Domingo de Ramos, 05 de abril
de 2020
"Democracia
é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim." (Millor
Fernandes)
EVANGELHO
DE HOJE
Mt 26,14-27,66
O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós!
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus, segundo Mateus
Glória a vós, Senhor!
NARRAÇÃO
DA PAIXÃO
Paixão
de nosso Senhor Jesus Cristo segundo Mateus
Narrador
1: Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, segundo Mateus: Naquele tempo, 11Jesus
foi posto diante de Pôncio Pilatos, e este o interrogou:
Ass.:
“Tu és o rei dos judeus?”
Narrador
1: Jesus declarou:
Pres.:
“É como dizes”.
Narrador
1: 12E nada respondeu, quando foi acusado pelos sumos sacerdotes e anciãos.
13Então Pilatos perguntou:
Leitor
1: “Não estás ouvindo de quanta coisa eles te acusam?”
Narrador
1: 14Mas Jesus não respondeu uma só palavra, e o governador ficou muito
impressionado. 15Na festa da Páscoa, o governador costumava soltar o
prisioneiro que a multidão quisesse. 16Naquela ocasião, tinham um prisioneiro
famoso, chamado Barrabás. 17Então Pilatos perguntou à multidão reunida:
Ass.:
“Quem vós quereis que eu solte: Barrabás, ou Jesus, a quem chamam de Cristo?”
Narrador
2: 18Pilatos bem sabia que eles haviam entregado Jesus por inveja. 19Enquanto
Pilatos estava sentado no tribunal, sua mulher mandou dizer a ele:
Mulher:
“Não te envolvas com esse justo, porque esta noite, em sonho, sofri muito por
causa dele”.
Narrador
2: 20Porém, os sumos sacerdotes e os anciãos convenceram as multidões para que
pedissem Barrabás e que fizessem Jesus morrer. 21O governador tornou a
perguntar:
Ass.:
“Qual dos dois quereis que eu solte?”
Narrador
2: Eles gritaram:
Ass.:
“Barrabás”.
Narrador
2: 22Pilatos perguntou:
Leitor
2: “Que farei com Jesus, que chamam de Cristo?
Narrador
2: Todos gritaram:
Ass.:
“Seja crucificado!”
Narrador
2: 23Pilatos falou:
Leitor
1: “Mas, que mal ele fez?”
Narrador
2: Eles, porém, gritaram com mais força:
Ass.:
“Seja crucificado!”
Narrador
1: 24Pilatos viu que nada conseguia e que poderia haver uma revolta. Então
mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão, e disse:
Leitor
2: “Eu não sou responsável pelo sangue deste homem. Este é um problema vosso!”
Narrador
1: 25O povo todo respondeu:
Ass.:
“Que o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos”.
Narrador
1: 26Então Pilatos soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus, e entregou-o para
ser crucificado. 27Em seguida, os soldados de Pilatos levaram Jesus ao palácio
do governador, e reuniram toda a tropa em volta dele. 28Tiraram sua roupa e o
vestiram com um manto vermelho; 29depois teceram uma coroa de espinhos, puseram
a coroa em sua cabeça, e uma vara em sua mão direita. Então se ajoelharam
diante de Jesus e zombaram, dizendo:
Ass.:
“Salve, rei dos judeus!”
Narrador
2: 30Cuspiram nele e, pegando uma vara, bateram na sua cabeça. 31Depois de
zombar dele, tiraram-lhe o manto vermelho e, de novo, o vestiram com suas
próprias roupas. Daí o levaram para crucificar. 32Quando saíam, encontraram um
homem chamado Simão, da cidade de Cirene, e o obrigaram a carregar a cruz de
Jesus. 33E chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer “lugar da
caveira”.
Narrador
1: 34Ali deram vinho misturado com fel para Jesus beber. Ele provou, mas não
quis beber. 35Depois de o crucificarem, fizeram um sorteio, repartindo entre si
as suas vestes. 36E ficaram ali sentados, montando guarda. 37Acima da cabeça de
Jesus puseram o motivo da sua condenação:
Ass.:
“Este é Jesus, o Rei dos Judeus”.
Narrador
1: 38Com ele também crucificaram dois ladrões, um à direita e outro à esquerda
de Jesus. 39As pessoas que passavam por ali o insultavam, balançando a cabeça e
dizendo:
Ass.:
40”Tu, que ias destruir o Templo e construí-lo de novo em três dias, salva-te a
ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!”
Narrador
2: 41Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, junto com os mestres da Lei e os
anciãos, também zombavam de Jesus:
Ass.:42”A
outros salvou... a si mesmo não pode salvar! É Rei de Israel... Desça agora da
cruz! e acreditaremos nele. 43Confiou em Deus; que o livre agora, se é que Deus
o ama! Já que ele disse: Eu sou o Filho de Deus”.
Narrador
1: 44Do mesmo modo, também os dois ladrões que foram crucificados com Jesus o
insultavam. 45Desde o meio-dia até as três horas da tarde, houve escuridão
sobre toda a terra. 46Pelas três horas da tarde, Jesus deu um forte grito:
Pres.:
“Eli, Eli, lamá sabactâni?”
Narrador
1: Que quer dizer: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” 47Alguns dos
que ali estavam, ouvindo-o, disseram:
Ass.:
“Ele está chamando Elias!”
Narrador
1: 48E logo um deles, correndo, pegou uma esponja, ensopou-a em vinagre,
colocou-a na ponta de uma vara, e lhe deu para beber. 49Outros, porém,
disseram:
Ass.:
“Deixa, vamos ver se Elias vem salvá-lo!”
Narrador
1: 50Então Jesus deu outra vez um forte grito e entregou o espírito.
Todos
se ajoelham e ficam em silêncio
Narrador
2: 51E eis que a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas
partes, a terra tremeu e as pedras se partiram. 52Os túmulos se abriram e
muitos corpos dos santos falecidos ressuscitaram! 53Saindo dos túmulos, depois
da ressurreição de Jesus, apareceram na Cidade Santa e foram vistos por muitas
pessoas. 54O oficial e os soldados que estavam com ele guardando Jesus, ao
notarem o terremoto e tudo que havia acontecido, ficaram com muito medo e
disseram:
Ass.: “Ele era mesmo Filho de Deus!”
Palavra da salvação
Glória a vós Senhor.
MEDITAÇÃO
DO EVANGELHO
M. Asun Gutiérrez,
Começa a Semana Santa, a semana da dor e do amor da morte e
da vida. A primeira semana do novo mundo.
Jesus caminha decidido para a sua
Páscoa, para a Páscoa completa, que é morte e ressurreição.
Como é possível conhecer Jesus de bem
perto e vendê-l’O? Essa atitude
totalmente incompreenssível, é única e
exclusiva de Judas?
Os evangelhos sublinham a
responsabilidade histórica de Judas, não a sua “culpa jurídica”, menos ainda a
sua “condenação eterna”.
O grão de trigo está a cair na terra e
vai morrer.
O fermento está a esconder-se na
massa.
Para isso veio, para que todos possam
comer, para que toda a massa se faça pão.
É uma ceia de despedida, a última das
frequentes refeições que Jesus celebrou (Mc 2, 19; Lc 13,28-29; 14, 15-24),
figura e anúncio do alegre banquete que nos há-de reunir a todos no reino de
Deus.
Pedro demonstra demasiada segurança em
si mesmo: ainda que todos, eu não; eu
sou melhor, a minha fé é mais forte…
como vou duvidar da minha fé?
Seguiremos com Jesus mais além do entusiasmo inicial, quando
os problemas se apresentarem e não sejamos de compreender Deus?
Jesus sempre, e mais ainda nas
situações difíceis, refugia-se na oração.
Impressiona a solidão de Jesus. Em vão
volta a procurar consolo nos seus amigos.
Jesus sabe assumir o inevitável com
liberdade interior, pois crê profundamente
que em todo o momento, inclusive no
mais duro, está nos braços amorosos do
Pai.
Jesus não vem pregar verdades gerais,
religiosas ou morais, mas proclamar a chegada do Reino, a Boa Notícia do
Evangelho.
É plenamente rejeitado: é escândalo
para os dirigentes religiosos, perigo para o poder político, decepção para a
maior parte do povo e desconcerto para os discípulos.
Jesus podia ter dado respostas
eloquentes e convincentes, podia ter
pronunciado um grande discurso, podia ter posto em ridículo os seus acusadores.
A sua opção não é o triunfalismo.
Não pronuncia uma palavra contra
ninguém. O silêncio de Jesus é paciente,
obediente, misericordioso.
Chave para entender o aparente
silêncio de Deus.
O duplo julgamento, político e
religioso, que Jesus padeceu foi a expressão da injustiça. Matavam-n’O simplesmente porque punha em risco a
credibilidade do sistema religioso, político e econômico. Não organizando revoltas
populares, mas apresentando um projeto de vida alternativo onde as pessoas
valiam por si mesmas e todas tinham os mesmos direitos.
Jesus dá-nos a sua própria tarefa:
fazer valer o direito das pessoas
excluídas e pobres. Baixar da cruz as pessoas crucificadas.
Pedro entra em pânico quando o
descobrem. Pronuncia as palavras mais tristes que pode dizer quem segue
Jesus: “não conheço esse homem”.
Podemos identificar-nos com
Pedro. Julgava-se com forças e
falha. Ao chorar amargamente começa a
conhecer-se a si mesmo, a fundamentar-se mais na fidelidade e no amor de Jesus
que na sua própria segurança. Jesus perdoa sempre, confia e dá uma nova
oportunidade.
Nós, os crentes, afirmamos que a
história de Judas e de Pedro – traidores , a dos discípulos – covardes , a de
todos nós (julgamo-nos melhores que
eles?) - está nas mãos de Deus e Deus a
vai fazendo, apesar de tudo, história de
salvação.
Jesus crucificado leva-nos a esperar
que também para os que crucificam, a última palavra será o perdão. “Pai,
perdoa-lhes... (Lc23,34).
E, ao final de tudo, tão pouco
existirá a separação que hoje se dá – e se deve dar - entre os que são
crucificados e os que crucificam.
Esperamos que Deus encaminhará tudo
para o seu Reino ainda que não saibamos quando nem como, mas que conta conosco
para o alcançar.
Jesus apresenta-se sempre como
alternativa de alguém ou de algo.
Quando não se tem o valor de optar só
por Ele, fazendo calar outros ruídos, outros interesses, atua-se da mesma
maneira que a multidão e Pilatos.
Abandonamo-l’O. Condenamo-l'O.
É fácil manipular a multidão. Num momento pode gritar “hosana”, e noutro
momento “crucifica-O”...
Será que é a minha postura? Quando me
convém, aclamo e acolho Jesus, quando não me convém, rejeito-O...?
Jesus foi polêmico contra as normas de
pureza, perante toda a espécie de
doutrinas e normas (Mc 7,1-23). Foi polêmico frente ao mais sagrado do sistema
religioso: o templo. Detivieram Jesus,
julgaram-n’O, condenaram-n’O e O executaram pela sua vida, os seus ensinamentos
e a sua conduta.
O seu exemplo nos convida a termos uma maior coerência do Evangelho na
nossa vida. A escolhê-l’O a Ele e não a Barrabás;a sermos pessoas
solidárias como Simão, valentes e obstinadas como as mulheres de Jerusalém.
É um grito de verdadeira angústia, mas
ao mesmo tempo expressa o desejo de se
agarrar a Deus contra toda a esperança, de reivindicar a Deus como meu Deus,
ainda que, às vezes, O sinta ausente.
Dor e esperança.
Comunhão com os sofrimentos humanos e
esperança no Deus da vida.
O “abandonado” abandona-se nas mãos do
Pai.
“Jesus padece o inferno da ausência de
Deus, para que assim não haja inferno
para mais ninguém” (Von Balthasar).
“A morte de Jesus na cruz é a
consequência duma vida no serviço radical à justiça e ao amor; é seqüela da sua opção pelos pobres e os
deserdados; da opção pelo seu povo, que sofria exploração e extorsão. Neste mundo, toda a opção em favor da
justiça e do amor é arriscar a vida”.
(E. Schillebeeckx)
Para José de Arimatéia é tempo de
falar, de pedir, de arriscar. Para as mulheres tempo de permanecer quietas como
testemunhos silenciosos do crucificado. Breve chegará para elas o tempo de
tomar a palavra e de ser as primeiras a anunciar a Ressurreição.
Jesus falava de Reino-Reinado e essa
palavra provocava medo e punha alerta as autoridades. Quanto mais poder, mais
medo.
Jesus torna-nos
capazes de permanecermos junto aos túmulos do nosso mundo, para os abrir e
anunciar que a morte não tem a última palavra. Anunciar que estamos destinados,
não à cruz, mas à vida. Não ao sofrimento, mas à alegria perfeita. O definitivo não são as “semanas santas” que
vivenciamos, mas a Páscoa, a Ressurreição, a Vida.
VÍDEO DA SEMANA
Impressionante
testemunho do ator que fez o papel de Jesus em a Paixão de Cristo (Jim
Caviezel)
https://www.youtube.com/watch?v=vbjmr6vjRDk
MOMENTO DE REFLEXÃO
Os pinheiros têm os novos rebentos semanas antes
de Páscoa.
Se olhares para os topos dos pinheiros duas
semanas antes, verás pequenos rebentos amarelos.
À medida que nos aproximamos do domingo de Páscoa,
o rebento mais alto se ramificará e formará uma cruz.
Até que chegue o domingo de Páscoa, verás que a
maioria dos pinheiros terá cruzes amarelas pequenas nas pontas dos seus ramos.
Uma semana antes da Páscoa, podem ver-se os
pinheiros com os seus rebentos amarelos a apontar para o Céu.
Os mais altos brilham à luz do
sol como filas de minúsculas cruzes douradas.
UM ABENÇOADO DIA
PRA VOCÊ...
E até que nos encontremos
novamente,
que Deus lhe guarde
serenamente
na palma de Suas
mãos.
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