Terça-feira, 04 de janeiro de 2022
“Existem momentos na vida da gente, em que as palavras
perdem o sentido ou parecem inúteis, e, por mais que a gente pense numa forma
de empregá-las elas parecem não servir. Então a gente não diz, apenas sente.”
―(Sigmund Freud)
EVANGELHO DE HOJE
Mt 6,34-44
— O Senhor
esteja convosco.
— Ele está
no meio de nós.
—
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Mateus
— Glória a
vós, Senhor!
Naquele
tempo, 34Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como
ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas. 35Quando
estava ficando tarde, os discípulos chegaram perto de Jesus e disseram:
"Este lugar é deserto e já é tarde. 36Despede o povo para que possa ir aos
campos e povoados vizinhos comprar alguma coisa para comer". 37Mas, Jesus
respondeu: "Dai-lhes vós mesmos de comer". Os discípulos perguntaram:
"Queres que gastemos duzentos denários para comprar pão e dar-lhes de comer?"
38Jesus perguntou: "Quantos pães tendes? Ide ver". Eles foram e
responderam: "Cinco pães e dois peixes". 39Então Jesus mandou que
todos se sentassem na grama verde, formando grupos. 40E todos se sentaram,
formando grupos de cem e de cinqüenta pessoas. 41Depois Jesus pegou os cinco
pães e dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção, partiu os
pães e ia dando aos discípulos, para que os distribuíssem. Dividiu entre todos
também os dois peixes. 42Todos comeram, ficaram satisfeitos, 43e recolheram
doze cestos cheios de pedaços de pão e também dos peixes. 44 O número dos que
comeram os pães era de cinco mil homens.
Palavra da Salvação
Glória a vós Senhor
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Pe. Antonio Queiroz
Dai-lhes vós mesmos de comer.
Este Evangelho, da multiplicação dos pães, mostra que
tanto os discípulos como Jesus sentiram compaixão do povo que estava com fome.
Mas a maneira de resolver o problema foi diferente. Os discípulos queriam
despedir logo o povo para que procurassem alimentos, porque não viam outra
solução. Jesus quis que os próprios discípulos lhes dessem de comer, confiando
na ajuda de Deus Pai.
A cena deixa claras duas maneiras de ver a religião. Os
discípulos, ao pedirem a Jesus que despedisse o povo porque estavam com fome,
mostraram que para eles essa parte de providenciar alimentos não faz parte da
religião. Já para Jesus faz parte sim, e com Deus temos condições de resolver.
Quantas Comunidades de hoje, através das instituições sociais, provam que com
Deus realmente é possível. A caridade nos leva a amar as pessoas, mas amá-las
inteiras, com corpo, alma e espírito. Por isso que muitas Comunidades se
interessam pela político, pelo transporte, pela moradia, pela educação das
crianças etc.
O sonho de um mundo melhor nos leva, não a deixar para os
outros, mas a fazer a nossa parte, mesmo que tenhamos poucas condições. O pouco
com Deus é muito e o muito sem Deus não é nada.
“Jesus mandou que todos se sentassem... formando grupos.”
A organização gera a partilha e, quando partilhamos, Deus faz o milagre da
multiplicação. Isso aconteceu ontem, acontece hoje e acontecerá sempre. Onde há
amor, ninguém passa necessidade.
“Nosso Deus é o verdadeiro. Ele nos dá o pão da sua
palavra e o pão que alimenta o corpo” (Dt 8,3). Veja que esse modo de ver a
religião, como dedicação ao homem integral, não é coisa nova, sempre foi assim.
Quando uma Comunidade se dedica ao homem integral, isso gera alegria e louvor a
Deus, como aconteceu com os hebreus, quando veio o maná.
“Quantos pães tendes?... Jesus pegou os cinco pães e dois
peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção...” Nem nós sozinhos,
nem Deus sozinho, mas nós e Deus juntos. Nós fazemos a nossa parte, damos o
pouco que temos, e Deus abençoa. Faça a sua parte que da minha ajudarei.
Se tivermos fé, espírito de partilha, união e organização,
e não jogarmos fora as sobras, ninguém passará fome nem qualquer outra
necessidade. As Comunidades cristãos são o meio que Jesus deixou para isto
acontecer.
Alimento é coisa sagrada. Não podemos esbanjar, jogar
fora. O que sobra para um falta para outro. Por isso, é preciso recolher com
cuidado tudo o que sobra.
Assim como os cinco pães e dois peixes foram divididos e
todos comeram, a nossa partilha também é multiplicada, em benefício de todos,
inclusive de nós mesmos. E além temos a recompensa de Deus, tanto nesta vida
como na outra. “Vinde, benditos de meu Pai, recebei em herança o Reino...” (Mt
25,34).
A multiplicação dos pães tem vários sentidos simbólicos. A
grande multidão de cinco mil homens representa a humanidade com a sua fome de
libertação messiânica. O milagre da multiplicação aponta para a Eucaristia, o
Pão partilhado, saciando o novo Povo de Deus e prenunciando o banquete
definitivo do Reino, já inaugurado.
A fome no mundo é patente. Três quartos da humanidade está
subnutrida, e a maior parte é vítima da fome, doença, falta de moradia e de
trabalho. As riquezas são concentradas pelos ricos, fazendo deles cada vez mais
ricos, enquanto os pobres continuam cada vez mais pobres. Nós podemos, com o
nosso esforço e união, mudar esse quadro.
Certa vez, na antiguidade, um navio estava atravessando o
mar com centenas de pessoas. Aconteceu uma grande tempestade e o navio perdeu a
direção. Acabaram chegando a uma ilha desconhecida e totalmente desabitada.
Logo que chegaram à ilha, três homens começaram a
explorá-la. Viram que ela tinha duas partes bem distintas: o centro, com terra
boa e coberta com matas e muita água doce, e a periferia constituída da
pedreiras.
Mais que depressa, os três homens cercaram a parte boa da
ilha e se declararam donos. Construíram ali três mansões. As outras pessoas
tiveram de ficar na periferia. Logo começaram a passar fome. Então os três
proprietários propuseram: quem trabalhar para eles ganhava comida. E assim,
todos os outros se tornaram seus empregados.
Os três escolheram os homens fortes e corajosos e
deram-lhes bastante comida e armas, declarando-os a polícia da ilha. Aos outros
deram menos comida, para não terem força e se revoltarem.
Escolheram os mais inteligentes e fizeram deles
professores. Mas deviam ensinar conforme a cartilha dos três. Escolheram também
os mais piedosos e com eles fundaram uma religião, chamada “A religião do
verdadeiro deus”. Ensinavam que a miséria e a fome são agradáveis a deus e que
todos deviam obedecer aos três, cujos retratos as famílias deviam colocar nas
paredes de suas casas. Outras imagens eram proibidas.
Entretanto, apareceu um profeta e começou a ensinar que
todos somos iguais e que aquela religião era falsa. Os três chefes chamaram a
sua polícia e mataram o profeta. Entretanto, as suas idéias ficaram em muitas
cabeças e estas pessoas continuaram a doutrina do profeta, criando dentro da
ilha um novo povo e um novo modo de viver, no qual as pessoas são iguais e os
alimentos são distribuídos para todos.
Peçamos a Maria Santíssima que nos ajude a sermos profetas
do verdadeiro Deus. Que sejamos cada vez mais unidos, solidários e organizados,
a fim de que todos tenham vida e vida plena.
Dai-lhes vós mesmos de comer.
MOMENTO DE REFLEXÃO
"Se você colocar um falcão em um cercado de um metro quadrado e,
inteiramente aberto por cima, o pássaro, apesar de sua habilidade para o vôo,
será um prisioneiro.
A razão é que um falcão sempre começa seu vôo com uma pequena corrida
em terra.
Sem espaço para correr, nem mesmo tentará voar e permanecerá um
prisioneiro pelo resto da vida, nessa pequena cadeia sem teto.
O morcego, criatura notavelmente ágil no ar, não pode sair de um lugar
nivelado.
Se for colocado em um piso complemente plano, tudo que ele conseguirá
fazer é andar de forma confusa, dolorosa, procurando alguma ligeira elevação de
onde
possa se lançar.
Um zangão, se cair em um pote aberto, ficará lá até morrer ou ser
removido.
Ele não vê a saída no alto, por isso, persiste em tentar sair pelos
lados, próximo ao fundo.
Procurará uma maneira de sair onde não existe nenhuma, até que se
destrua completamente,
de tanto atirar-se contra o fundo do vidro.
Existem pessoas como o falcão, o morcego e o zangão: atiram-se
obstinadamente contra os obstáculos, sem perceber que a saída está logo acima.
Se você está como um zangão, um morcego ou um falcão, cercado de
problemas por todos os lados, olhe para cima"
E lá estará DEUS, a ajudá-lo.
UM ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ...
E até que nos encontremos novamente,
que Deus lhe guarde serenamente
na palma de Suas mãos.
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