Quarta-feira
14/05/2025
“Depois
da liberdade desaparecer, resta um país, mas já não há pátria."
(Chateaubriand)
EVANGELHO DE HOJE
Jo 15,9-17
— O
Senhor esteja convosco.
—
Ele está no meio de nós.
—
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João
—
Glória a vós, Senhor!
Naquele
tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 9Como meu Pai me amou, assim também eu
vos amei. Permanecei no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos,
permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e
permaneço no seu amor.
11E
eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria
seja plena. 12Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu
vos amei. 13Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos.
14Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. 15Já não vos chamo
servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos,
porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai.
16Não
fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para
irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que então pedirdes
ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. 17Isto é o que vos ordeno: amai-vos
uns aos outros.
Palavra
da Salvação
Glória
a vós
Senhor.
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Padre Queiroz
Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi.
Hoje nós celebramos a festa do Apóstolo S. Matias. A escolha dele, em
substituição a Judas Iscariotes, está narrada na primeira Leitura: At 1,15-26.
Fizeram um sorteio. Nós hoje escolhemos os nossos líderes geralmente através da
votação. Mas no fundo quem escolhe é sempre Deus, seja através do sorteio, da
votação, ou de qualquer outro sistema eleitoral.
Não somos nós que escolhemos a Deus, mas é ele que nos escolhe. Da nossa
parte, cabe a disponibilidade, como teve S. Matias. Ele não escolheu ser
Apóstolo, foi a Igreja que o escolheu. Ou melhor, foi Deus que o escolheu
através da Igreja.
É interessante o discursinho de S. Pedro, que está na primeira Leitura.
O que ele fez foi um discernimento junto com a Comunidade, isto é, uma busca da
vontade de Deus. Usando outras palavras, Pedro disse: Deus quer que haja doze
Apóstolos, porque foi assim que Jesus constituiu o grupo, que é uma continuação
das doze tribos de Israel. Mas Judas nos deixou. Portanto, Deus quer que um de
vocês ocupe o lugar dele.
Com essas palavras, Pedro motivou a Igreja ali reunida, umas cento e
vinte pessoas, a buscarem uma saída, indicando candidatos para preencher a
vaga. Pedro ainda deu critérios para a escolha: “Há homens que nos acompanharam
durante todo o tempo em que o Senhor Jesus vivia no meio de nós, a começar pelo
batismo de João até o dia em que foi elevado ao céu. Agora, é preciso que um
deles se junte a nós”. Esses são os chamados setenta de dois discípulos. A
Comunidade trocou ideias e apresentou Matias e José Barsabás.
A Comunidade escolheu através de um sorteio. Nós hoje costumamos fazer
votação ou outro sistema qualquer. É a mesma coisa. No fundo, quem escolhe é
Deus, seja através do sorteio, ou dos votos, ou de qualquer outro sistema
eleitoral.
O importante é a Comunidade fazer as três coisas que essa Comunidade
fez: 1ª) Ter o desejo de fazer a vontade de Deus, não a própria vontade. 2ª)
Rezar, pedindo a Deus que ilumine e dirija na hora de votar ou de escolher. 3ª)
Os membros fazerem a sua parte, conversando entre si e trocar ideias sobrem
quem é o mais indicado para o cargo.
Deus quer que os postos vagos nas pastorais, nos ministérios e nos
vários serviços da nossa Comunidade sejam preenchidos. Vários motivos levam um
cargo a ficar vago: doença, mudança da família para outra cidade,
impossibilidade de continuar, devido a compromissos pessoais ou familiares,
devido a doença. E também por um motivo muito comum: a pessoa que exercia o
cargo parou de participar da Comunidade.
O próprio fato de haver uma função vaga é um chamado de Deus para todos
os membros da Comunidade. É algo que nos inquieta. A primeira coisa que a gente
pensa é: Será que eu tenho condições de assumir essa função? Ou: Será que eu
não poderia convencer alguém a assumi-la?
Imagine se S. Pedro aparecesse hoje na nossa Comunidade, convivesse uns
dias com ela e depois fizesse um discursinho na hora da Missa: “Irmãos, eu
descobri que tal cargo está vago. Isso não pode acontecer! Deus não quer isso!
Peço a vocês que se reúnam, conversem entre si e apresentem alguns candidatos
para fazermos uma votação”. Que bonito seria, não? Que aprendamos a lição da
escolha de Matias! Uma função vaga na nossa Comunidade é, por si mesma, um
chamamento de Deus a nós. Que nos esforcemos para que, de uma forma ou de
outra, essa função seja preenchida.
No Evangelho, Jesus fala que o seu amor nasce da obediência aos seus
mandamentos: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor”.
Essa expressão “no meu amor” refere-se não apenas ao nosso amor a ele, mas ao
amor que ele carrega no coração, que é o amor que existe dentro da SS. Trindade
e que foi derramado em nossos corações (Rm 5,5).
De fato, o amor de Deus não é apenas sentimento, ele se mostra nas
nossas ações e atitudes. “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor! Senhor!’,
entrará no Reino dos Céus, mas só aquele que põe em prática a vontade de meu
Pai que está nos céus” (Mt 7,21).
Um dos mandamentos de Jesus é pertencer à sua Igreja, que é una, santa,
católica e apostólica.
E neste Evangelho Jesus fala também: “Eu não vos chamo servos, mas
amigos”. Ele quer ser nosso amigo. Vamos também ser amigos dele, amigos fiéis e
sinceros, como ele é conosco.
“Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos.” O
Apóstolo S. Matias pregou a Palavra de Deus na Palestina, e depois na Ásia
Menor, onde morreu mártir. Diz a tradição que ele foi apedrejado e depois morto
a machadadas. Portanto, deu a vida por Cristo e pela santa Igreja.
Existe o chamado martírio incruento, isto é, martírio sem sangue. São
cristãos que dão a vida por Cristo e pela Igreja, e morrem por esta causa.
Diante de Deus, o martírio incruento tem o mesmo valor do martírio de sangue.
Certa vez, um pai comprou para o seu filho de sete anos uma pipa,
brinquedo que em alguns lugares é chamado de papagaio. O menino foi direto para
o terreiro, a fim de soltar a pipa. Mas ele não conseguiu levantá-la. Por mais
que se esforçava, a pipa não subia. O garoto corria pra lá e pra cá, mas nada.
O pai viu, veio, pegou a linha e com facilidade levantou a pipa, mas só
a uns dois metros do chão, para que o menino fizesse o resto. Passou a linha
para o filho e explicou como fazer. Aí sim, o papagaio se levantou, foi para as
alturas e o garotinho ficou muito feliz.
S. Pedro, na eleição do Apóstolo Matias, fez como esse pai. Ele não
levantou a pipa mas ajudou o filho a fazê-la. S. Pedro não escolheu o sucessor
de Judas, mas incentivou e orientou a Comunidade como fazê-lo. As pessoas têm
muitas pipas para serem levantadas. Que tal nós darmos uma mãozinha? Feliz
daquele e daquela que, apesar do vento, não deixa a sua pipa cair nem se
enroscar nas árvores!
Que Maria Santíssima e os Apóstolos S. Pedro e S. Matias nos ajudem a
levar em frente a nossa Comunidade, observando os mandamentos de Jesus.
Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi.
MOMENTO DE REFLEXÃO
Não
o que eu quero, porém o que tu queres.” (Mc 14, 36)
Jesus
está no Horto das Oliveiras, na propriedade chamada Getsêmani. A hora tão
esperada chegou. É o momento crucial de toda a sua existência. Ele se prostra
por terra e suplica a Deus, chamando-o de “Pai”, numa confidência cheia de
ternura, para “afastar dele esse cálice” (cf. Mt 14, 36), expressão que se
refere à sua Paixão e Morte. Jesus pede ao Pai que aquela hora passe… Mas,
enfim, entrega-se completamente à vontade de Deus:
Não
o que eu quero, porém o que tu queres.
Jesus
sabe que a sua Paixão não é um acontecimento casual nem simplesmente uma
decisão dos homens, mas é um plano de Deus. Ele será processado e rejeitado
pelos homens; o “cálice”, porém, vem das mãos de Deus.
Jesus
nos ensina que o Pai tem um plano de amor para cada um de nós, que Ele nos ama
com um amor pessoal e, se acreditarmos nesse amor e correspondermos com o nosso
amor – é essa a condição –, Ele fará com que tudo seja finalizado para o bem.
Para Jesus, nada aconteceu por acaso, nem sequer a Paixão e a Morte.
Depois
aconteceu a Ressurreição, cuja festividade solene celebramos neste mês.
O
exemplo de Jesus, o Ressuscitado, serve de luz para a nossa vida. Devemos saber
interpretar tudo o que vem ao nosso encontro, o que acontece, o que nos rodeia
e também tudo o que nos faz sofrer, como vontade de Deus que nos ama ou como
uma permissão de Deus que nos ama também assim. Então, tudo na vida terá
sentido, tudo será extremamente útil, mesmo aquilo que, na hora, nos parece
incompreensível e absurdo, mesmo aquilo que nos pode fazer precipitar numa
angústia mortal, como aconteceu com Jesus. Será suficiente que, junto com ele,
saibamos repetir, com um ato de confiança total no amor do Pai:
Não
o que eu quero, porém o que tu queres.
A
vontade dele é que vivamos, que lhe agradeçamos com alegria pelas dádivas da
vida; mas, às vezes, ela certamente não corresponde ao que imaginamos. Não é,
por exemplo, uma situação diante da qual temos de nos resignar, em especial
quando deparamos com a dor, nem uma sucessão de atos monótonos espalhados ao
longo da nossa vida.
A
vontade de Deus é a sua voz que nos fala e nos convida continuamente, é o modo
pelo qual ele nos expressa o seu amor, para nos dar a sua plenitude de Vida.
Poderíamos
fazer uma representação disso com a imagem do Sol, cujos raios seriam a sua
vontade para cada um de nós. Cada pessoa caminha ao longo de um raio, diferente
do raio de quem está ao lado, mas sempre um raio de sol, ou seja, a vontade de
Deus. Portanto, todos nós fazemos uma única vontade, a de Deus; no entanto, ela
é diferente para cada um. Os raios, quanto mais se aproximam do Sol, mais se
aproximam entre si. Também nós, quanto mais nos aproximamos de Deus, pela
observância sempre mais perfeita da vontade divina, mais nos aproximamos entre
nós… até sermos todos um.
Vivendo
assim, tudo na nossa vida pode mudar. Em vez de procurarmos a quem gostamos e
amar somente a eles, podemos dar atenção a todos aqueles que a vontade de Deus
põe ao nosso lado. Em vez de procurarmos aquilo de que gostamos, podemos nos
dedicar àquelas coisas que a vontade de Deus nos sugere e preferi-las. Se
estivermos inteiramente projetados na vontade divina daquele momento (“o que tu
queres”), seremos consequentemente levados ao desapego de todas as coisas e do
nosso eu (“não o que eu quero”). Esse desapego não é tanto resultado de uma
busca proposital, porque se deve buscar só a Deus, mas acontece de fato. Então
a alegria será completa. Basta mergulharmos no momento que passa e cumprir
naquele instante a vontade de Deus, repetindo:
Não
o que eu quero, porém o que tu queres.
O
momento que passou não existe mais; o momento futuro ainda não está em nosso
poder. Acontece como a um passageiro no trem: para chegar ao destino, ele não
fica andando para frente e para trás, mas fica sentado no seu lugar. Assim,
devemos ficar firmes no presente; o trem do tempo viaja por si. Só podemos amar
a Deus no momento presente que nos é dado, pronunciando o próprio “sim”
vigoroso, radical, ativíssimo, à vontade dele.
Portanto,
vamos amar aquele sorriso que temos a dar, aquele trabalho a ser executado,
aquele carro a ser conduzido, aquela refeição a ser preparada, aquela atividade
a ser organizada, aquela pessoa que sofre ao nosso lado.
Nem
sequer a provação ou o sofrimento nos devem assustar se, com Jesus, soubermos
reconhecer neles a vontade de Deus, ou seja, o seu amor para cada um de nós.
Poderemos até mesmo rezar assim:
“Senhor, faze que eu nada tenha a temer,
porque tudo o que vai acontecer será a tua vontade e nada mais! Senhor, faze
que eu não tenha outro desejo, porque nada é mais desejável do que
exclusivamente a tua vontade.
O
que é importante na vida? Importante é a tua vontade.
Faze
que nada me perturbe, porque tudo é a tua vontade. Faze que eu não me agite com
nada, porque tudo é tua vontade.”
Chiara
Lubich
UM
ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ!
E
até que nos encontremos novamente,
que
Deus lhe guarde serenamente
na
palma de Suas mãos.
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