Sábado,
17/05/2025
"Até
cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito
que sustenta nosso edifício inteiro." (Clarice Lispector)
EVANGELHO DE HOJE
Jo 14,7-14
— O
Senhor esteja convosco.
—
Ele está no meio de nós.
—
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João
—
Glória a vós, Senhor!
Naquele
tempo, disse Jesus a seus discípulos: 7"Se vós me conhecêsseis,
conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes".
8Disse Filipe: "Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!"
9Jesus
respondeu: "Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces Filipe? Quem
me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: 'Mostra-nos o Pai'?" 10Não
acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo,
não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as
suas obras.
11Acreditai-me:
eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas
mesmas obras. 12Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as
obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai,
13e o que pedirdes em meu nome, eu o realizarei, a fim de que o Pai seja
glorificado no Filho. 14Se pedirdes algo em meu nome, eu o realizarei.
Palavra
da Salvação
Glória
a vós
Senhor.
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Alexandre Soledade
Quem me viu, viu o Pai.
Este Evangelho narra um pedido do Apóstolo Filipe a Jesus: “Senhor,
mostra-nos o Pai, isso nos basta! Jesus respondeu: Há tanto tempo estou
convosco, e não me conheces Filipe? Quem me viu, viu o Pai”. “Jesus é a imagem
de Deus invisível” (Cl 1,15). Ele é imagem de Deus Pai porque tem as mesmas
características e qualidades de Deus Pai: amor, misericórdia, poder, sabedoria,
ciência infinita etc. Jesus é o rosto humano de Deus Pai. Aliás, nós sabemos que
Jesus é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, que se encarnou.
“Quem me viu, viu o Pai.” Mas
este “ver” não é físico. Os fariseus viam fisicamente a Jesus e no entanto não
conheciam a Deus Pai. Contemplavam os milagres que Jesus realizava, a sua conduta
transbordante de bem, a sua doutrina espalhando a verdade e no entanto não viam
nele a imagem de Deus invisível. Isso porque não é possível “ver” Jesus na sua
identidade divina, a não ser com os olhos do coração. Várias vezes Jesus pediu
para contemplarmos as suas obras a fim de vermos nelas a sua união com o Pai e
assim nos salvarmos: “Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim.
Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras”.
“Muitas vezes e de muitos modos,
Deus falou outrora aos nossos pais, pelos profetas. Nestes dias..., falou-nos
por meio do Filho... Ele é o resplendor da glória do Pai, a expressão do seu
ser” (Hb 1,1-3).
O evangelista S. João, no início do seu Evangelho, chama Jesus de
Palavra de Deus Pai, justamente porque a palavra, que é sensível, expressa a ideia
que não é sensível. Jesus é a expressão de Deus Pai para nós.
“Eu estou no Pai e o Pai está em
mim... Quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do
que estas.” Jesus nos faz entender que ele pertence à Família divina, e que
esta Família não está longe de nós, e sim conosco, através de Cristo. Nós
entramos, de modo misterioso, na vida das Pessoas Divinas.
“O primeiro homem, formado da terra, era terrestre; o segundo homem veio
do céu. Qual foi o homem terrestre, tais são os terrestres; e qual é o homem
celeste, tais serão os celestes. E como já trouxemos a imagem do terrestre,
traremos também a imagem do celeste” (1Cor 15,47-49). Assim como Cristo é a
imagem de Deus Pai, nós somos chamados a ser imagens de Cristo. S. Paulo
conseguiu realizar plenamente nele essa vocação que é de todos nós: ser uma
imagem de Cristo no mundo. “Não sou mais eu que vivo, é Cristo que vive em mim”
(Gl 2,20).
Certa vez, um monge e um noviço caminhavam em uma estrada no meio do
mato. Quando atravessavam um rio, por uma pinguela, viram um escorpião sendo
arrastado pelas águas. O monge correu pela margem do rio, jogou-se na água e
estendeu o dedo para o bichinho. Quando o trazia para fora, o escorpião o
picou. Devido à dor, o monge sacudiu o dedo e o animalzinho caiu novamente no
rio. Ele foi depressa à margem, quebrou um ramo, correu mais embaixo e o
salvou.
Continuando a caminhada, o noviço lhe disse: “Por que o senhor quis
salvar o bicho novamente, se ele o picou?” O monge respondeu: “Cada um dá o que
tem. Ele agiu conforme a sua natureza, e eu agi conforme a minha!”
De fato, na primeira vez, o monge não devia ter estendido o seu dedo
para o escorpião, e sim ter providenciado uma pequena vara.
A nossa natureza não é só humana, mas temos uma “janela aberta ao
infinito”, participamos da natureza divina. Só nos realizamos plenamente no
amor, na doação, na união com Deus e pertença à Igreja que Jesus fundou.
Peçamos a Maria Santíssima que nos ajude a reproduzir em nós a imagem de
Cristo, porque assim seremos realmente participantes da natureza divina.
Quem me viu, viu o Pai.
MOMENTO DE REFLEXÃO
Todos
os anos há um momento em que olhamos nossos armários com um olhar crítico.
Olhamos aquelas roupas que não usamos há tanto tempo. Aquelas que tiramos do
cabide de vez em quando, vestimos, olhamos no espelho, confirmamos mais uma vez
que não gostamos e guardamos de volta no armário. Aquele sapato que machuca os
pés, mas insistimos em mantê-lo guardado. Há ainda aquele terno caro, mas que o
paletó não cai bem, ou o vestido "espetacular" ganho de presente de
alguém que amamos, mas que não combina conosco e nunca usamos. Às vezes,
tiramos alguma coisa e damos para alguém, mas a maior parte fica lá, guardada
sabe-se lá porquê. Um dia alguém me disse: tudo o que não lhe serve mais, e
você mantém guardado, só lhe traz energias negativas. Livre-se de tudo o que
não usa e verá como lhe fará bem. Acontece que nosso guarda-roupa não é o único
lugar da vida onde guardamos coisas que não nos servem mais. Você tem um
guarda-roupa desses no interior da mente. Dê uma olhada séria no que anda
guardando lá. Experimente esvaziar e fazer uma limpeza naquilo que não lhe
serve mais. Jogue fora idéias, crenças, maneiras de viver ou experiências que
não lhe acrescentam nada e que lhe roubam energia.
Faça
uma limpeza nas amizades; naqueles amigos cujos interesses não têm mais nada a
ver com os seus. Aproveite e tire de seu "armário" aquelas pessoas
negativas, tóxicas e sem entusiasmo que tentam te arrastar para o fundo dos
seus próprios poços de tristezas, ressentimentos, mágoas e sofrimento. A
insegurança dessas pessoas faz com que busquem outras para lhes fazer
companhia, e lá vai você com elas... Junte-se a pessoas entusiasmadas que o
apoiem em seus sonhos e projetos pessoais e profissionais. Não espere um
momento certo, ou mesmo o final do ano, para fazer essa "faxina interior".
Comece
agora e experimente aquele sentimento gostoso de liberdade.
Liberdade
de não ter que guardar o que não lhe serve. Liberdade de experimentar o
desapego. Liberdade de saber que mudou, mudou para melhor, e que só usa as
coisas que verdadeiramente lhe servem e fazem bem.
Wilson
Meiler
UM
ABENÇOADO DIA PRA VOCÊ!
E
até que nos encontremos novamente,
que
Deus lhe guarde serenamente
na
palma de Suas mãos.
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