Sábado, 04 de novembro
de 2017
“Dedique uma parte
do seu tempo para ouvir com o coração.”
EVANGELHO DE HOJE
Lc 14,1.7-11
— O Senhor esteja
convosco.
— Ele está no meio
de nós.
— PROCLAMAÇÃO do
Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Lucas
— Glória a vós,
Senhor!
Num certo sábado,
Jesus foi a casa dum dos chefes dos fariseus para comer com ele, e todos
observavam o que Jesus fazia. Ao reparar como alguns convidados escolhiam os
lugares de honra à mesa, Jesus disse isto: "Quando alguém te convidar para
um casamento, não te sentes no lugar principal, porque pode acontecer que tenha
sido convidado alguém mais importante do que tu. Então, aquele que convidou os
dois terá que te dizer: "Dá o lugar a este." Ficarás depois
envergonhado quando tiveres de procurar o último lugar. Por isso, quando fores
convidado, senta-te no último lugar, e assim quando vier o que te convidou,
dirá: "Amigo, passa para um lugar mais honroso." Nessa altura,
ficarás muito honrado diante de todos os que estiverem contigo à mesa. Pois
todo aquele que se engrandece será humilhado, e todo o que se humilha será
engrandecido."
Palavra da
Salvação
Glória a vós
Senhor.
MEDITAÇÃO DO EVANGELHO
Padre Antonio Queiroz (in memoriam)
Quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado.
Jesus notou que, nas festas, as pessoas ocupavam os primeiros lugares.
Então contou a parábola dos convidados ao banquete, ensinando que, nos
banquetes de festa, ocupemos os últimos lugares.
Essa humildade tem a ver com o banquete no Reino de Deus, que é para os
humildes, como cantou Maria no magnificat: “derrubou do trono os poderosos e
elevou os humildes”. A simplicidade e a humildade constituem uma opção básica
do discípulo que vive na fraternidade do Reino.
Humildade provém do latim “humilis”, que por sua vez deriva de “húmus”
= terra. Humildade é estar ao nível do solo e se mover sem sair dali. “A
humildade é a verdade” (Sta. Teresa). Ela é a verdade “somos pó e ao pó
voltaremos”.
“Se me glorifico a mim mesmo, a minha glória não vale nada. Quem me
glorifica é meu Pai” (Jo 8,54).
“Quem quiser ser o primeiro entre vós, seja o escravo de todos” (Mc
10,43).
“Aprendei de mim que sou manso e humilde coração, e encontrareis
descanso” (Mt 11,29).
“Haja entre vós o mesmo sentir e pensar que no Cristo Jesus... Ele
humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte – e morte de cruz!” (Fl 2,5-8).
Quantos problemas e pecados acontecem, por falta de humildade!
“Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes” (Tg 4,6).
Há humildes passivos e humildes ativos. Passivos são os que são
humilhados pelos outros, mas sem que busquem o rebaixamento. Ativos são os que
se fazem humildes por opção pessoal, como o convidado que se senta no último
lugar. E há também o humildade de anzol: sabendo que o povo gosta de pessoas humildes,
a pessoa se humilha só para obter honras e glórias.
A humildade sincera é indispensável para a vida em Comunidade.
Havia, certa vez, um homem que era bom, e muito humilde. Ele gostava de
fazer o bem para as pessoas, mas não queria de modo algum chamar a atenção para
si mesmo.
Um dia, seu Anjo da Guarda lhe apareceu e disse: “Deus quer que você
seja um instrumento dele para distribuir o seu amor às pessoas. O Senhor me
mandou perguntar-lhe de que jeito você quer distribuir as bênçãos de Deus. Quer
o dom da palavra? O dom de escritor? Um dom artístico?...
O homem pensou... e disse ao anjo: “Eu tenho medo de, recebendo esses
dons que você citou, o povo começar a atribuir a mim os benefícios e deixar
Deus de lado. Tenho medo também de eu me envaidecer e pensar que eu é que sou o
tal. Por isso, diga ao Senhor que eu gostaria que ele abençoasse a minha
sombra. Porque, como a sombra fica atrás de mim, as pessoas que receberão as
bênçãos não verão o meu rosto nem eu verei o rosto delas nem saberei que benefícios
receberam.
E assim aconteceu. Quando aquele homem passava, a sua sombra, atrás
dele, atraía as melhores graças para o povo: saúde, inteligência, paz,
conversão dos pecadores, emprego, reconciliação etc.
E ninguém ficou sabendo que esses benefícios vinham através da sombra
daquele homem. E nem o homem via, pois ele já havia passado.
Vamos também procurar fazer o bem, mas com humildade, atribuindo tudo a
Deus.
Maria Santíssima era uma pessoa humilde. Ela nunca se promoveu a si
mesma. E, quando se referiu a si mesma, chamou-se de escrava: “Eis aqui a
escrava do Senhor”. Que Nossa Senhora nos ajude a ser cada vez mais humildes.
Quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado.
CASA, LAR E FAMÍLIA
Os Dilemas de se Criar
um Filho com Deficiência.
Livres, Leves e Soltos.
Incentivar que o filho supere seus
limites ou protegê-lo de dificuldades? Especialistas e pais comentam os dilemas
de criar uma criança com deficiência.
Na cinebiografia do cantor e
pianista Ray Charles, lançada em 2004, uma das cenas mais comoventes tem início
com o músico, ainda menino, tropeçando em uma cadeira e se estatelando no chão
de casa. Ele havia perdido a visão pouco antes desse episódio e, assustado,
grita por socorro. Da cozinha, a mãe assiste ao incidente e tem um impulso de
ajudá-lo, mas refreia-se. Decide observá-lo, em silêncio, para saber se o
garoto consegue lidar com sua nova condição.
O dilema que a atriz Sharon Warren
representa na tela é o mesmo que pais e mães de crianças e adolescentes com
alguma deficiência sensorial ou motora enfrentam em seu dia a dia: incentivar
que o filho supere seus limites a fim de crescer em relativa igualdade com seus
pares ou poupá-lo de frustrações e agir de forma a atenuar os obstáculos que,
devido à deficiência, são mais difíceis para ele do que para os demais.
Doralice da Silva Nascimento, 45,
mãe de Anderson, 25, Alexandre, 23, e André, 19, que nasceram cegos, passou por
essas duas situações: superprotegeu o primogênito por não aceitar o problema de
início, mas mudou de atitude quando os outros filhos nasceram, também sem
enxergar. "Quando soube que o Alexandre era cego, procurei ajuda em uma
escola especializada. Passei a aceitar a condição deles e a entender que
precisavam aprender a se virar sozinhos, pois eu não poderia ajudá-los para
sempre", diz.
Nascidos no interior de São Paulo,
os três foram criados com autorização para subir em árvores, brincar de
pega-pega e jogar bola. "Minha mãe embrulhava a bola em um saco plástico
para que pudéssemos saber onde ela estava", conta Alexandre. Aprenderam
até a andar de bicicleta e a cavalo.
Quando os três filhos saíram
sozinhos pela primeira vez, Doralice os seguiu sem que eles soubessem.
"Foi terrível deixá-los andar sozinhos. Várias vezes eu os via em situação
de perigo e tinha vontade de gritar para eles tomarem cuidado, mas não podia
reagir para não atrapalhá-los", recorda-se. Hoje, os irmãos usam
transporte público, viajam sozinhos, fazem faculdade de gestão de RH e são
medalhistas em atletismo: "Graças à minha mãe, somos totalmente independentes.
Fazemos qualquer coisa, como qualquer pessoa", diz Alexandre.
Equilíbrio.
Segundo a psicóloga e psicanalista
Ana Cristina Marzolla, professora da PUC-SP, a maneira como os pais encaram a
condição do filho depende de uma série de fatores, como o tipo e o grau de limitação
da criança, a estrutura familiar, a relação do casal e a personalidade de cada
um deles. "E esse comportamento não é estanque, ele muda com o
tempo."
O psicólogo Roberto Benedito de
Paiva e Silva, do Departamento de Desenvolvimento Humano e Reabilitação da
Unicamp, acredita que os pais devem ter uma visão real das limitações. "A
criança precisa de estimulação e de recursos que facilitem sua vida, mas tem
que aprender a conviver com o mundo com naturalidade."
Na prática, isso nem sempre
acontece. Não é difícil encontrar pais que protegem seus filhos com deficiência
além do que seria recomendado. Em parte essa atitude se deve ao fato de eles
projetarem no filho sua própria fragilidade diante da situação, à culpa que
sentem por terem gerado um filho com deficiência -ou por não terem conseguido
evitá-la- e aos sentimentos ambivalentes, de amor e de rejeição, em relação à
criança.
Para Ana Cristina Marzolla, a
superproteção faz com que a criança tenha uma autoimagem de fragilidade,
impede-a de conhecer seus recursos e cria dificuldade para lidar com a
frustração. "Isso ocorre também com filhos não deficientes, mas uma
criança com deficiência, dependendo do grau de superproteção, pode não
desenvolver toda a sua capacidade cognitiva", alerta.
Negação.
Uma espécie de avesso da
superproteção, a negação é outra maneira que os pais encontram para lidar com o
diagnóstico de deficiência. "Alguns podem fazer de conta que está tudo
normal e, com isso, não conseguem atender às necessidades específicas da criança",
afirma a psicóloga da PUC-SP.
O adolescente Gabriel do Rosário
Mendes, 14, foi educado para ser como as outras crianças. Até os quatro anos
ele não falava nem sentava. Sua mãe, a recepcionista Ágda do Rosário Mendes,
40, deixou o trabalho de lado para levá-lo a sessões de terapia que tomavam
praticamente o dia inteiro.
No fim da tarde, ela não abria mão,
no entanto, de levá-lo com as irmãs mais velhas à pracinha próxima de casa.
"Eu o colocava no balanço, no escorregador. Fazia de tudo para ele
acompanhar e não se sentir diferente", recorda-se a mãe. Até na aula de
judô Ágda o matriculou. "A fisioterapeuta não queria porque tinha medo de
que ele caísse e se machucasse, mas deixei porque era uma alegria para
ele", diz.
O único passeio que a mãe desautoriza
é ir ao parque de diversões. O medo que ela sente e que impede o menino de ir a
esses locais vem da época em que Gabriel sofria convulsões ,oito anos atrás, o
que teria levado o neurologista a proibir esse tipo de brincadeira. "Ele
me cobra até hoje", diz a mãe.
MOMENTO DE REFLEXÃO
- O que ela tem?
- Não tem nada. Ela é assim.
Passados poucos segundos, a menina
curiosa começou a brincar com a Luísa na areia como se no mundo não houvesse
paralisia cerebral. Desde então, toda vez que alguém me pede para ficar
explicando a deficiência da minha filha, dou uma resposta bem simplificada. A
não ser, é claro, em circunstâncias específicas, oportunas. Para essas eu tenho
até PowerPoint.
Naquele dia, na pracinha perto de
casa, disse àquela criança, nas entrelinhas. "Você quer brincar com alguém
diferente de você? Se sim, ótimo, seja bem-vinda. Senão, paciência."
A gente tem que entender de genética
para brincar com alguém com a cor de pele diferente da nossa? E se a pessoa
gosta de namorar com pessoas do mesmo sexo que ela? Vou ter que entender de
psicologia comportamental ou de sei-lá-o-quê? E se ela descende de uma
comunidade ou etnia muito diferente da minha? Vou ter que estudar história,
antropologia e geografia antes de interagir com ela?
- Você não tem o seu jeito?, eu
disse. Então. Esse é o jeito dela.
A garotinha compreendeu rapidamente
aquilo que é tão difícil para muitos adultos. Toda vez que eu contratava alguma
ajudante lá para casa, vinham aqueles olhos amedrontados suscitando que não
iriam dar conta da Luísa. Uma semana depois,Luísa já tinha uma segunda mãe.
Os olhares de estranhamento dos
vizinhos, ao passar de alguns meses, tornavam-se receptivos. E vinham
comentários do tipo:
- Nossa, mas ela tá evoluindo tanto.
Tô impressionada!
E eu pensava cá com os meus
neurônios: "Ela não evoluiu tanto assim, você é que se acostumou com ela e
agora consegue vê-la."
É verdade, a deficiência grita na
frente. Antes que a pessoa por trás dela chegue. A gente vê a deficiência, de
cara, e não consegue enxergar mais nada.
Por isso, tirando alguns dias em que
estou realmente de mau humor, não nutro sentimentos negativos em relação a
essas pessoas. Não as vejo como discriminadoras ou preconceituosas. Apenas
reagem ao que é diferente da maioria.
- Que problema ela tem? - No
momento, nenhum. Está tudo bem.
Problema é aquilo que tem solução.
Deficiência é deficiência. Enquanto não houver o domínio das células-tronco ou
de alguma outra tecnologia, não tem como"consertá-la" . Ora, o que
não tem solução não é problema.
Problema é trazer minha filha à
pracinha perto da nossa casa e não ter um brinquedo onde ela possa brincar.
Problema é querer comprar uma cadeira de rodas bonita, prática, leve e
funcional e não encontrar uma assim no Brasil. Problema é querer adaptar Luísa
ao computador e não ter um teclado nacional que seja adequado para quem tem
dificuldade motora. Problema é querer passear com ela nas redondezas e não ter
uma calçada sem buracos que não torne o nosso passeio um ato perigoso. Há
muitos outros problemas que precisam ser solucionados.
Com a minha filha está tudo bem. Ela
tem uma saúde ótima, um emocional tranquilo, é bem-educada e cheia de vida.
Agora, não posso dizer o mesmo do país onde ela vive. Hoje tenho trauma de
pracinha. Só de olhar para aqueles brinquedos, sinto um mal-estar.
UM ABENÇOADO DIA
PRA VOCÊ...
E até que nos
encontremos novamente,
que Deus lhe
guarde serenamente
na palma de Suas
mãos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário