quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

DIÁRIO DE SEXTA-FEIRA 24/01/2025

 

Diário de Sexta-feira 24/01/2025

 

"O que me encanta é que de Deus não posso nem necessito encobrir nada. Além de saber o que eu penso, Ele me ajuda a pensar segundo a Sua vontade."

 

 

EVANGELHO DE HOJE

Mc 3,13-19

 

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Marcos

— Glória a vós, Senhor!

 

 

Jesus subiu um monte, chamou os que ele quis, e eles foram para perto dele. Então escolheu doze homens para ficarem com ele e serem enviados para anunciar o evangelho. A esses doze ele chamou de apóstolos. Eles receberam autoridade para expulsar demônios. Os doze foram estes: Simão, a quem Jesus deu o nome de Pedro; Tiago e João, filhos de Zebedeu (a estes ele deu o nome de Boanerges, que quer dizer "Filhos do Trovão"); André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Tadeu, Simão, o nacionalista; e Judas Iscariotes, que traiu Jesus.

 

 

Palavra da Salvação

Glória a vós Senhor.

 

 

 

MEDITAÇÃO DO EVANGELHO

Padre Antônio Queiroz

 

Chamou os que ele quis, para que ficassem com ele e para enviá-los.

 

Este Evangelho narra o chamado dos doze Apóstolos, palavra de origem grega que significa “enviados”. O número doze evoca as doze tribos de Israel.

O texto começa dizendo que Jesus “subiu ao monte”. É uma expressão com reminiscências bíblicas muito marcantes. Os montes da Bíblia, mais que acidente topográfico, são lugares de teofania, isto é, de presença, revelação e ação de Deus. Por exemplo, o monte Sinai, o monte Horeb, o monte das bem-aventuranças, o da transfiguração... Este citado no Evangelho de hoje se tornou o monte da investidura apostólica.

A intenção de Jesus não foi criar um grupo separado do povo, mas guias para a Igreja, o novo Povo de Deus, que ele começava a fundar.

“Chamou os que ele quis.” A vocação é de iniciativa divina. Por que Deus chama a este e não aquele ou aquela, é mistério que não entendemos. O certo é que, para uma missão ou outra, todos somos chamados. E a gente só é feliz, vivendo na vocação que Deus nos deu.

“Chamou-os para que ficassem com ele e para enviá-los.” Primeiro, nós ficamos junto de Jesus, a fim de aprender dele a Boa Nova do Reino de Deus. Aprender e viver. Depois é que somos enviados. Foi o que aconteceu com esses Apóstolos. Só mais tarde é que foram enviados a pregar. E mesmo depois de enviados, Jesus sempre os chamava para um descanso, confraternização e oração juntos. Se não fazemos isso, nós nos esvaziamos; ninguém dá o que não tem. “Como é bom, como é agradável os irmãos viverem juntos!” (Sl 133,1).

“Deu-lhes autoridade para expulsar demônios.” Ao enviá-los, Jesus os capacitou para a missão, dando-lhes todos os recursos e condições necessárias para cumprirem bem a tarefa.

Na lista dos Apóstolos, aparece em primeiro lugar Pedro, que é o chefe, o centro de unidade do grupo e de toda a Igreja. Judas Iscariotes aparece em último lugar porque foi o traidor. É importante pensar bem, antes de assumir uma vocação, porque precisamos perseverar até a morte, como fizeram os onze Apóstolos.

No grupo dos Apóstolos havia grande diversidade de caracteres, de temperamentos, de culturas, de mentalidades, de origem... São as diferenças que fazem a riqueza de um grupo. A convivência se torna, às vezes, difícil, mas é preferível.

Consta-nos que quatro deles eram pescadores: Pedro e André, Tiago e João. Mateus era funcionário público. Simão, o zelota, foi membro da resistência aos romanos. Filipe era um judeu aberto. Tiago era, ao contrário, muito conservador. E os outros eram gente simples e desconhecida do povo. Nenhum foi influente na sociedade nem intelectual. Como se vê, para realizar a sua obra, Jesus preferiu gente que não tinha peso social, para que se manifestasse melhor a ação e a força salvadora de Deus.

O Pe. Pedro Donders viveu no Séc. XIX no Suriname. Ele era diretor espiritual de um leprosário chamado Batávia, uma vila que abrigava quatrocentos doentes. Donders conhecia a todos e era amigo deles.

Um dia, o governo mandou que fossem retiradas da vila todas as crianças, para que não fossem contaminadas.

Os pais protestaram. Em toda parte, só se ouvia gritos e choro, e impediam a saída dos seus filhos. Nem a polícia deu conta de retirá-los.

Pediram a ajuda do Padre Donders. Ele reuniu os pais rebeldes e mostrou-lhes que se tratava da saúde dos seus filhos. Depois, com bondade e acolhimento, procurou ouvir cada um, resolvendo as dúvidas e esclarecendo. Resultado: o povo caiu em si, acalmou-se e permitiu a saída das crianças.

Sobrou apenas um senhor que havia fugido para o mato, prometendo se matar, se levassem o seu filho. Donders foi atrás dele e o convenceu. O homem voltou e entregou-lhe seu filho.

Donders é redentorista e foi beatificado. É o bem-aventurado Pedro Donders.

Quando Deus chama uma pessoa para determinada missão, capacita-a e dá-lhe todas as condições para exercer bem a sua vocação.

Quando Jesus subiu para o céu, os Apóstolos se sentiram muito confusos e até meio perdidos. Maria Santíssima foi ficar com eles, aguardando a vinda do Espírito Santo (Cf At 1,14). Que Maria nos ajude também a vivermos a nossa vocação, especialmente nas horas difíceis.

Chamou os que ele quis, para que ficassem com ele e para enviá-los.

 

 

MOMENTO DE REFLEXÃO

 

O meu fascínio pelos ritos me faz suspeitar que, numa outra vida, é possível que eu tenha sido um sacerdote ou um feiticeiro.

Hoje pouca gente sabe o que são. Um rito acontece quando um poema, achando que as palavras não bastam, se encarna em gestos, em comida e bebida, em cores e perfumes, em música e dança. O rito é um poema transformado em festa!

 

Escrevo hoje para os que casam, por medo de que, fascinados por um rito, se esqueçam do outro. Porque, caso não saibam, é desse outro, esquecido, que o casamento depende.

O primeiro rito, sobre que todos sabem, e para o qual se fazem convites, é feito com pedras, ferro e cimento.

Há um outro rito, secreto, que se faz com o voo das aves, com água, brisa, espumas e bolhas de sabão.

O primeiro rito nasceu de uma mistura de alegria e tristeza. Viram o voo do pássaro, ficaram alegres. Mas logo o pássaro se foi e ficaram tristes. Não lhes bastava que a alegria fosse infinita enquanto durasse. Queriam que ela fosse eterna. E disseram: "Queremos o voo do pássaro, eternamente" . E que coisa melhor existe para conter o voo do pássaro que uma gaiola?

E assim fizeram. Engaiolaram o pássaro e chamaram os mágicos, ordenando-lhes que dissessem as palavras do bruxedo:

"Para sempre, até que a morte nos separe".

A definição mais precisa deste rito, eu a ouvi da boca de um sacerdote. "Não é o amor que faz um casamento" - ele afirmou. "São as promessas".

Assustei-me. Sabia que assim era, no civil, casamento-contrato, rito frio da sociedade, para definir os deveres (sobre os prazeres se faz silêncio) e a partilha dos bens e dos males. Sociedade é coisa sólida. Precisa de pedra, ferro e cimento. Garantias.

Testemunhas. Documentos. O futuro há de ser da forma como o presente o desenhou. Para isso, os contratos. E a substância do contrato são as promessas. Sim. Ele estava certo. "Não é o amor que faz o casamento. São as promessas".

Promessas são as palavras que engaiolam o futuro. Por isso elas se fazem acompanhar sempre de testemunhas. Se o pássaro engaiolado, em algum momento do futuro, mudar de sentimento e de ideia e resolver voar, as testemunhas estão lá para reafirmar as promessas feitas no passado. O dito e contratado não pode ser mudado.

Muitas são as promessas que os noivos podem fazer: prometo dividir os meus bens, prometo não maltratá-la, prometo não humilhá-lo, prometo protegê-la, prometo cuidar de você na doença. Atos exteriores podem ser prometidos.

Assim se fazem os casamentos, com pedra, ferro, cimento e amor. Mas as coisas do amor não podem ser prometidas. Não posso prometer que, pelo resto da minha vida, sorrirei de alegria ao ouvir teu nome. Não posso prometer que, pelo resto de minha vida, sentirei saudades na tua ausência.

Sentimentos não podem ser prometidos. Não podem ser prometidos porque não dependem da nossa vontade. Sua existência é efêmera. Só existem no momento. Como o voo dos pássaros, o sopro do vento, as cores do crepúsculo. Esse é um rito de adultos, porque somente os adultos desejam que o futuro seja igual ao presente. A sua gravidade, a sua seriedade, os passos cadenciados, processionais, as suas roupas, as suas máscaras, as palavras sagradas, definitivas, para sempre, o que Deus ajunta os homens não podem separar, a exaltação dos deveres: tudo dá testemunho de que esse é um ritual adulto.

O outro ritual se faz com o voo das aves, com a água, espuma e bolhas de sabão. Secreto, para ele não há convites. Secreto foi o casamento de Abelardo e Heloísa, o mais belo amor jamais vivido (proibido).

Não há convites, nem lugar certo, nem hora marcada: simplesmente acontece. "Amor é dado de graça,/é semeado no vento,/ na cachoeira, no eclipse..." (Drummond). Não precisa de altares: sempre que ele acontece o arco-íris aparece: a promessa de Deus, porque Deus é amor. Pode ser a sombra de uma árvore, um carro, uma cozinha, um banco de jardim, um vagão de trem, um aeroporto, uma mesa de bar, uma caminhada ao luar...

Não há promessas para amarrar o futuro. Há confissões de amor para celebrar o presente. "Como és formosa, querida minha, como és formosa! Há mel debaixo da tua língua!". "O teu rosto, meu amado, é um canteiro de bálsamo e os teus lábios são lírios..." (Bíblia Sagrada). "Eu sei que vou te amar/ por toda a minha vida eu vou te amar/ em cada despedida eu vou te amar/ desesperadamente eu sei que vou te amar..." (Vinícius). "Eu te amo, homem, amo o teu coração, o que é, a carne de que é feito, amo sua matéria, fauna e flora... Te amo com uma memória imperecível." (Adélia Prado).

E os convidados, muito poucos, se vestem como crianças: pés descalços, balões coloridos nas mãos: eles sabem que o amor fica somente se permanecermos crianças, eternamente...

"Ego conjugo vobis in matrimonium", diz um velho com rosto de criança.

"Para vós invoco os prazeres que voam nos ventos e as alegrias que moram nas cores; beleza, harmonia, encantamento, magia, mistério, poesia: que essas potências divinas lhes façam companhia.

Que o sorriso de um seja, para o outro, festa, fartura, mel, peixe assado no fogo, coco maduro na praia, onda salgada do mar...

Que as palavras do outro sejam tecidos branco, vestido transparente de alegria, a ser despido por sutil encantamento.

E que no final das contas e no começo dos contos, em nome do nome não dito, bem-dito, em nome de todos os nomes ausentes e nostalgias presentes, de ágape e filia, amizade e amor, em nome do nome sagrado, do pão partido e do vinho bebido, sejam felizes os dois, hoje, amanhã e depois ..."

 

Do livro Navegando..., de Rubem Alves

 

 

 

E até que nos encontremos novamente,

que Deus lhe guarde serenamente

na palma de Suas mãos.

 

 

 

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