Ele é
como um alimento preparado com veneno irreconhecível: dia mais, dia menos, você
poderá contrair doenças de cujas origens nem suspeitará.
Ressentimento?
- Pois
imagine-se vivendo dentro de um ambiente constantemente poluído, enfumaçado,
repleto de bactérias e de incontáveis tipos de vírus: é isso que seu coração e
seus pulmões estão tentando aguentar.
Até quando
você acha que eles vão resistir?
Ódio?
- Seus
efeitos são paralisantes.
Seu sistema
imunológico entrará em conflito com esse veneno que com o tempo poderá colocar
você face a face com a morte e talvez muito tarde você venha a perceber que
melhor seria ter deixado que seu agressor colhesse os frutos do próprio
plantio.
Por seu
próprio Bem e só pelo seu Bem, perdoe.
O perdão o
libertará e o fará livre para ser feliz.
Esqueça o
" mal " que lhe foi feito.
Deixe que
seu ofensor lembre-se dele através das consequências com que, certamente, virá
a arcar.
Mude seu
destino ... seja o comandante da sua nau!
Escolha o
melhor caminho para sua " viagem ".... e se outras vezes o ferirem,
perdoe ...
" O
perdão é a única vingança aprovada pelo Universo "
( Silvia
Schmidt )
UM ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ!
E até que nos encontremos
novamente,
que Deus lhe guarde
serenamente
na palma de Suas mãos.
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