Domingo, 13 de junho de 2021
“O tempo é muito lento para os que esperam. Muito rápido para os que tem
medo. Muito curto para os que festejam. Mas para os que Amam, o tempo é a
eternidade.” (Willian Shakespeare)
EVANGELHO DE HOJE
Mc 4,26-34
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Marcos
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, 26Jesus disse à multidão: “O Reino de Deus é como quando
alguém espalha a semente na terra. 27Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a
semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece.
28A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas,
depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. 29Quando as
espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita
chegou”.
30E Jesus continuou: “Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus?
Que parábola usaremos para representá-lo? 31O Reino de Deus é como um grão de
mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra.
32Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e
estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua
sombra”.
33Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme
eles podiam compreender. 34E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando
estava sozinho com os discípulos, explicava tudo.
Palavra da Salvação
Glória a vós Senhor
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Alexandre Soledade
Bom dia!
Duas simples comparações: Como a semente que é lançada na terra e
indiferentemente da nossa vontade, cresce e o grão de mostarda. A primeira gera
a ideia da espera paciente e confiante após o trabalho e empenho realizado e a
segunda a humildade que cresce na simplicidade que enaltece os olhos de Deus.
No site das Paulinas é apresentada uma bela reflexão dessa humildade que
cresce da simplicidade:
“O Reino de Deus não é como os frondosos cedros do Líbano que ornaram o
Templo de Jerusalém e contribuíram para a glória de Salomão. É como o pequeno
grão de mostarda, que se espalha à beira do Mar da Galileia, humilde, porém
cresce o suficiente para dar abrigo às aves do céu, para acolher a vida”.
Passei a entender que em nossas vidas o que temos e teremos é fruto do
empenho do dia-a-dia e das graças reservadas por Deus a cada um de nós filhos e
filhas por Ele amados. Sabemos também que nada acontece sem que Ele não saiba,
que o temor é humano e a fé um dom de Deus. E ao deparar com o evangelho de
hoje nos apresentando que o reino crescerá quer estejamos acordados ou
dormindo… O que tememos?
“(…) Não se vendem dois passarinhos por um asse? No entanto, nenhum cai
por terra sem a vontade de vosso Pai. Até os cabelos de vossa cabeça estão
todos contados. Não temais, pois! Bem mais que os pássaros valeis vós“. (Mateus
10, 29-31)
Sim! Valemos muito para Deus, mas nossa fé às vezes nos trai. Somos
muito imediatistas, queremos tudo para agora ou o mais breve que possível.
Queremos alcançar o céu, mas se possível de elevador. É ainda difícil de
entender que as conquistas poderão vir degrau por degrau e não rapidamente.
“(…) primeiro aparece a planta, depois a espiga, e, mais tarde, os grãos que
enchem a espiga. Quando as espigas ficam maduras, o homem começa a cortá-las
com a foice, pois chegou o tempo da colheita”.
Notei que a ansiedade e a preocupação nos acompanharão enquanto
vivermos, pois somos seres humanos. Que os cabelos virão independentemente de
nossa vontade. Nossos cabelos são contados, inclusive os brancos que povoam
nossa cabeça. Temos medo do desemprego, de não conseguir pagar as contas, de
não conseguir dar o que nossos filhos precisam… E mais cabelos brancos surgem
durante as noites perdidas. Deus já os contou também.
Sem perceber, o reino de Deus nasce enquanto dormirmos. Oportunidades
surgem logo pela manhã, nos abrigando e dando o suficiente para que se acolha a
vida. Murmuramos! Não vemos o Maná.
Tempos atrás vi um governador lançar um programa de casas populares onde
cada morador deveria pagar simbolicamente um Real por mês para deixar seu
barraco aos pés do morro. Sim o local era mais longe do centro da cidade e
careceria que os beneficiários acordassem mais cedo para ir trabalhar.
Conseqüência o projeto fracassou. As pessoas não queriam acordar mais cedo.
O reino de Deus talvez tenha crescido durante a madrugada, mas não
conseguiram ver. Fico triste em lembrar, a cada encosta de morro que desaba,
daqueles que preferiram acordar mais tarde à segurança de suas famílias.
O semeador passa toda noite em nossos pensamentos, vendo nossos anseios
e os fazendo crescer durante a noite. Ele sugere que voltemos a estudar, mas
não O escutamos; Ele pede um pouco de paciência no serviço, mas o orgulho nos
faz pedir demissão; “É como o pequeno grão de mostarda, que se espalha à beira
do Mar da Galileia, humilde…”.
Devemos reler quantas vezes for necessário esse evangelho. Uma hora
vamos entender. “Jesus falava ao povo de um modo que eles podiam entender. E só
falava com eles usando parábolas, mas explicava tudo em particular aos
discípulos”.
Um Imenso abraço fraterno!
MOMENTO DE REFLEXÃO
Eu
tinha 7 anos quando matei minha mãe pela primeira vez. Eu não a queria junto a
mim quando chegasse à escola em meu 1º dia de aula.
Eu
me achava forte o suficiente para enfrentar os desafios que a nova vida iria me
trazer. Poucas semanas depois descobri aliviado que ela ainda estava lá, pronta
para me defender não somente daqueles garotos brutamontes que me ameaçavam,
como das dificuldades intransponíveis da tabuada.
Quando
fiz 14 anos eu a matei novamente. Não a queria me impondo regras ou limites,
nem que me impedisse de viver a plenitude dos vôos juvenis. Mas logo no
primeiro porre eu felizmente a descobri rediviva - foi quando ela não só me
curou da ressaca, como impediu que eu levasse uma vergonhosa surra de meu pai.
Aos
18 anos achei que mataria minha mãe definitivamente, sem chances para
ressurreição. Entrara na faculdade, iria morar em república, faria política
estudantil, atividades em que a presença materna não cabia em nenhuma hipótese.
Ledo engano: quando me descobri confuso sobre qual rumo seguir voltei à casa
materna, único espaço possível de guarida e compreensão.
Aos
23 anos me dei conta de que a morte materna era possível, apenas requeria
lentidão. Foi quando me casei, finquei bandeira de independência e segui
viagem. Mas bastou nascer a primeira filha para descobrir que o bicho
"mãe" se transformara num espécime ainda mais vigoroso chamado
"avó". Para quem ainda não viveu a experiência, avó é mãe em dose dupla.
Apesar
de tudo continuei acreditando na tese da morte lenta e demorada, e aos poucos
fui me sentindo mais distante e autônomo, mesmo que a intervalos regulares ela
reaparecesse em minha vida desempenhando papéis importantes e únicos, papéis
que somente ela poderia protagonizar.
Mas
o final dessa história, ao contrário do que eu sempre imaginei, foi ela quem
definiu: quando menos esperava, ela decidiu morrer. Assim, sem mais, nem menos,
sem pedir licença ou permissão, sem data marcada ou ocasião para despedida.
Ela
simplesmente se foi, deixando a lição que mães são para sempre. Ao contrário do
que sempre imaginei, são elas que decidem o quanto esta eternidade pode durar
em vida, e o quanto fica relegado para o etéreo terreno da saudade.
Escrevi
essa crônica em 11 de março de 2008, um dia após a morte de Ignês Pelegi de
Abreu, minha mãe.
Hoje,
um ano após sua morte, repito essa crônica em homenagem não só a ela, como a
todas as mães.
UM
ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ...
E até que
nos encontremos novamente,
que Deus
lhe guarde serenamente
na palma
de Suas mãos.
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