Sexta-feira
21/11/2025.
"Perder
tempo em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir coisas
interessantes." [Carlos Drummond de Andrade]
EVANGELHO DE HOJE
Mt
12,46-50
— O
Senhor esteja convosco.
—
Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO
do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Mateus
—
Glória a vós, Senhor!
Quando
Jesus ainda estava falando ao povo, a mãe e os irmãos dele chegaram. Ficaram do
lado de fora e pediram para falar com ele. Então alguém disse a Jesus:
-
Escute! A sua mãe e os seus irmãos estão lá fora e querem falar com o senhor.
Jesus perguntou:
-
Quem é a minha mãe? E quem são os meus irmãos?
Então
apontou para os seus discípulos e disse:
-
Vejam! Aqui estão a minha mãe e os meus irmãos. Pois quem faz a vontade do meu
Pai, que está no céu, é meu irmão, minha irmã e minha mãe.
Palavra
da Salvação
Glória
a vós
Senhor.
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Padre
Antonio Queiroz
E,
estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse:
“Eis
minha mãe e meus irmãos”.
Hoje
nós celebramos com alegria a festa de Nossa Senhora do Carmo. É interessante
conhecermos um pouquinho da história desta festa, porque ela está ligada ao
escapulário, que muitos cristãos usam.
A
palavra Carmo é uma abreviação de Carmelo. Trata-se do Monte Carmelo, que fica
na Palestina. Esse morro tem uma história muito bonita no Antigo Testamento.
Sobre ele, Deus derramou muitas graças para o seu povo, através do Profeta
Elias.
Elias
viveu mais ou menos seiscentos anos antes de Cristo. 1Rs 18,16-40 conta que
grande parte do povo de Deus havia abandonado a religião verdadeira e passado
para outra religião cujo deus se chamava Baal. O profeta Elias ficou muito
magoado com isso. Então ele resolveu desafiar os sacerdotes de Baal. Conseguiu
um decreto do rei, convocando todo o povo a se reunir no Monte Carmelo. Lá, ele
ficou sozinho de um lado e os sacerdotes de Baal do outro. Eram cerca de 450
sacerdotes de Baal. Elias disse-lhes: “Matem um bezerro e ofereçam-no como
vítima ao deus de vocês. Coloquem-no sobre um altar, ponham lenha embaixo e
peçam a Baal que mande fogo do céu para queimar o bezerro”.
Os
sacerdotes assim fizeram. Depois de tudo pronto, rezaram até não querer mais,
mas o fogo não veio. Ajoelharam-se, fizeram de tudo em volta do altar onde
estava o bezerro, mas não adiantou. Elias começou a zombar deles, dizendo:
“Gritem mais alto. Pode ser que Baal esteja ocupado. Quem sabe ele teve de se
ausentar, ou está viajando! Talvez esteja dormindo e seja preciso acordá-lo!” E
os bobos iam na onda. Gritavam, rasgavam suas roupas e tudo o mais.
Quando
se cansaram, Elias disse: “Agora me dêem licença”. Construiu um altar para Javé. Matou um bezerro e
colocou sobre o altar, pondo lenha embaixo. Depois pediu ao povo que jogasse
água na lenha, no bezerro, no altar e em tudo mais. Jogaram mais de cem litros
de água. Elias disse: “Ainda é pouco! Joguem mais”. Assim fizeram de novo.
Jogaram tanta água que formaram-se poças de água em volta do altar e a água
corria no meio da multidão. Elias rezou dizendo: “Javé, mostra o teu poder,
mandando fogo para devorar este sacrifício, a fim de que todo este povo saiba
que só tu és o Deus verdadeiro!” Na hora, veio um raio do céu e consumiu o
bezerro, a lenha, o altar e tudo. A lição valeu. O povo abandonou Baal e voltou
a seguir Javé.
A
segunda bênção dada por Deus no Monte Carmelo está narrada em 1Rs 18,41-46.
Fazia muito tempo que não chovia, e o povo já estava passando fome. E mais:
estava novamente abandonando a Javé por causa disso. Elias subiu o Monte
Carmelo e rezou pedindo chuva. Na hora, o céu se escureceu e veio uma abundante
chuva.
Assim,
o monte Carmelo ficou sendo considerado um lugar sagrado, de bênçãos de Deus,
principalmente para recuperar a fé.
No
Séc. XXII, um grupo de monges, liderados por S. Simão Stock, resolveu construir
um mosteiro no Monte Carmelo. Ao lado do mosteiro, fizeram uma igreja dedicada
a N. Senhora. A imagem da Virgem, esculpida por eles, ganhou o nome de N.
Senhora do Monte Carmelo. Com o tempo, o povo abreviou esse nome, chamando-a
simplesmente de Nossa Senhora do Carmo.
Aconteceu
que, alguns anos após a construção do mosteiro, os monges passavam por sérias
dificuldades. Além do relaxamento na vida cristã, estavam quase passando fome.
O abade Simão Stock rezou à Virgem do Carmo e obteve a certeza, vinda de Maria:
“Um grupo disposto a seguir o meu Filho, e que tem devoção a mim, encontrará a
salvação”. E Maria deu ao abade um pano, com um buraco no meio para ser passado
na cabeça e ficar dependurado dos dois lados, na frente e atrás. O monge que
usasse aquele “escapulário” (porque escapa, cai dos dois lados) e seguisse as
normas acima, seria protegido pela Virgem e ganharia com certeza o Céu. O grupo
começou a usar o escapulário, pronto, tudo se resolveu. Para facilitar, o
escapulário foi reduzido em tamanho, adquirindo a forma usada hoje.
O
escapulário não é nada mais que um avental, o que ressalta o valor do trabalho
e do serviço doméstico. Certamente aqueles monges andavam meio relaxados nos
trabalhos comunitários. Até hoje, os carmelitas contemplativos usam o
escapulário daquela forma original.
O
Evangelho de hoje narra que um dia Jesus estava falando para muita gente dentro
de uma casa, e sua mãe estava lá fora querendo falar com ele e não conseguia.
Certamente eram coisas de mães, tipo avisar que o almoço estava pronto.
Jesus
aproveitou o fato para nos evangelizar. Estendendo a mão para os discípulos,
disse: “Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade do meu
Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. Portanto,
nós como Igreja somos da família de Jesus. Mas não basta receber o batismo,
precisamos fazer a vontade de Deus, obedecendo aos mandamentos.
A
cena não insinua qualquer desprezo de Jesus à sua mãe, pois isso seria até
contra o quarto mandamento. Jesus amava muito a sua mãe; basta ver o seu gesto,
na cruz, pedindo a João que cuidasse dela.
A
família humana está na ordem da criação. Ela foi criada por Deus, logo após
criar o homem e a mulher (Cf Gn 2,24). Jesus criou a família espiritual, que é
a Igreja. Foi a esta família espiritual que Jesus se referiu, sem desmerecer a
família humana, evidentemente.
Nós,
que amamos a nossa família carnal, vamos amar também a Comunidade cristã, que é
a nossa família espiritual, ou Família de Deus. Nela, somos todos irmãos de
Jesus e entre nós.
Isso
não diminui, mas consagra a consangüinidade, e a faz atingir a sua maior
dignidade, que é ser Igreja doméstica, imagem da Família divina, a Santíssima
Trindade.
Esses
irmãos de Jesus, de que fala o Evangelho, são seus parentes mais próximos, que,
na língua hebraica, são chamados também de irmãos. No Antigo Testamento
aparecem várias provas disso. E Mt 13,55 apresenta os nomes desses “irmãos de
Jesus”, inclusive citando as mães deles, que não era Maria Santíssima. Também
não daria para compreender como Jesus, na Cruz, iria entregar sua mãe aos
cuidados de João, se ela tivesse outros filhos.
Maria
Santíssima fez a vontade de Deus desde criança. Por isso foi escolhida para ser
a mãe carnal do Messias. E ela se envolveu tanto na obra do Filho que se tornou
também a Mãe espiritual da nova Família que ele criou. Mãe da Igreja, rogai por
nós!
E,
estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Eis minha mãe e meus
irmãos”.
MOMENTO DE REFLEXÃO
Conta-se que uma
senhora, cujo trabalho exigia leitura constante, começou a ter dificuldades com
os seus olhos, por isso foi consultar um especialista.
Depois de um exame, o
profissional lhe disse: "seus olhos estão somente cansados; você precisa
descansa-los."
Ela replicou:
"mas isso é impossível, por causa do tipo de trabalho que eu faço".
Depois de alguns
momentos, o médico respondeu: "tem janelas em seu local de trabalho?"
"Oh, sim,"
respondeu ela com entusiasmo.
"Das janelas da
frente pode-se ver os picos de montanhas distantes, e das janelas dos fundos
pode-se contemplar um belo e produtivo pomar."
O médico respondeu:
"é exatamente isto o que você precisa".
Quando sentir seus
olhos cansados, olhe para as suas montanhas por uns dez minutos - por vinte
minutos seria melhor.
"Olhar para
longe vai descansar os seus olhos!"
Esse fato singelo
pode nos trazer valiosos ensinamentos.
Se é verdade que no
âmbito físico podemos descansar os olhos, olhando para longe, também pode ser
verdadeiro para as questões espirituais.
Os olhos da alma
muitas vezes estão cansados e fracos de tanto focalizar problemas e
dificuldades.
Nesse momento, olhar
à distância e para o alto, vai ajudar você a restaurar sua perspectiva
espiritual.
Às vezes você sente a
sobrecarga das dificuldades da vida. No entanto, se voltar os olhos para Deus,
poderá visualizar seus problemas na devida proporção e renovar suas forças e o
seu bom ânimo.
Vamos, levante os
seus olhos!
Quando as imagens dos
problemas começarem a ameaçar a sua disposição para a luta, eleve o olhar e
busque paisagens distantes.
Quando você vislumbra
os obstáculos de um ponto de vista elevado, eles parecem menos ameaçadores e
facilmente conseguirá supera-los.
Mas se os observa de
um ponto inferior, eles assumem proporções gigantescas e paralisam a sua
vontade de vencer.
Vamos lá... desvie,
por alguns minutos, seu olhar.
Olhe para a
gigantesca força que habita o infinito azul, a quem chamamos Deus.
Pode ter certeza de
que o socorro virá. Uma onda de tranqüilidade lhe invadirá a alma e aplacará os
seus olhos cansados.
E essa onda de
harmonia facilitará a solução dos problemas.
Sua alma se aquietará
e as dificuldades farão silêncio.
E nesse silêncio você
ouvirá as respostas que o seu olhar cansado buscou no infinito.
Pense nisso, e quando
os olhos da alma estiverem cansados, eleve o olhar ao Senhor da Vida e Nele
encontrará o alívio que busca.
Quando os dias frios
e cinzentos do inverno cobrirem o seu olhar com as brumas escuras da tristeza,
abra as cortinas do horizonte e contemple a primavera invencível, que logo
recobrirá com tapetes perfumados os campos crestados pela invernia.
Quando as dores da
alma ameaçarem a sua esperança, rasgue as cortinas do tempo e mire a face
sorridente da eternidade a lhe dizer, como quem sabe a verdade: esse dia de
sombras também passará.
UM
ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ!
E
até que nos encontremos novamente,
que
Deus lhe guarde serenamente
na
palma de Suas mãos.
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