Quinta-feira, 14 de
maio de 2020
“Depois
da liberdade desaparecer, resta um país, mas já não há pátria."
(Chateaubriand)
EVANGELHO
DE HOJE
Jo 15,9-17
O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós!
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus, segundo João
Glória a vós, Senhor!
Naquele
tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 9Como meu Pai me amou, assim também eu
vos amei. Permanecei no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos,
permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e
permaneço no seu amor.
11E
eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria
seja plena. 12Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu
vos amei. 13Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos.
14Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. 15Já não vos chamo
servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos,
porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai.
16Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e
vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O
que então pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. 17Isto é o que vos
ordeno: amai-vos uns aos outros.
Palavra da salvação
Glória a vós Senhor.
MEDITAÇÃO
DO EVANGELHO
Pe.
Antônio Queiroz CSsR
Não
fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi.
Hoje nós celebramos a festa do
Apóstolo S. Matias. A escolha dele, em substituição a Judas Iscariotes, está
narrada na primeira Leitura: At 1,15-26. Fizeram um sorteio. Nós hoje
escolhemos os nossos líderes geralmente através da votação. Mas no fundo quem escolhe
é sempre Deus, seja através do sorteio, da votação, ou de qualquer outro
sistema eleitoral.
Não somos nós que escolhemos a Deus,
mas é ele que nos escolhe. Da nossa parte, cabe a disponibilidade, como teve S.
Matias. Ele não escolheu ser Apóstolo, foi a Igreja que o escolheu. Ou melhor,
foi Deus que o escolheu através da Igreja.
É interessante o discursinho de S.
Pedro, que está na primeira Leitura. O que ele fez foi um discernimento junto
com a Comunidade, isto é, uma busca da vontade de Deus. Usando outras palavras,
Pedro disse: Deus quer que haja doze Apóstolos, porque foi assim que Jesus
constituiu o grupo, que é uma continuação das doze tribos de Israel. Mas Judas
nos deixou. Portanto, Deus quer que um de vocês ocupe o lugar dele.
Com essas palavras, Pedro motivou a
Igreja ali reunida, umas cento e vinte pessoas, a buscarem uma saída, indicando
candidatos para preencher a vaga. Pedro ainda deu critérios para a escolha: “Há
homens que nos acompanharam durante todo o tempo em que o Senhor Jesus vivia no
meio de nós, a começar pelo batismo de João até o dia em que foi elevado ao
céu. Agora, é preciso que um deles se junte a nós”. Esses são os chamados
setenta de dois discípulos. A Comunidade trocou idéias e apresentou Matias e
José Barsabás.
A Comunidade escolheu através de um
sorteio. Nós hoje costumamos fazer votação ou outro sistema qualquer. É a mesma
coisa. No fundo, quem escolhe é Deus, seja através do sorteio, ou dos votos, ou
de qualquer outro sistema eleitoral.
O importante é a Comunidade fazer as
três coisas que essa Comunidade fez: 1ª) Ter o desejo de fazer a vontade de
Deus, não a própria vontade. 2ª) Rezar, pedindo a Deus que ilumine e dirija na
hora de votar ou de escolher. 3ª) Os membros fazerem a sua parte, conversando
entre si e trocar idéias sobrem quem é o mais indicado para o cargo.
Deus quer que os postos vagos nas
pastorais, nos ministérios e nos vários serviços da nossa Comunidade sejam
preenchidos. Vários motivos levam um cargo a ficar vago: doença, mudança da
família para outra cidade, impossibilidade de continuar, devido a compromissos
pessoais ou familiares, devido a doença. E também por um motivo muito comum: a
pessoa que exercia o cargo parou de participar da Comunidade.
O próprio fato de haver uma função
vaga é um chamado de Deus para todos os membros da Comunidade. É algo que nos
inquieta. A primeira coisa que a gente pensa é: Será que eu tenho condições de
assumir essa função? Ou: Será que eu não poderia convencer alguém a assumi-la?
Imagine se S. Pedro aparecesse hoje na
nossa Comunidade, convivesse uns dias com ela e depois fizesse um discursinho
na hora da Missa: “Irmãos, eu descobri que tal cargo está vago. Isso não pode
acontecer! Deus não quer isso! Peço a vocês que se reúnam, conversem entre si e
apresentem alguns candidatos para fazermos uma votação”. Que bonito seria, não?
Que aprendamos a lição da escolha de Matias! Uma função vaga na nossa
Comunidade é, por si mesma, um chamamento de Deus a nós. Que nos esforcemos
para que, de uma forma ou de outra, essa função seja preenchida.
No Evangelho, Jesus fala que o seu
amor nasce da obediência aos seus mandamentos: “Se guardardes os meus
mandamentos, permanecereis no meu amor”. Essa expressão “no meu amor” refere-se
não apenas ao nosso amor a ele, mas ao amor que ele carrega no coração, que é o
amor que existe dentro da SS. Trindade e que foi derramado em nossos corações
(Rm 5,5).
De fato, o amor de Deus não é apenas
sentimento, ele se mostra nas nossas ações e atitudes. “Nem todo aquele que me
diz: ‘Senhor! Senhor!’, entrará no Reino dos Céus, mas só aquele que põe em
prática a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21).
Um dos mandamentos de Jesus é
pertencer à sua Igreja, que é una, santa, católica e apostólica.
E neste Evangelho Jesus fala também:
“Eu não vos chamo servos, mas amigos”. Ele quer ser nosso amigo. Vamos também
ser amigos dele, amigos fiéis e sinceros, como ele é conosco.
“Ninguém tem amor maior do que aquele
que dá sua vida pelos amigos.” O Apóstolo S. Matias pregou a Palavra de Deus na
Palestina, e depois na Ásia Menor, onde morreu mártir. Diz a tradição que ele
foi apedrejado e depois morto a machadadas. Portanto, deu a vida por Cristo e
pela santa Igreja.
Existe o chamado martírio incruento,
isto é, martírio sem sangue. São cristãos que dão a vida por Cristo e pela
Igreja, e morrem por esta causa. Diante de Deus, o martírio incruento tem o
mesmo valor do martírio de sangue.
Certa vez, um pai comprou para o seu
filho de sete anos uma pipa, brinquedo que em alguns lugares é chamado de
papagaio. O menino foi direto para o terreiro, a fim de soltar a pipa. Mas ele
não conseguiu levantá-la. Por mais que se esforçava, a pipa não subia. O garoto
corria pra lá e pra cá, mas nada.
O pai viu, veio, pegou a linha e com
facilidade levantou a pipa, mas só a uns dois metros do chão, para que o menino
fizesse o resto. Passou a linha para o filho e explicou como fazer. Aí sim, o
papagaio se levantou, foi para as alturas e o garotinho ficou muito feliz.
S. Pedro, na eleição do Apóstolo
Matias, fez como esse pai. Ele não levantou a pipa mas ajudou o filho a
fazê-la. S. Pedro não escolheu o sucessor de Judas, mas incentivou e orientou a
Comunidade como fazê-lo. As pessoas têm muitas pipas para serem levantadas. Que
tal nós darmos uma mãozinha? Feliz daquele e daquela que, apesar do vento, não
deixa a sua pipa cair nem se enroscar nas árvores!
Que Maria Santíssima e os Apóstolos S.
Pedro e S. Matias nos ajudem a levar em frente a nossa Comunidade, observando
os mandamentos de Jesus.
Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi.
MUNDO ANIMAL
Como prestar
socorro de emergência para cães
Por Ayrton
Mugnaini Jr
Sempre digo que cães são como crianças de dois
anos e meio, necessitam de atenção e cuidados. Sempre digo também que o ser
humano tende a pensar que acidentes, doenças graves e casamentos são desgraças
que só acontecem com outras pessoas e com os cães de outras pessoas. Por isso é
importante termos alguma noção de primeiros socorros, inclusive para ajudarmos
e até salvarmos nossos peludos em caso de emergência. E aqui vai um guia geral
para os casos mais comuns que podem ocorrer a nossas crianças peludas.
Algumas providências são semelhantes às tomadas
quando os problemas ocorrem com humanos, embora possa ser um pouco mais difícil
detectá-los em cães, já que estes não falam idiomas humanos e muitas vezes até
fogem ao serem feridos. E nunca se esqueça de manter a calma, tua e do peludo,
nem de chamar o veterinário ou levar o cão até ele em caso de demora para
resolver o problema.
Asfixia ou Engasgo
Sabemos (ou deveríamos saber) que não devemos
largar pelo chão nada que possa ser engolido por crianças pequenas ou cães. Mas
pode acontecer de o peludo deglutir alguma coisa que pare na garganta. Então
ele geme de dor, ou não pára de tossir, babar ou vomitar, ou bate na boca com a
pata — obviamente tentando se livrar do que o incomoda lá dentro — , ou
demonstra estar sem fôlego, com boca e gengivas azuis, roxas ou brancas.
Se o peludo não conseguir se livrar sozinho do que
lhe sufoca, nossa primeira providência é ajudá-lo abrindo-lhe a boca — mas
antes, se o bicho for bravo e de médio a grande porte, imobilize-o segurando-o
pela pelagem entre as orelhas, senão ele pode te morder mesmo. Ah, sim: não
esqueça uma lanterna, abajur ou outra fonte de luz para enxergar bem lá dentro
da boca do cão e não correr o risco de, ao tentar remover o que obstrui a
garganta do bicho, não enxergar direito e empurrar mais para dentro ainda. Uma
pinça por perto ajudará muito na remoção.
Se o cão for pequeno ou médio, você pode
suspendê-lo de cabeça para baixo, seguro e pendurado pelas patas dianteiras,
exatamente como um bebê humano recém-nascido, sacudindo-o ou dando-lhe tapas
nas costas na região dos ombros, para tirar o objeto usando a força da
gravidade. Pode-se também suspender assim um cão de grande porte, se você for
um He-Man ou uma She-Ra; caso não seja, levante-lhe as patas dianteiras, como
se o bicho fosse um carrinho de mão, para incliná-lo à frente e tentar remover
a obstrução.
Outra possibilidade, se o cão não estiver
conseguindo respirar, é aplicar a chamada Manobra de Heimlich: com o cão de
cabeça para baixo ou pelo menos de cabeça baixa, pressione algumas vezes com o
punho fechado (ou alguns dedos, se o cão for pequeno) a região logo abaixo da
caixa torácica o bicho até ele liberar o que está preso na garganta. Se o cão
aparentar estar desmaiado e sem pulso, faça-lhe ressuscitação cardio-pulmonar
imediatamente e chame o veterinário.
Intoxicação e envenenamento
Pode também acontecer de o cão ingerir coisas
indevidas que ficaram indevidamente soltas ou espalhadas por aí como veneno de
rato, plantas venenosas, medicamentos e até chocolate (a teobromina do cacau é
nociva aos cães; afinal, como diz Raul, "o que eu como a prato pleno bem
pode ser o seu veneno") e, veja só, medicação antipulgas em excesso.
Lembremos que cães podem se intoxicar até com medicamentos próprios para
humanos, que podem (os medicamentos) ter-lhe sido dados com muito boa intenção
mas pouca informação.
O cão envenenado ou intoxicado pode ficar inquieto
ou desorientado, ter espasmos, tremores, rigidez muscular ou até apatia e
desmaios, perder apetite, ter ataques súbitos de vômito e diarreia, beber e
urinar mais que o normal, boca salivando ou espumando ou, como no caso de
asfixia, estapear a boca, engasgar ou ter dificuldade em respirar. A primeira
providência é verificar o que o cão pode ter comido e recolher em sacos
plásticos o que aparecer de vômito ou diarreia para exame (certos venenos têm
efeito retardado e cumulativo, só se manifestando em até meses após começarem a
ser ingeridos), e corra com o cão ao veterinário — melhor ainda se puder
telefonar e avisar que um caso de envenenamento está a caminho. E cada tipo de
intoxicação ou envenenamento exige um exame e tratamento (lavagem estomacal,
injeções, diálises, exames de sangue e rins, internamento)
Desmaios ou ataques cardíacos
Ouça, veja e apalpe bem para ver se o cão está
respirando, dando tapinhas de leve e chamando-o pelo nome — mas cuidado para
não ser mordido caso ele desperte de repente. Se ele não estiver respirando,
abra-lhe a boca, puxe um pouco da língua dele para fora e faça ressureição
boca-a-focinho, soprando-lhe para dentro do próprio até o tórax dele subir —
mas evite ar em excesso. Para verificar a pulsação do bicho, o ideal e mais
prático pode não ser encostar o ouvido no peito e sim sentir o pulso femural,
na parte de dentro de uma das patas traseiras. Pode ser necessária ressurreição
cardio-pulmonar, semelhante à humana, mas com o peludo deitado não de costas e
sim sobre o lado direito (exceto se for de porte muito pequeno), com a pata
dianteira colocada dobrada no cotovelo; o ponto onde o cotovelo do cão tocar o
corpo é o ideal para aplicar pressão com as mãos uma sobre a outra, formando a
famosa "ventosa" manual para aplicar pressão no bicho, soprando-lhe
nas narinas após um certo número de pressões (dez para cães grandes, cinco para
cães menores e três para peludinhos bem pequenos). Repita até o cão responder.
Atropelamentos ou quedas
Após ser atropelado, o cão deve ser removido o
mais depressa e cuidadosamente possível da via e daí verificar se ele está
inconsciente e respirando; se for o caso, deve-se apliquar a ressurreição que
descrevemos acima. Sangramentos devem ser limpos e cobertos, e fraturas devem
ser imobilizadas com tipoias de pano ou o que estiver à mão (até cadarço de
tênis pode servir). O ideal é transportar o bicho numa "maca" que
pode ser uma folha de papelão ou outra superfície firme ou, na falta desta, uma
toalha, cobertor, peça de roupa que sirva de "rede". O bicho deve ser
acalmado, pois, ao contrário de pacientes humanos, ele não costuma se conformar
em ser imobilizado e preso a uma maca, improvisada ou não. E coloquem
delicadamente o cão no carro rumo a um veterinário, que fará todos os exames e
procedimentos para detectar e tratar fraturas, feridas, infecções, fortes dores
e outros problemas.
Pode acontecer de o peludo, por puro instinto,
após ser atropelado, conseguir ignorar a dor e sair correndo, geralmente
voltando para casa, o que pode tornar difícil ao dono perceber imediatamente
que o cão está ferido (ainda mais porque a maioria dos danos físicos causados
por atropelamentos são internos!); mas logo que perceber, o dono deve, claro,
levar o cão ao veterinário imediatamente. E pode acontecer também de, se você
for a primeira pessoa que o cão vir após ser atropelado, ele te associe ao acidente,
pense que você foi o causador e queira te atacar, portanto esteja prevenido(a).
Olhos
Pode acontecer de alguma coisa, como uma farpa ou
pancada, atingir o olho do cão. O ideal é, ao contrário do procedimento para
engasgamentos, não tentar remover o objeto do olho do peludo, mas apenas
desinfetar o local com alguma solução especial para higiene ocular e cobri-lo
com gaze ou um pano antes de levar o bicho ao veterinário. Se o problema for
apenas um golpe que deixou o olho do cão preto ou inchado, uma compressa fria e
repouso deverão resolver.
Ah, sim: se o cão for muito bravo, convém
colocar-lhe uma focinheira (que pode até ser improvisada com corda, gravata,
meia-calça, o que estiver à mão), para evitar que ele tente te mastigar, antes
de examiná-lo nos olhos e...
Patas, garras e feridas em geral
Cães, assim como crianças humanas, não escapam de
um machucado ou outro, que geralmente pode ser curado fácil e rapidamente.
Feridas que sangram devem ser limpas com água e podem ser estancadas com gaze
ou uma toalha e leve pressão durante uns vinte minutos. Se o ferimento for numa
das patas, ela pode ser erguida acima da altura do coração do bicho, para deter
a circulação do sangue; se este jorra muito (e quanto mais claro, mais profundo
é o ferimento), e o ferimento for muito grande e duas camadas constantemente
pressionadas de gaze ou pano não forem suficientes para ajudar a estancar a
sangria, é preciso levar o cão ao veterinário mais imediatamente ainda (sempre
pressionando a região para ajudar a estancar o sangue sem remover a gaze ou os
panos). Para feridas mais superficiais basta lavar com água morna e sabão
bactericida (além de aparar os pêlos próximos para evitar que eles grudem no
ferimento e dificultem a cicatrização); pode ser necessário colocar no cão
aquele colar de "abajur" se ele insistir em seguir o instinto de
lamber a ferida ou arrancar o curativo. E farpas, cacos e outros corpos
estranhos que estiverem muito encruados deverão ser removidos pelo veterinário.
Lá o peludo terá o tratamento necessário, e que além de limpeza do ferimento
pode incluir extração de corpos estranhos, raios-X, pontos e transfusão de
sangue.
Esse foi apenas um guia geral
de primeiros socorros, e alguns itens merecem estudo mais detalhado, mas espero
poder ter ajudado no atendimento e assistência emergencial aos peludos que
necessitarem. (E eu falei de casamentos como coisa que só acontece com outras
pessoas; sim, há casamentos que dão certo, mas é mais fácil encontrar um casal
de cães Catalburun na casa de uma pessoa amiga.)
MOMENTO DE REFLEXÃO
Não o que eu quero, porém o que tu queres.” (Mc
14, 36)
Jesus está no Horto das Oliveiras, na propriedade
chamada Getsêmani. A hora tão esperada chegou. É o momento crucial de toda a
sua existência. Ele se prostra por terra e suplica a Deus, chamando-o de “Pai”,
numa confidência cheia de ternura, para “afastar dele esse cálice” (cf. Mt 14,
36), expressão que se refere à sua Paixão e Morte. Jesus pede ao Pai que aquela
hora passe… Mas, enfim, entrega-se completamente à vontade de Deus:
Não o que eu quero, porém o que tu queres.
Jesus sabe que a sua Paixão não é um acontecimento
casual nem simplesmente uma decisão dos homens, mas é um plano de Deus. Ele
será processado e rejeitado pelos homens; o “cálice”, porém, vem das mãos de
Deus.
Jesus nos ensina que o Pai tem um plano de amor
para cada um de nós, que Ele nos ama com um amor pessoal e, se acreditarmos
nesse amor e correspondermos com o nosso amor – é essa a condição –, Ele fará
com que tudo seja finalizado para o bem. Para Jesus, nada aconteceu por acaso,
nem sequer a Paixão e a Morte.
Depois aconteceu a Ressurreição, cuja festividade
solene celebramos neste mês.
O exemplo de Jesus, o Ressuscitado, serve de luz
para a nossa vida. Devemos saber interpretar tudo o que vem ao nosso encontro,
o que acontece, o que nos rodeia e também tudo o que nos faz sofrer, como
vontade de Deus que nos ama ou como uma permissão de Deus que nos ama também
assim. Então, tudo na vida terá sentido, tudo será extremamente útil, mesmo
aquilo que, na hora, nos parece incompreensível e absurdo, mesmo aquilo que nos
pode fazer precipitar numa angústia mortal, como aconteceu com Jesus. Será
suficiente que, junto com ele, saibamos repetir, com um ato de confiança total
no amor do Pai:
Não o que eu quero, porém o que tu queres.
A vontade dele é que vivamos, que lhe agradeçamos
com alegria pelas dádivas da vida; mas, às vezes, ela certamente não
corresponde ao que imaginamos. Não é, por exemplo, uma situação diante da qual
temos de nos resignar, em especial quando deparamos com a dor, nem uma sucessão
de atos monótonos espalhados ao longo da nossa vida.
A vontade de Deus é a sua voz que nos fala e nos
convida continuamente, é o modo pelo qual ele nos expressa o seu amor, para nos
dar a sua plenitude de Vida.
Poderíamos fazer uma representação disso com a
imagem do Sol, cujos raios seriam a sua vontade para cada um de nós. Cada
pessoa caminha ao longo de um raio, diferente do raio de quem está ao lado, mas
sempre um raio de sol, ou seja, a vontade de Deus. Portanto, todos nós fazemos uma
única vontade, a de Deus; no entanto, ela é diferente para cada um. Os raios,
quanto mais se aproximam do Sol, mais se aproximam entre si. Também nós, quanto
mais nos aproximamos de Deus, pela observância sempre mais perfeita da vontade
divina, mais nos aproximamos entre nós… até sermos todos um.
Vivendo assim, tudo na nossa vida pode mudar. Em
vez de procurarmos a quem gostamos e amar somente a eles, podemos dar atenção a
todos aqueles que a vontade de Deus põe ao nosso lado. Em vez de procurarmos
aquilo de que gostamos, podemos nos dedicar àquelas coisas que a vontade de
Deus nos sugere e preferi-las. Se estivermos inteiramente projetados na vontade
divina daquele momento (“o que tu queres”), seremos consequentemente levados ao
desapego de todas as coisas e do nosso eu (“não o que eu quero”). Esse desapego
não é tanto resultado de uma busca proposital, porque se deve buscar só a Deus,
mas acontece de fato. Então a alegria será completa. Basta mergulharmos no
momento que passa e cumprir naquele instante a vontade de Deus, repetindo:
Não o que eu quero, porém o que tu queres.
O momento que passou não existe mais; o momento
futuro ainda não está em nosso poder. Acontece como a um passageiro no trem:
para chegar ao destino, ele não fica andando para frente e para trás, mas fica
sentado no seu lugar. Assim, devemos ficar firmes no presente; o trem do tempo
viaja por si. Só podemos amar a Deus no momento presente que nos é dado,
pronunciando o próprio “sim” vigoroso, radical, ativíssimo, à vontade dele.
Portanto, vamos amar aquele sorriso que temos a
dar, aquele trabalho a ser executado, aquele carro a ser conduzido, aquela
refeição a ser preparada, aquela atividade a ser organizada, aquela pessoa que
sofre ao nosso lado.
Nem sequer a provação ou o sofrimento nos devem
assustar se, com Jesus, soubermos reconhecer neles a vontade de Deus, ou seja,
o seu amor para cada um de nós. Poderemos até mesmo rezar assim:
“Senhor, faze que eu nada tenha a temer, porque
tudo o que vai acontecer será a tua vontade e nada mais! Senhor, faze que eu
não tenha outro desejo, porque nada é mais desejável do que exclusivamente a
tua vontade.
O que é importante na vida? Importante é a tua
vontade.
Faze que nada me perturbe, porque tudo é a tua
vontade. Faze que eu não me agite com nada, porque tudo é tua vontade.”
Chiara
Lubich
UM ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ...
E até que nos encontremos novamente,
que Deus lhe guarde serenamente
na palma de Suas mãos.
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