Terça-feira, 26 de maio
de 2020
"A
arte é um instante de eternidade e perfeição." (V. Avelino)
EVANGELHO
DE HOJE
Jo 17,1-11a
O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós!
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus, segundo João
Glória a vós, Senhor!
Assim Jesus falou, e elevando os olhos ao céu, disse: "Pai,
chegou a hora. Glorifica teu filho, para que teu filho te glorifique, assim
como deste a ele poder sobre todos, a fim de que dê vida eterna a todos os que
lhe deste. (Esta é a vida eterna: que conheçam a ti, o Deus único e verdadeiro,
e a Jesus Cristo, aquele que enviaste.) Eu te glorifiquei na terra, realizando
a obra que me deste para fazer. E agora Pai, glorifica-me junto de ti mesmo,
com a glória que eu tinha, junto de ti, antes que o mundo existisse. Manifestei
o teu nome aos homens que, do mundo, me deste. Eles eram teus e tu os deste a
mim; e eles guardaram a tua palavra... e reconheceram que eu saí de junto de ti
e creram que tu me enviaste. Eu rogo por eles. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles
que me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é
meu. E eu sou glorificado neles. Eu já não estou no mundo; mas eles estão no
mundo, enquanto eu vou para junto de ti".
Palavra da salvação
Glória a vós Senhor.
MEDITAÇÃO
DO EVANGELHO
Alexandre
Soledade
Bom dia!
Olhem o tamanho do compromisso que
temos como cristãos: Ser o reflexo de Jesus no mundo. “(…) minha natureza
divina se revela por meio daqueles que me deste”
A natureza divina de Jesus se revela
em cada um de nós, portanto devemos ver e rever constantemente como a estamos
refletindo. Quando digo “nós” refiro-me no singular e no coletivo.
No singular, refiro-me ao reflexo
individual de cada um de nós perante aos questionamentos do mundo e como
coletivo ao ver a quantidade de pessoas que andam a margem da sociedade
perambulando pelas ruas de nossas cidades.
Esses dias vi uma matéria no BOM DIA
BRASIL sobre a quantidade expressiva de pessoas que moram nas ruas ou em
abrigos públicos e foi, para mim, surpreendente ver uma senhora, moradora de
rua, dizer que morar na rua é bom e que com freqüência recebe roupas e
agasalhos das pessoas e que também, em certas circunstâncias, recebem comida de
tamanha qualidade que “não tem talvez em sua casa” – referindo-se a repórter.
A pesquisa apontava que a maioria dos
habitantes são homens na faixa etária de 22 as 40 anos, solteiros e sem
familiares. O desemprego, a falta de instrução e a ausência de familiares como
causas e as drogas e a violência como produto.
Foi duro sim ouvir a moradora de rua
dizer que é bom morar na rua. É duro ver alguém se conformar com o que cai da
mesa dos outros e desistir de querer algo melhor. Talvez seja uma forma de
justificar pra si próprio o que lhe acontece, mas o engraçado que talvez ela
tenha seus motivos de “se defender”, pois se retornamos do coletivo para o singular,
quantas pessoas andam por ai também perambulando, no entanto suas vidas não têm
nada de parecido com os moradores de rua?
Alguns têm uma vida cômoda e bem
distribuída, mas preferem ficar a parte da graça que o circunda. Aqui se
encontram as pessoas egoístas, rancorosas, gananciosas, fofoqueiras,
dissimuladas, desonestas, (…), ou seja, muitas das vezes, nós mesmos. Ao se
afastar de Deus também perdemos a nossa dignidade como seres humanos. Talvez o
morador de rua não tenha tido outra alternativa, mas isso, nós temos.
“(…) Cristão, reconhece a tua
dignidade. Por participares agora da natureza divina, não te degeneres,
retornando à decadência de tua vida passada. Lembra-te da Cabeça a que
pertences e do Corpo de que és membro. Lembra-te de que foste arrancado do
poder das trevas e transferido para a luz e o Reino de Deus”. (§1691 Catecismo
da Igreja Católica)
Na ascensão, Jesus revela sua
divindade e nos apresenta compromissos individuais e no coletivo.
Muitos dos nossos problemas
individuais seriam solucionados se pensássemos mais no coletivo, e os que não
são assim solucionados poderiam ser atenuados se parássemos de acreditar que
tudo precisa gravitar como planetas, ao nosso redor.
Crescer é refletir, é abrir o
horizonte de compreensão. Ser reflexo de Jesus não é se trancar em casa e
rezar, é nos relacionamentos sociais, no convívio com as pessoas, refletir que
sou um homem ou mulher de Deus e não mais uma criança.
“(…) Então, não seremos mais como
crianças, entregues ao sabor das ondas e levados por todo vento de doutrina,
ludibriados pelos outros e por eles, com astúcia, induzidos ao erro. Ao
contrário, vivendo segundo a verdade, no amor, cresceremos sob todos os
aspectos em relação a Cristo, que é a cabeça. É dele que o corpo todo recebe
coesão e harmonia, mediante toda sorte de articulações e, assim, realiza o seu
crescimento, construindo-se no amor, graças à atuação devida de cada membro. Eu
vos digo, pois, e vos conjuro no Senhor, que não vos comporteis mais como se
comportam os pagãos, por sua mentalidade fútil. Eles têm a inteligência
obscurecida e são alheios à vida de Deus, por causa da ignorância produzida
neles pela dureza de seus corações”. (Efésios 4, 14-18)
Obs.: Nas lendas e folclores europeus,
só vampiros não refletem a imagem. Se sou cristão de verdade preciso refletir a
imagem, ou serei apenas mais um amigo do conde Drácula a pedir, pedir, pedir,
sugar, sugar, sugar… (risos)
Um Imenso abraço
fraterno.
COMPORTAMENTO
Quando cansamos
de nos sacrificar pelos outros, encontramos o amor-próprio
Gu Ferrari
Cansei de não reconhecer as pessoas em quem antes
via um refúgio. Cansei de ver tempestade onde havia calmaria. Cansei de ver
guerra no meu cantinho de paz.
Quem disse que não podemos chutar o pau da
barraca? Todos que estão à nossa volta o fazem. Onde está escrito no manual da
vida que temos de ser perfeitos e dispostos o tempo todo?
Cansa ser legal, compreensiva e disposta o tempo
todo. Cansa fingir que tudo está bem, quando na verdade não está. Cansa estar
sempre disponível para ouvir e ajudar, e quando você precisa de um ombro amigo,
não o tem. Na boa? Cansei.
E não é rebeldia, falta de educação ou vingança, é
um ato de libertação e amor-próprio. Por minha sanidade física, mental e
emocional, assumo que cansei. Cansei dessa gente que não pensa antes de falar.
Cansei dessa gente que, depois que o estrago está feito, vem com mentiras, vem
com riso debochado. Gente que não assume o que faz e depois fica tentando
colocar panos quentes numa treta que começou, o que me dá mais raiva ainda…
Eu tô cansada. Cansada de ter de pisar em ovos,
cansada de tudo ser sempre tão difícil, cansada de ter cuidado com as palavras,
com a forma de dizer, com ter que me justificar sempre, de ter que explicar
sempre, de ter que me diminuir sempre. Cansei.
Cansei de sempre elogiar, de incentivar e receber
de volta 0% de gratidão. Cansei de não ser mais eu mesma, quando antes eu era a
melhor versão de mim.
Cansei de não reconhecer as pessoas em quem antes
via um refúgio. Cansei de ver tempestade onde havia calmaria. Cansei de ver
guerra no meu cantinho de paz.
Cansei de dar segundas e terceiras chances para
quem não merecia nem a primeira. Cansei de tanta dedicação, tanto carinho e
disponibilidade onde só encontrei indiferença.
Eu cansei, porque isso dói, sufoca, anula (ops
anulava; hoje, não mais), e me enche de interrogações, porque quero entender
como pode tudo mudar, como é possível pessoas tão próximas, sinceras e intensas
se tornarem desconhecidas? Como pode haver tanta farpa onde antes havia tanto
amor?
Cansei de relacionamentos de mão única. Na boa?
Cansei (e de escrever esse texto também).
Identificou-se com o texto acima? Pois bem,
reconhecer que cansou é o primeiro passo rumo à liberdade, é a maturidade se
fazendo presente em nós. Quando nos cansamos de entender o próximo e fazemos
com que ele não seja mais nossa prioridade, começamos a viver a própria vida. É
libertador. É finalmente colocar o eu em primeiro plano, é colocar em prática
nossos desejos e sonhos, é redescobrir-nos. Por isso eu me cansei.
E estou feliz pra caramba! Com
energia e disposição para viver minha melhor fase: a do amor-próprio. Desejo
que você se canse também.
MOMENTO DE REFLEXÃO
Você saberia dizer qual é a ponte mais importante
do mundo?
Talvez muitas imagens de mega-construções tenham
passado pela sua mente neste instante, mas seguramente nenhuma delas é a mais
importante, embora todas sejam úteis.
Agora imagine uma mãe com seu bebê no
colo...Imagine o neném sugando o leite materno enquanto a mãe o acaricia e o
envolve em terno carinho...
Sem dúvida, uma imagem divina!
Agora imagine uma criança deitada sobre o peito de
seu pai, enquanto o pai passa suavemente a mão sobre suas costas...
Outra cena comovente, com certeza...
Mas, afinal de contas, o que isto tem a ver com a
ponte mais importante do mundo?
Tem, e muito.
Esses pequenos gestos são os alicerces que
sustentarão a ponte mais eficiente e mais importante da vida: a ponte do
diálogo.
Muitos pais desconhecem que é desde os primeiros
dias de vida de seus bebês que a ponte do diálogo deve ser iniciada.
Os pais que sabem disso começam a conversar com o
filho enquanto este ainda se move no ventre materno. E o neném responde, ao seu
modo.
Mas quando esse importante meio de comunicação e
união não é construído, as
conseqüências podem ser desastrosas, pois um
precipício pode se abrir entre pais e filhos.
Desatentos para essa realidade, muitos genitores
crêem que somente quando o filho for jovem é que deverão se preocupar com uma
aproximação.
Ledo engano!
Não é raro que muitos pais se desesperem quando
tentam dar um passo na direção do filho e só encontram um profundo vazio...
Não há ponte... Não há como se aproximar...
Perplexos, os pais gritam. Também em vão...
Os filhos não os ouvem.
Não há entendimento. Só há um grande e triste
distanciamento...
"Onde foi que eu errei?", perguntam-se.
Mas não ouvem resposta alguma.
Encontrarão a resposta fazendo uma retrospectiva
de suas atitudes para com os filhos,desde o momento em que eles chegaram ao
mundo.
As cenas são quase sempre iguais, mudando apenas o
cenário e os personagens.
O filho pequeno, que ainda não sabe se comunicar
com palavras, é extremamente sensível aos gestos dos pais, mas é tratado como
se fosse apenas um boneco, sem razão nem sentimentos...
Não é digno de atenção, pois não sabe se
expressar...
Outro equívoco, pois logo as crianças demonstram
sua indignação agindo com rebeldia ou violência, ou se isolando do mundo.
Por todas essas razões, e outras mais, é
importante pensar nessa ponte de afeição que liga as criaturas.
Ela precisa ser construída com cuidado, usando-se
os melhores sentimentos de ternura, atenção e respeito, os únicos que são
eficientes e duráveis.
Por mais que avance a tecnologia, que se tenha mil
modos de comunicação, nada substitui o diálogo caloroso entre os familiares.
E não basta apenas estar junto, não basta oferecer
o peito ao bebê e ficar com a mente e o coração distantes.
Não é suficiente sentar-se na mesma poltrona,
ligar a TV e ver um bom filme.
É preciso estar junto, sentir o coração pulsando,
os olhares fugidios, os medos escondidos.
Considere tudo isso e comece, ainda hoje, a
construção dessa ponte de ternura que aproximará você de quem você ama.
Não permita que a erosão da indiferença abra valas
intransponíveis entre você e os seus amores! Aproxime-se, de corpo e alma,
enquanto ainda há tempo...
Quando a ponte do diálogo é
construída sobre as bases da confiança e do respeito mútuo, não há nada capaz
de derrubá-la, e as relações afetivas estarão sempre preservadas.
UM ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ...
E até que nos encontremos novamente,
que Deus lhe guarde serenamente
na palma de Suas mãos.
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