Domingo, 31 de maio
de 2020
“O
vício intrínseco do capitalismo é a partilha desigual do sucesso; o vício
intrínseco do socialismo é a partilha equitativa do fracasso.” (Winston
Churchill)
EVANGELHO
DE HOJE
Jo 20,19-23
O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós!
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus, segundo João
Glória a vós, Senhor!
Ao
anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, os discípulos estavam reunidos,
com as portas fechadas por medo dos judeus. Jesus entrou e pôs-se no meio
deles. Disse: "A paz esteja convosco". Dito isso, mostrou-lhes as
mãos e o lado. Os discípulos, então, se alegraram por verem o Senhor. Jesus
disse, de novo: "A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou também eu vos
envio". Então, soprou sobre eles e falou: "Recebei o Espírito Santo.
A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem os retiverdes, lhes serão
retidos".
Palavra da salvação
Glória a vós Senhor.
MEDITAÇÃO
DO EVANGELHO
Pe.
Antônio Queiroz CSsR
Como
o Pai me enviou, também eu vos envio: Recebei o Espírito Santo!
Hoje celebramos com alegria a
solenidade de Pentecostes, que é a vinda do Espírito Santo. O fato está narrado
na primeira Leitura e no Evangelho. O Evangelho narra que Jesus nos mandou o
Espírito Santo a fim de continuarmos a sua missão na terra: “Como o Pai me
enviou, também eu vos envio. E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e
disse: Recebei o Espírito Santo!”
O Evangelho destaca também que o
Espírito Santo veio sobre os Apóstolos para lhes dar o dom de perdoar os
pecados: “A quem perdoardes os pecados, eles lhes será perdoados; a quem não os
perdoardes, eles lhes serão retidos”.
Jesus é o “Cordeiro de Deus que tira o
pecado do mundo” (Jo 1,29); e a Igreja é a continuadora de Jesus, levando esse
perdão a todos os homens e mulheres do mundo.
Neste pequena trecho do Evangelho,
Jesus fala duas vezes: “A paz esteja convosco”. Dá impressão que essa foi a
finalidade de tudo: dar-nos a paz, uma paz completa e permanente. O pecado gera
sentimento de culpa, o que nos tira a paz. Sem paz, a pessoa não tem alegria,
nem felicidade, nem força para agir e fazer o bem. Como que é importante o
sacramento da confissão!
Também o perdão que nos damos uns aos
outros faz bem. Ele traz a paz tanto para quem é perdoado como para quem
perdoa. Há pessoas que só vêem as limitações do próximo. Isso é uma “miopia”,
porque as pessoas têm muito mais qualidades do que defeitos. Destacar as
qualidades de uma pessoa é um incentivo para que ela vença as suas falhas e
melhore de vida.
A paz é melhor que as riquezas, que as
honras e melhor até que a saúde. Mas a paz não nos vem isolada; ela é fruto da
justiça e do perdão. Quem é justo e perdoa torna-se uma fonte de paz no mundo.
“Estando fechadas, por medo dos
judeus, as portas...” Com esse medo todo, dá impressão que, se o Espírito Santo
não tivesse vindo, a Igreja teria acabado ali mesmo.
O Espírito Santo tira o medo
exagerado, e acrescenta à nossa coragem a confiança de que Deus fará também a
parte dele e nos defenderá. “Se pegarem em serpentes e beberem veneno mortal,
não lhes fará mal algum” (Mc 16,18).
Na primeira Leitura, o Espírito Santo
vem como Luz e Força para os discípulos. Luz para nos mostrar o caminho, e
força para seguimos esse caminho.
Outro dado interessante é que o
Espírito Santo não veio sobre indivíduos, mas sobre a Comunidade cristã
reunida. Ele não deseja destacar pessoas, mas sim a Comunidade, que é o Corpo
Místico de Cristo e o principal instrumento de construção do Reino de Deus no
mundo.
A Igreja (Comunidade) é a grande
agente transformadora do mundo; nós somos membros, ou peças dessa máquina.
Eu vou contar um fato acontecido no
Estado do Acre, em 1981. João Eduardo era um senhor, pai de família e líder da
Comunidade rural onde ele morava.
O governo desapropriou uma grande área
de terra e encarregou o João Eduardo de fazer a distribuição para as famílias
de agricultores sem terra.
Durante esse trabalho, João descobriu
que havia um atravessador vendendo lotes do assentamento. João o procurou,
pediu que ele parasse com aquele ato ilegal, e ameaçou denunciá-lo. O
atravessador o ameaçou de morte, caso o denunciasse. Mesmo assim, João Eduardo
o denunciou. E não deu outra: ele foi assassinado dia 18/01/1981.
O Espírito Santo nos dá coragem para
enfrentar até ameaça de morte, para fazermos o bem e implantarmos a justiça.
João Eduardo sabia que a nossa existência não a morte, mas é eterna. E ele
acreditava que, se lhe acontecesse alguma coisa, a providência divina não
abandonaria a sua família, como de fato não abandonou.
Após a ascensão, os discípulos foram
para Jerusalém e se reuniram, a espera do Espírito Santo que Jesus havia
prometido. E ali, “todos eles perseveravam na oração em comum, junto com
algumas mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus” (At 1,14). Que Maria
Santíssima esteja também em nosso meio, ela que é a esposa do Espírito Santo.
Como o Pai me enviou, também eu vos envio: Recebei o Espírito
Santo!
VÍDEO DA SEMANA
Daniel Godri- O
cachorro e o gato
https://www.youtube.com/watch?v=8gTEzP8Mbik
MOMENTO DE REFLEXÃO
Se alguém lhe atirasse uma pedra, o que você faria
com ela?
Você a juntaria e guardaria para atirar no seu
agressor em momento oportuno ou a jogaria fora?
Trataria dos ferimentos e esqueceria a pedra no
lugar em que ela caiu?
Se você respondeu que a guardaria para devolver em
momento oportuno, então pense em como essa pedra irá atrapalhá-lo durante a
caminhada.
Vamos supor que você a guarde no bolso da camisa,
onde fique bem fácil pegá-la quando for preciso.
Agora imagine como essa pedra lhe causará bastante
desconforto.
- Primeiro porque será um peso morto a lhe
dificultar a caminhada lhe exigindo maior esforço para mantê-la no lugar.
- Segundo porque cada vez que você for abraçar
alguém, ambos sentirão aquele objeto estranho a machucar o peito.
- Terceiro porque se você ganhar uma flor, por
exemplo, não poderá colocá-la no bolso já que ele estará ocupado com aquele
peso inútil.
- Em quarto lugar, o seu agressor poderá
desaparecer da sua vida e você nunca mais voltar a encontrá-lo e, nesse caso,
terá carregado a pedra inutilmente.
Fazendo agora uma comparação com uma ofensa
qualquer que você venha a receber, podemos seguir o mesmo raciocínio.
Se você guardar a ofensa para revidar em momento
oportuno, pense em como será um peso inútil a sobrecarregar você.
Pense em quanto tempo perderá mentalizando o seu
agressor e imaginando planos para vingar-se.
Pondere quantas vezes você deixará de sorrir para
alguém pensando em como devolverá a ofensa.
E se você insistir em alimentar a idéia de revide,
com o passar do tempo se tornará uma pessoa amarga e infeliz, pois esse ácido
guardado em sua intimidade apagará o seu brilho e a sua vitalidade.
Mas se você pensa diferente e quando recebe uma
pedrada, trata dos ferimentos e joga a pedra fora, perceberá que essa é uma
decisão inteligente, pois agirá da mesma forma quando receber outra ofensa
qualquer.
Quem desculpa seu agressor é verdadeiramente uma
pessoa livre, pois perdoar é libertar-se.
Ademais, quem procura a vingança se iguala ao seu
agressor e perde toda razão mesmo que esteja certo.
Somente pode considerar-se diferente quem age de
forma diferente e não aquele que deseja fazer justiça com as próprias mãos.
Em casos de agressões que mereçam providências,
devemos buscar o apoio da justiça e deixar a cargo desta os devidos recursos.
Todavia, vale ressaltar que perdoar não é apenas
esquecer temporariamente as ofensas, é limpar o coração de qualquer sentimento
de vingança ou de mágoa.
Pense nisso!
A pedra bruta perdoa as mãos que a ferem, transformando-se
em estátua valiosa.
O grão de trigo perdoa o agricultor que o atira ao
solo, multiplicando-se em muitos grãos que, esmagados, enriquecem a mesa.
O ferro deixa-se dobrar sob altas temperaturas e
perdoa os que o modelam, construindo segurança e conforto.
Perdoar, portanto, é impositivo
para toda hora e todo instante, pois o perdão verdadeiro é como uma luz
arremessada na direção da vida e que voltará sempre à fonte de onde saiu.
UM ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ...
E até que nos encontremos novamente,
que Deus lhe guarde serenamente
na palma de Suas mãos.
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