Segunda-feira, 02 de maio de 2022
“Casamento não é o paraíso nem o
inferno; é apenas o purgatório.” (Abraham Lincoln)
EVANGELHO DE HOJE
Jo
6,22-29
—
O Senhor esteja convosco.
—
Ele está no meio de nós.
—
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João
—
Glória a vós, Senhor!
Depois
que Jesus saciara os cinco mil homens, seus discípulos o viram andando sobre o
mar. 22No dia seguinte, a multidão que tinha ficado do outro lado do mar
constatou que havia só uma barca e que Jesus não tinha subido para ela com os
discípulos, mas que eles tinham partido sozinhos.
23Entretanto,
tinham chegado outras barcas de Tiberíades, perto do lugar onde tinham comido o
pão depois de o Senhor ter dado graças. 24Quando a multidão viu que Jesus não
estava ali, nem os seus discípulos, subiram às barcas e foram à procura de
Jesus, em Cafarnaum.
25Quando
o encontraram no outro lado do mar, perguntaram-lhe: “Rabi, quando chegaste
aqui?” 26Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me
procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes
satisfeitos. 27Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento
que permanece até a vida eterna, e que o Filho do homem vos dará. Pois este é
quem o Pai marcou com seu selo”. 28Então perguntaram: “Que devemos fazer para
realizar as obras de Deus?” 29Jesus respondeu: “A obra de Deus é que acrediteis
naquele que ele enviou”
Palavras
da Salvação
Glória
a vós Senhor
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Padre Antonio Queiroz (In Memorian)
Esforçai-vos não pelo
alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna.
Este Evangelho é a
introdução ao discurso sobre o pão da vida, que Jesus fez. Preparando o povo
para acreditar que ele tinha realmente poder de dar a sua carne como comida e o
seu sangue como bebida, Jesus faz o milagre da multiplicação dos pães e depois
caminha sobre as águas.
E Jesus reclama do pouco
interesse do povo pela Boa Nova, e do demasiado interesse pelo pão material:
“Estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e
ficastes satisfeitos. Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo
alimento que permanece até a vida eterna”.
Como sempre acontece com
toda multidão, o povo alimentado por Jesus até à saciedade, com cinco pães e
dois peixes, queria um deus de uso e consumo, um deus que sirva os nossos
interesses e necessidades, um deus comercial que oferece e distribui os seus
dons ao capricho do pedido. Este é o deus de muitas religiões criadas por
pessoas humanas, que querem encerrar Deus nos limites dos ritos e das leis
culturais, procurando servir-se da divindade em vez de a servi-la e adorá-la.
Por isso o povo mereceu
essa advertência de Jesus: “Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas
pelo alimento que permanece até a vida eterna”.
E o povo pergunta: “Que
devemos fazer para realizar as obras de Deus? Jesus responde: A obra de Deus é
que acrediteis naquele que ele enviou”. Os mestres da Lei apresentavam uma
série de obras que agradavam a Deus. Jesus resume: agrada a Deus quem acredita
nele, o enviado de Deus. Claro, uma fé levada à prática, acompanhada do
seguimento de Jesus e da prática do seu Evangelho. A fé não basta para se
salvar; mas também não basta o bom comportamento, é preciso a fé do jeito que
Jesus ensinou. As boas obras são decorrências da fé. Este é o “alimento que
permanece até a vida eterna”.
Quando foi tentado no
deserto, Jesus falou: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai
da boca de Deus”. E em outro lugar ele disse também: “Buscai em primeiro lugar
o Reino de Deus e sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo”.
Comparando a nossa vida
com uma canoa, ela tem dois lemes: de um lado a fé e do outro as obras. Que não
nos esqueçamos de nenhum desses dois lemes, para que a nossa canoa possa ir
para frente e nos levar à vida eterna.
O “alimento que
permanece até a vida eterna” é sintetizado por Jesus na Eucaristia. “Quem come
a minha carne tem a vida eterna”.
De fato, o encontro com
Jesus transforma a pessoa. Basta ver Maria Madalena, os discípulos de Emaús, a
samaritana, Zaqueu... Na Eucaristia nós nos encontramos com o mesmo Jesus, com
a mesma força que ele tinha naquele tempo.
A transformação que a
Eucaristia exerce em nós é lenta, mas eficaz; é como o fermento na massa. Ela é
bem simbolizada naquele pão e água que o profeta Elias comeu no deserto, e
depois teve forças para viajar quarenta dias e quarenta noites (IRs 19,4-8). O
profeta estava sendo perseguido por seus inimigos, fugiu para o deserto e lá
ficou vários dias sem comer nem beber. Aí ele rezou e Deus o fez dormir. Quando
ele acordou, havia ao seu lado um pão e uma jarra de água. Comeu e bebeu e
assim teve forças para continuar a sua caminhada. Elias representa a nós
cristãos que estamos atravessando o deserto da vida. Como disse Jesus: “Quem
come deste pão, jamais terá fome”.
Certa vez, um homem foi
internado em um hospital para ser operado das amígdalas. Ele estava triste,
preocupado, nervoso e deprimido, devido ao medo da cirurgia.
Ao chegar ao quarto, com
a sua mala, viu na cama ao lado outro homem internado. Este percebeu logo o
nervosismo do colega e começou a animá-lo dizendo palavras bonitas de alegria e
de esperança.
A certa altura, o recém
chegado perguntou a ele: “E você, por que está aqui?” Ele respondeu: “Amanhã
serei operado do coração”..
A Eucaristia é um
alimento mais forte do que nós que, ao contrário dos outros alimentos, nos
transforma nele. Quem comunga sempre é capaz de enfrentar os maiores problemas,
sofrimentos e perigos com tranqüilidade, como fez Jesus. As nossas tristezas e
alegrias são bastante subjetivas; mais do que dos fatos em si, esses
sentimentos decorrem da maneira como vemos os fatos.
Maria foi a pessoa
humana que mais amou a Jesus. Que ela nos ensine a amá-lo hoje, presente na
Eucaristia.
Esforçai-vos não pelo
alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna.
MOMENTO DE REFLEXÃO
A porta entre nós e o
céu não poderá abrir-se enquanto esteja fechada a que fica entre nós e o
próximo. Conta-se que um dia um samurai, grande e forte, conhecido pela sua
índole violenta, foi procurar um sábio monge em busca de respostas para suas
dúvidas.
- Monge, disse o samurai
com desejo sincero de aprender, ensina-me sobre o céu e o inferno. O monge, de
pequena estatura e muito franzino, olhou para o bravo guerreiro e, simulando
desprezo, lhe disse:
- Eu não poderia
ensinar-lhe coisa alguma, você está imundo. Seu mau cheiro é insuportável. -
Ademais, a lâmina da sua espada está enferrujada. Você é uma vergonha para a
sua classe.
O samurai ficou enfurecido.
O sangue lhe subiu ao rosto e ele não conseguiu dizer nenhuma palavra, tamanha
era sua raiva. Empunhou a espada, ergueu-a sobre a cabeça e se preparou para
decapitar o monge.
- "Aí começa o
inferno", disse-lhe o sábio mansamente. O samurai ficou imóvel. A
sabedoria daquele pequeno homem o impressionara. Afinal, arriscou a própria
vida para lhe ensinar sobre o inferno.
O bravo guerreiro
abaixou lentamente a espada e agradeceu ao monge pelo valioso ensinamento. O
velho sábio continuou em silêncio.
Passado algum tempo o
samurai, já com a intimidade pacificada, pediu humildemente ao monge que lhe
perdoasse o gesto infeliz. Percebendo que seu pedido era sincero, o monge lhe
falou:
- "Aí começa o
céu".
Para nós, resta a
importante lição sobre o céu e o inferno que podemos construir na própria
intimidade. Tanto o céu quanto o inferno, são estados de alma que nós próprios
elegemos no nosso dia-a-dia. A cada instante somos convidados a tomar decisões
que definirão o início do céu ou o começo do inferno.
É como se todos fôssemos
portadores de uma caixa invisível, onde houvesse ferramentas e materiais de
primeiros socorros. Diante de uma situação inesperada, podemos abri-la e lançar
mão de qualquer objeto do seu interior. Assim, quando alguém nos ofende,
podemos
erguer o martelo da ira
ou usar o bálsamo da tolerância. Visitados pela calúnia, podemos usar o machado
do revide ou a gaze da autoconfiança...
A decisão depende sempre
de nós mesmos. Somente da nossa vontade dependerá o nosso estado íntimo.
Portanto, criar céus ou infernos portas à dentro da nossa alma, é algo que
ninguém poderá fazer por nós.
UM ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ...
E até que nos encontremos novamente,
que Deus lhe guarde serenamente
na palma de Suas mãos.
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