Terça-feira,
27 de novembro de 2018
" A melhor
religião é aquela que te faz melhor "
EVANGELHO DO DIA
Lc
21,5-11
O Senhor esteja
convosco
Ele está no meio de
nós!
Proclamação do
Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas
Glória a vós Senhor!
Alguns dos seus
discípulos estavam comentando como o templo era adornado com lindas pedras e
dádivas dedicadas a Deus. Mas Jesus disse:
6 "Disso que vocês
estão vendo, dias virão em que não ficará pedra sobre pedra; serão todas
derrubadas".
7 "Mestre", perguntaram
eles, "quando acontecerão essas coisas? E qual será o sinal de que elas
estão prestes a acontecer?"
8 Ele respondeu:
"Cuidado para não serem enganados. Pois muitos virão em meu nome, dizendo:
'Sou eu!' e 'O tempo está próximo'. Não os sigam.
9 Quando ouvirem falar
de guerras e rebeliões, não tenham medo. É necessário que primeiro aconteçam
essas coisas, mas o fim não virá imediatamente".
10 Então lhes disse:
"Nação se levantará contra nação e reino contra reino.
11 Haverá grandes
terremotos, fomes e pestes em vários lugares e acontecimentos terríveis e
grandes sinais provenientes do céu.
Palavras da salvação
Glória a vós Senhor!
MEDITANDO O EVANGELHO
Alexandre
Soledade
Bom
dia!
Quantas
pessoas que conhecemos vivem uma visão apocalíptica da vida? Quantos parecem
ter desistido de lutar em vida e passado a esperar o fim como salvação. Sim!
Parece que seja esse o grande motivo de se desejar tanto o fim do mundo – um
fruto amargo chamado insatisfação pessoal.
Estranhamente,
vemos nessas pessoas, irmãos e irmãos de longa caminhada, a descrença quanto ao
futuro em vista do seu ATUAL presente. Sei que é duro de falar nisso, mas todo
aquele que se apega ao apocalipse esquece-se de viver a Páscoa. Como pode
alguém convencer outro sobre a vida, a cura, de um milagre se no fundo deseja
fugir?
Pensar
no fim pode ser sim uma fuga da realidade. É querer como os apóstolos no monte
Tabor, esquecer de voltar à realidade e ali montar suas tendas. É tentar
“apressar” a volta de Jesus para enfim morar no paraíso. Todos queremos um dia
sermos dignos do paraíso, mas creio que não é fugindo que o alcança.
Jeremias
vivia exilado na Babilônia, Deus se fez revelar assim:
“(…)
Sei muito bem do projeto que tenho em relação a vós — oráculo do SENHOR! É um
projeto de felicidade, não de sofrimento: dar-vos um futuro, uma esperança!
Quando me invocardes, ireis em frente, quando orardes a mim, eu vos ouvirei.
Quando me procurardes, vós me encontrareis, quando me seguirdes de todo
coração, eu me deixarei encontrar por vós — oráculo do SENHOR. Mudarei vosso
destino, vou reunir-vos de todos as terras e lugares por onde vos dispersei —
oráculo do SENHOR —, e trazer de volta para este lugar do qual vos exilei”.
(Jeremias 29, 11-14)
Esse
pensamento apocalíptico é tão evidente em algumas pessoas que até se dão ao
luxo de escolher datas como 2000, 2012, 2023, (…) ou quando vêem doenças novas
surgir a anunciar o fim dos tempos. Lembro recentemente da gripe suína, conheço
gente que não saia de casa esperando o fim do mundo (hunf). Isso não é
brincadeira e sim fanatismo religioso baseado na imaturidade pessoal.
Não
vejo Deus preocupado em destruir aquilo que pacientemente edificou. Jesus nesse
evangelho profetisa o que realmente veio acontecer com Jerusalém e fatalmente
aconteceria a todas as nações que assim se comportassem. Se cada um de nós não
levantar a bandeira de defesa do meio ambiente, com certeza, um dia teremos
problemas, pois isso é um fato; se não levantarmos a bandeira da defesa das
famílias, do emprego, da dignidade humana, (…) também teremos problemas, mas as
nossas dificuldades atuais não podem nos impor um regime de medo e tão pouco o
direito de amedrontar as pessoas.
Deus
anda conosco e sempre andará. Atitudes mudadas no presente podem nos garantir
um futuro melhor. Não nos exilemos ou nos encarceremos pelo medo. “(…) Pois
Deus não nos deu um espírito de covardia, mas de força, de amor e de
moderação”. (II Timóteo 1, 7)
Como
nosso frei Alceu diz: “fuja desse povo que vê o fim do mundo toda hora”.
Um
imenso abraço fraterno.
COMPORTAMENTO
Os
olhos são cegos. É preciso buscar com o coração...
Eric
Morais Morais
Sobre
o que realmente temos controle na vida? Às vezes, faço-me essa pergunta e chego
à conclusão de que sobre pouquíssimas coisas. A vida é mesmo frágil, é a chama
de uma vela, como diria Shakespeare. Além de frágil, é fugaz, passa rápido e,
contemporaneamente, em um mundo de extrema fluidez, a sensação que tenho é de
que a vida passa sem que eu possa, de fato, senti-la.
Temos
que fazer mil e uma coisas em um dia, quando não temos condições de fazer cinco
com qualidade. Cheios de obrigações e sem tempo para nada, as horas passam e a
chama que nos mantém vivos fica mais fraca. Esse tempo não volta e, pior, não
fica na memória, pois não o gastamos com o que de fato deveria ser gasto.
A
obrigação em dar certo na vida não nos permite parar, ainda que não saibamos
para aonde estamos indo. Essa maneira de se comportar intensifica-se com a
vida, em uma sociedade capitalista, em que a obrigação em dar certo na vida
resume-se a ganhar dinheiro. Vivemos sob o jugo da alta performance e
exigências de um mundo cada vez mais dinâmico.
O
que me preocupa é a forma como já estamos adaptados a viver dessa forma, sem
questionar se essa é a melhor forma de viver, pois, como disse, a vida é breve
e, por ser breve, deve ser aproveitada naquilo que realmente importa. Um dia a
gente acorda, os anos se passaram e perdemos a oportunidade de deixar a nossa
marca no mundo, de dar um abraço e de ganhar um sorriso. Ou seja, ser
importante para alguém e fazer alguém importante.
Devemos
produzir, devemos correr, devemos “ter” coisas para mostrar, como se objetos
definissem pessoas, mas, mesmo que definam, são definições muito superficiais.
Nessa busca incessante por um sem número de coisas, existem pessoas em lugares
que não querem estar, em trabalhos que não trazem nenhuma felicidade, em
relacionamentos vazios, e contentam-se, afinal, vendem-nos a ideia de que essa
é uma vida feliz.
Nós
a aceitamos, por medo, preguiça ou insegurança de viver uma vida que realmente
faça jus à nossa existência e àquilo que somos. Acreditamos que a vida, dessa
forma, é levada a sério, que estamos fazendo “coisas sérias”. Como é tola a
sabedoria que os adultos carregam. Mal sabem que as areias da ampulheta chegam
ao outro lado e suas vidas são vividas como a dos outros, sem diferenças, sem
essência, sem nada que possa fazê-los importantes.
Tantas
coisas que passam por nós ao longo da vida, tantas coisas que vêm e vão, tantos
de que não nos lembramos, tantos que não se lembram de nós. Poderíamos ter nos
ocupado de menos coisas, ter ficado mais tempo com o que faz o coração
enternecer, chorado quando sentíssemos vontade e colecionado sorrisos para
fortalecer a alma.
Mas
não temos tempo para essas coisas. No mundo dos adultos, só há tempo para as
coisas sérias, para fazer contas, para o racional. Desse modo, ao longo do
tempo, vamos esquecendo quem somos e nos transformamos em máquinas ou qualquer
outra coisa. Nem tudo pode ser contado e, assim, há coisas que somente são
sentidas. Embora tenhamos nos ocupado muito em deixar de sentir. E nos
orgulhamos disso, pois somos homens “sérios”.
“Eu
conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo. Nunca cheirou uma
flor. Nunca olhou uma estrela. Nunca amou ninguém. Nunca fez outra coisa senão
somas. E o dia todo repete como tu: “Eu sou um homem sério! Eu sou um homem
sério!” e isso o faz inchar-se de orgulho. Mas ele não é um homem; é um
cogumelo!”
Como
a sabedoria do principezinho é diferente da nossa. Cegos da nossa razão,
estamos inchados de orgulho de uma vida que nos afasta dos outros e de nós
mesmos. Acreditamos que a felicidade está na grandiosidade ou quantidade.
Guardamos tralhas que, no fim das contas, apenas nos deixam mais vazios.
Tentamos cultivar milhares de pessoas, mas não temos tempo para cuidá-las e,
logo, não colhemos nada.
Shakespeare
disse que a vida é a chama de uma vela; Quintana, que a vida é breve; Niemeyer,
que a vida é um sopro. Eu vos digo que a vida só vale a pena, quando com
pequenas coisas se ganha um sorriso. Acho que a vida do homem contemporâneo não
se adequa ao que penso, mas as pessoas grandes são muito esquisitas e isso não
fui eu que disse, mas um frágil e pequenino sábio:
“- Os homens do teu planeta, disse o
principezinho, cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim… e não encontram o que
procuram…
–
Não encontram, respondi…E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado
numa só rosa, ou num pouquinho d’água…- É verdade. E o principezinho
acrescentou:
–
Mas os olhos são cegos. É preciso buscar com o coração…”
MOMENTO DE REFLEXÃO
Um
homem morava numa cidade grande e trabalhava numa fábrica.
Todos
os dias ele pegava o ônibus e viajava cinqüenta minutos até o trabalho.
À
tardinha fazia a mesma coisa voltando para a casa.
No
ponto seguinte ao que homem subia, entrava uma velhinha, que procurava sempre
sentar na janela.
Abria
a bolsa tirava um pacotinho e passava a viagem toda jogando alguma coisa para
fora do ônibus.
Um
dia, o homem reparou na cena. Ficou curioso. No dia seguinte, a mesma coisa.
Certa
vez o homem sentou-se ao lado da velhinha e não resistiu:
-
Bom tarde, desculpe a curiosidade, mas o que a senhora esta jogando pela
janela?
-
Boa tarde, respondeu a velhinha.
-
Jogo sementes.
-
Sementes? Sementes de que?
-
De flor. É que eu viajo neste ônibus todos os dias. Olho para fora e a estrada
é tão vazia.
E
gostaria de poder viajar vendo flores coloridas por todo o caminho... Imagine
como seria bom.
-
Mas a senhora não vê que as sementes caem no asfalto, são esmagadas pelos pneus
dos carros, devoradas pelos passarinhos... A senhora acha que essas flores vão
nascer aí, na beira da estrada?
-
Acho, meu filho. Mesmo que muitas sejam perdidas, algumas certamente acabam
caindo na terra e com o tempo vão brotar.
-
Mesmo assim, demoram para crescer, precisam de água...
-
Ah, eu faço minha parte. Sempre há dias de chuva. Além disso, apesar da demora,
se eu não jogar as sementes, as flores nunca vão nascer .
Dizendo
isso, a velhinha virou-se para a janela aberta e recomeçou seu
"trabalho".
O
homem desceu logo adiante, achando que a velhinha já estava meio
"caduca".
O
tempo passou...
Um
dia, no mesmo ônibus, sentado à janela, o homem levou um susto, olhou para fora
e viu margaridas na beira da estrada,rosas, cravos... A paisagem estava
colorida, linda.
O
homem lembrou-se da velhinha, procurou-a no ônibus e acabou perguntando para o
cobrador, que conhecia todo mundo.
-
A velhinha das sementes? Pois é, morreu no mês passado.
O
homem voltou para o seu lugar e continuou olhando a paisagem florida pela
janela. "Quem diria, as flores brotaram mesmo", pensou. "Mas de
que adiantou o trabalho da velhinha?
A
coitada morreu e não pode ver esta beleza toda".
Nesse
instante, o homem escutou uma criança.
No
banco da frente, um garotinho apontava pela janela entusiasmado:
-
Olha, mãe, que lindo, quanta flor pela estrada...
Então,
o homem entendeu o que a velhinha tinha feito. Mesmo não estando ali para
contemplar as flores que tinha plantado, a velhinha devia estar feliz. Afinal,
ela tinha dado um presente maravilhoso para as pessoas.
No
dia seguinte, o homem entrou no ônibus, sentou-se numa janela e tirou um
pacotinho de sementes do bolso...
Um
abençoado dia pra você
E
até que nos encontremos novamente
Que
Deus lhe guarde serenamente
Na
palma de suas mãos.
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