Terça-feira
11/11/2025.
"Por
vezes a ambição faz aceitar as funções mais baixas; é assim que se sobe, na
mesma postura em que se desce." ( Jonathan Swift )
EVANGELHO DE HOJE
Lc
17,7-10
— O
Senhor esteja convosco.
—
Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO
do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Lucas
—
Glória a vós, Senhor!
Façam
de conta que um de vocês tem um empregado que trabalha na lavoura ou cuida das
ovelhas. Quando ele volta do campo, será que você vai dizer: "Venha
depressa e sente-se à mesa"? Claro que não! Pelo contrário, você dirá:
"Prepare o jantar para mim, ponha o avental e me sirva enquanto eu como e
bebo. Depois você pode comer e beber." Por acaso o empregado merece
agradecimento porque obedeceu às suas ordens? Assim deve ser com vocês. Depois
de fazerem tudo o que foi mandado, digam: "Somos empregados que não valem
nada porque fizemos somente o nosso dever."
Palavra
da Salvação
Glória
a vós
Senhor.
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Padre
Antonio Queiroz
Somos
servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer.
Neste
Evangelho, Jesus nos ensina uma dimensão muito bonita da nossa vida cristã e do
nosso relacionamento com Deus: somos empregados de Deus. No Batismo, nós
fizemos com ele, um contrato de trabalho. Deus se comprometeu a cuidar de nós e
nos proteger, além disso, dar-nos o céu, a salvação eterna. E nós nos
comprometemos a conhecê-lo, amá-lo e servi-lo com fidelidade durante toda a
nossa vida, obedecendo aos seus mandamentos. Foi mais do que um contrato, foi
uma aliança que fizemos com Deus, com obrigações bilaterais e também com
recompensas.
Portanto,
o pagamento de Deus a nós já está estipulado no contrato trabalhista, e ele não
precisa ficar dando-nos gorjetas por cada ato bom que fazemos. A nossa atitude
correta, após todo o bem que praticarmos, é dizer: “Somos servos inúteis;
fizemos o que devíamos fazer”.
Se
nos comportarmos assim, Deus atenderá os nossos pedidos, como atendeu os
pedidos do publicano, na parábola do fariseu e do publicano (Lc 18,9-14).
Porque esta é a parte dele, e ele é sempre fiel. O que Deus quer é que nós
também cumpramos a nossa parte com fidelidade.
Se
alguém perguntar: Ir à Missa por obrigação é correto? Claro que é! Nós vamos à
Missa porque Deus, através da sua Igreja, nos mandou ir. E este é um
mandamento, portanto faz parte do contrato.
Enquanto
o nosso caminho está cheio de flores, é fácil ser fiel. O problema é quando as
flores desaparecem e só vemos pedras no caminho. Aí é que mostramos se temos ou
não fé, traduzida em fidelidade.
A
Bíblia fala que “o justo vive da fé”. Se obedecermos os mandamentos, a nossa fé
crescerá dia a dia. Se, ao contrário, não obedecermos, a nossa fé diminuirá. Aí
está o motivo por que muitos deixam a
Santa Igreja que Jesus fundou e passam para uma seita.
“Meus
irmãos, se alguém diz que tem fé, mas não tem obras, que adianta isso? Por
acaso a fé pode salvá-lo? Por exemplo, um irmão ou irmã não tem o que vestir e
lhe falta o pão de cada dia. Então alguém de vocês diz para ele: Vá em paz, se
aqueça e coma bastante. No entanto, não lhe dá o necessário para o corpo. Que
adianta isso? Assim também é a fé: sem obras ela está completamente morta” (Tg
2,14-17).
Nas
relações trabalhistas, o que vale é o trabalho, não conversa bonita. Imagine um
empregado que não trabalha e não cumpre a sua obrigação, ou, pior ainda, nem comparece
no serviço, depois aparece com cara lambida! Será despedido com toda certeza.
A
mesma coisa vale em relação à nossa fé. Tem fé quem faz, não quem diz palavras
bonitas para Deus ou para os irmãos da Comunidade.
Nesse
“contrato” que fizemos com Deus, uma das cláusulas é renunciarmos a tudo, na
certeza de que não perderemos um só fio de cabelo. O jovem rico não foi capaz
de fazer esse contrato com Deus. Ainda bem que ele desistiu lago no início e
não quis ser um cristão relaxado.
O
filho mais velho da parábola do filho pródigo queria reconhecimento,
agradecimento e recompensa, por isso não agradou ao Pai. “Somos servos inúteis;
fizemos o que devíamos fazer”.
Faz
também parte do contrato o uso e o desenvolvimento de todos os nossos talentos
para o bem. O nosso cursinho profissionalizante não tem formatura porque não
termina nunca. Estamos a vida toda aprendendo, aprendendo e ensinando.
Havia,
certa vez, a muitos anos atrás, um senhor que era um pobre trabalhador rural.
Um dia, ele estava na roça e ouvir gritos de socorro vindos de um pântano. Foi
lá e viu um rapaz enterrado na lama até a cintura. Ele tentava sair, mas quanto
mais se mexia, afundava mais. O homem o retirou e o salvou.
No
dia seguinte, apareceu na sua porta uma carruagem muito bonita e dela saiu um
nobre senhor, que disse ser o pai do rapaz. “Quero recompensá-lo” – disse ele –
“por ter salvado a vida do meu filho”. O agricultor respondeu: “Não, não posso
aceitar dinheiro pelo que fiz”.
Neste
momento apareceu na porta um rapaz. O nobre perguntou: “É seu filho?” “Sim”,
respondeu o agricultor. O nobre disse: “Então deixe-me proporcionar ao seu
filho o mesmo nível de instrução que proporcionarei ao meu. Se seu filho se
sair bem, não tenho dúvida que nós dois seremos felizes”.
O
homem aceitou. Seu filho freqüentou as melhores escolas e licenciou-se em
medicina. Tornou-se um médico brilhante e ficou mundialmente conhecido por ter
descoberto a penicilina. O fato aconteceu na Escócia. O nome do agricultor é
Sr. Fleming e do seu filho Dr. Alexandre Fleming.
Anos
mais tarde, o rapazinho que havia sido retirado do pantanal adoeceu com uma
pneumonia. Desta vez o que salvou a sua vida foi penicilina. Portanto, o filho
do senhor nobre foi salvo duas vezes pela família Fleming.
“Não
vos iludais, de Deus não se zomba; o que alguém tiver semeado, é isso que
colherá” (Gl 6,7).
Se
obedecermos os mandamentos de Deus, como fez o Sr. Fleming, socorrendo quem
pedia ajuda, certamente Deus nos abençoará e a sua bênção se estenderá a outras
pessoas.
Temos
na Bíblia muitos exemplos de fé concretizada na obediência a Deus: Abraão,
Moisés, Maria Santíssima... E há uma fila imensa de cristãos e cristãs que
viveram sua fé de forma exemplar.
Bem
antes de Jesus dizer essas palavras do Evangelho do Evangelho de hoje, sua Mãe
já havia se declarado serva do Senhor. Que ela nos ajude a sermos bons
empregados e empregadas do seu Filho.
Somos
servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer.
MOMENTO DE REFLEXÃO
Foi uma bela manhã.
Comemorou-se mais um aniversário da Unigranrio e as crianças do Colégio de
Aplicação - CAP - fizeram uma bela apresentação. Cada uma delas com uma bola de
gás amarrada no pulso para um belíssimo e apoteótico final.
Só que nem todos
balões, destinados ao céu como estavam, foram até ele. Sabe por que? Por causa
das árvores!
Os tentáculos, também
conhecidos como galhos das árvores,
prenderam muitos balões. As mesmas árvores que nos oferecem a sombra e a
segurança os retiveram de uma forma tal que eles não atingiram sua
meta de ir para o céu. É a partir
dessa observação que quero compartilhar contigo algumas lições que esses balões
e aquelas árvores me fizeram pensar.
Em primeiro lugar
entendo que nem todos os balões são feitos para o céu. E aqui não estou
defendendo uma exclusão social, ou mesmo uma injusta predestinação espiritual.
Estou tomando a figura dos balões como nossos SONHOS e IDEAIS. Nem tudo que
sonhamos merece o céu.
Nem tudo que
idealizamos merece a concretude. Sejamos sinceros: há muito devaneio em nossas
projeções de alma, em
nossos sonhos.
E ainda bem que há
"árvores" que estão ali para reter a passagem deles. Porque ir atrás
de um devaneio pode deformar e arrebentar com toda uma vida e com toda uma
família.
Estoura o balão e a
queda é Grande.
Se é verdade que nem
todos os Balões pertencem ao céu (e o é!), é verdade também que nem toda árvore
exerce um papel puramente positivo. Há árvores que são prisões. Quanta
gente, diante de uma educação
excessivamente repressora e tolhedora, ora superprotetora, não viu o céu quando
ainda criança e
permanece sem vê-lo,
agora como adulto? Gente sem iniciativa, embora sonhe. Gente sem marchas,
embora tenha motor.
Gente que não
consegue viabilizar projetos e metas particulares, em virtude da "grande
árvore"
que sobre si estendeu
seus galhos.
Por fim entendo que
para além da questão educacional e psíquica, há uma dimensão espiritual nessa
história.
Constantemente somos
instados a acomodar-nos diante e abaixo das árvores. Gostamos delas e do que
elas simbolizam. Nos tornamos tão imanentes, tão arraigados com esse mundo que
perdemos nossa identidade peregrina (conforme SaLmos 119:19a, Hebreus 11:9-10;
Filipenses 3:13-14,20).
E justamente quando
as árvores do materialismo, das ideologias, do existencialismo, do hedonismo
(entre outros),
cobrem nossas vidas é que deixamos de ver a "luz do céu entrar".
Nossa fé fica presa à "copa das árvores". E por mais paradoxo que
seja essa realidade (aquilo que em tese faz mais sentido para a racionalidade -
o mundo material - é o que menos sentido faz para nosso viver e mais angústia
gera em nossa alma), quanto mais
apegados a dimensão material da vida estivermos,
mais errante e sem
propósito será nosso caminhar.
Na perspectiva
contrária podemos também dizer que quanto mais apegados a dimensão subjetiva da
fé, (conquanto se objetive em Jesus Cristo), mais sentido de vida nós temos.
Outrora éramos errantes;
agora somos
"balões" peregrinos.
O balão da fé não
pode ficar preso às árvores. Ele aponta para um Deus que tenciona a todo tempo
iluminar a nossa alma, furando o bloqueio das árvores que estão entre o nosso e
o Seu coração. E ele aponta para um Deus que nos fez para vivermos na Terra,
mas pertencermos ao céus.
Não se limite a este
lindo quintal, pois a nossa verdadeira casa é a celestial. Como dizia Teilhard de Chardin, somos mais espirituais
do que humanos. Somos balões projetados para irmos ao céu.
Sérgio Dusilek
UM
ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ!
E
até que nos encontremos novamente,
que
Deus lhe guarde serenamente
na
palma de Suas mãos.
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