Sábado
03/05/2025
"Quanto
mais antiga a árvore, melhor a sua sombra e maior a sua proteção" (Maria de
Lourdes Micaldas)
EVANGELHO DE HOJE
Jo 14,6-14
— O
Senhor esteja convosco.
—
Ele está no meio de nós.
—
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João
—
Glória a vós, Senhor!
Naquele
tempo, Jesus disse a Tomé: 6“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai
ao Pai senão por mim. 7Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E
desde agora o conheceis e o vistes”. 8Disse Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai,
isso nos basta!” 9Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me
conheces, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o
Pai’? 10Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que
eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim,
realiza as suas obras. 11Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim.
Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras. 12Em verdade, em verdade
vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores
do que estas. Pois eu vou para o Pai, 13e o que pedirdes em meu nome, eu o
realizarei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. 14Se pedirdes algo em
meu nome, eu o realizarei”.
Palavra
da Salvação
Glória
a vós
Senhor.
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Alexandre Soledade
Bom dia!
Notaram que pulamos de João 3 para João 14? Isso acontece geralmente
quando vivemos um tempo de comemoração. Hoje lembramos São Tiago e São Felipe.
Salve!
Sem polemizar, mas esse é um dos trechos do evangelho que nossos irmãos
protestantes justificam sua forma peculiar de profetizar a fé e suas ações, ou
seja, uma relação criada sem intermediários com Deus e é claro que não estamos
aqui pra delinear linhas e laudas sobre o que é correto para essa ou aquela
igreja, mas o fato que esse entender parcial, também tem levado muita gente a
se afastar DA CASA DE DEUS.
Esse evangelho é denso na interpretação visto que precisa estar o mais
próximo da íntegra e não somente em partes. Como assim?
Por exemplo, lemos apenas os versículos “sou o caminho, a verdade e a
vida; ninguém pode chegar até o Pai a não ser por mim”, “Senhor, mostre-nos o
Pai, e assim não precisaremos de mais nada”, “creiam pelo menos por causa das
coisas que eu faço” e “quem crê em mim fará as coisas que eu faço e até maiores
do que estas”. Eles em separado já representam a verdade, mas o texto na
íntegra propõe o ensinamento.
Como Tiago e Felipe também fragmentamos o ensinamento, pois se isso não
fosse verdade por que os discípulos deixaram Jesus sozinho a rezar? Por que o
abandonaram? Por que se esconderam? Fragmentos de ensinamento. Em pedaços
ouvimos apenas o que nos interessa. Isso é um traço humano.
Os versículos que separei justiçam, por si só, que Deus nos ouve, que está
atento a minha oração onde quer que eu esteja, que tudo Nele eu posso e que os
milagres acontecerão, mas não queremos ouvir o ensinamento completo que exorta
que preciso ter e manter a fé, mudar de atitude e comprometer-se com o próximo.
Reparem esse versículo em meio ao ensinamento: “(…) O PAI, QUE ESTÁ EM
MIM, É QUEM FAZ O SEU TRABALHO”.
Jesus deixa bem claro que é o portador do sonho de Deus para nós, e que
sua missão é ser canal da graça do Pai em meio aos irmãos. Em muitos momentos,
não somente nesse evangelho, fica evidente que, já que é interesse de Deus,
nada o impediria, ou seja, qualquer dificuldade seria (e será) transposta
mediante a vontade de Jesus (ou nossa) em prosseguir. Deus oferece as
ferramentas, mas o filho, de vontade própria, precisava ter a ação concreta.
Ele diz “peça e receberá”, “não tenhas medo”, “venha”, mas precisa da
ação concreta de cada um em acreditar e FAZER ACONTECER. Onde eu quero chegar?
Cada vez mais vemos as pessoas FRAGMENTAS sendo cristãs apenas a frente
da TV. Participam de Missas, Novenas e Encontros “ao vivo” diretamente do
conforto do seu sofá, da sua cadeira… Temos locais que esse conforto desmotivou
as pessoas a ir à missa, estar com os irmãos, partilhar, emprestar seu talento,
dom ou carisma.
Justificam a violência das cidades, a falta de estacionamento nas igrejas,
não ter ar condicionado, a demora da homilia, “aquele padre chato”, “Deus ouve
minha oração em casa”, (…) para preferirem ficar em casa.
Claro que o conforto é bom e que a tecnologia também nos aproximou de
Deus, em especial nas formações, na reza do terço, nos momentos de oração
matinal, mas veja quantos grupos e pastorais sucumbem de ajuda, pois não
queremos sair de casa na hora da novela, “justificando” que já fiz meu
compromisso cristão ao assistir a missa pela manhã pela TV?
Penso que as homilias e ensinamentos dados na TV deveriam estimular ou
desafiar mais as pessoas a SER COMUNIDADE. Enquanto Jesus sofria seu calvário,
seus discípulos onde estavam? As coisas grandiosas que podemos fazer e que
Jesus menciona estão relacionadas no contato com as pessoas, OU SEJA, bem além
dos muros das nossas casas.
Os discípulos que hoje celebramos (que tomaram esse “pito” de Jesus
hoje) se transformaram em grandes divulgadores da Boa Nova, fato este que os
levou ao martírio. A ação concreta deles, em meio aos irmãos, trouxe o
entendimento completo do ensinamento de Jesus
Por fim deixo a reflexão final proposta pela CNBB para esse evangelho:
“(…) Nós também participamos
dessa comunhão NA MEDIDA EM QUE NOS TORNAMOS ÍCONES de Cristo e A PARTICIPAÇÃO
NESSA COMUNHÃO É QUE NOS GARANTE A VIDA EM PLENITUDE, a vida eterna”.
Um imenso abraço fraterno
MOMENTO DE REFLEXÃO
“O
otimismo é uma disposição alegre que permite que um bule de chá assobie, apesar
de estar com água quente até o nariz.” (Anônimo)
Eu
tinha dez anos de idade quando minha mãe teve paralisia, causada por um tumor
na espinha dorsal. Antes disso, ela havia sido uma mulher vibrante e vigorosa,
de tal maneira ativa que a maioria das pessoas achava impressionante.
Mesmo
quando era pequena, eu ficava admirada com suas realizações e por sua beleza.
Porém, quando tinha trinta e um anos, sua vida mudou. Assim como a minha.
Do
dia para a noite, parecia, ela passou a ficar deitada de costas em uma cama de
hospital. Um tumor benigno a havia incapacitado, mas eu era jovem demais para
compreender a ironia da palavra "benigno" – pois ela nunca mais seria
a mesma.
Ainda
tenho imagens vívidas dela antes da paralisia. Ela sempre foi gregária e
recebia muitas visitas. Com frequência passava horas preparando canapés e
enchendo a casa de flores, que colhia frescas no jardim cultivado ao lado da
casa.
Selecionava
as músicas populares da época e rearrumava a mobília a fim de abrir espaço para
que os amigos pudessem se entregar à dança. Na realidade, era minha mãe quem
mais gostava de dançar.
Hipnotizada,
eu a observava se vestir para as festividades noturnas. Mesmo hoje em dia ainda
me lembro de nosso vestido favorito, com sua saia preta e corpete de renda
azul-marinho, o contraste perfeito para seu cabelo louro.
Fiquei
tão emocionada quanto ela no dia em que trouxe para casa sapatos de salto alto
de renda preta e, naquela noite, minha mãe certamente era a mulher mais bonita
do mundo.
Eu
acreditava que ela podia fazer qualquer coisa, fosse jogar tênis (ganhara
campeonatos na universidade), costurar (fazia todas as nossas roupas), tirar
fotografias (ganhou um concurso nacional), escrever (era colunista de um
jornal) ou cozinhar (especialmente pratos espanhóis para meu pai).
Agora,
apesar de não poder fazer nenhuma dessas coisas, ela encarava sua doença com o
mesmo entusiasmo que tinha em relação a tudo o mais.
Palavras
como "deficiente" e "fisioterapia" tornaram-se parte de um
estranho mundo novo no qual entramos juntas, e as bolas de borracha para
crianças que ela se esforçava para apertar adquiriram um simbolismo que jamais
haviam possuído.
Gradualmente,
passei a ajudar nos cuidados com a mãe que sempre cuidara de mim. Aprendi a
cuidar do meu próprio cabelo - e do dela. Eventualmente, tornou-se rotina
levá-la na cadeira de rodas até a cozinha, onde ela me ensinava a arte de
descascar cenouras e batatas e como esfregar alho e sal e pedaços de manteiga
em uma boa carne assada.
Quando,
pela primeira vez, ouvi falarem em uma bengala, opus-me:
-
Não quero que a minha linda mãe use uma bengala. Mas a única coisa que ela
disse foi:
-
Não é melhor você me ver andando com uma bengala do que não me ver andando de
maneira alguma?
Cada
conquista era um marco para nós duas: a máquina de escrever elétrica, o carro
com câmbio e freio automáticos, sua volta à universidade, onde se diplomou em
Educação Especial.
Ela
aprendeu tudo o que podia sobre as pessoas com deficiências e acabou fundando
um grupo ativista de apoio chamado “Os Incapacitados”. Certo dia, sem ter
falado muito de antemão, ela me levou e a meus irmãos a uma reunião dos
Incapacitados.
Eu
nunca vira tantas pessoas com tantas deficiências. Voltei para casa,
silenciosamente introspectiva, pensando em como nós realmente tínhamos sorte.
Ela nos levou muitas vezes depois disso e, eventualmente, a visão de um homem
ou uma mulher sem pernas ou braços não nos chocava mais.
Minha
mãe também nos apresentou as vítimas de paralisia cerebral, enfatizando que a
maioria era tão inteligente quanto nós, talvez mais. E nos ensinou a nos
comunicarmos com os deficientes mentais, mostrando como eles eram frequentemente
mais afetuosos, comparados às pessoas normais. Durante tudo isso, meu pai
continuou a amá-la e apoiá-la.
Quando
eu estava com onze anos, minha mãe me contou que ela e papai iriam ter um bebê.
Muito depois, eu soube que seus médicos tinham insistido para que ela fizesse
um aborto (terapêutico) - uma opção à qual ela resistiu veementemente.
Logo,
éramos mães juntas, já que virei mãe adotiva de minha irmã, Mary Therese.
Em
pouquíssimo tempo aprendi a trocar fraldas, banhá-la e alimentá-la. Ainda que
mamãe tenha mantido a disciplina maternal, para mim foi um passo gigantesco
além da brincadeira com bonecas.
Um
momento se destaca mesmo hoje em dia: o dia em que Mary Therese, na época com
dois anos, caiu e esfolou o joelho, abriu-se em prantos e passou correndo pelos
braços estendidos de minha mãe para os meus. Tarde demais, eu vislumbrei a
faísca de dor no rosto de mamãe, mas tudo o que ela disse foi:
- É
natural que ela corra para você, pois você toma conta dela tão bem...
Como
minha mãe aceitava sua condição com tanto otimismo, raramente me senti triste
ou ressentida. Mas nunca irei esquecer o dia em que minha complacência foi
destruída.
Muito
tempo depois da imagem de minha mãe em salto agulha ter se dissipado da minha
consciência, houve uma festa em nossa casa. A esta altura eu era adolescente, e
vi minha sorridente mãe sentada na lateral, olhando seus amigos dançarem, e fui
atingida pela cruel ironia de suas limitações físicas. Subitamente, fui
transportada de volta à época de minha primeira infância e a visão de minha mãe
dançando radiante estava novamente diante de mim.
Imaginei
se mamãe se lembraria também. Espontaneamente, andei em sua direção e então vi
que, apesar de estar sorrindo, seus olhos estavam marejados de lágrimas.
Corri
para fora do aposento e para o meu quarto, enterrei meu rosto no travesseiro e
chorei copiosamente - todas as lágrimas que ela jamais chorara. Pela primeira
vez, eu me enraiveci contra Deus e contra a vida e suas injustiças para com a
minha mãe.
A
lembrança do sorriso brilhante de minha mãe permaneceu comigo. Daquele momento
em diante, enxerguei sua habilidade de superar a perda de tantas batalhas
anteriores e seu ímpeto em olhar para a frente - coisas que eu tomava por
certas - como um grande mistério e uma poderosa inspiração.
Quando
eu estava crescida e comecei a trabalhar com o sistema penal, mamãe se
interessou em trabalhar com os prisioneiros. Ela telefonou para a penitenciária
e pediu para dar aulas de Redação Criativa para os detentos. Lembro-me de como
eles se amontoavam em volta dela sempre que ela chegava e pareciam se agarrar a
cada palavra sua, como eu fizera na infância.
Mesmo
quando não podia mais se deslocar até a prisão, ela frequentemente se
correspondia com vários detentos.
Um
dia pediu-me para enviar uma carta para um prisioneiro, ''Waymon”. Perguntei se
poderia lê-la antes e ela concordou, sem perceber, eu acho, o quanto aquilo
seria revelador para mim.
Dizia:
"Querido
Waymon,
Quero
que saiba que tenho pensado em você com frequência
desde
que recebi sua carta. Você mencionou como é difícil estar preso atrás das
grades e meu coração se une ao seu. Mas quando você disse que eu não imagino o
que é estar na prisão, senti-me compelida a dizer-lhe que está errado.
Existem
diferentes tipos de liberdade, Waymon, diferentes tipos de prisões. Às vezes,
nossas prisões são auto impostas.
Quando,
com a idade de trinta e um anos, levantei-me um dia para descobrir que estava
completamente paralisada, senti-me em uma armadilha - dominada pela sensação de
estar presa dentro de um corpo que não mais me permitiria correr através de uma
campina, dançar ou carregar minha filha nos braços.
Fiquei
deitada ali durante muito tempo, lutando para chegar a um acordo com minha
enfermidade, tentando não sucumbir em autopiedade. Perguntei-me se, na verdade,
valeria a pena viver nessas condições, se não seria melhor morrer.
Pensei
a respeito desse conceito de prisão, pois me parecia que havia perdido tudo o
que importava na vida. Eu estava próxima do desespero.
Mas,
então, um dia me ocorreu que, na realidade ainda havia opções abertas para mim
e que eu tinha a liberdade de escolher entre elas. Será que eu iria sorrir
quando visse meus filhos de novo, ou iria chorar? Iria zangar-me com Deus, ou
iria pedir que Ele fortalecesse minha fé?
Em
outras palavras, o que eu iria fazer com o livre-arbítrio que Ele havia me dado
e que ainda era meu?
Tomei
a decisão de lutar, enquanto estivesse viva, para viver o mais plenamente
possível, para procurar tornar minhas experiências aparentemente negativas em
experiências positivas, procurar formas de transcender minhas limitações
físicas expandindo minhas fronteiras mentais e espirituais.
Eu
podia escolher entre ser um exemplo positivo para meus filhos ou podia murchar
e morrer emocional assim como fisicamente.
Existem
muitos tipos de liberdade, Waymon. Quando perdemos um tipo de liberdade, temos
que simplesmente procurar por outro. Você e eu somos abençoados com a liberdade
de escolher entre bons livros que iremos ler e quais deixaremos de lado.
Você
pode olhar para as suas grades, ou pode olhar através delas. Você pode ser um
exemplo para prisioneiros mais jovens, ou pode se misturar com os
encrenqueiros.
Você
pode amar a Deus e buscar conhecê-Lo, ou pode virar as costas para Ele. Até
certo ponto, Waymon, estamos nisto juntos. "
Quando
finalmente terminei de ler a carta, minha visão estava borrada pelas lágrimas.
Ainda assim, pela primeira vez, eu enxerguei minha mãe com clareza.
E eu
a entendi.
(Marie Ragghiandi)
UM
ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ!
E
até que nos encontremos novamente,
que
Deus lhe guarde serenamente
na
palma de Suas mãos.
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